Evangelho e Dinamismo

Deixe um comentário

Desde os primórdios da organização religiosa no mundo, há quem estime a vida contemplativa absoluta por introdução imprescindível às alegrias celestiais.

Cristalizado em semelhante atitude, o crente demanda lugares ermos como se a solidão fosse sinônimo de santidade.

Poderá, contudo, o diamante fulgurar no mostruário da beleza, fugindo ao lapidário que lhe apura o valor?

Com o Cristo, não vemos a ideia de repouso improdutivo como preparação do Céu.

Não foge o Mestre ao contacto com a luta comum.

A Boa Nova em seu coração, em seu verbo e em seus braços é essencialmente. dinâmica.

Não se contenta em ser procurado para mitigar o sofrimento e socorrer a aflição.

Vai, Ele mesmo, ao encontro das necessidades alheias, sem alardear presunção.

Instrui a alma do povo, em pleno campo, dando a entender que todo lugar é sagrado para a Divina Manifestação.

Não adota posição especial, a fim de receber os doentes e impressioná-los. Na praça pública, limpa os leprosos e restaura a visão dos cegos.

À beira do lago, entre pescadores, reergue paralíticos.

Em meio da multidão, doutrina entidades da sombra, reequilibrando obsidiados e possessos.

Mateus, no capítulo nove, versículo trinta e cinco, informa. que Jesus “percorria todas as cidades e aldeias,ensinando nos templos que encontrava, pregando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades que assediavam o povo”.

Em ocasião alguma o encontramos fora de ação.

Quando se dirige ao monte ou ao deserto, a fim de orar, não é a fuga que pretende e sim a renovação das energias para poder consagrar-se, mais intensamente, à atividade.

Certamente, para exaltar os méritos do Reino de Deus, não se revela pregoeiro barato da rua, mas afirma-se, invariavelmente, pronto a servir.

Atencioso, presta, assistência à sogra de Pedro e visita, afetuosamente, a casa de Levi. o publicano, que lhe oferece um banquete.   

Não impõe condições pata o desempenho da missão de bondade que o retém ao lado das criaturas.

Não usa roupagens especiais para entender-se  com Maria de Magdala, nem se enclausura em preconceitos de religião ou de raça para deixar de atender aos doentes infelizes.    

Seja onde for, sem subestimar os valores do Céu, ajuda, esclarece, ampara e salva.

Com o Evangelho, institui-se entre os homens o culto da verdadeira fraternidade.

O Poder Divino não permanece encerrado na simbologia dos templos de pedra.

Liberta-se.

Volta-se para a esfera pública.

Marcha ao encontro da necessidade e da ignorância, da dor e da miséria.

Abraça os desventurados e levanta os caídos.

Não mais a tirania de Baal, nem o favoritismo de Júpiter, mas Deus, o Pai, que, através de Jesus­Cristo, inicia na Terra o serviço da fé renovadora e dinâmica que, sendo êxtase e confiança, é também compreensão e caridade para a ascensão do espírito humano à Luz Universal.

Livro Roteiro – Capítulo 20 – 10/06/1952
Lição para o estudo do dia 05/08/2010

Anúncios

Evangelho e Simpatia

Deixe um comentário

Do apostolado de Jesus, destaca-se a simpatia por alicerce da felicidade humana.

A violência não consta da sua técnica de con­quistar .

Ainda hoje, vemos vasta fileira de lidadores do sacerdócio usando, em nome d’Ele, a imposição e a crueldade; todavia, o Mestre, invariavelmente, pautou os seus ensinamentos nas mais amplas nor­mas de respeito aos seus contemporâneos.

Jamais faltou com o entendimento justo para com as pessoas e as situações.

Divino Semeador, sabia que não basta plantar os bons princípios e sim oferecer,  antes de tudo, à semente favoráveis condições necessárias à germi­nação e ao crescimento.  

Certo, em se tratando do interesse coletivo, Jesus não menoscaba a energia benéfica.

Exprobra o comercialismo desenfreado que humilha o Templo, quanto profliga os erros de Sua época.

Entretanto, diante das criaturas dominadas pelo mal, enche-se de profunda compaixão e tole­rância construtiva. Aos enfermos não indaga quanto à causa das aflições que os vergastam para irritá-los com reclamações. Auxilia-os e cura-os.

Os apontamentos que dirige aos pecadores e transviados são recomendações doces e sutis.

Ao doente curado no Tanque de Betesda, explica despretensioso:

– Vai e não reincidas no erro para que te não aconteça coisa pior.

A pobre mulher, apedrejada na praça pública, adverte, bondoso:

– Vai e não peques mais.

Não indica o inferno às vítimas da sombra. Reergue-as, compassivo, e acende-lhes nova luz.

Compreende os problemas e as lutas de cada um.

Atrai as crianças a si, compadecidamente, infundindo nova confiança aos corações maternos.

Sabe que Pedro é frágil; mas não desespera e confia nele.

Contempla o torvo drama do espírito de Judas, no entanto, não o expulsa.

Reconhece que a maioria dos beneficiários não se revela à altura das concessões que solicitam, contudo, não lhes nega assistência.

Preso, recompõe a orelha de Malco, o soldado.

À frente de Pilatos e de Antipas, não pede providências suscetíveis de lançar a discórdia, ainda mesmo a título de preservação da justiça.

Longe de impacientar-se com a presença dos malfeitores que também sofreram a crucificação, inclina-se amistosamente para eles e busca enten­dê-las e encorajá-los.

A turba que o rodeia com palavrões e cutiladas envia pensamentos de paz e votos de perdão.

E, ainda além da morte, não foge aos companheiros que fugiram. Materializa-se, diante deles, induzindo-os ao serviço da regeneração humana, com o incentivo de sua presença e de seu amor, até ao fim da luta.

Em todas as passagens do Evangelho, perante o coração humano, sentimos no Senhor o campeão da simpatia, ensinando como sanar o mal e cons­truir o bem. E desde a Manjedoura, sob a sua divina inspiração, um novo caminho redentor se abre aos homens, no rumo da paz e da felicidade, com bases no auxílio mútuo e no espírito de ser­viço, na bondade e na confraternização. 

Livro Roteiro – Capítulo 19 – 10/06/1952
Lição para o estudo do dia 29/07/2010.

Evangelho e Exclusivismo

Deixe um comentário

Quase todos os santuários religiosos divididos entre si, na esfera dogmática, isolam-se indebitamente, disputando privilégios e primazias. E até mesmo nos círculos da atividade cristã, o espírito de exclusivismo tem dominado grupos de escol, desde os primeiros séculos de sua constituição.

Em nome do Cristo, muitas vezes, a tirania política e o despotismo intelectual organizaram guerras, atearam fogueiras, incentivaram a perseguição e entronizaram a morte.

Pretendendo representar o Mestre, que não possuía uma pedra onde repousar a cabeça dolorida, o Imperador Focas estabelece o Papado, em 607, exalçando a vaidade romana. Supondo agir na condição de seus defensores, Godofredo de Bulhão e Tancredo de Siracusa organizam, em 1096, um exército de 500.000 homens e estimulam conflitos sangrentos, combatendo pela reivindicação de terras e relíquias que recordam a divina passagem de Jesus pela Terra. Acreditando preservar-lhe os princípios salvadores, Gregório IX, em 1231, consolida o Tribunal da Inquisição, adensando a sombra e fortalecendo criminosas flagelações, no campo da fé religiosa. Convictos de garantir-lhe a Doutrina, os sacerdotes punem com o suplício e com a morte, valorosos pioneiros do progresso planetário, tais como Giordano Bruno e João Russ.

Semelhantes violências, todavia, não passam de manifestações do espírito belicoso que preside as inquietudes humanas.

Cristo nunca endossou o dogmatismo e a intransigência por normas de ação.

Afirma não haver nascido para destruir a Lei Antiga, mas para dar-lhe fiel cumprimento.

Não hostiliza senão a perversidade deliberada.

Não guerreia.

Não condena.

Não critica.

Combate o mal, socorrendo-lhe as vítimas.

Dá-se a todos.

Ensina com paciência e bondade o caminho real da redenção. Começa o ministério da palavra, conversando com os doutores do Templo, e termina o apostolado, palestrando com os ladrões.

A ninguém desdenha e os transviados infelizes lhe merecem mais calorosa atenção.

Prepara o espírito dos pescadores para os grandes cometimentos do Evangelho, com admirável confiança e profunda bondade, sem exigir-lhes qualquer atestado de pureza racial.

Auxilia mulheres desventuradas, com serenidade e desassombro, em contraposição com os preconceitos do tempo, trazendo-as, de novo, à dignidade feminina.

Não busca títulos e, sim, inclina-se, atencioso, para os corações.

Nicodemos, o mestre de Israel, e Bartimeu, o cego desprezado, recebem d’Ele a mesma expressão afetiva.

A intolerância jamais compareceu ao lado de Jesus, na propagação da Boa Nova.

O isolacionismo orgulhoso, na esfera cristã, é simples criação humana, fadado naturalmente a desaparecer, porque, na realidade, nenhuma doutrina, quanto o Cristianismo, trouxe, até agora, ao mundo atormentando e dividido os elos de amor e luz da verdadeira solidariedade.

Livro Roteiro – Capítulo 18 – 10/06/1952
Lição para o estudo do dia 22/07/2010

Evangelho e Trabalho

Deixe um comentário

A glorificação do trabalho é serviço evangélico.

Antecedendo a influência do Mestre, a Terra era vasto latifúndio povoado de senhores e escravos.

O serviço era considerado desonra.

Dominadas pelo princípio da força, as nações guardavam imensa semelhança com as tabas da comunidade primigênia.

O destaque social resultava da caça. 

Erguiam-se os tronos, quase sempre, sobre escuros alicerces de rapinagem. 

Os favores da vida pertenciam aos mais argutos e aos mais poderosos. 

Qualquer infelicidade econômica redundava em compulsório cativeiro. 

Trabalho era sinônimo de aviltação. 

Os espíritos mais nobres, na maioria das vezes, demoravam-se na subalternidade absoluta, suando e gemendo para sustentar o carro purpúreo dos opressores. 

Em todas as cidades, pululavam escravos de todos os matizes e somente a eles era conferido o dever de servir, como austera punição. 

Roma imperial jazia repleta de cativos tomados ao Egito e à Grécia, à Gália e ao Ponto. Só na revolução de Espártaco, no ano de 71, antes da era cristã, foram condenados à morte trinta mil escravos na Via Apia, cuja única falta era aspirar ao trabalho digno em liberdade edificante. 

Com Jesus, no entanto, nova época surge para o mundo. 

O ministério do Senhor é, sobretudo, de ação e movimento. 

Levanta-se o Mestre com o dia e devota-se ao bem dos semelhantes  pela noite a dentro. 

Médico – não descansa no auxílio efetivo aos doentes… 

Professor – não se fatiga, repetindo as lições. 

Juiz – exemplifica a imparcialidade e a tolerância. 

Benfeitor – espalha, sem cessar, as bênçãos do amor infinito. 

Sábio – coloca a ciência do bem ao alcance de todos. 

Advogado – defende os interesses dos fracos e dos humildes. 

Trabalhador divino – serve a todos, sem reclamação e sem recompensa. 

O exemplo do Cristo é sublime e contagiante. 

Cada companheiro de apostolado ausenta-se, mais tarde, do comodismo  para ajudar e ensinar em seu nome, rasgando horizontes mais vastos à compreensão da vida, em regiões distantes do berço que os vira nascer.                                                              

Mais tarde, em Roma, o desejo de auxílio mútuo entre os cristãos atinge inconcebíveis realizações no capítulo do trabalho.

Pessoas convertidas ao Evangelho se consagram, inteiramente, ao serviço com o objetivo de amparar os companheiros necessitados.

Espalham-se aprendizes da Boa Nova nas atividades da indústria e da agricultura, das artes e das ciências, da instrução e do comércio, da enfermagem e da limpeza, pública, disputando recursos para o auxilio aos associados de ideal, na servidão ou na indigência, no sofrimento e nas prisões. Há quem jejue por dois e três dias seguidos, a fim de economizar dinheiro para os serviços de assistência ao próximo, sob a direção do pastor.

O trabalho passa a ser, então,  interpretado por bênção divina.

Paulo de Tarso, transferindo-se da dignidade do Sinédrio para o duro labor do tear, confeccionando tapetes para não ser pesado a ninguém e garantindo, por esse modo, a sua liberdade de palavra e de ação, é o símbolo do cristão que educa e realiza, demonstrando que à claridade do ensino deve aliar-se a glória do exemplo.

E, até hoje, honrando no trabalho digno a sua norma fundamental de ação, o Cristianismo é a força libertadora da Humanidade, nos quadrantes do mundo inteiro.         

Livro Roteiro – Capítulo 17 – 10 de junho de 1952
Para estudo do dia 15/07/2010.

 

Evangelho e Caridade

Deixe um comentário

 Antes de Jesus, a caridade é desconhecida. Os monumentos das civilizações antigas não se reportam à divina virtude.

Os destroços do palácio de Nabucodonosor, no solo em que se erguia a grandeza de Babilônia, falam simplesmente de fausto e  poder que os séculos consumiram .

Nas lembranças do Egito glorioso, as Pirâmides não se referem à compaixão.

Os famosos hipogeus de Persépolis são atestados de orgulho racial.

As muralhas da China traduzem a preocupação de defesa.

Nos velhos santuários da India, o Todo-Poderoso é venerado por milhões de fiéis, indiscutivelmente sinceros, mas deliberadamente afastados dos semelhantes, nascidos na condição de párias desprezíveis. ­

A acrópole de Atenas, com as suas colunas respeitáveis, é louvor à inteligência.

O coliseu de Vespasiano, em Roma, é monumento levantado ao triunfo bélico, para as expansões da alegria popular.

Por milênios numerosos, o homem admitiu a hegemonia dos mais fortes  e consagrou-a através da arte e da cultura que era suscetível de criar e desenvolver.

Com Jesus, porém, a paisagem social experimenta decisivas alterações.

O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio com a multidão e materializa-o com o próprio esforço.

Cura os doentes na via pública, sem cerimoniais, e ajuda a milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das etiquetas do culto externo.

Lega aos discípulos a parábola do bom samaritano, que exalta a missão sublime da caridade para sempre. A história é simples e expressiva.

Transmite Lucas a palavra do Celeste Orientador, explicando que “ia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores, que o despojaram, espancando-o e deixando-o semi­-morto. Ocasionalmente, passava pelo mesmo caminho um sacerdote e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita abordando o mesmo lugar,  observando-o, passou a distância.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, reparando-o, moveu-se de íntima piedade. Abeirando-se do infortunado, aliviou-lhe as feridas e, colocando-o  sobre a sua cavalgadura, cuidadosamente asilou-o numa estalagem.”

Vemos, dentro da narrativa, que o Senhor situa no necessitado simplesmente “um homem”.

Não lhe identifica a raça, a cor, a posição social ou os pontos de vista.

Nele, enxerga a Humanidade sofredora, carecente de auxílio das criaturas que acendam a luz da caridade, acima de todos os preconceitos de classe ou de religião:

Desde aí, novo movimento de solidariedade humana surge na Terra.

No curso do tempo, dispersam-se os apóstolos, ensinando, em variadas regiões do mundo, que “mais vale dar que receber” .

E, inspirados na lição do Senhor, os vanguardeiros do bem substituem os vales da imundície pelos hospitais confortáveis; combatem vícios multi-milenários, com orfanatos e creches; instalam escolas, onde a cultura jazia confiada aos escravos; criam institutos de socorro e previdência, onde a sociedade mantinha a mendicância para os mais fracos. E a caridade, como gênio cristão na Terra, continua crescendo com os séculos, através da bondade de um Francisco de Assis, da dedicação de um Vicente de Paulo, da benemerência de um Rockfeller ou da fraternidade do companheiro anônimo da via pública, salientando, valorosa e sublime, que o Espírito do Cristo prossegue agindo conosco e por nós.

Livro Roteiro – Capítulo 16 – 10/06/1952

Quem somos nós, os homens da Terra?

Deixe um comentário

Não é difícil responder a essa pergunta. Somos seres imperfeitos, já que habitamos um mundo de provas e expiações. Parece-nos uma explicação perfeitamente razoável.
Por quanto tempo continuaremos imperfeitos e com mais tendências más do que boas? Agora, a resposta se torna mais difícil, porque isso depende de cada um, individualmente, embora o coletivo exerça alguma influência na melhora ou piora dos homens. Inclusive, porque a humanidade é a soma de todos nós. É a consciência planetária. Todavia, todos nós temos um direito sagrado que se chama livre-arbítrio que é o que decide se vamos melhorar ou piorar.
Por que razão nós ainda somos tão imperfeitos? A resposta primeira é: por ignorância. O desconhecimento dos valores verdadeiros nos prejudica mais do que os erros que cometemos. Há ocasiões em que fazemos o mal, imaginando que é um bem.
Por que somos ignorantes? Porque fomos criados por Deus simples e sem nenhum conhecimento e, a partir do momento em que migramos do raciocínio para a razão, nos enchemos de necessidades que nos criaram mais problemas que alegrias. Depois de estagiar nos reinos primários da criação, onde apenas nos defendíamos, sobrevivíamos e procriávamos, começamos a ter desejos: paixões, vaidades, ganâncias, avarezas, aflições, etc. Sufocamos as virtudes da paciência, da resignação, da fé e do desejo de crescimento moral que geralmente conflitam com o desenvolvimento material. “Ninguém pode adorar a dois senhores”, já nos ensinou Jesus!
Quanto tempo nós tivemos para aprender o que ainda desconhecemos?
Poderíamos dizer que isso é variável de indivíduo para indivíduo. Uns já viveram muitas encarnações; outros, menos que esses e, outros, até muito mais. Quantas? Centenas, milhares. Quem sabe? O certo é que foram inúmeras, e isso pode ser constatado pelo nosso atual momento. Se, com o conhecimento do Evangelho e – para nós – as orientações do Espiritismo, nosso avanço é tão pequeno, imaginemos a nossa estagnação, quando desconhecíamos as informações básicas que a Doutrina Espírita nos oferece. Diz-nos Emmanuel, no livro “Vinha de Luz”, que “o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso”.
Ainda somos daquelas pessoas que faltam com a palavra, que sentem desânimo diante dos menores obstáculos e que são insensíveis frente às misérias do mundo. Como não nos comportávamos, então, quando vivíamos como se esta vida fosse a única? Se nosso egoísmo, hoje, é avassalador, podemos imaginar como era antes deste conhecimento.
Qual a vantagem de melhorar, espiritualmente, enquanto vivemos num planeta inferior como o nosso? Onde iremos reencarnar, depois de vencer essa etapa? Vai valer a pena? As respostas são muitas…
Estamos informados de que a Terra está em transição e será, brevemente, um planeta melhor, pois ficará entre os chamados mundos de regeneração. Todavia, nada extraordinário quando comparado aos mundos felizes ou puros, habitados por espíritos que se aproximam da perfeição e que, segundo o Sermão da Montanha, serão os puros de coração que, bem-aventurados, verão Deus.
Considerando-se o avanço da Terra para um planeta de regeneração, seus habitantes deverão ter um aprimoramento bem maior que o nosso atual, para serem dignos de fazer parte da sua humanidade. Portanto, ficar na Terra, numa nova encarnação, já será um progresso extraordinário. Basta que nos lembremos dos banimentos dos habitantes de Capela – e outros similares – que foram desterrados de seus mundos, quando eles progrediram, em episódios similares ao que está ocorrendo com a Terra. Se não formos os Exilados Terráqueos, já devemos nos sentir recompensados por qualquer esforço que tenhamos feito, porque viveremos na nova Terra de menos doenças e conflitos, embora ainda o trabalho e o esforço de aprimoramento continuem sendo primordiais para o crescimento espiritual.
Por que se dá esse tipo de exílio? Porque a sintonia entre o planeta e o seu habitante é fundamental para que as partes se harmonizem. Emmanuel já disse que, sem antes cuidar do nosso aprimoramento, será inútil tentarmos nossa entrada em mundos adiantados, porquanto estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da Vida Superior. Ou seja, ninguém chega aos Planos Elevados por favorecimentos, mas por conquista pessoal e intransferível.
E se não conseguirmos progredir, o que acontecerá conosco?
Reviver-se-á o episódio de Capela, quando seremos transferidos para mundos primitivos ou inferiores, para ajudar com o conhecimento que aqui adquirimos. Todavia, caso não passemos nesse vestibular para ingressar no novo mundo, onde quer que reencarnemos, já seremos pessoas melhores, e teremos tarefas de auxílio ao próximo, amparados pela Espiritualidade Maior.
Servindo o semelhante, estaremos exercitando a nossa bondade, caridade, benevolência. Uma asa já estaria emplumada: a do conhecimento. A outra estava ainda implume: a da moral. E, sem as duas asas completas, ninguém voa. Pela misericórdia de Deus, recebemos novas oportunidades para um crescimento que poderia ter sido natural, espontâneo, mas que não encontrou eco em nosso coração e só se dará sob coação. Não a coação do castigo, da punição, mas da consciência que se verá cada vez mais cobrada pela vida, a fim de que o ser se humanize e compreenda que ninguém pode ser feliz sozinho.
Finalizamos com palavras de Kardec, do Livro “Da Comunhão do Pensamento”, editora CELD: “O conhecimento do Espiritismo não é indispensável à felicidade futura, porque não tem o privilégio de fazer eleitos. É um meio de chegar mais facilmente e mais seguramente ao objetivo, pela fé raciocinada que ele dá e à caridade que inspira. Ele ilumina o caminho, e o homem, não mais seguindo às cegas, marcha com mais segurança, pois ele compreende o bem e o mal; dá mais força para praticar um e evitar o outro. Para ser agradável a Deus, observar suas Leis, isto é, praticar a caridade que as resume a todas. Ora, a caridade pode ser praticada por todo o mundo. Despojar-se de todos os vícios e de todas as inclinações contrárias à caridade é, pois, condição essencial de salvação.”
Quem quiser, portanto, trate de salvar-se, porque o Espiritismo, ou qualquer outra religião, não salva ninguém. Apenas dá o roteiro. E o roteiro espírita é o mais lógico e o mais seguro!
Finalizamos com a afirmativa de Emmanuel: “o espírita não é melhor do que ninguém, mas tem de ser sempre melhor do que é.”

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho de 2010

Ante o Infinito

Deixe um comentário

Amadurecida a compreensão na maioridade mental, percebe o homem a sua própria pequenez, à frente do Infinito. Reconhece que a vida divina palpita soberana, desde os princípios magnéticos do mundo subatômico até as mais remotas conste­lações. Observa que o Planeta, grande e sublime pelas oportunidades de elevação que nos oferece, é simples grão de areia, quando comparado ao imenso universo. Cercado por sóis e mundos incon­táveis, ergue-se, dentro de si mesmo, para indagar quanto aos problemas da morte, do destino, da dor… Suas perguntas silenciosas atravessam o Espaço incomensurável, em busca das eternas revelações.

Para o coração alimentado pela fé e elevado à glória do ideal superior, o Espiritismo com Jesus traz a sua mensagem iluminada de esperança.

Interrogando o Infinito, que se estende triunfante, no Espaço e no Tempo, os homens ouvem a palavra dos vivos que os antecederam, na grande viagem do túmulo, afirmando com imponente beleza:

– Irmãos, a vida não cessa!…

Tudo é renovação e eternidade.

Tanto quanto as leis cósmicas nos governam a experiência física, indefectíveis leis morais nos dirigem o espírito.

Abstende-vos do mal.

Os compromissos da alma com os planos inferiores constituem aumento de densidade em seu veículo de manifestação.

Nosso corpo espiritual, em qualquer parte, refletirá a luz ou a treva, o céu ou o inferno que trazemos em nós mesmos.

Cultivai a fraternidade e o bem, porque, hoje e amanhã, colheremos da própria sementeira.

Além das fronteiras de sombra e cinza, onde se esfriam e se desintegram os derradeiros farrapos da carne, a vida continua, impondo-nos o resultado de nossas próprias ações.

Amai o trabalho e engrandecei-o! E’ por ele que a civilização se levanta, que a educação se realiza e que a nossa felicidade se perpetua. Na Pátria das Almas, chora amargamente o espírito que lhe esqueceu a riqueza oculta, olvidando que sómente pelo serviço conseguimos desenvolver as nossas possibilidades de crescimento interior para a imortalidade.

Aceitai o ato de servir e ajudar, não como castigo, mas sim como preciosa honra que o Divino Poder nos confere.

Não vos inquietem no mundo o orgulho coroado de louros e o vício com a iniquidade, aparentemente vitoriosos!…

A Justiça reina, imperecível. Quem humilha os outros será humilhado pela própria consciência e o instituto universal das reencarnações funciona igualmente para todos, pre­miando os justos e corrigindo os culpados.

Cada falta exige reparação.

Cada desequilíbrio reclama reajuste.

Os padecimentos coletivos da sociedade humana constituem a redenção de séculos ensanguentados pela guerra e pela violência. As aflições individuais são remédios proveitosos à cura e refazimento das almas.

Anexai os desejos do reino de vosso “eu” aos sábios desígnios do Reino de Deus.

O egoísmo e a vaidade nos encarceram na lama da Terra. 

Lede as páginas vivas da Natureza e buscai a vida sã e pura, usando a boa vontade para com todos.

Simplificai vossos hábitos e reduzi as vossas necessidades.

Tende confiança, sede benevolentes, instruí­-vos, amai e esperai!… Crescei no conhecimento e na virtude para serdes mais fortes e mais úteis.

Além dos horizontes que o nosso olhar pode abranger, outros mundos e outras humanidades evolvem no rumo da perfeição.

Todos somos irmãos, filhos de um só Pai,  que nos aguarda sempre, de braços abertos para a suprema felicidade no eterno bem!.

E, ouvindo os sagrados apelos de Cima,o coração que desperta para a vida superior compreende, enfim, que Deus é a Verdade Soberana, que o trabalho é a nossa bênção, que o amor e a sabedoria representam a nossa destinação e que a alma ê imortal.

Livro Roteiro – Capítulo 40 – 10/06/1952

Older Entries