Conheça Allan Kardec

 

Um menino nascia em 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lion, localizada a mais ou menos quinhentos quilômetros ao sul de Paris, próximo à divisa com a Suíça. Era uma quarta-feira, às 19 horas, e foi registrado com o nome de Denisard Hypolite Leon Rivail. Foi batizado em 15 de junho de 1805, na Igreja Católica de Saint-Denis de la Croix Rousse.

Os autores divergem quanto ao seu nome correto. Temos Leon Hipollyte Denizard Rivail, Hippolyte Leon Denizard Rivail e Denizard Hippolyte León Rivail. Mas na certidão de nascimento está Denisard Hypolite Leon Rivail, o mesmo que consta da certidão de óbito.

Foi filho único do casal Jean Baptiste Antoine Rivail, magistrado, e Jeane Louise Duhamed, que o criou num ambiente de amor e paz e teve como orientações primeiras a retidão,  a honestidade e o gosto pelos estudos.

Aos 12 anos foi estudar na Suíça, no Instituto Pestalozzi, em Iverdum, próximo ao lago Neuchatel e a importante cidade de Berna.

O mestre  era Johann Heinrich Pestalozzi, doutor em direito e professor da Universidade de Zurique, que revolucionou a França e a Alemanha no final do século XVIII com seu método de ensino conhecido como ‘Educação Ativa”, num colégio fundado em 1805.

Aos quatorze anos, Denisard começou a receber maiores incumbências dentro do instituto, pois era muito inteligente e dos discípulos do mestre era o mais zeloso e entusiasta divulgador dos seus métodos de ensino. Pestalozzi confiava muito em Denisard, e devido a essa confiança, quando ele tinha aproximadamente dezesseis anos, passou a tomar conta do instituto praticamente sozinho, coordenava e lecionava. Pestalozzi viajava por toda a Europa para divulgar e dar palestras sobre seu sistema de educação.

A formação religiosa de Denisard era Católica, mas a Suíça era um País eminentemente protestante. Por esse motivo ele sofreu muitos atos de intolerância que lhe causaram descontentamentos. Esses incômodos fizeram nascer em sua mente pensamentos de uma reforma religiosa. Sua idéia inicial era unir todas as crenças. Mas, ele trabalhou em silêncio.

Quando terminou os estudos na Suíça, em 1824, Denisard voltou à França deixando o grande mestre Pestalozzi já velho, sofrido e esgotado pela sua luta missionária, providenciando o fechamento do famoso instituto.

Isento do serviço militar, Denisard vai para Paris onde funda seu próprio instituto técnico. Tinha grande conhecimento sobre magnetismo, que havia estudado em 1823.

É neste momento que ele conhece e se apaixona por Amélie Gabriele de La Combe Boudet, professora de desenho, com quem se casa. Ela era nove anos mais velha. O casamento deu-se a 6 de fevereiro de 1832.

Dominava, além do francês, sua língua natal, também o alemão, o holandês e o inglês, além de falar o espanhol e o italiano e ainda, tinha fortes conhecimentos do latim, do grego e do gaulês. Pelo fato de gostar, particularmente, muito do alemão, traduziu para esta língua importante obras sobre educação moral, principalmente do filósofo francês Fénelon.

Publicou suas primeiras obras: “Aritmética do 1.º Grau”, 1824, e Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública, 1828, deixando claro a grande herança moral e educacional herdada do Mestre Pestalozzi.

Em 1829 publicou Curso Prático e Teórico de Aritmética – em dois volumes (Segundo os Métodos de Pestalozzi). Esse livro era para o uso de professores primários e mães de família (molas propulsoras na educação da humanidade). Publicou também outros de Gramática, Física, Química e Astronomia (disciplinas que Denisard lecionava gratuitamente em sua residência para alunos pobres). Publicou também uma obra, que ainda hoje é editada, devido a sua importância para a França, que é: -Estudos para os Exames da Prefeitura de Sorbonne.

A intenção de Denisard, com a publicação dessas obras, era unir e esclarecer as pessoas ligando-as ainda mais à sua terra e às suas famílias; ele seguia o lema “Família, Amor e Pátria”.

De inteligência notável e vocação literária, Denisard começa a escrever muitas obras didáticas, projetando-se no cenário escolar. Sentia-se plenamente integrado na função de orientador, mas faltava algo, que lhe estava reservado. É quando surgem as mesas girantes que serviam de divertimento para a sociedade francesa e que ele assistiu uma reunião pela primeira vez em uma terça-feira em meados de maio de 1855.

Depois de observar e perceber a seriedade dos fenômenos, quando as “mesas” respondiam perguntas desconhecidas das pessoas, passou a freqüentar as reuniões em diferentes residências.

Em 30 de abril de 1856, na casa da Sra. Roustan,  a médium Celine Japhet, com 14 anos, transmite a primeira revelação positiva de sua missão.

Cabia-lhe desvendar todo mistério que os senhores Carlotti, Taillandier, Tiedman, Sardou, Didier e outros, haviam reunido em cinqüenta cadernos de comunicações diversas que puseram à disposição de Denisard.

Finalmente, compila e revisa todos os dados do livro que organizou e lança em 18 de abril de 1857, a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, com 501 perguntas e respostas. Usa o  pseudônimo Allan Kardec, num misto de modéstia e razão para que a obra fosse lida pelo conteúdo e não pelo nome do autor, pessoa já de algum prestígio no mundo literário. O nome foi sugerido pelos Espíritos e era o que ele tivera em encarnação antes de Cristo tempo em que era um Sacerdote do povo druidas

Em 18 de março de 1860, revisaria e ampliaria a obra lançando a segunda edição que permanece até hoje, com 1019 questões.

Logo em 1 de janeiro de 1858, numa sexta-feira, cria a Revista Espírita para anotações e divulgação de tudo o que ocorria no movimento espírita em diferentes lugares, inclusive fora do país.

Em 1 de abril de 1858, numa quinta-feira, fundaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro Centro Espírita para reunião e estudo.

Passa por momentos difíceis de lutas e perseguições, quando é vítima de calúnias que o levam a ser processado. Mas tudo superava e seguia firme no seu trabalho.

Sabotado acaba tendo problemas com seu colégio que abandona e se dedica exclusivamente ao Espiritismo.

Numa terça-feira, 15 de janeiro de 1861, lança “O Livro dos Médiuns”, ampliação da parte terceira de “O Livro dos Espíritos”, tratando do relacionamento entre os dois planos de vida.

No dia 29 de abril de 1864, sexta-feira, lança o livro que daria caráter religioso à Doutrina, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lançado originalmente como A Imitação do Evangelho. Eram as Leis Morais. A obra se deveu também a conversa que manteve com  seu Espírito guia, em  9 de outubro de 1863, enquanto a elaborava,  quando este lhe disse :

“Aproxima-se a hora em que terás de apresentar o Espiritismo como ele é realmente, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolher, os Espíritos conheciam a solidez de tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual um muro de aço, resistiria a todos os ataques.”

Em 1 de agosto de 1865, terça-feira, lança “O Céu e o Inferno”, com explicações sobre a quarta parte de O Livro dos Espíritos, que são as esperanças e consolações na visão espírita.

Finalmente, numa segunda-feira, em 6 de janeiro de 1868, lança “A Gênese” com análise da parte primeira do Livro: Deus e a Criação.

Já havia escrito algumas outras pequenas obras como O Principiante Espírita, O que é o Espiritismo, O Espiritismo em sua expressão mais simples, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Preces Espíritas, etc.

Em 31 de março de 1869, quando se preparava para mudar de local para ampliação das suas tarefas, é vitimado pelo rompimento de um aneurisma. Sua esposa, Amélie, ainda lutaria muito pela divulgação doutrinária até que também sucumbiria a 21 de janeiro de 1883, com quase 90 anos.

Seu editor publicaria ainda, em 1890, as Obras Póstumas de Allan Kardec, onde se vê registrada toda a sua preocupação com a doutrina espírita e o que seria dela depois que ele se fosse. Uma leitura que vale muito a pena.

Se hoje estudamos o Espiritismo, essa doutrina que liberta o homem, devemos tudo ao Codificador Allan Kardec, pelo esforço e zelo demonstrados para que a Doutrina fosse organização e pudéssemos ter acesso a ela, com a clareza que hoje ela nos chega.

Que Deus o abençoe, caro missionário, onde quer que se encontre nesta sua caminhada nas trilhas da vida eterna!…

Publicado em: on Segunda-feira, 27 Outubro27, 2008 at 11:40 am Comentários (2)

Os Essênios e Jesus

 

 

Texto de Marcos Paterra

Olá pessoal!

Elaborando algumas pesquisas, achei coisas interessantes sobre Jesus e os Essênios. 

Muitos talvez não saibam… Mas os Essênios  eram originários do Egito e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C, formaram um pequeno grupo de judeus, que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto e outros locais, na Palestina e no Egito.

A Doutrina do Deserto

Eles respeitavam a vida acima de tudo, escreveram os mais antigos textos bíblicos e influenciaram o cristianismo. Com vocês, os essênios.

Por Rafael Kenski e Duda Teixeira

Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – Os Essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto publicou-o em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.

Manuscrito achado no
Vaticano afirma que Jesus
era essênio e vegetariano

Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores. Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios, essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas. Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma nota de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios a partir de 225 a.C.

O ano 68 da nossa era guardava as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.

O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia.

Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida. Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas’ e “vinho novo”, um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath, os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum.

Em abril de 1947, no vale de Khirbet Qumran, junto às encostas do Mar Morto, Juma Muhamed, pastor beduíno da região, recolhia seu rebanho quando ao seguir atrás de uma cabrita desgarrada percebeu que havia uma extensa fenda entre duas rochas.Curioso, atirou uma pedra e ouviu o ruído de um vaso se quebrando. No vaso, encontrou pergaminhos.

Este momento caracterizou-se como um marco para o mundo arqueológico: A Descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

Desde então, a tradução e divulgação do seu conteúdo têm atraído a atenção mundial, e uma grande expectativa tem se instaurado quanto a possíveis segredos ainda não revelados.

O nome Essênios deriva da palavra egípcia Kashai, que significa “secreto”. Na língua grega, o termo utilizado é “therepeutes”, originário da palavra Síria “asaya”, que significa médico.

A organização nasceu no Egito nos anos que precedem o Faraó Akhenathon, o grande fundador da primeira religião monoteísta, sendo difundida em diferentes partes do mundo, inclusive em Qumran. Nos escritos dos Rosacruzes, os Essênios são considerados como uma ramificação da “Grande Fraternidade Branca”.

Segundo estudiosos,  foi nesse meio onde esteve Jesus no período entre seus 13 e 30 anos. Alguns estudiosos também acreditam que a Igreja Católica procura manter silêncio acerca dos essênios, tentando ocultar que recebeu desta seita muitas influências.

Bem… Esta ai o texto. Apreciem  aqueles que gostam desse tipo de matéria.

Até mais

Marcos Paterra

Publicado em: on Terça-feira, 7 Outubro7, 2008 at 9:52 am Comentários (11)