Publicado no Jornal Correio da Paraíba de 31 de janeiro de 2010, na coluna de Rubens Nóbrega, competente jornalista paraibano.

A fé ou a falta dela, percepções e sentimentos humanos, nas suas mais variadas formas de expressão, têm sido acolhidos com muito gosto neste espaço, em geral aos domingos. Vez por outra, demandado ou inspirado por amigos, nessa área arrisco-me a abordagens ou réplicas alheias bem conceituadas que podem fazer bem aos leitores e render boas leituras.

Nas empreitadas sentimentais ou espirituais a que me refiro, valho-me do auxílio luxuoso de intelectuais de peso e categoria como Octávio Caúmo, jornalista, escritor e editor de muita qualidade, que é também espírita, e hoje volta à coluna para tirar dúvidas e afastar uma confusão conceitual em que o próprio colunista já se meteu.

Sob o título que é o mesmo aí de cima, Caúmo enviou artigo através do qual presta serviço relevante de “esclarecimento aos homens de imprensa escrita, falada e televisionada” no trato de assuntos que dizem respeito ao espiritismo, espiritualismo e outros termos associados a esse universo um tanto imperscrutável para baixas complexidades neurológicas como a deste descrente que vos escreve. Vamos a Octávio Caúmo:

Uma atitude comum entre os leigos é confundir mediunidade com espiritismo. Mediunidade é a capacidade que todos os seres humanos (sic!) têm de se comunicar com os espíritos ou deles sofrer algum tipo de influência; boa ou má! Daí haver médiuns católicos, evangélicos, umbandistas, espíritas, budistas, ateus… A mediunidade independe de religião ou religiosidade.

Espiritismo e espírita foram palavras criadas por Allan Kardec,  quando lançou O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857. Disse ele nesse livro, no item I da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita:

“Para coisas novas são necessárias palavras novas. É o que exige a clareza de linguagem para evitar confusão intrínseca ao múltiplo sentido de certas palavras… Para designar esta última crença, em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos as palavras espírita e espiritismo.

As religiões afro e afro derivadas são mais antigas e portando não podem ser espíritas os seus praticantes porque nem a palavra existia. Eles são espiritualistas, mas não espíritas. Uma sutil, mas importante diferença, sem qualquer preconceito, pois nenhuma é melhor que a outra. Mas são coisas diferentes, com propostas diferentes.

Embora se diga o contrário, o Espiritismo ainda não foi bem compreendido entre nós. Ainda somos minoria e mesmo entre os espíritas existe certa dificuldade em compreender os nobres propósitos dessa doutrina de libertação do Espírito. O povo, de maneira geral, não se beneficia do melhor que o Espiritismo tem a oferecer, que é o estímulo às mudanças do indivíduo. Encara a doutrina apenas como uma religião que faz muita caridade. Mas com o amadurecimento do povo, isso se modificará e o Espiritismo exercerá influência salutar entre os povos, o que poderá modificar a face do planeta, se assim o quisermos. Os formadores de opinião pública e divulgadores dos fatos precisam conhecer certos detalhes importantes para informar as pessoas corretamente.

Na programação de carnaval a TV informou que além dos blocos conhecidos, haveria desfile de bloco católico, bloco evangélico e bloco espírita. Este espírita, mais bem informando, é bloco de doutrinas afro e NÃO BLOCO ESPÍRITA. No carnaval os espíritas costumam fazer retiro e organizar ou participar de eventos próprios como faz a Federação Espírita em seus encontros de João Pessoa e Campina Grande, principalmente. E rogo a Jesus para que nunca seja criado o BLOCO ALLAN KARDEC!

Nota – Agradecemos ao jornalista Rubens Nóbrega pela acolhida que deu à nossa argumentação.

Conclui-se, portanto, que todos os religiosos são espiritualistas, inclusive os espíritas. Mas espíritas são apenas os seguidores de Allan Kardec. No Espiritismo não há uniformes, velas, incensos, imagens, rituais, dogmas, percussão, oferendas, bola de cristal, leitura da mão, cartas, búzios, etc., particularidades das doutrinas africanas e as delas derivadas.