Madre Teresa de Calcutá

Certa vez Jesus entrou no Templo de Jerusalém e encontrou aquele espaço invadido por comerciantes que gritavam apregoando suas mercadorias, fazendo assim um grande barulho. O Mestre não suportou tamanha heresia sonora. E o jeito que teve, segundo informar o evangelista, foi expulsar os vendilhões do templo, dizendo: “não transformem esta casa de oração em casa de negócio”.

O barulho é incompatível com o ato religioso, que exige silêncio, reflexão, meditação e oração.

A grande missionária católica, Madre Teresa de Calcutá, dizia que não se pode encontrar Deus, falar com Deus, em meio ao barulho e agitação.

Vejamos alguns pronunciamentos de Madre Teresa sobre o assunto:

“É no silêncio da oração que Deus fala.”

“Antes de falar, é necessário que você ouça, pois Deus fala no silêncio do seu coração.”

“É impossível pôr-se na presença de Deus sem ter praticado o silêncio, tanto exterior como interior.”

“É impossível reencontrar Deus na agitação e no barulho.”

“A natureza é silenciosa; as árvores e as flores e a erva permanecem em silêncio.”

“Só o silêncio do coração pode ouvir o sopro de Deus em torno de si – em todos os seres, em todos os seus atos – numa porta que se fecha, num coração que sofre, no canto de um pássaro, na corola de uma flor, na cumplicidade dos animais.”

E a propósito do silêncio que está desaparecendo onde ele mais deveria estar presente – nos templos religiosos – o psicoterapeuta Amadeus Voldben, no livro “Um caminho seguro para a Paz interior”, escreveu: A massa dos homens de hoje não tem os sentidos afinados para sentir a natureza. São surdos à sua voz. Basta ver os insensatos que até na quietude dos bosques levam o fragor do rádio a todo volume; entre a paz dos montes e diante do mar, sentem necessidade do alarido dos transistores e dos discos; movem –se e agitam-se sem tomar conhecimento da paz estupenda que os cerca. Este é o gênero novo de loucura, ainda não incluído nos tratados da psiquiatria.

Por Carlos Romero
Jornal A União – João Pessoa-PB de 28/12/1999.