Chega de Pieguices emocionais
Octávio Caúmo Serrano 

Entre os Espíritas, há uma preocupação em saber quem foi quem numa outra encarnação.
Joana D’Arc seria Judas Iscariotes reencarnado?
Chico Xavier teria sido Allan Kardec?
Edgard Armond foi o Cardeal de Richelieu?
E nós respondemos: – Que importa, quem foi quem?
Quando uma pessoa faz um trabalho da grandeza de Chico Xavier, a comunidade espírita fica se indagando como ficaremos quando ele morrer? Ou desencarnar, como preferem os espíritas? Quem será o seu sucessor?
Inicialmente devemos entender que ninguém sucede ninguém porque cada um tem sua própria tarefa. Ninguém sucedeu Jesus, nem Moisés, nem Maomé. Eles vieram, deixaram sua mensagem e se foram, na esperança de que a humanidade possa tê-los compreendido e aproveitado suas lições e exemplos.
Choramos porque o Chico foi maltratado pela madrinha; emocionamo-nos por que Jesus foi flagelado na cruz; lamentamos por que Kardec foi perseguido pelo clero e teve seu colégio falido pelas calúnias e difamações. O mesmo aconteceu com as dores de Joana D’ Arc, João Huss e muitos outros nos tempos da inquisição, porque feriam interesses de terceiros. Isso também acontecerá com qualquer um de nós, sempre que contrariarmos políticos, comerciantes, religiosos.
No seio da Igreja Romana, para esconder o adultério, a homossexualidade ou a pedofilia dos padres, matavam-se os inocentes classificando-os de hereges e blasfemos. Agora, quando a barca já afundou, pedem perdão à humanidade pelas suas más ações e lastimáveis omissões. É fácil pedir desculpa, sem reparar o mal.
Se nós os espíritas acreditamos que Jesus, Kardec e o próprio Chico Xavier passaram por terríveis sofrimentos para se manterem fiéis ao que ensinavam, não lamentemos o sofrimento deles, mas ajamos de maneira a valorizar o sacrifício, para mostrar-lhes que valeram a pena as dores que passaram, porque há na Terra quem compreendeu seus exemplos e intenções.
O sucessor de Jesus é o próprio Evangelho que continua vivo, ensinando; o sucessor de Kardec é O Livro dos Espíritos coadjuvado pelas demais obras da Codifi-cação; o sucessor de Chico Xavier está nas mais de quatrocentas obras que ele deixou, a par dos exemplos de vida quando mostrou coerência entre o que falava e o que vivia.
Empolgamo-nos com a mídia que divulga os assuntos da espiritualidade, cada dia mais. Novelas, filmes, entrevistas, reportagens. Envaidecemo-nos por ver uma coleção de artistas importantes declararem-se espíritas, como se isso desse maior importância ao Espiritismo. O que importa não é eles se declararem espíritas, mas que exemplo de conduta têm como espíritas.
Nos dias atuais, quando vivemos praticamente a era do espírito, este filão é muito cobiçado pelos marqueteiros. Muitas editoras passaram a se classificar como espíritas ou espiritualistas, tendo o cuidado de não deixar de produzir o esoterismo, a autoajuda e tudo o que lhes pareça místico porque o público gosta desse tipo de literatura. Afinal, é preciso atacar pelo centro e pelas pontas…
Os livros “psicografados” são os mais vendidos, embora sejam muitas vezes mais o resultado da imaginação novelesca do autor que da mensagem de algum espírito. Mas a palavra psicografia é mágica e vende livros. Se um encarnado escrever, por mais competente e estudioso que seja, despertará pouco interesse, mas se assinar como espírito é sucesso garantido. Mesmo que seja uma história comum.
Temos de nos convencer que ser espírita é algo mais. É cuidar da autorreforma por meio do serviço no bem, trocando defeitos por virtudes, mostrando claramente que entendeu o que representa este momento de vida na Terra, chamado misericórdia da reencarnação.
Que importa se os filmes espíritas vão ganhar algum “Oscar”. Os filmes espíritas não são para os espíritas. Estes têm os livros, os centros, as palestras para aprender. Os filmes são para chamar a atenção da sociedade em geral para que medite sobre algo que não faz parte de suas convicções, por acomodação ou princípios religiosos conservadores, retrógados ou convenientes. Têm preguiça de pensar, porque isso a levaria a ter de mudar e ela não está interessada.
Os Centros Espíritas estão recebendo gente nova que foi ao cinema e agora quer informações mais corretas e profundas. Temos de estar preparados para não desencantá-los, dizendo fantasias ou amedrontando-os quanto aos carmas e às obsessões de caráter destruidor. Aconselhemos que estudem o Espiritismo com seriedade e assiduidade, se desejam compreender efetivamente algo sobre suas vidas, além da matéria. Se não somos um ser humano numa experiência espiritual, mas um ser espiritual numa experiência humana, tratemos de nos preparar para a vida definitiva sob pena de ficarmos estagnados na ignorância e no preconceito.
Deixemos que duvidem os que assim preferem; todos um dia se curvarão à verdade porque a burla, o misticismo e a mentira não podem durar para sempre. Têm uma vida ainda meio longa porque oferecem vantagens materiais; não é por lógica ou bom senso. Um dia isso terá mais valor que o dinheiro e as ovelhas desgarradas se juntarão ao rebanho.
Não pode ser de outra forma, porque somos todos filhos de Deus e estamos CONDENADOS À FELICIDADE!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Fevereiro de 2011