Discurso de um formando em medicina

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Quando o mundo despertou

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Embora os fenômenos sempre fossem abundantes, havia um total desconhecimento das leis da natureza e as ações do plano divino eram tomadas por sobrenaturais. Tudo muito místico e apavorante. Com a chegada do Espiritismo, iniciado na obra que conhecemos como “O Livro dos Espíritos”, tudo passou a ser natural e analisado pela lógica do pensamento. Evidentemente, dentro das possibilidades de cada um, ainda restritos que somos pelas limitações humanas.

O pouco que já sabemos, contudo, enaltece e explica a assertiva de Jesus que nos orientou dizendo que o conhecimento da verdade seria a libertação. Por isso cientistas do porte de Isaac Newton dizem que “o que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano”.

Com a chegada do Espiritismo, apesar das limitações que nos impedem a sua total compreensão, sabemos, ao menos, que Deus não comete injustiças e que ninguém no solo do planeta está pagando dívidas que não contraiu. Cada um deve ressarcir a lei individualmente, para quitar suas contas passadas e incorporá-las como experiência de aprendizado, a verdadeira sabedoria que o homem conquista e que quase nunca pode ser obtida nos bancos acadêmicos. Esses dão a informação, o conhecimento, mas não a sapiência, porque ela é produto da experimentação pessoal e cada um deve buscá-la por si próprio.

Com as revelações espíritas, a pânico da morte foi amenizado, embora ainda não estejamos em condições de compreendê-la por inteiro. Mas a morte, como perda do bem mais precioso – a vida – e a separação definitiva daqueles a quem amamos, já é crença do passado. A morte espírita é o prêmio que recebemos por cumprir a pena que nos competia no vale das aflições purificadoras neste purgatório da encarnação. É o final da pena da clausura que nos dá direito à liberdade. Numa expressão comum, é a volta para casa depois de perigosa viagem ao covil dos habitantes dos mundos atrasados.

Com a chegada do Espiritismo, passamos a ser o primeiro herdeiro de nossa herança, o primeiro médico para a nossa doença e o primeiro doutrinador para as nossas perturbações espirituais. A função do Espiritismo, basicamente, é o combate ao materialismo, para que possamos produzir com os bens da Terra os tesouros do céu, aquele que o ladrão não rouba. O nosso real acervo e a nossa verdadeira propriedade, conforme consta do capítulo XVI, item 9 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
Com a chegada do Espiritismo, riqueza e pobreza, inteligência e idiotia, beleza e fealdade passaram a ser simples consequências de encarnações que já vivemos, nas quais fomos descuidados quanto ao que nos competia no progresso individual e também no coletivo. Como herança do passado, vivemos o presente. Tomara tenhamos cuidado para fazer do presente um mais agradável futuro.

Ao aprender que somos um espírito eterno que nada pode destruir, e que todo o conhecimento que acumulamos é patrimônio inalienável e jamais nos será tirado, seja qual for o regime de governo, a luta vale mais a pena e deve ir até o último dia de vida na matéria, independente dos obstáculos a serem vividos. Se conseguirmos adquirir uma virtude nesta encarnação, por exemplo, a paciência, seremos criaturas pacientes por toda a eternidade.

A confirmação do que dizemos está na questão 894 de “O Livro dos Espíritos”. Quando indagaram dos superiores: “As pessoas que fazem o bem espontaneamente, sem que tenham de lutar contra nenhum sentimento contrário, têm o mesmo mérito que as que têm de lutar contra sua própria natureza e superá-la?, a resposta foi que “Só não precisam lutar os que já progrediram; lutaram anteriormente e triunfaram. Por isso os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço e suas ações parecem tão simples; para eles, o bem se tornou um hábito. Portanto, deve-se honrá-los como a velhos guerreiros que conquistaram suas graduações”.

“Como vocês ainda estão longe da perfeição, esses exemplos os assustam pelo contraste e tanto mais admiram quanto mais raros são. No entanto, saibam que nos mundos mais adiantados que o seu o que entre vocês é exceção lá é regra. Nos mundos adiantados, o sentimento do bem se encontra por toda parte, de maneira espontânea, porque são mundos habitados apenas por Espíritos bons e uma única má intenção seria uma monstruosa exceção. Esta é a razão porque lá os homens são felizes. E assim será a Terra quando a humanidade for transformada e quando compreender e praticar a caridade em sua verdadeira acepção.”

Aprendemos que nossos erros são nosso carrasco e nossos acertos o nosso advogado no dia do julgamento final, independente das alegrias ou problemas que nos causem já nesta mesma encarnação. Para quem não acredita na continuidade da vida e na necessidade da volta reparatória pelo verdadeiro perdão de Deus que é a reencarnação, o caminho é mais penoso, embora todos um dia compreenderão essas verdades porque têm no íntimo de sua alma a centelha que os identifica como filhos do Criador. Para nós, todavia, o caminho pode ser mais suave se além de crermos nos decidirmos a viver de acordo com o que já conhecemos.

18 de abril de 1857, data da proclamação da independência da humanidade. Ninguém mais está preso a algo que não queira, a menos que insista em sofrer apesar de toda a liberdade que tem para ser feliz. O missionário francês que fez a ligação entre Deus e os homens, com a intermediação dos Espíritos Superiores, num gesto de humildade usou o pseudônimo Allan Kardec para assinar “O Livro dos Espíritos”, esta extraordinária obra que é a carta de alforria para todas as criaturas. Que Deus o abençoe e o recompense.

Autor: Octávio Caúmo Serrano
Publicado em Abril de 2010 – Revista RIE – Revista Internacional de Espiritismo

 

Evangelio y Poesía

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Octávio Caúmo Serrano
Traducción de Maria Renee San Martin
relu2521@yahoo.com

Los espíritus y los médiums. Compañeros o enemigos

No fue sin razón que Chico Xavier, el apóstol de la mediumnidad, inicio la tarea en la psicografía con el libro Parnaso de Além Tumulo, a los incompletos 21 años, trayendo de vuelta la verba de los espíritus poetas que venían a comprobar la continuidad de la vida y la inalienabilidad de los talentos conquistados durante las encarnaciones.

Entre los cincuenta y seis nombres que el libro engloba, brasileños y extranjeros, en cerca de quinientas páginas, tenemos algunos, (Emilio de Menezes y Augusto dos Anjos, por ejemplo), que muestran un lado nuevo de su personalidad. De pesimistas, incrédulos u obscenos, relatan aceptación y entendimiento sobre la vida que ahora llevan. Ante la inmortalidad del alma, se rindieron y se modificaron.

El libro es de tal forma autentico que suscitó polémicas, porque algunos atribuían a Chico el crimen de plagio, en cuanto otros, especialistas, afirmaban que los estilos y el lenguaje de los poetas estaban allí tan fielmente reproducidos –  lo que es como la impresión digital en el ser humano – que les restaba solamente dos opciones: el aceptar que Chico Xavier era efectivamente un médium o que era un genio y merecía puesto en la Academia Brasilera de Letras. ¡Y, con el tiempo, el médium mostro lo que era!

En la 10ª edición de  1978, FEB, fueron dedicadas treinta y una paginas al poeta Augusto dos Anjos, entre la inserción de los poemas y los análisis de M. Cavalcante Proença,  reproducidas en el ensayo “La artesanía en Augusto dos Anjos”  de obra del mismo autor y otros ensayos, de la Librería José Olimpio Editora de 1959. Allí el autor evidencia la perfección de los decasílabos, habla de las subsdrúxulas de la aliteración, de la civilización,  de los enjambements y muchos otros detalles que pueden ser observados en la poesía del encarnado y en la del espíritu, con la misma técnica.

Los expertos garantizan que Chico no podría tener tal habilidad, repetida de manera diferente con los demás poetas. En la mencionada edición, hay, en muchos capítulos, el poema del poeta “vivo” y su obra después de “muerto”, para mostrar la semejanza del estilo, que se conserva después de la muerte.

 Uno de los grandes de la poesía es su capacidad de comunicación sintética, como es el caso de los sonetos que, con solamente catorce versos – líneas – tiene comienzo, medio y fin, dejando un recado por entero, sustituyendo, en ciertos casos, explicaciones que intentamos dar en un largo texto sin conseguimos.

El propio codificador valorizo la poesía en la divulgación del Espiritismo; encontrándola en la Revista Espirita Allan Kardec, en muchas oportunidades. En original francés y en traducciones.

Más allá de Chico, otros médiums recibieron a los poetas. Poe ejemplo, el saludable Jorge Rizzini en su “Antología del más allá”, y Waldo Vieira, compañero de Chico en “Antología de los Inmortales” y Trovadores del más Allá”, también obras de humor, como “Humorismo en el mas Allá”, de Chico Xavier, en la cual el irreverente Damián de las Quemadas dice una trova: A tener que casarse en el mundo/ en el amor ahora como es/ prefiero tener catapora/ sarampión y hongo de pie; todavía la dulce Auta de Souza  replica: Casamiento es de quien ama/ del más noble  a los mas plebeyos/ mismo floreciendo en la lama/ es un lirio del amor de Dios.

Solo como ejemplo, ya que existe una vasta literatura mediumnica en versos, en libros o mensajes esparcidos.

“Casi todos los poetas nos trajeron producciones de carácter superior a las que dejaron en el plano físico. Al que parece, fue Djalma Andrade, quien primero observo eso, hablando sobre algunos poetas que él conoció y que figuran en el Parnaso”, dice Elias Barbosa, en el prefacio de Antologia de los Inmortales.

En cuanto hay los que pregonan la pornografía, Djalma Andrade, de Congonhas do Campo – MG –,1891/1975, que escribió siete libros, entre 1935 y 1945, creo bellos poemas, algunos que son verdaderos ruegos, Confirman:

Acto de Caridad 

Que yo haga el bien, y de tal modo lo haga,
Que nadie sepa cuanto me costó.
 – Madre, espero de ti esta gracia más:
 – Que yo sea bueno sin parecer que lo soy. 

Que lo  poco que me des me satisfaga;
Y si, de lo poco así mismo, algo sobró,
Que yo lleve esta migaja donde la desgracia,
Inesperadamente, penetró. 

Que en mi mesa, tenga un cubierto, a más
Que sea, mi Madre, Señora nuestra,
Para el pobre hambriento que venga. 

Que yo traspase  tropiezos  y embarazos:
– Que yo no coma solito el pan que pueda
Ser partido por mí en dos pedazos.

 Humildad

 Que mi orgullo se vuelva en mi humildad
Pudiendo ser más, que yo sea menos;
Que muera, en mí, la estúpida vanidad
Y que yo sea el menor entre los pequeños. 

Y que yo practique el bien,-huya a la maldad
Y no atienda más a sus consejos;
Que se transforme en rosas de bondad
Lo que era en mí espinas y venenos. 

Que mi mano los dolores alivie,
Que a los más humildes yo no cause envidia,
Y, si luz yo tuviera, que a los otros guíe… 

Madre, que yo vea en los pobres mis iguales,
Y, si orgullo yo tuviera que el orgullo sea
De ser el más humilde de los mortales.

Este año, el Parnaso de Além (más alla del) Tumulo completa 80 años. La primera semilla plantada por Chico que dio como fruto más de cuatrocientas obras, en prosa y verso, vertidas para muchos idiomas. Nuestros agradecimientos al gran benefactor que, el 30 de junio de  2002, se despidió de nosotros y volvió para la casa, donde ciertamente está, por merecimiento, en un dulce racanto de luz!

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – junio de 2011

 

Evangelho e Poesia

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 Os espíritos e os médiuns. Parceiros ou inimigos. 

Não foi sem razão que Chico Xavier, o apóstolo da mediunidade, iniciou a tarefa na psicografia com o livro Parnaso de Além Túmulo, aos incompletos 21 anos, trazendo de volta a verve dos espíritos poetas que vinham comprovar a continuidade da vida e a inalienabilidade dos talentos conquistados durante as encarnações.

Dentre os cinquenta e seis nomes que o livro engloba, brasileiros e estrangeiros, em cerca de quinhentas páginas, temos alguns, (Emílio de Menezes e Augusto dos Anjos, por exemplo), que mostram um lado novo da sua personalidade. De pessimistas, incrédulos ou obscenos, relatam aceitação e entendimento sobre a vida que agora levam. Ante a imortalidade da alma, renderam-se e modificaram-se.

O livro é de tal forma autêntico que suscitou polêmicas, porque alguns atribuíam a Chico o crime de plágio, enquanto outros, especialistas, afirmavam que os estilos e a linguagem dos poetas estavam ali tão fielmente reproduzidos – o que é como a impressão digital no ser humano – que lhes restavam somente duas opções: ou aceitar que Chico Xavier era efetivamente um médium ou que era um gênio e mereceria cadeira na Academia Brasileira de Letras. E, com o tempo, o médium mostrou o que era!

Na 10ª edição de 1978, FEB, foram dedicadas trinta e uma páginas ao poeta Augusto dos Anjos, entre a inserção dos poemas e as análises de M. Cavalcante Proença, reproduzidas do ensaio “O artesanato em Augusto dos Anjos”, da obra Augusto dos Anjos e outros ensaios, da Livraria José Olímpio Editora de 1959. Ali o autor evidencia a perfeição dos decassílabos, fala dos subesdrúxulos, da aliteração, da sibililação, dos enjambements e muitos outros detalhes que podem ser observados na poesia do encarnado e na do espírito, com a mesma técnica.

Os expertos garantem que Chico não poderia ter tal habilidade, repetida de maneira diferente com os demais poetas. Na mencionada edição, há, em muitos capítulos, o poema do poeta “vivo” e a sua obra depois de “morto”, para mostrar a semelhança do estilo, que se conserva após a morte.

Um dos fortes da poesia é a sua capacidade de comunicação sintética, como é o caso dos sonetos que, com apenas quatorze versos – linhas – têm começo, meio e fim, deixando um recado por inteiro, substituindo, em certos casos, explicações que tentamos dar num longo texto, sem conseguirmos.

O próprio codificador valorizou a poesia na divulgação do Espiritismo;  encontramo-la na Revista Espírita Allan Kardec, em muitas oportunidades. No original francês e em traduções.

Além do Chico, outros médiuns receberam os poetas. Por exemplo, o saudoso Jorge Rizzini, no seu  “Antologia do Mais Além”, e Waldo Vieira, parceiro de Chico em “Antologia dos Imortais” e “Trovadores do Além”. Temos também obras de humor, como “Humorismo no Além”, de Chico Xavier, na qual o irreverente Damião das Queimadas diz numa trova: A ter de casar no mundo/no amor agora como é/prefiro ter catapora/sarampo e bicho de pé; todavia, a doce Auta de Souza replica: casamento de quem ama/do mais nobre aos mais plebeus/mesmo florindo na lama/é um lírio do amor de Deus. Só como exemplo, já que há vasta literatura mediúnica em versos, em livros ou mensagens esparsas.

“Quase todos os poetas nos trouxeram produções de caráter superior às que deixaram no plano físico. Ao que parece, foi Djalma Andrade quem primeiro observou isso, falando sobre alguns poetas que ele conhecera e que figuram no Parnaso”, diz Elias Barbosa, no prefácio de Antologia dos Imortais.

Enquanto há os que pregam a pornografia, Djalma Andrade, de Congonhas do Campo – MG –, 1891/1975, que escreveu sete livros, entre 1935 e 1945, criou belos poemas, alguns que são verdadeiros rogos. Confiram:

Ato de Caridade

Que eu faça o bem, e de tal modo o faça,
Que ninguém saiba o quanto me custou.
– Mãe, espero de ti mais esta graça:
– Que eu seja bom sem parecer que o sou. 

Que o pouco que me dês me satisfaça;
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,
Que eu leve esta migalha onde a desgraça,
Inesperadamente, penetrou. 

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,
Que seja, minha Mãe, Senhora nossa,
Para o pobre faminto que vier.

Que eu transponha tropeços e embaraços:
– Que eu não coma sozinho o pão que possa
Ser partido por mim em dois pedaços.

Humildade

Que o meu orgulho torne-se humildade
Podendo ser o mais, que eu seja o menos;
Que morra, em mim, a estúpida vaidade
E que eu seja o menor entre os pequenos. 

E que eu pratique o bem, – fuja à maldade
E não atenda mais aos seus acenos;
Que se transforme em rosas de bondade
O que era em mim espinhos e venenos.

Que a minha mão as dores alivie,
Que aos mais humildes eu não cause inveja,
E, se luz eu tiver, que aos outros guie…

 Mãe, que eu veja nos pobres meus iguais,
E, se orgulho eu tiver que o orgulho seja
De ser o mais humilde dos mortais.

Este ano, o Parnaso de Além Túmulo completa 80 anos. A primeira semente plantada pelo Chico que deu como fruto mais de quatrocentas obras, em prosa e verso, vertidas para muitos idiomas. Nossos agradecimentos ao grande benfeitor que, em 30 de junho de 2002, despediu-se de nós e voltou para a casa, onde certamente está, por merecimento, em doce recanto de luz!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – junho de 2011