Os cientistas já sabem reconstruir neurônios, curar cânceres, aproximam-se da vitória contra a AIDS e recuperação de membros lesados, com o uso das células tronco; além dos transplantes de órgãos, já com domínio bastante avançado e o uso da tecnologia para substituir olhos, braços, ouvidos, etc., pelo implante de chips e similares. O uso da medula óssea contra a leucemia foi outra descoberta sensacional. E, agora, com células tronco do cordão umbilical, nem há risco de rejeição.
A ciência prevê, também, com boa antecedência, a ocorrência de terremotos e tempestades, para que os homens se protejam a tempo e se salvem das catástrofes, e cria plantas híbridas que resistem às pragas e aumentam de produção.
O que a ciência ainda não descobriu é o elixir da paciência, o tônico da resignação inteligente e o controle da ganância desmedida pela conquista dos prazeres do mundo, sempre efêmeros e frágeis.
A ciência ainda não conseguiu um tratamento que ajude o homem a deixar de ser ciumento e invejoso, para ser desprendido e solidário. Ele pode aprender isso com o Evangelho de Jesus Cristo, mas ele não valoriza, porque a mensagem – diz ele – é mero sentimentalismo. É coisa de gente velha e atrasada, de crendice irracional. Não tem tecnologia! Diz sempre a mesma coisa: “ama o próximo como a ti mesmo”.
Nos meus tempos de moço, o radialista Morais Sarmento dizia, em seu programa de rádio, às 18 horas, a Oração da Sabedoria: “Dai-me, Senhor, entendimento para compreender não as coisas difíceis e complicadas que são fáceis de ser entendidas, mas as coisas mais simples e tão difíceis de ser compreendidas!”
A ciência não valoriza o simples, o corriqueiro, mas é nele que nós vivemos. Sofisticamos a forma de comer, de morar, de vestir e, a cada dia, nos enredamos mais nessa teia que nos prende e nos afoga. Precisamos ter, cada vez mais, e, a cada dia, usufruímos menos daquilo que temos. Uma criança pobre brinca com um pneu velho, um arco, uma bola de meia e ri o dia todo. O menino rico precisa de vídeo-game, celular moderno, computador para ir ao MSN, ao Orkut, ao Twiter, ao Sonico e outras parafernálias. E vive estressado contra a tentativa de educação dos pais; aliás, algo escasso e que deixa muito a desejar nos dias atuais.
Ninguém está satisfeito com o corpo que Deus lhe deu. Uns tiram um pouco, enquanto outros enxertam produtos artificiais para modelação e estética. A embalagem melhora, mas o interior fica cada vez mais insatisfeito. Lembra aquele velho ditado: “por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Ou como se diz em Portugal: “por fora, casquete de veludo; por dentro, miolos de burro”.
Outro item que a ciência poderia cuidar mais. Criar cursos para pais, a fim de que eles aprendam que não devem fazer todos os desejos dos filhos, já, a partir de um ano de idade, porque produzirão homens sem qualidade, para viver no mundo, e serão deles as suas primeiras vítimas. Lá na frente, farão a clássica pergunta: “onde foi que eu errei?”.
Com os avanços da ciência, os homens estão mais longevos, a cada dia. Perguntamos: Para quê? Cada dia há mais bandidos, corruptos, sonegadores, drogados, filhos abandonados, lares desfeitos. Deram ao homem quantidade de vida, sem a correspondente qualidade. Lembra-nos a Lei Áurea, que deu liberdade aos negros, sem que tivessem emprego, comida ou moradia. Até hoje sofrem com os preconceitos da sociedade.
Os doutores são formados, mas não informados. A maioria cuida de obter um diploma superior, não por vocação, mas para prestar concurso público e ganhar bem, com estabilidade no emprego. Sem falar nos falsos médicos que exercem a profissão, indevidamente, e nas celas privilegiadas para quem tem título universitário.
Por isso, a natureza está reformando o mundo. Pela aplicação das leis do Criador, está promovendo uma seleção acentuada, arrancando o joio do meio do trigo. Pena que haja mais joio que trigo e a reforma, portanto, será dolorosa. O tempo chegou. Não tem mais prorrogação. Todas as oportunidades já foram dadas à humanidade, e ela não teve interesse em aproveitar. Repete-se o episódio Sodoma e Gomorra, em todas as cidades deste mundo moderno.
Chegou a hora do salve-se quem puder. Estamos no cerne do Apocalipse, no olho do furacão, o que podemos conferir na mídia diária, por todos os meios de comunicação. O expurgo agora é no atacado, porque, no varejo, demoraria um tempo que o mundo já não pode esperar. O planeta quer progredir, e os homens que entravam sua evolução serão convidados a mudar de casa. Isso já aconteceu muitas outras vezes! O episódio envolvendo Capela é um dos mais recentes e conhecidos e será reprisado agora num “remake” terráqueo. O mundo de provas e expiações quer ser um mundo de regeneração, e os homens não conseguirão impedi-lo de atingir seu objetivo.
Se alguém disser que este texto é terrorista, porque prega o pessimismo, responderemos que ele é, na verdade, realista e justo. Os bons não podem pagar pelos maus, indefinidamente.
Ainda dá tempo para quem estiver interessado em ficar por aqui. É só mudar o jeito de ser e de viver, integrando o Evangelho de Jesus ao seu cotidiano. O resto virá, por acréscimo de misericórdia, já que, por amor aos bons, uma boa parte será poupada. Não fosse a bondade de Deus, e não sobraria pedra sobre pedra, em todos os rincões deste planeta.
Acreditem, porque é a mais cristalina verdade! Como eu sei? O bom senso me diz! Se Deus é bom e justo, só pode ser assim! Ele nos deu tempo demais para despertar, e insistimos em permanecer dormindo, como as imprevidentes virgens da parábola. Ou acordamos logo ou será tarde demais!

Octávio Caúmo Serrano

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – junho de 2010.