O Retrato de Jesus

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Retrato de Jesus por Publio Lentulo  a Tibério César

  ”Sei que desejas conhecer o que vou narrar:

Existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, a cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos ate as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos; o seu rosto, é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vêem em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.

A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplandece, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.  Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente, e quem dele se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa.  É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela. Porém, se a Majestade Tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dai-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e não consta haver estudado nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.

Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém a tua obediência estou prontíssimo; aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.

 

Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo… Publio Lentulo, presidente da Judéia.

 

         L’indizoione setima, luna seconda.” 

Inscrição encontrada pelos monges “lazaristas” em 1928 numa carta de Públio Lentulo, antecessor de Pôncio Pilatos, a Tibério César.

Publicado em: on Sexta-Feira, 26 Dezembro26, 2008 at 2:08 pm Comentários (3)

Harmonia das diferenças

  Preferimos conviver com os afins. Todavia, é no relacionamento com os que não pensam como nós que adquirimos novas e importantes experiências. 

Toda coisa tem o oposto. A morte tem a vida, a noite tem o dia, o claro o escuro, o grande o pequeno, o alto o baixo …

É comum procurarmos a harmonia das situações e dos agrupamentos, na semelhança entre as partes. Todavia, a igualdade pode criar choques. É preciso haver diferenças. Mas que se complementem sem criar dissensões.

Imaginemos uma casa onde os dois gastam irresponsavelmente. Em curto prazo, o lar vai à bancarrota. Mas se os dois forem avaros, faltará até o indispensável e eles serão irritadiços e ansiosos. Um terá de ser mais arrojado e o outro comedido, prudente. Irão completar-se.

O mesmo se daria se ambos fossem excessivamente risonhos, brincalhões, irreverentes. Nunca seriam levados a sério. Mas se fossem sisudos, mal-humorados, rechaçariam os que tentassem aproximar-se.

Este pequeno esboço serve de intróito para analisarmos uma sociedade, um grupo, uma entidade.

Toda pessoa  tem sua própria habilidade. Observemos uma orquestra. Cada músico toca um instrumento. No entanto, a melodia embeleza-se pela combinação de todos eles. Um conjunto vocal tem diversas vozes, que se fundem numa só, em harmonia. Um time de futebol tem os que fazem  os goles e outros que tratam de evitá-los.

A grande empresa, por exemplo, começa pela presidência e assessores diretos, mas não dispensa os auxiliares de escalões menores e nem mesmo o trabalho dos mensageiros, encarregados da correspondência. São muitas vezes a figura da companhia. Um funcionário educado, bem composto, eficiente, levará boa imagem da firma onde trabalha, junto à clientela, fornecedores e bancos.

Dá-se o mesmo nas sociedades culturais, recreativas, filantrópicas, religiosas. E, neste caso, analisemos o Centro Espírita.

Um agrupamento onde se divulga o Espiritismo, tem diferentes tipos de colaboradores. Ali encontramos a equipe diretora da casa, muitas vezes fundadora do Centro, os passistas, os palestrantes, os orientadores, os assistentes sociais, os faxineiros.

Não podemos esperar que todos tenham as mesmas idéias. São espíritos em variados degraus de entendimento, espíritas há mais ou menos tempo, culturas diferentes e convicções que não coincidem. Uns mais amoráveis e outros mais racionais. Este se encanta com o fenômeno, aquele valoriza a mensagem. Há os que preferem a religião e os que destacam a ciência espírita.

O fato de não darmos atenção a esse aspecto, pode criar dificuldades de relacionamento entre os participantes da mesma casa ou, em âmbito maior, do próprio movimento espírita. Desejamos que haja perfeita sintonia e qualquer deslize é considerado irreverência, desobediência, indisciplina, o que nem sempre é verdade. Ninguém muda de um dia para outro, apenas por tornar-se adepto do Espiritismo.

Sem dúvida, há que haver afinidade quanto ao ideal e objetivos. Todos, sem exceção, devem praticar a caridade em favor do semelhante. Mas cada um na sua habilidade própria.

Encontramos irmãos com grande cabedal doutrinário que são péssimos orientadores. Para ajudar, é preciso respeitar a capacidade do outro. Ninguém pretenda resolver as dificuldades alheias baseado no próprio conhecimento, na sua coragem e disposição diante de problemas. Jamais aconselhar com frases como: “se eu fosse você”; “se isso fosse comigo”, porque nem você é o outro, nem o problema é seu. 

A maioria dos dependentes deseja ver-se livre do vício, mas não consegue. Para aquele que já venceu alguma imperfeição, ou que nunca fez uso das químicas nocivas e alienantes, parece fácil vencer o mal. Mas é difícil; extremamente difícil.

Observemos os passes. Quantos trabalhadores que se dedicam a essa tarefa, mesmo sem grande conhecimento doutrinário, têm bom sentimento  e desejo de servir. Quando impõem as mãos, jorra luz do seu coração, pela facilidade de sintonia com os Espíritos Benfeitores. Mas se convidados a fazer uma simples prece, alegarão dificuldades em comunicar-se.

Quantos são eficientes orientadores, porque, mesmo sem a vidência ou a audiência, são ouvintes pacientes que deixam a pessoa falar para descarregar as mágoas. Não têm pressa em resolver tudo, preferindo entregar o irmão aos Espíritos e às palestras, que explicam, pouco a pouco, os meandros da vida e como a pessoa pode ajudar a si mesma, ampliando a fé e ganhando entendimento. Sabe que só quando chegar o tempo certo e nascer o merecimento é que a melhora começara a processar-se. A imperfeição é uma doença que leva tempo para ser curada. É preciso que doa para que o compreensão chegue. Poupar excessivamente alguém é como atrofiar-lhe a vida. O passe, terapêutica de emergência, é socorro provisório, até que a própria pessoa aprenda a cuidar-se, modificando sua maneira de viver.

Palestrantes há que têm grandes conhecimentos doutrinários, mas falam de forma rebuscada e metafórica, atêm-se ao cientismo, criando barreiras que impossibilitam o entendimento. Demonstram sabedoria, mas não atingem os que esperam palavras simples e de fácil assimilação. Falam, mas não comunicam.

Vimos, portanto, que num agrupamento espírita há de tudo e todo tipo de participante. Um vaidoso, outro humilde. Um culto, outro menos instruído. Um jovem afoito, outro maduro e prudente. Um com receitas para salvar a humanidade, outro que contenta-se em ajudar um ou dois, colocando-se entre os necessitados.

A igualdade que deve haver no Centro Espírita é que todos se preocupem em estudar o Espiritismo e conhecer objetivamente, sem dogmas ou figurações, o Evangelho de Jesus. Todos devem ser educados e gentis com cada pessoa que visite a casa em busca de orientação e socorro. Todos se devem mútuo respeito, aceitando os defeitos e as fraquezas do companheiro de ideal. Temos de ajudar, sem impor, orientar, sem agredir, aconselhar, sem exigir. Isso não significa que o tarefeiro rebelde, nocivo ao agrupamento, renitente, de coração endurecido, não possa e não deva ser advertido e até afastado, em benefício dos demais e dele próprio. Se tememos os obsessores desencarnados, temos de nos cuidar contra os encarnados que muitas vezes tumultuam os trabalhos mais do que os  ”fantasmas”.

Concluindo. As diferenças não são problemas. As diferenças podem compor harmonioso conjunto,  O que cria problemas são os radicalismos, quando exigimos dos outros o que  nem sempre podem dar. Além disso, convém lembrar que não somos perfeitos, nem modelo para ninguém. Temos ainda, todos, muito a ser corrigido em nós mesmos.

No Centro Espírita, igualmente como em qualquer lugar, a paciência segue sendo a maior virtude para que os homens se entendam e se complementem na lei do amor.

Publicado em: on at 2:00 pm Comentários (1)

Conheça Allan Kardec

 

Um menino nascia em 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lion, localizada a mais ou menos quinhentos quilômetros ao sul de Paris, próximo à divisa com a Suíça. Era uma quarta-feira, às 19 horas, e foi registrado com o nome de Denisard Hypolite Leon Rivail. Foi batizado em 15 de junho de 1805, na Igreja Católica de Saint-Denis de la Croix Rousse.

Os autores divergem quanto ao seu nome correto. Temos Leon Hipollyte Denizard Rivail, Hippolyte Leon Denizard Rivail e Denizard Hippolyte León Rivail. Mas na certidão de nascimento está Denisard Hypolite Leon Rivail, o mesmo que consta da certidão de óbito.

Foi filho único do casal Jean Baptiste Antoine Rivail, magistrado, e Jeane Louise Duhamed, que o criou num ambiente de amor e paz e teve como orientações primeiras a retidão,  a honestidade e o gosto pelos estudos.

Aos 12 anos foi estudar na Suíça, no Instituto Pestalozzi, em Iverdum, próximo ao lago Neuchatel e a importante cidade de Berna.

O mestre  era Johann Heinrich Pestalozzi, doutor em direito e professor da Universidade de Zurique, que revolucionou a França e a Alemanha no final do século XVIII com seu método de ensino conhecido como ‘Educação Ativa”, num colégio fundado em 1805.

Aos quatorze anos, Denisard começou a receber maiores incumbências dentro do instituto, pois era muito inteligente e dos discípulos do mestre era o mais zeloso e entusiasta divulgador dos seus métodos de ensino. Pestalozzi confiava muito em Denisard, e devido a essa confiança, quando ele tinha aproximadamente dezesseis anos, passou a tomar conta do instituto praticamente sozinho, coordenava e lecionava. Pestalozzi viajava por toda a Europa para divulgar e dar palestras sobre seu sistema de educação.

A formação religiosa de Denisard era Católica, mas a Suíça era um País eminentemente protestante. Por esse motivo ele sofreu muitos atos de intolerância que lhe causaram descontentamentos. Esses incômodos fizeram nascer em sua mente pensamentos de uma reforma religiosa. Sua idéia inicial era unir todas as crenças. Mas, ele trabalhou em silêncio.

Quando terminou os estudos na Suíça, em 1824, Denisard voltou à França deixando o grande mestre Pestalozzi já velho, sofrido e esgotado pela sua luta missionária, providenciando o fechamento do famoso instituto.

Isento do serviço militar, Denisard vai para Paris onde funda seu próprio instituto técnico. Tinha grande conhecimento sobre magnetismo, que havia estudado em 1823.

É neste momento que ele conhece e se apaixona por Amélie Gabriele de La Combe Boudet, professora de desenho, com quem se casa. Ela era nove anos mais velha. O casamento deu-se a 6 de fevereiro de 1832.

Dominava, além do francês, sua língua natal, também o alemão, o holandês e o inglês, além de falar o espanhol e o italiano e ainda, tinha fortes conhecimentos do latim, do grego e do gaulês. Pelo fato de gostar, particularmente, muito do alemão, traduziu para esta língua importante obras sobre educação moral, principalmente do filósofo francês Fénelon.

Publicou suas primeiras obras: “Aritmética do 1.º Grau”, 1824, e Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública, 1828, deixando claro a grande herança moral e educacional herdada do Mestre Pestalozzi.

Em 1829 publicou Curso Prático e Teórico de Aritmética – em dois volumes (Segundo os Métodos de Pestalozzi). Esse livro era para o uso de professores primários e mães de família (molas propulsoras na educação da humanidade). Publicou também outros de Gramática, Física, Química e Astronomia (disciplinas que Denisard lecionava gratuitamente em sua residência para alunos pobres). Publicou também uma obra, que ainda hoje é editada, devido a sua importância para a França, que é: -Estudos para os Exames da Prefeitura de Sorbonne.

A intenção de Denisard, com a publicação dessas obras, era unir e esclarecer as pessoas ligando-as ainda mais à sua terra e às suas famílias; ele seguia o lema “Família, Amor e Pátria”.

De inteligência notável e vocação literária, Denisard começa a escrever muitas obras didáticas, projetando-se no cenário escolar. Sentia-se plenamente integrado na função de orientador, mas faltava algo, que lhe estava reservado. É quando surgem as mesas girantes que serviam de divertimento para a sociedade francesa e que ele assistiu uma reunião pela primeira vez em uma terça-feira em meados de maio de 1855.

Depois de observar e perceber a seriedade dos fenômenos, quando as “mesas” respondiam perguntas desconhecidas das pessoas, passou a freqüentar as reuniões em diferentes residências.

Em 30 de abril de 1856, na casa da Sra. Roustan,  a médium Celine Japhet, com 14 anos, transmite a primeira revelação positiva de sua missão.

Cabia-lhe desvendar todo mistério que os senhores Carlotti, Taillandier, Tiedman, Sardou, Didier e outros, haviam reunido em cinqüenta cadernos de comunicações diversas que puseram à disposição de Denisard.

Finalmente, compila e revisa todos os dados do livro que organizou e lança em 18 de abril de 1857, a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, com 501 perguntas e respostas. Usa o  pseudônimo Allan Kardec, num misto de modéstia e razão para que a obra fosse lida pelo conteúdo e não pelo nome do autor, pessoa já de algum prestígio no mundo literário. O nome foi sugerido pelos Espíritos e era o que ele tivera em encarnação antes de Cristo tempo em que era um Sacerdote do povo druidas

Em 18 de março de 1860, revisaria e ampliaria a obra lançando a segunda edição que permanece até hoje, com 1019 questões.

Logo em 1 de janeiro de 1858, numa sexta-feira, cria a Revista Espírita para anotações e divulgação de tudo o que ocorria no movimento espírita em diferentes lugares, inclusive fora do país.

Em 1 de abril de 1858, numa quinta-feira, fundaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro Centro Espírita para reunião e estudo.

Passa por momentos difíceis de lutas e perseguições, quando é vítima de calúnias que o levam a ser processado. Mas tudo superava e seguia firme no seu trabalho.

Sabotado acaba tendo problemas com seu colégio que abandona e se dedica exclusivamente ao Espiritismo.

Numa terça-feira, 15 de janeiro de 1861, lança “O Livro dos Médiuns”, ampliação da parte terceira de “O Livro dos Espíritos”, tratando do relacionamento entre os dois planos de vida.

No dia 29 de abril de 1864, sexta-feira, lança o livro que daria caráter religioso à Doutrina, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lançado originalmente como A Imitação do Evangelho. Eram as Leis Morais. A obra se deveu também a conversa que manteve com  seu Espírito guia, em  9 de outubro de 1863, enquanto a elaborava,  quando este lhe disse :

“Aproxima-se a hora em que terás de apresentar o Espiritismo como ele é realmente, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolher, os Espíritos conheciam a solidez de tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual um muro de aço, resistiria a todos os ataques.”

Em 1 de agosto de 1865, terça-feira, lança “O Céu e o Inferno”, com explicações sobre a quarta parte de O Livro dos Espíritos, que são as esperanças e consolações na visão espírita.

Finalmente, numa segunda-feira, em 6 de janeiro de 1868, lança “A Gênese” com análise da parte primeira do Livro: Deus e a Criação.

Já havia escrito algumas outras pequenas obras como O Principiante Espírita, O que é o Espiritismo, O Espiritismo em sua expressão mais simples, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Preces Espíritas, etc.

Em 31 de março de 1869, quando se preparava para mudar de local para ampliação das suas tarefas, é vitimado pelo rompimento de um aneurisma. Sua esposa, Amélie, ainda lutaria muito pela divulgação doutrinária até que também sucumbiria a 21 de janeiro de 1883, com quase 90 anos.

Seu editor publicaria ainda, em 1890, as Obras Póstumas de Allan Kardec, onde se vê registrada toda a sua preocupação com a doutrina espírita e o que seria dela depois que ele se fosse. Uma leitura que vale muito a pena.

Se hoje estudamos o Espiritismo, essa doutrina que liberta o homem, devemos tudo ao Codificador Allan Kardec, pelo esforço e zelo demonstrados para que a Doutrina fosse organização e pudéssemos ter acesso a ela, com a clareza que hoje ela nos chega.

Que Deus o abençoe, caro missionário, onde quer que se encontre nesta sua caminhada nas trilhas da vida eterna!…

Publicado em: on Segunda-feira, 27 Outubro27, 2008 at 11:40 am Comentários (2)

Os Essênios e Jesus

 

 

Texto de Marcos Paterra

Olá pessoal!

Elaborando algumas pesquisas, achei coisas interessantes sobre Jesus e os Essênios. 

Muitos talvez não saibam… Mas os Essênios  eram originários do Egito e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C, formaram um pequeno grupo de judeus, que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto e outros locais, na Palestina e no Egito.

A Doutrina do Deserto

Eles respeitavam a vida acima de tudo, escreveram os mais antigos textos bíblicos e influenciaram o cristianismo. Com vocês, os essênios.

Por Rafael Kenski e Duda Teixeira

Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – Os Essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto publicou-o em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.

Manuscrito achado no
Vaticano afirma que Jesus
era essênio e vegetariano

Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores. Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios, essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas. Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma nota de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios a partir de 225 a.C.

O ano 68 da nossa era guardava as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.

O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia.

Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida. Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas’ e “vinho novo”, um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath, os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum.

Em abril de 1947, no vale de Khirbet Qumran, junto às encostas do Mar Morto, Juma Muhamed, pastor beduíno da região, recolhia seu rebanho quando ao seguir atrás de uma cabrita desgarrada percebeu que havia uma extensa fenda entre duas rochas.Curioso, atirou uma pedra e ouviu o ruído de um vaso se quebrando. No vaso, encontrou pergaminhos.

Este momento caracterizou-se como um marco para o mundo arqueológico: A Descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

Desde então, a tradução e divulgação do seu conteúdo têm atraído a atenção mundial, e uma grande expectativa tem se instaurado quanto a possíveis segredos ainda não revelados.

O nome Essênios deriva da palavra egípcia Kashai, que significa “secreto”. Na língua grega, o termo utilizado é “therepeutes”, originário da palavra Síria “asaya”, que significa médico.

A organização nasceu no Egito nos anos que precedem o Faraó Akhenathon, o grande fundador da primeira religião monoteísta, sendo difundida em diferentes partes do mundo, inclusive em Qumran. Nos escritos dos Rosacruzes, os Essênios são considerados como uma ramificação da “Grande Fraternidade Branca”.

Segundo estudiosos,  foi nesse meio onde esteve Jesus no período entre seus 13 e 30 anos. Alguns estudiosos também acreditam que a Igreja Católica procura manter silêncio acerca dos essênios, tentando ocultar que recebeu desta seita muitas influências.

Bem… Esta ai o texto. Apreciem  aqueles que gostam desse tipo de matéria.

Até mais

Marcos Paterra

Publicado em: on Terça-feira, 7 Outubro7, 2008 at 9:52 am Comentários (11)

Oração à Mãe Terra

Uma oração essênia

“Abençoado seja o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terra
Pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas.

Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
O sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
Borbulha nos riachos das montanhas
Flui abundantemente nos rios das planícies.

Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
O alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
E os sussurros das folhas da floresta.

Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
Nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
Que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho.
Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
Em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
Ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste, nela tu vives e para Ela voltará novamente.

Segue, portanto, as Suas leis
Pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são dela também.

Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra
Não morrerá jamais,
Conhece esta paz na tua mente
Deseja esta paz ao teu coração
Realiza esta paz com o teu corpo.”

Evangelho dos Essênios

Publicado em: on Quinta-feira, 24 Janeiro24, 2008 at 1:14 pm Deixe um comentário