Ante o infinito

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Amadurecida a compreensão na maioridade mental, percebe o homem a sua própria pequenez à frente do Infinito. Reconhece que a vida divina palpita soberana, desde os princípios magnéticos do mundo subatômico até as mais remotas constelações. Observa que o Planeta, grande e sublime pelas oportunidades de elevação que nos oferece, é simples grão de areia, quando comparado ao imenso universo. Cercado por sóis e mundos incontáveis, ergue-se, dentro de si mesmo, para indagar, quanto aos problemas da morte, do destino, da dor. Suas perguntas silenciosas atravessam o Espaço incomensurável, em busca das eternas revelações.

Para o coração alimentado pela fé e elevado à glória do ideal superior, o Espiritismo com Jesus traz a sua mensagem iluminada de esperança.

Interrogando o Infinito, que se estende triunfante, no Espaço e no Tempo, os homens ouvem a palavra dos vivos que os antecederam, na grande viagem do túmulo, afirmando com imponente beleza:

– Irmãos, a vida não cessa!…

Tudo é renovação e eternidade.

Tanto quanto as leis cósmicas nos governam a experiência física, indefectiveis leis morais nos dirigem o espírito.

Abstende-vos do mal.

Os compromissos da alma com os planos inferiores constituem aumento de densidade em seu veículo de manifestação.

Nosso corpo espiritual, em qualquer parte, refletirá a luz ou a treva, o céu ou o inferno que trazemos em nós mesmos.

Cultivai a fraternidade e o bem, porque, hoje e amanhã, colheremos da própria sementeira.

Além das fronteiras de sombra e cinza, onde se esfriam e se desintegram os derradeiros farrapos da carne, a vida continua, impondo-nos o resultado de nossas próprias ações.

Amai o trabalho e engrandecei-o! E’ por ele que a civilização se levanta, que a educação se realiza e que a nossa felicidade se perpetua. Na Pátria das Almas, chora amargamente o espírito que lhe esqueceu a riqueza oculta, olvidando que somente pelo serviço conseguimos desenvolver as nossas possibilidades de crescimento interior para a imortalidade.

Aceitai o ato de servir e ajudar, não como castigo, mas sim como preciosa honra que O Divino Poder nos confere.

Não vos inquietem no mundo o orgulho coroado de louros e o vício com a iniquidade, aparentemente vitoriosos!…

A Justiça reina, imperecível.

Quem humilha os outros flerá humilhado pela própria consciência e o instituto universal das reencarnações funciona igualmente para todos, premiando os justos e corrigindo os culpados.

Cada falta exige reparação.

Cada desequilíbrio reclama reajuste.

Os padecimentos coletivos da sociedade humana constituem a redenção de séculos ensanguentados pela guerra e pela violência. As aflições individuais são remédios proveitosos à cura e refazimento das almas.

Anexai os desejos do reino de vosso “eu” aos sábios desígnios do Reino de Deus.

O egoísmo e a vaidade nos encarceram na lama da Terra.

Lede as páginas vivas da Natureza e buscai a vida sã e pura, usando a boa vontade para com todos.

Simplificai vossos hábitos e reduzi as vossas necessidades.

Tende confiança, sede benevolentes, instruí-vos, amai e esperai!… Crescei no conhecimento e na virtude para serdes mais fortes e mais úteis.

Além dos horizontes que o nosso olhar pode abranger, outros mundos e outras humanidades evolvem no rumo da perfeição!…

Tódos somos irmãos, filhos de um só Pai, que nos aguarda sempre, de braços abertos, para a suprema felicidade no eterno bem!…

E, ouvindo os sagrados apelos de Cima,o coração que desperta para a vida superior compreende, enfim, que Deus é a Verdade Soberana, que o trabalho é a nossa bênção, que o amor e a sabedoria representam a nossa destinação e que a alma é imortal.

Livro Roteiro – Emmanuel – Capítulo 40 – 10/06/1952
Lição para o estudo de 23/12/2010

 

 

Diante da Terra

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Diante da luta humana, o espírito que amadureceu o raciocínio e despertou o coração, sente-se cada vez mais só, mais desajustado e menos compreendido.

Por vagas crescentes de renovação, gerações diferentes surgem no caminho, impondo-lhe conflitos sentimentais e lutas acerbas.

Estranha sede de harmonia invade-lhe a alma.

Habitualmente, identifica-se por estrangeiro na esfera da própria família.

Ilhado pela corrente escura das desilusões, a se sucederem, ininterruptas, confia-se ao tédio infinito, guardando enrijecido o coração.

Essa, porém, não é a hora da desistência ou do desânimo.

O fruto amadurecido é a riqueza do futuro.

Quem se equilibra no conhecimento é o apoio daquele que oscila na ignorância.

Que será da escola quando o aluno, guindado à condição de mestre, fugir do educandário, a pretexto de não suportar a insipiência e a rudeza dos novos aprendizes? e quem estará assim tão habilitado, perante o Infinito, a ponto de menoscabar a oportunidade de prosseguir na aquisição da Sabedoria?

A Terra é a venerável instituição onde encontramos os recursos indispensáveis para atender ao nosso próprio burilamento.

Milhões de vidas formam o pedestal em que nos erigimos e, alcançando o grande entendimento, cabe-nos auxiliar as vidas iniciantes, por nossa vez.

Por isso, na plenitude do discernimento, reclamamos uma fé que nos reaqueça a alma e nos soerga a visão, a fim de que a madureza de espírito seja reconhecida por nós como o mais belo e o mais valioso período de nossa romagem no mundo, ensinando-nos a agir sem apego e a servir sem recompensa.

Situados no cimo da grande compreensão, não prescindimos da grande serenidade.

Se, com o decurso do tempo, registramos o nosso isolamento íntimo, quando alimentados pelo ideal superior, depressa observamos a nossa profunda ligação com a Humanidade inteira.

Informamo-nos, pouco a pouco, de que ninguém é tão indigente que não possa concorrer para o progresso comum e tomamos, com firmeza, o lugar que nos compete no edifício da harmonia geral, distribuindo fragmentos de nós mesmos, no culto da fraternidade bem vivida.

Valendo-nos da ressurreição de hoje para combater a morte de ontem, encontramos na luta o esmeril que polirá o espelho de nossa consciência, a fim de nos convertermos em fiéis refletores da beleza divina.

O mundo, por mais áspero, representará para o nosso espírito a escola de perfeição, cujos instrumentos corretivos bendiremos, um dia. Os companheiros de jornada que o habitam, conosco, por mais ingratos e impassíveis, são as nossas oportunidades de materialização do bem, recursos de nossa melhoria e de nossa redenção, e que, bem aproveitados por nosso esforço, podem transformar-nos em heróis.

Não há medida para o homem, fora da sociedade em que ele vive.  Se é indubitável que somente o nosso trabalho coletivo pode engrandecer ou destruir o organismo social, só o organismo social pode tornar-nos individualmente grandes ou miseráveis.

A comunidade julgar-nos-á sempre pela nossa atitude dentro dela, conduzindo-nos ao altar do reconhecimento, ao tribunal da Justiça ou à sombra do esquecimento.

O Espiritismo, sob a luz do Cristianismo, vem ao mundo para acordar-nos.

A Terra é o nosso temporário domicílio.

A Humanidade é a nossa família real. Todos estamos destinados por Deus à gloriosa destinação.

Em razão disso, Jesus, o Divino Emissário do Amor para todos os séculos, proclamou com a realidade irretorquível: – “Das ovelhas que o Pai me confiou nenhuma se perderá.” 

Livro Roteiro – Emmanuel – Capítulo 39 – 10/06/1952
Lição para o estudo do dia 16/12/2010

Missão do Espiritismo

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A missão do Espiritismo, tanto quanto o ministério do Cristianismo, não será destruir as escolas de fé, até agora existentes.

Cristo acolheu a revelação de Moisés.

A Doutrina dos Espíritos apóia os princípios superiores de todos os sistemas religiosos.

Jesus não critica nenhum dos Profetas do Velho Testamento. O Consolador Prometido não vem para censurar os pioneiros dessa ou daquela forma de crer em Deus.

O Espiritismo é, acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos.

Há milênios, a mente humana gravita em derredor de patrimônios efêmeros, quais sejam os da precária posse física, atormentada por pesadelos carnais de variada espécie. Guerras de todos os matizes consomem-lhe as forças. Flagelos de múltiplas expressões situam-lhe a existência em limitações aflitivas e dolorosas.

Com a morte do corpo, não atinge a liberação.

Além túmulo, prossegue atenta às imagens que a ilusão lhe armou ao caminho, escravizada a interesses inconfessáveis. Em plena vida livre, guarda, ordinariamente, a posição da criatura que venda os olhos e marcha, impermeável e cega, sob pesadas cargas a lhe dobrarem os ombros.

A obstinação em disputar satisfações egoísticas, entre os companheiros da carne, constitui-lhe deplorável inibição e os preconceitos ruinosos, os terríveis enganos do sentimento, os pontos de vista pessoais, as opiniões preconcebidas, as paixões desvairadas, os laços enfermiços, as concepções cristalizadas, os propósitos menos dignos, a imaginação intoxicada e os hábitos perniciosos representam fardos enormes que constrangem a alma ao passo vacilante, de atenção voltada para as experiências inferiores.

A nova fé vem alargar-lhe a senda para mais elevadas formas de evolução. Chave de luz para os ensinamentos do Cristo, explica o Evangelho não como um tratado de regras disciplinares, nascidas do capricho humano, mas como a salvadora mensagem de fraternidade e alegria, comunhão e entendimento, abrangendo as leis mais simples da vida.

Aparece-nos, então, Jesus, em maior extensão de sua glória. Não mais como um varão de angústia, insinuando a necessidade de amarguras e lágrimas e sim na altura do herói da bondade e do amor, educando para a felicidade integral, entre o serviço e a compreensão, entre a boa vontade e o júbilo de viver.

Nesse aspecto, vemo-lo como o melhor padrão de solidariedade e gentileza, apagando-se na manjedoura, irmanando-se com todos na praça pública e amparando os malfeitores na cruz, à extrema hora de passagem para a divina ressurreição.

O Espiritismo será, pois, indiscutivelmente, a força do Cristianismo em ação para reerguer a alma, humana e sublimar a vida.

O Espaço Infinito, pátria universal das constelações e dos mundos, é, sem dúvida, o clima natural de nossas almas, entretanto, não podemos esquecer que somos filhos, devedores, operários ou companheiros da Terra, cujo aperfeiçoamento constitui o nosso trabalho mais imediato e mais digno.

Esqueçamos, por agora, o paraíso distante para ajudar na construção do nosso próprio Céu. Interfiramos menos na regeneração dos outros e cogitemos mais de nosso próprio reajuste, perante a Lei do Bem Eterno, e, servindo incessantemente com a nossa fé à vida que nos rodeia, a vida, por sua vez, nos servirá, infatigável, convertendo a Terra em estação celestial de harmonia e luz para o acesso de nosso espírito à Vida Superior

Livro Roteiro – Emmanuel – Capítulo 38 – 10/06/1952
Lição para o estudo do dia 9 de dezembro de 2010

A virgem de Guadalupe

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De la inquisición a nuestros días

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Octávio Caúmo Serrano

Los prejuicios son virus que matan a las almas; especialmente las de los que los procrean.

La mayoría de los hombres sabe qué ha pasado, en el tiempo de la Inquisición, instituida en 1232, por el papa Gregório IX. Por diversos siglos, la Iglesia cremó vivos los hombres que osasen discordar de sus postulados: más comerciales que espirituales; más humanos que divinos.

Los errores fueron tantos que la Iglesia hasta hoy si disculpa de lo que hizo. Lastima que sigue lo haciendo. Problemas con el geocéntrico, el abandono y la explotación de las mujeres, la pedofilia, la homosexualidad en los conventos, seminarios y en la propia Iglesia, entre otros, sin hablar en el lujo y en la ostentación de sus templos.

El Espiritismo también sufrió “en la carne” el poder de ese fuego. Todos se recuerdan del Auto de Fe de Barcelona, de 9 de octubre de 1861, cuando, a las 10 horas y 30 minutos de la mañana, las llamas inquisidoras, aún crepitantes, incineraban 300 libros espiritistas enviados por Kardec al librero Maurício Lachâtre, acompañados de la documentación para una exportación legalizada.

Como siempre, el tiro salió por la culata, y la multitud, ávida, salió a la cata de los quemados, para saber lo que de tan grave había en aquellos libros que el pueblo no debería leer. Kardec quiso procesar los responsables, pero los Espíritus dijeron para no preocuparse porque el Espiritismo ya había conseguido toda la propaganda de que necesitaba.

Aunque las llamas inquisidoras hubiesen dejado de arder, el prejuicio sigue quemando las almas, y el Espiritismo es una de las víctimas de ese comportamiento de las religiones. Afortunadamente, como la caravana que sigue, mientras los perros ladran, la doctrina organizada por Kardec sigue creciendo, desarrollandose y haciendo, a cada día, más adeptos. Delante de la lógica del pensamiento espiritista, las fuerzas del mal nada pueden hacer. Son piedras menudas que infestan el camino, pero que no impiden la resoluta y altiva caminata.

Lo que más enoja a algunas religions, no es el Espiritismo practicar la mediumnidad, sino la solidaridad; no es hablar con los “muertos”, sino amparar los “vivos”. Mientras seguimos dando gratis lo qué gratis recibimos, coherentes con los consejos de Jesús y de los Espíritus, otros cobran por cada acto que realizan. Hasta los sacramentos, tenidos como obligatorios por el clero, tienen que ser remunerados. Hay cachet hasta para las misas que encargan difuntos. El desprendimiento del espiritista es lo que más aburre las otras doctrinas, porque nuestras actitudes desapuntan los que viven presos a la codicia.

Uno de los episodios marcantes y que retractan el prejuicio contra el Espiritismo es el caso Humberto de Campos. Felizmente, después de la familia del escritor ir a los tribunales protestar contra a mediumnidad de Chico Xavier, hasta entonces, para ellos, un mistificador, todos se volvieron espiritistas, resultante a la contundente sentencia del magistrado, decidiendo que Espíritu no puede conseguir derechos autorales y que, despues del análisis especializado de técnicos de todas las áreas, se confirmó la autenticidad de los escritos de Humberto por la vía mediúmnica. Nadie falsificaría un estilo tan profundo y sui generis, con tanta perfección. Era el propio Espíritu que dictaba los textos en prosa o verso y, en cuanto a eso, no habiam dudas. Y si conociesen la vida simple y descolgada de Chico, no osarían imaginar que él pudiese beneficiarse de alguna burla.

Gracias a Dios, por lo menos en ese caso, hubo un final feliz y todos ganaron con eso: Humberto de Campos – Espíritu -, Chico Xavier – el médium -, y la familia del escritor que pudo enorgullecerse y disfrutar, sin enconamientos, de los beneficios que la mediumnidad seria ofrecía a los hombres, al traer Humberto de vuelta.

El escritor, que ingresó en la Academia Brasileña de Letras, en 1920, a los 34 años de edad, y fue diputado federal por Maranhão, su estado natal, usó, durante muchos años, para firmar crónicas periodísticas, el seudónimo Consejero XX. Ésta es también la razón por qué Chico Xavier pasó a firmar los mensajes de Humberto como Hermano X.

Otras alegrías tuvo nuestro misionero de la luz, Chico Xavier. Entre ellas, tuvo una comunicación mediúmnica anexada a un proceso de muerte que juzgo inocente el reo, bajo la alegación de que hubiera un accidente y no un asesinato. Solo un hombre de la estirpe moral de Chico Xavier podría merecer tal honor y reconocimiento del poder judicial.

Fue también indicado para el premio Nobel de la Paz, pero no venció los concurrentes. Posiblemente, porque su concepto de paz era diferente del convencional. Mientras nosotros buscamos la paz en el mundo, Chico siempre la tuvo adentro de sí propio.  

Ya se pasaron muchos años, desde que Kardec nos dejó, en 1869, y el propio Chico, que sensibilizó a sus seguidores con su partida, ya si fue, hace más de ocho años. Y la tristeza de aquel día 30 de junio de 2002 aún pone lágrimas en los ojos de todos nosotros. Sabemos, sin embargo, que, en las páginas de la codificación espiritista y en los más de cuatrocientos libros recibidos por Chico, están todas las explicaciones e interpretaciones del Evangelio del Cristo, para que recordemos siempre que sea preciso. Y su ejemplo de humildad, manteniéndose pobre, cuando podía ser millonario, es algo que debemos también imitar. Ya fue dicho que el mal del hombre es que él necesita de un trago d’agua para matar la sed, pero exige, para eso, que se le ofrezcan un río.

Las diferentes doctrinas son sendas diversas que nos llevan al mismo final feliz. Unas siguen caminos más simple; otras se pierden un poco, durante el trayecto. Todas, sin embargo, miran Dios como meta para el éxito del viaje.

Busquemos enterrar, definitivamente, las ideas de la Inquisición y los prejuicios que ella dejó arraigados en la humanidad. El nuevo mundo está llegando y, en él, no hay lugar para tales actitudes y sentimientos, mucho menos para los hombres que los practican.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Deciembre 2010

 

Da inquisição aos nossos dias

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Os preconceitos são vírus que matam as almas; especialmente as dos que os procriam

A maioria dos homens sabe o que aconteceu, no tempo da Inquisição, instituída em 1232, pelo papa Gregório IX. Por diversos séculos, a Igreja cremou vivos os homens que ousassem discordar de seus postulados: mais comerciais que espirituais; mais humanos que divinos.

Os erros foram tantos que a Igreja até hoje se desculpa do que fez. Pena que continue fazendo. Problemas com o geocentrismo, o abandono e a exploração das mulheres, a pedofilia, a homossexualidade nos conventos, seminários e na própria Igreja, entre outros, sem falar no luxo e na ostentação de seus templos.

O Espiritismo também sofreu “na carne” o poder desse fogo. Todos se lembram do Auto de Fé de Barcelona, de 9 de outubro de 1861, quando, às 10 horas e 30 minutos da manhã, as chamas inquisitórias, ainda crepitantes, incineravam 300 livros espíritas enviados por Kardec ao livreiro Maurício Lachâtre, acompanhados da documentação para uma exportação legal.

Como sempre, o tiro saiu pela culatra, e a multidão, ávida, saiu à cata dos queimados, para saber o que de tão grave havia naqueles livros que o povo não deveria ler. Kardec quis processar os responsáveis, mas os Espíritos disseram para não se preocupar porque o Espiritismo já havia conseguido toda a propaganda de que precisava.

Embora as chamas inquisitórias houvessem deixado de arder, o preconceito continua queimando almas, e o Espiritismo é uma das vítimas desse comportamento das religiões. Felizmente, como a caravana que segue, enquanto os cães ladram, a doutrina organizada por Kardec continua crescendo, se desenvolvendo e fazendo, a cada dia, mais adeptos. Diante da lógica do pensamento espírita, as forças do mal nada podem fazer. São pedras miúdas que infestam o caminho, mas que não impedem a resoluta e ascensional caminhada.

O que mais incomoda algumas religiões não é o Espiritismo praticar a mediunidade, mas a solidariedade; não é conversar com os “mortos”, mas amparar os “vivos”. Enquanto seguimos dando de graça o que de graça recebemos, coerentes com os conselhos de Jesus e dos Espíritos, outros cobram por cada ato que realizam. Até os sacramentos, tidos como obrigatórios pelo clero, têm de ser remunerados. Há cachê até para as missas que encomendam defuntos. O desprendimento do espírita é o que mais aborrece as outras doutrinas, porque nossas atitudes desapontam os que vivem presos à ganância.

Um dos episódios marcantes e que retratam o preconceito contra o Espiritismo é o caso Humberto de Campos. Felizmente, depois de a família do escritor ir aos tribunais protestar contra a mediunidade de Chico Xavier, até então, para eles, um mistificador, todos se tornaram espíritas, dada à contundente sentença do magistrado, decidindo que Espírito não pode auferir direitos autorais e que, após a análise especializada de técnicos de todas as áreas, confirmou-se a autenticidade dos escritos de Humberto pela via mediúnica. Ninguém falsificaria um estilo tão profundo e sui generis, com tanta perfeição. Era o próprio Espírito que ditava os textos em prosa ou verso e, quanto a isso, não pairavam dúvidas. E se conhecessem a vida simples e desprendida de Chico, não ousariam imaginar que ele pudesse beneficiar-se de alguma burla.

Graças a Deus, pelo menos nesse caso, houve um final feliz e todos ganharam com isso: Humberto de Campos – Espírito –, Chico Xavier – o médium –, e a família do escritor que pôde orgulhar-se e desfrutar, sem rancores, dos benefícios que a mediunidade séria oferecia aos homens, ao trazer Humberto de volta.

O escritor, que ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 1920, aos 34 anos de idade, e foi deputado federal pelo Maranhão, seu estado natal, usou, durante muitos anos, para assinar crônicas jornalísticas, o pseudônimo Conselheiro XX. Esta é também a razão por que Chico Xavier passou a assinar as mensagens de Humberto como Irmão X.

Outras alegrias teve o nosso missionário da luz, Chico Xavier. Entre elas, teve uma comunicação mediúnica anexada a um processo de morte que inocentou o réu, sob a alegação de que houvera um acidente e não um assassinato. Só um homem da estirpe moral de Chico Xavier poderia merecer tal honra e reconhecimento do poder judiciário.

Foi também indicado para o prêmio Nobel da Paz, mas não venceu os concorrentes. Possivelmente, porque seu conceito de paz era diferente do convencional. Enquanto nós procuramos a paz no mundo, Chico sempre a teve dentro de si próprio.   

Já se passaram muitos anos, desde que Kardec nos deixou, em 1869, e o próprio Chico, que sensibilizou os seus seguidores com a sua partida, já se foi, há mais de oito anos. E a tristeza daquele dia 30 de junho de 2002 ainda põe lágrimas nos olhos de todos nós. Sabemos, todavia, que, nas páginas da codificação espírita e nos mais de quatrocentos livros recebidos por Chico, estão todas as explicações e interpretações do Evangelho do Cristo, para recordarmos sempre que for preciso. E o seu exemplo de humildade, mantendo-se pobre, quando podia ser milionário, é algo que devemos também imitar. Já foi dito que o mal do homem é que ele precisa de um gole d’água para matar a sede, mas exige, para isso, que lhe ofereçam um rio.

As diferentes doutrinas são estradas diversas que conduzem ao mesmo final feliz. Umas seguem caminhos mais simples; outras se perdem um pouco, durante o trajeto. Todas, porém, miram Deus como meta para o sucesso da viagem.

Procuremos enterrar, definitivamente, as ideias da Inquisição e os preconceitos que ela deixou enraizados na humanidade. O novo mundo está chegando e, nele, não há lugar para tais atitudes e sentimentos, muito menos para os homens que os praticam.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Dezembro de 2010