Privilégios e privilegiados

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Devido aos convites para proferir pequenas palestras em diferentes centros da nossa cidade e estado, com a preocupação de dirigente espírita, não deixo de observar o comportamento de confrades de outras instituições.

Vemos trabalhadores e dirigentes que agem como autoridades, do tipo “você sabe com quem está falando?”. Furam a fila do passe e levam seus Amigos para que passem na frente dos outros que “não têm a sua importância”, porque afinal não são, como ele, íntimos do presidente.

Sem perceber que as pessoas observam seus desregramentos e falta de compostura, muitos se dirigem por vezes à tribuna onde proferem belos e eruditos discursos, falando de moral, de respeito ao próximo e tantas outras frases feitas que não aplicam em si mesmos. É como se alguém combatesse o vício do álcool de copo na mão ou criticasse o tabagismo entre uma e outra baforada. Não existe diferença.

Algo que deveria ser mais bem policiado pelos que comandam as instituições é a diferença de tratamento que dedicam às pessoas. Para os amigos ampla cortesia; para o público em geral, frieza e às vezes rispidez. Para uns beijos e calorosos abraços; para os outros um natural desdém de quem nem percebe a sua presença.

Os espíritas já deveríamos ter aprendido que quem se exalta será humilhado e quem é humilde no fim será exaltado. Por isso é que Jesus ensinou que os últimos serão os primeiros. Quando você busca os lugares de honra, corre o risco de ver o anfitrião convidá-lo a ceder sua cadeira a alguém mais importante, deixando-o constrangido. “Senta-te no teu lugar e não te farão levantar” já ensinava Miguel de Cervantes.

Tomamos a liberdade de mostrar esta faceta quase que imperceptível do comportamento humano, porque muitas coisas nós fazemos com natural habitualidade e nem percebermos como são descabidas. No cotidiano, como que atuando por reflexo condicionado, como demonstrou Ivan Pavlov na salivação dos cães ao tocar o sinal que anunciava o alimento, temos atitudes automatizadas que afrontam muitas vezes a boa educação e o civilizado convívio com o semelhante.

Tais atitudes são observadas no trânsito, quando consideramos sempre preferencial a rua por onde trafegamos, no comércio onde procuramos ser atendidos atropelando os outros, no mercado quando deixamos nosso carrinho no meio do corredor sem considerar que há outras pessoas com os mesmos direitos no local e, por extensão, levamos para o centro os maus hábitos que já trazemos arraigados. Parece algo sem importância, mas não é. “         Quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito”, já nos foi ensinado.

Ao entrar no centro espírita como trabalhador ou visitante, observe-se atentamente e veja se não está afrontado algo ou alguém. Como já diz o povo que o hábito de casa vai à praça, comecemos a politizar-nos a partir do próprio lar. Educando-nos permaneceremos educados.

O privilégio que devemos buscar no centro espírita deve ser o de trabalhar cada vez mais, de contribuir para o bom nome da casa e estar sempre disponível para novas tarefas. Deixe que Deus lhe recompense pelo bem que faz e não se preocupe com a glória ou a importância que os homens lhe ofereçam. Elogio é sempre algo duvidoso e muita vez esconde segundas intenções. A glória que vem de Deus não deixa dúvidas porque é sempre a consequência de algo sério, bom e verdadeiro que realizamos. Deus não nos bajula; compensa-nos pelo que realizamos. Acredite nisso e será um privilegiado!

Jornal O Clarim – junho de 2012

É o fim do mundo

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Octávio Caúmo Serrano
Podemos usar esta expressão de espanto para analisar as conversas sem sentido que envolvem as previsões de que o mundo vai acabar. Que mundo? A Terra apenas ou os demais planetas também? Ou seria o Universo?
É de pasmar a falta de serviço que envolve certas pessoas, inclusive no meio espírita, que as levam a este tipo de assunto completamente inútil. Mesmo porque se o mundo fosse acabar Deus não daria aviso prévio. E mesmo que desse, que opções teríamos para nos livrar da catástrofe?
O mundo acaba todos os dias para os humanos que deixam a matéria e ignoram a continuidade da vida, até que se vejam diante da eternidade, entre surpresos e desesperados pelos erros cometidos e que terão de corrigir.
De quando em quando vem alguém com a novidade. Geralmente, com a intenção de vender alguma coisa, nem que seja espaço de jornal, revista, rádio ou TV. Ao longo da história isso já se repetiu. Só recentemente, em 1938, Assis Valente compôs e Carmem Miranda interpretou “E o mundo não se acabou” e agora no terceiro milênio a história se repetiu até chegar no boato atual do fim do mundo de 2012. Ora é Nostradamus, ora são os maias, os videntes e sabe-se lá quem mais; e o fim do mundo continua sendo adiado. Sem contar o famoso “1000 verás; a 2000 não chegarás.” Claro ninguém vive mil anos numa encarnação.
Se estiverem falando da Terra, é um planeta novo, com apenas 4,5 bilhões de anos, que caminha para um estado mais feliz, já que de mundo de provas e expiações está se transformando em mundo de regeneração. A mão de obra para criá-la e vê-la chegar ao estado atual, depois de ciclos e ciclos de aprimoramento, durante tanto tempo, não iria contemplá-la com o desperdício de uma explosão sem utilidade para ninguém. Há muito que melhorar para qualificá-la a receber uma humanidade mais avançada do que a atual. Para os que são desonestos, o fim do mundo seria conveniente para que não tivessem de encarar o juízo final que segundo o Espiritismo é o juízo parcial, ao fim de cada encarnação, porque depois começa tudo novamente.
Só uma humanidade atrasada como esta nossa da Terra para envolver-se com polêmica tão inútil e sem sentido. Jamais alguém irá saber quando o mundo vai acabar. Sem dúvida, acontecerá um dia porque tudo tem começo, meio e fim. A Terra não é exceção. Antes disso, todavia, muita coisa ainda vai acontecer o que durará bilhões e bilhões de anos. Talvez trilhões. Quem imagina que não vai precisar mais trabalhar porque o mundo vai acabar, vai se decepcionar. Tudo vai continuar como está e cada um deve seguir na luta pelo seu aprimoramento porque senão o seu mundo particular pode sim acabar e em condições terríveis; a estação de desembarque poderá ser nas zonas umbráticas da espiritualidade onde só há choro e ranger de dentes.
Deus não é sádico nem faz ameaças ou terrorismo. Quando o próprio Jesus recomendou que João Evangelista fosse levado ao futuro para ver o caos a que foi conduzida a humanidade, tinha por finalidade advertir que se mudarmos o mundo hoje alteraremos o seu futuro. Os homens não precisariam sofrer tanto se fossem menos imprevidentes. Colhemos o fruto do nosso plantio; uma verdade que ninguém duvida.
Em frente minha gente porque o mundo não vai acabar tão cedo. E em 2012 é que não vai mesmo; digam as profecias o que os homens queiram que elas digam!

Jornal O Clarim – maio de 2012  

É tempo de agradecer

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Todo ano, no mês de abril, vêm-nos à mente várias datas importantes para o Espiritismo. Entre elas, três merecem destaque, a saber:

18 de abril de 1857, lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos;
1° de abril de 1858, fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (o primeiro Centro para Estudo do Espiritismo);
29 de abril de 1864, lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo, com seu primeiro nome, “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”, o terceiro livro da Codificação Espírita.

Dissemos no título que é tempo de agradecer porque se temos hoje tão extraordinárias orientações, devemos ao espírito batalhador de Allan Kardec, que tudo enfrentou para deixar-nos as revelações dos Espíritos Superiores, além de enfatizar a importância do estudo doutrinário para o bom entendimento do legado espiritual. Já disse Emmanuel que “Jesus é a porta e Kardec é a chave”.

O Livro dos Espíritos destaca-se pelas inteligentes perguntas e preciosas respostas contidas em suas 1019 questões. Nada escapou. Tudo o que desejamos saber e compreender, nele iremos encontrar. Sem falar na Introdução e Conclusão, escritas pelo autor, que nos dão exata noção da intenção e dificuldades enfrentadas pelo Codificador para levar avante nossa lúcida Doutrina.

A fundação da Sociedade de Estudos, nove meses depois do lançamento do livro que oficializou o Espiritismo como Doutrina Organizada ou, como preferem outros, Codificada, deixa clara a preocupação de Kardec com o estudo permanente da nova revelação, bem de acordo com a orientação do Espírito de Verdade: “espíritas, uni-vos; espíritas, instruí-vos”.  Uma pequena sala que abrigava cerca de vinte pessoas, mas que foi a pedra fundamental para lançamento de todos os  Centros Espíritas que seriam criados no planeta ao longo do tempo. Mal comparando, foi como o 14 bis para a aviação moderna. Sem ele o resto não existiria e os foguetes não teriam ido ao espaço.

Finalmente, o Evangelho Segundo o Espiritismo, que o escritor Allan Kardec elaborou com base nas máximas de Jesus, atendo-se à moral cristã, sem se preocupar com dogmas, rituais ou quaisquer outros fundamentos que servem para separar as religiões em vez de uni-las, como convém para o entendimento universal.

Nesse livro, Kardec mesclou os textos evangélicos com sua próprias explicações e a assessoria de espíritos que deram mensagens lúcidas  para mais claro entendimento do texto que os evangelistas atribuíram a Jesus ou mesmo aos poucos extraídos do Velho Testamento.

Na Introdução, enfatiza a semelhança da doutrina de Sócrates com o Cristianismo e o Espiritismo, mostrando que os Veneráveis esclareceram de maneira prática e objetiva, tudo aquilo que o mundo já conhecia desde quase quinhentos anos antes de Jesus, devido à lucidez  do filósofo grego e de seu insuperável discípulo Platão. Por isso é que o Espiritismo é o evangelho redivivo, trazendo-nos a simplicidade da Doutrina de Jesus, tão deturpada pelos homens ao longo dos séculos. O Espiritismo é uma doutrina simples de ser praticada, apesar da dificuldade que a humanidade tem para entendê-lo na sua acepção mais simples. Para ser espírita basta amar. Só que amar de forma incondicional é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos humanos. Só depois de vencer o orgulho e o egoísmo é que conseguiremos amar e ser espíritas. Antes disso, seremos simples adeptos de uma religião da qual quase nada entendemos até agora. Se ainda nem conseguimos ser espíritas, como pretender ser cristãos!

Jornal O Clarim – dia a dia de abril de 2012

Peço licença ao Jornal O Clarim para incluir agora o dia 11 de abril, desencarne da nossa Presidente e também de Bezerra de Menezes, que tombaram, ambos, na direção de suas instituições. Ela no Centro Kardecista os Essenios e ele na Presidência da Federação Espírita Brasileira.

E já que falamos em abril, foi no dia 2, ano de 1910, que nascia Francisco Cândido Xavier, o saudoso Chico, o maior médium brasileiro de todos os tempos e dos maiores do mundo.

Fiquem na paz do Senhor!

Uma boa religião

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

A religião boa é aquela que melhora o homem.

Ao considerar que as conhecidas religiões da Terra são meras seitas ou limitadas doutrinas, fragmentos da religião verdadeira, aquela que estabelece a ligação da criatura com o Criador, fica claro que nenhuma é dona da verdade ou tem o privilégio da salvação.

Se os líderes das diferentes facções religiosas finalmente compreendessem que devem pregar em suas práticas o entendimento e a união entre todas as criaturas, deixarão de criticar a crença alheia e de divulgar que apenas a sua igreja oferece as bênçãos celestiais. Ao usar o bom senso, espelhando-se nos erros cometidos pelas religiões no passado, não cometeriam os mesmos equívocos que poderão causar-lhes constrangimentos futuros.

Mesmo entre os espíritas, apesar de termos a certeza de que o Espiritismo é um avanço em relação ao cristianismo ensinado e divulgado por outras igrejas, deturpado ao longo do tempo,  não temos de convencer ninguém a deixar o lugar onde se encontra ajustado para iniciar-se em nossa doutrina se para ele ainda não faz sentido. A saída do homem de uma religião para a outra se dá com o amadurecimento. Isso aconteceu com a maioria de nós, velhos espíritas, já que poucos tivemos a sorte de nascer em lar espírita.

O entendimento, à semelhança do que acontece no currículo escolar, dá-se passo a passo. Ninguém aprende matemática sem antes entender  aritmética. Ninguém lê um texto corrido antes de aprender a juntar as letras do alfabeto. Ninguém sai correndo pela rua sem antes treinar os primeiros passos, caindo e levantando!  Lembremos Saulo de Tarso que mesmo depois de ser Paulo ainda titubeava. “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço” (Epístola aos Romanos).

Cada dia mais gente chega aos Centros Espíritas em virtude da lógica da sua mensagem. Cabe a nós, que chegamos mais cedo, acolher os noviços dando-lhe boas vindas e correto encaminhamento. Se o Espiritismo foi bom par nós façamos com que seja bom, também, para os que nos procuram. E a melhor caridade que podemos oferecer-lhes. Mostrar-lhes um pouco da luz que existe na casa espírita.

Já ensinou o mentor de Chico, o competente Emmanuel, que a maior tarefa do homem na Terra é o auto-aprimoramento. Tenhamos  menos pressa em salvar a humanidade e preocupemo-nos mais com a auto-evolução a fim de sermos exemplos vivos de conduta cristã. Afinal, o rótulo doutrinário que ostentamos nada diz a nosso favor. O que conta é como nos conduzimos diante da vida, especialmente nos momentos de maior dificuldade. Certa vez, ensinou André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier: “Vê como vives; és talvez o único Evangelho que teu irmão tem para ler”.

Jamais devemos esquecer a recomendação do Espírito de Verdade: “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”. Para que possamos amar os adeptos de outras doutrinas, independentemente de virem para a nossa, é preciso primeiro que haja entendimento, tolerância e solidariedade entre os participantes e simpatizantes do Espiritismo. Depois, amemos todas as criaturas sem importar-nos com a sua religião. Um dia todos seremos da mesma, única e verdadeira religião: A religião do amor incondicional que é a religião da fraternidade universal.

Jornal o Clarim – dia a dia de março de 2012

Psicometria

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Octávio Caúmo Serrano

Psicometria (do grego psyké, alma e metron, medida, medição) é um termo criado pelo médico americano Joseph Rhodes Buchanan, em meados do século XIX (1849), para designar a faculdade extra sensível que alguns indivíduos têm de conhecer o conteúdo de um objeto ou evento impressos fora de nossa realidade física, ou seja, captar seu passado através de uma viagem psíquica em que tudo que está encoberto para a maioria dos seres, se descortina perante o indivíduo com essa capacidade real de tirar do ambiente ou coisa a sua realidade ou conteúdo antes desconhecido.

Para a Doutrina Espírita a psicometria é uma faculdade mediúnica muito rara.

Em “Enigmas da Psicometria”, Ernesto Bozzano nos dá uma informação adicional importante.Diz o pesquisador psíquico italiano, que, dentre as diversas pessoas que, ao longo do tempo, possam ter possuído ou manipulado um objeto sobre o qual o médium colhe as impressões, este sentirá com mais força os fatos relacionados ao possuidor que tiver impregnado o dito objeto com fluidos mais ativos em relação ao sensitivo. A este aspecto do fenômeno Bozzano intitula de afinidade eletiva.             

 

Jeffrey Goodman, ele mesmo um médium psicômetra, relata em seu livro “Psychic Arcahelogy – Time Machine to the Past” não só a experiência dele e de outros psicômetras em grandes achados arqueológicos como o estágio atual do uso da psicometria em arqueologia em vários cantos do mundo. Mostra ele, por exemplo, que no Canadá a “arqueologia psíquica” conta com o respeito e o incentivo de arqueólogos de destaque devido ao sucesso com que ela tem sido utlizada.

 

A série “Investigadores Psíquicos”, no Discovery Channel, aborda casos em que médiuns dotados da faculdade da psicometria auxiliam com sucesso na investigação policial de casos criminais complexos em que as pistas materiais são escassas.

 

Por que estamos tratando deste assunto num veículo espírita? Exatamente para alertar as pessoas que não se prevaleçam de dificuldades financeiras para adquirir por valores irrisórios peças que são importantes para o possuidor. O móvel, o carro, a jóia, a casa, ficarão impregnados de energia pesada devido à revolta daquele que teve de se desfazer de algo que gostava, por circunstâncias acima do seu controle.

 

Esses objetos poderão conservar uma carga obsessiva que atinge o aproveitador, criando-lhe uma atmosfera negativa sem que ele saiba as razões. Da mesma forma, jamais devemos reter junto a nós objetos deixados por um desafeto, um cônjuge que se foi  (mesmo por desencarne) trazendo tristes lembranças. Aquele objeto é a materialização de uma saudade de amargas recordações, que volta à mente toda vez que o observamos. É como se estivéssemos diante da própria pessoa, revivendo os fatos indefinidamente. Ficamos cultuando fantasmas. A doação ou destruição da peça representa a libertação desse passado triste e agressivo.

 

É preciso coragem a todo aquele que sofre com seu passado para ajudar a extirpá-lo de sua mente. A melhor medicina contra depressão e outras enfermidades psíquicas, como por exemplo a obsessão, é a libertação de tralhas que entulham nossa vida. Livrando-nos delas, nos livraremos das inferioridades e dos espíritos inferiores vinculados a elas. Encarnados ou não.

 

Aprendemos também, pela psicometria, que podemos nos envolver com energias boas. A mulher que produz uma peça de vestuário para um necessitado, entrega-lhe, além da peça, uma dose do amor usado para produzi-la. Diferente de uma roupa comprada numa loja para ser presenteada, embora esta também tenha algum valor.

 

A escolha é nossa:conviver com boas ou más vibrações!

 

Jornal O Clarim – fevereiro de 2012

 

O público no Centro Espírita

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Octávio Caúmo Serrano

Quem deve freqüentar um Centro?

Há no movimento espírita uma afirmação que de cada cem pessoas, noventa e nove chegam ao Espiritismo pela dor e uma pelo amor. Por que isso acontece?

A principal explicação, que felizmente está se modificando, é que o Espiritismo deve ser procurado para a solução de dificuldades. Por isso ele recebe pessoas de todas as doutrinas que quase sempre têm o cuidado de declinar sua crença para que fique bem claro que não desejam se tornar espíritas. Foram ali só para resolver “problemas”.

É dos maiores equívocos cometidos pelos seres humanos. Assim como os médicos sugerem cada vez mais que devemos nos socorrer da medicina preventiva para detectar males já desde o início (profilaxia da mama, da próstata, entre outros.), porque são mais fáceis de ser combatidos, assim é com o Espiritismo que deveria receber as pessoas para que elas aprendessem como enfrentar suas dificuldades enquanto são menores porque é preferível impedir que uma doença nos atinja a ter de curá-la depois de instalada. Só o conhecimento a respeito dos planos de Deus pode levar-nos a modificar comportamentos que nos conduzem ao sofrimento.

Quando chegamos no Centro Espírita doentes do físico e da alma, envolvidos com espíritos inferiores e escravos de remédios da farmacologia humana, só pensamos em levar nosso pacote de problemas e entregar aos Espíritos Benfeitores para que nos livrem dele. Mas a proposta da encarnação não é essa. Renascemos no mundo para lutar contra os maus pendores para sair daqui melhor do que chegamos. É lícito pedir ajuda porque o próprio Jesus Cristo já nos ensinou que se pedirmos obteremos e se batermos a porta se abre para nós. Mas ele também disse “faz para que o Céu te ajude”. Ou seja, sem o nosso esforço e boa vontade não há Espírito que consiga nos ajudar porque o nosso livre-arbítrio é soberano e é sempre respeitado.

Deus deu às aves do campo o alimento; mas elas precisam buscá-lo com seu esforço, deslocando-se para muitos lugares e descobrindo onde está o tipo de comida que precisam segundo a sua natureza. O mesmo se dá com os homens. O mundo tem de tudo, mas depende do esforço de cada um conquistar o que precisa.

Muitas pessoas que estão a caminho de estados depressivos poderiam reverter esses quadros se ouvissem e praticassem um pouco do Evangelho e não se esquecessem da oração diária e do agradecimento pela vida. Muitos sintomas de doenças já estão no perispírito e não são detectados por aparelhagem porque ainda não chegaram ao corpo. Mas se não forem combatidos pela mudança de pensamento e comportamento logo se instalarão na carne e aí será mais difícil vencê-las.

Não espere ter problemas para depois ir ao Centro Espírita. Vá ao Centro Espírita para não ter problemas. É muito melhor e mais agradável.

Jornal O Clarim – janeiro de 2012

 

 

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