O óbolo da viúva

Deixe um comentário

Diz o Evangelho, que estando Jesus no templo, diante do gazofilácio, fez observação aos discípulos mostrando que os que depositavam grandes somas, doavam menos que a viúva que dava a única moeda que possuía.

Essa advertência é bastante importante, porque é comum darmos nada porque não podemos dar muito. De que serve um simples pão que eu ofereça, diante da enorme fome do mundo, indagamos muitas vezes?

Para entender a importância desse pão, lembremos Madre Teresa a benfeitora de Calcutá, que afirmou certa vez que seu trabalho não passava de uma gota no oceano. Completou, no entanto, que sem essa gota o oceano seria menor. Madre Teresa jamais foi vaidosa do seu trabalho, mas também aproveitava para ensinar sempre que tinha oportunidade.

O mesmo dizemos do pequeno pão. Não acabará com a miséria do mundo, mas, pelo menos nesse dia, uma criança passará menos fome.

Quando observamos o movimento espírita percebemos que poucas pessoas dão o óbolo da viúva. Sentem-se incompetentes para os grandes trabalhos, com medo da responsabilidade e sem disposição para o estudo e preparo para a tarefa, e, por isso ficam de braços cruzados. Sem poder executar trabalhos que julgam relevantes não se dispõem a realizar os serviços modestos.

O óbolo da viúva não precisa ser necessariamente a oferenda material. O abraço carinhoso, a palavra de estímulo, a oferta do ombro para o alívio do outro, a prece silenciosa em favor do que sofre, o auxílio ao velho que vai atravessar a rua, a educação no trânsito e o uso rotineiro do faz favor, obrigado, dá licença, desculpe.

O que dificulta o entendimento do Evangelho trazido por Jesus é o nosso exagerado apego ao mundo material, a ponto de esquecermos o significado espiritual das orientações.

Quando fazemos uma compra, se faltar um real não conseguimos pagá-la. Essa ninharia que damos sem ter convicção da sua utilidade é a migalha que falta para completar um conjunto maior. Quando tomamos um remédio, se em vez de dez gotas tomarmos nove ou oito ou sete, o remédio não fará efeito. Uma máquina para pela quebra de um minúsculo parafuso ou de um componente eletrônico imperceptível.

Temos de nos convencer que não há inutilidade e que ninguém é sem valor. Todos temos nossa parte na sociedade e, por menor que pareça, sempre somos algo relevante. O soldado não tem a importância hierárquica do capitão, mas é ele que enfrenta o delinquente e corre risco de morte na defesa da população.

Seja qual for a nossa posição na vida podemos praticar algum tipo de caridade: material ou espiritual. Não percamos a oportunidade porque a recompensa é sempre grande; a mil por um.

Que Deus nos ajude!

Octávio Caúmo Serrano para o Jornal O Clarim de julho de 2011

 

 

O aborto e a sociedade

Deixe um comentário

 O espírita jamais poderá ser favorável ao aborto, independente das circunstâncias, porque conhece a vasta programação que envolve um nascimento na Terra. Preparação de novo corpo com base no passado daquele espírito, defeitos a ser combatidos e virtudes a ser mais extensamente exercitadas, fazem parte do esquema de uma nova encarnação.

O aborto, quando consumado, destrói todo esse programa, frustrando o espírito que se preparou para o novo nascimento, muitas vezes depois de ser convencido a fazê-lo, por muito tempo.

Os defensores do planejamento familiar, desconhecendo as leis maiores e fundamentando-se simplesmente no plano material, insistem que as pessoas não podem ter muitos filhos porque não conseguem mantê-los; alimentá-los, instruí-los e educá-los, porque ganham salário pequeno e ficam distantes do lar todo o tempo na defesa da manutenção e sobrevivência.

Evidentemente, para essas crianças o futuro é sempre menos risonho. Comem mal, vestem-se mal e ficam jogados à própria sorte, contando com a sua própria índole para ser alguém de bom caráter, ou não.

Temos de analisar, por outro lado, que as pessoas de mais poder aquisitivo, mais bem postas na vida, não criam filhos para ser operários. Os filhos de rico têm de ser doutores. Mas se esquecem que quem arruma a casa onde elas vivem, fazem a comida que elas comem e cuidam das roupas que seus filhos vestem, ou dirigem as vãs que levam as crianças para a escola, não são os doutores.

Quem coleta o lixo e as sobras das casas, quem entrega os remédios, as pizzas, as correspondências e encomendas, não são doutores; são operários que, apesar da vida dura, sustentam seus lares e, um pouco melhor ou pior, podem também dar aos filhos, até como exemplos mais do que conversas, seguras orientações para que sejam pessoas de bem.

Devemos considerar ainda, sob a ótica das reencarnações sucessivas, que o fracassado rico de ontem pode ter aceitado viver com dificuldade esta nova etapa da sua eternidade espiritual, para experimentar na pele os testes mais difíceis.

Emmanuel foi o senador romano para depois renascer como o escravo egípcio. Como Públius Lentulus, o senador de Roma, cresceu menos espiritualmente que como Nestório, um anônimo serviçal em terras do Egito. A posição social nada tem a ver com a posição espiritual. Daí, muitas vezes o filho estar acima do pai e o empregado acima do patrão, se analisados quanto ao degrau espiritual em que se encontram.

Se o aborto em nenhuma circunstância se justifica, porque devemos sempre deixar as pessoas virem ao mundo, assim como um dia também nos deixaram nascer, sabe-se lá em que situação, com o entendimento trazido pelo Espiritismo aí é que o aborto perde totalmente o sentido. 

Quando os governos defendem a realização do aborto, o fazem por questões meramente econômicas. É mais barato expulsar um feto do ventre da mãe que acompanhá-la com pré natal, fazer o parto, vacinar e alimentar a criança, pô-la numa escola com os gastos da merenda ou criar creches para mantê-las enquanto os pais cuidam da sobrevivência. Matá-la é muito mais barato. Por isso os governos preferem a morte à vida.

Como espíritas digamos não ao aborto, incondicionalmente!

 Octavio Caúmo Serrano para o Jornal O Clarim de março de 2011

Onde mora a salvação?

Deixe um comentário

Jamais nos atreveríamos a afirmar que a salvação está no Espiritismo. Da mesma forma, parece-nos pretensioso que outras doutrinas afirmem que só na igreja delas se pode encontrar o caminho para o Céu.

O que não podemos ignorar, porém, é que a clareza e objetividade do Espiritismo é um fator favorável para que as pessoas compreendam a finalidade da vida na Terra. A inteligência das lições trazidas pelos Espíritos e reveladas a nós por Allan Kardec e outros escritores que o sucederam, facilita para que vivamos com mais esperança, serenidade e responsabilidade. Ninguém explica a Lei de Ação e Reação como a Doutrina Espírita.

Já pertencemos a outra religião, como ocorre com a maioria do povo brasileiro pela sua tradição católica. Respeitamos essa doutrina e somos gratos a ela porque foi ali que fomos apresentados a Jesus e informados que somos filhos de Deus e, portanto, contamos com a sua proteção permanente. Todavia, é uma crença onde não há uma aceitação racional, produto da fé compreendida. Tudo é dogmático.

Imaginávamos, naquele tempo, que deveríamos amar Deus e o próximo porque Moisés registrou a “palavra de Deus” nas pedras da lei. Era uma ordem, mas não fomos informados por que deveríamos ter esse comportamento. Seguíamos por ser a Lei de Deus e temíamos o castigo divino!

Com o conhecimento do Espiritismo, e a aplicação sábia da Lei de Causa e Efeito, ficou claro que devemos amar Deus e o próximo no nosso próprio interesse como espíritos imperfeitos que buscam seu crescimento espiritual para serem mais felizes, quer na Terra, quer no mundo espiritual onde estagiaremos no aguardo da nova encarnação, o que fatalmente ainda acontecerá conosco, por muito tempo.

Se formos bons, honestos, trabalhadores e solidários, sentiremos interiormente um bem estar porque a consciência não nos acusará de erros ou agressões contra a natureza e o mundo que nos cerca. Só por isso já vale a pena. Todavia, independente disso, estaremos valorizando a passagem pelo mundo para ter direito a ocupar melhores posições na espiritualidade, onde podemos ser ativos participantes na obra da Criação, que está em evolução permanente

Portanto, amar Deus e o próximo deixou de ser um compromisso penoso, compulsório, para ser algo prazeroso e que colabora para a autoeducação que nos traz alegrias no presente e no futuro.

Essa é a diferença entre o Espiritismo e outras doutrinas que divulgam a palavra de Jesus como uma ordem a ser cumprida sob pena de arder no fogo do inferno. Para o Espiritismo, o inferno, assim como o céu, se encontra no interior de cada criatura. Ela tem o livre arbítrio de sofrer ou ser feliz, sem escravizar-se a nada e a ninguém; nem mesmo aos espíritos, por mais que estes tentem influenciar-nos em nosso comportamento. Só conseguem ajudar-nos ou prejudicar-nos se deixamos. Diz o poeta Eurícledes Formiga, por Chico Xavier, numa singela trova: “Em nossa casa mental / por mais se mantenha alerta, / obsessor só penetra / quando encontra a porta aberta”.

É por isso que eu agradeço por ter encontrado um dia o ESPIRITISMO.

Octávio Caúmo Serrano para o Jornal O Clarim de julho de 2010.

 

Uma linda lição de Bezerra

Deixe um comentário

MATERIALISMO E ESPIRITISMO

Conta-se que o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes orientava, no Rio, uma reunião de estudos espíritas, com a palavra livre para todos os circunstantes, quando, após comentários diversos, perguntou se mais alguém desejava expressar-se nos temas da noite.

Foi então que renomado materialista, seu amigo pessoal, lhe dirigiu veemente provocação:
– Bezerra, continuo ateu e, não somente por meus colegas mas também por mim, venho convidá-lo a debate público, a fim provarmos a inexpugnabilidade de Materialismo contra as pretensões do Espiritismo. E previno a você que o Materialismo já levantou extensa lista de médiuns fraudulentos; de chamados sensitivos que reconheceram os seus próprios enganos e desertaram das fileiras espíritas; dos que largaram em tempo o suposto desenvolvimento das forças psíquicas e fizeram declarações, quanto às mentiras piedosas de que se viram envoltos; dos ilusionistas que operam em nome de poderes imaginários da mente; e, com essa relação, apresentaremos outro rol de nomes que o Materialismo já reuniu, os nomes dos experimentadores que demonstraram a inexistência da comunicação com os mortos; dos sábios que não puderam verificar as factícias ocorrências da mediunidade; dos observadores desencantados de qualquer testemunho da sobrevivência; e dos estudiosos ludibriados por vasta súcia de espertalhões… Esperamos que você e os espíritas aceitem o repto.

Bezerra concentrou-se em preces, alguns instantes, e, em seguida, respondeu, aliando energia e brandura:
– Aceitamos o desafio, mas tragam também ao debate aqueles que o Materialismo tenha soerguido moralmente no mundo; os malfeitores que ele tenha regenerado para a dignidade humana; os infelizes aos quais haja devolvido o ânimo de viver; os doentes da alma que tenha arrebatado às fronteiras da loucura; as vítimas de tentações escabrosas que haja restituído à paz do coração; as mulheres infortunadas que terá arrancado ao desequilíbrio; os irmãos desditosos de quem a morte roubou os entes mais caros, a a cujo sentimento enregelado na dor terá estendido o calor da esperança; as viúvas e os órfãos, cujas energias terá escorado para os caluniados aos quais terá ensinado o perdão das afrontas; os que foram prejudicados por atos de selvageria social mascarados de legalidade, a quem haverá proporcionado sustentação para que olvidem os ultrajes recebidos; os acusados injustamente, de cujo espírito rebelado terá subtraído o fel da revolta, substituindo-o pelo bálsamo da tolerância; os companheiros da Humanidade que vieram do berço cegos ou mutilados, enfermos ou paralíticos, aos quais terá tranquilizado com princípios de justiça, para que aceitem pacificamente o quinhão de lágrimas que o mundo lhes reservou; os pais incompreendidos a quem deu força e compreensão para abençoarem os filhos ingratos e os filhos abandonados por aqueles mesmos que lhes deram a existência, aos quais auxiliou para continuarem honrando e amando os pais insensíveis que os atiraram em desprezo e desvalimento; os tristes que haja imunizado contra o suicídio; os que foram perseguidos sem causa aparente, cujo pranto terá enxugado nas longas noites de solidão e vigília, afastando-os da vingança e da criminalidade; os caídos de toda as procedências, a cujo martírio tenha ofertado apoio para que se levantem…

Nesse ponto da resposta, o velho lidador fez uma pausa, limpou as lágrimas que lhe deslizavam no rosto e terminou:
– Ah!,  meu amigo, meu amigo!… Se vocês puderem trazer um só dos desventurados do mundo, a quem o Materialismo terá dado socorro moral para que se liberte do cipoal do sofrimento, nós, os espíritas, aceitaremos o repto.

Profundo silêncio caiu na pequena assembléia, e, porque o autor da proposição baixasse a cabeça, Bezerra, em prece comovente, agradeceu a Deus as bênçãos da fé e encerrou a sessão.

Livro Estante da Vida – Pelo Espírito “Irmão X” – Psicografia Francisco C. Xavier

 

Que lástima

Deixe um comentário

Traducción de Maria Renee San Martin
relu2521@yahoo.com
 

¡Tanto sacrificio de tantos misioneros para casi nada!

Cuando analizamos la historia de la humanidad, constatamos que ella nunca estuvo huérfana de  socorro. Genios de todas las órdenes, cientistas, religiosos, políticos, por fin, orientadores de todas las áreas, siempre estuvieron prestes en el seno de la humanidad, ayudando en el progreso de las sociedades de los hombres.

Dios, vigilando eternamente, envía sus misioneros siempre que los hombres avanzan un poco y ya pueden recibir nuevas y más seguras informaciones. Por eso Jesús no vino antes de Moisés ni, él antes de Abraham. Por eso, también, que el Espiritismo solo podría haber surgido recientemente por que solamente ahora algunos hombres se capacitan a entender su mensaje.

Observemos que la vida de esos abnegados Espíritus que se proponen a ayudar a los hombres, es siempre cercado de dificultades, tragedias, agresiones, porque ellos hablan un lenguaje que la mayoría de los hombres no puede comprender. Dan la impresión de estar sugiriendo, aconsejando o exigiendo que las criaturas humanas se modifiquen, se mejoren, pero ellas no tienen interés. No alcanzan la importancia de hacer como ellos proponen.

Delante de eso, podríamos hasta imaginar que el sacrificio que ellos soportaron habría sido en vano. Nadie les dio oído. Felizmente, no es así.

Toda semilla lanzada en el corazón del hombre allí permanece hibernando y mismo que él la ignore, no conseguirá expulsarla de su corazón, porque queda impregnada en el alma para germinar en el tiempo adecuado.

Decimos que lastima, porque todo podría ser más fácil se los hombres no fuesen tan rebeldes y tan refractarios a las enseñanzas que Dios no manda por eses extraordinarios mensajeros celestes.

Vean que todos ellos, sin excepción, sufren. Sufren por sus dolores y también por ver que los hombres no entienden sus recados.

Fue así con Buda, Moisés, con Jesús, Francisco de Asís, Joana D’Arc, João Huss, Allan Kardec, Chico Xavier, Martin Luther King, Ghandi, John Kennedy, João Paulo I (el Papa de treinta días (?)) y muchos otros cuya lista no cabria en este comentario.

 ¿Por que ellos hablan y el mundo entiende? Porque el lenguaje de ellos es espiritual, fundamentada en la vida eterna, en cuanto los hombres tiene un lenguaje material, basado en los valores del mundo. ¿Son incompatibles los dos lenguajes?

Necesariamente no, desde que saquemos del hombre el egoísmo y el orgullo que llevan a la ganancia desenfrenada y a colocar en los bienes de la Tierra todos sus tesoros de felicidad.

Espíritus atrasados que aun somos, precisamos del mundo de la materia como recurso de aprendizaje. Es como los reflejos de la espiritualidad en el cuerpo que aprendemos. En vez de alimentarnos, practicar la glotonería. En vez de divertirnos con reuniones saludables, somos los primeros en apuntarnos a los excesos de toda orden. En vez de respetar el sexo, practicándolo con  equilibrio y dentro de las reglas naturales, hacemos de el nuestro éxtasis, animalizándonos.

La razón de todo sufrimiento humano está en la sordez de los hombres cuanto a las orientaciones seguras e importantes de los enviados de Dios.

¿Porque eso acontece de esa forma?  Ora, por ignorancia.

Ya dijo Allan Kardec que cuando el Espiritismo sea popularizado y vivido entre los hombres como expresión amplia y clara del Evangelio de Jesús, muchos males desaparecerán. No habrá suicidios, abortos, secuestros, asesinatos, robos y no habrá tanta corrupción en la política y en las empresas, porque los hombres sabrán que todo lo que hacemos al prójimo es a nosotros que lo hacemos. Tenemos que dar cuenta hasta del último centavo. Antes de engañar a alguien el hombre sabrá que está engañando a sí propio y que las reparaciones son generalmente muy dolorosas y demoradas.

Mismo entre los espiritas, observamos que no hay la debida valorización de la Doctrina, incluso dentro de los Centros. Reuniones de pases para tratamiento espiritual generalmente llenas. En la misma casa, reuniones de estudio complemente vacias; colaboradores para auxiliar en los trabajos generalmente son en número diminuto. Personas que pasan años tomando pase y oyendo las conferencias publicas sin dar un único paso para ser mejor. Aprendieron con los oradores que no basta hacer el mal; es necesario hacer el bien. Pero ellas “no tienen tiempo”. No tienen entendimiento, sería más exacto, porque el tiempo nosotros lo hacemos. Si tenemos tiempo para ir al peluquero, al cine, al shopping, al mercado, al casamiento, podemos tener tiempo para estudiar el Espiritismo y dar algunas horas de nuestra vida a favor del prójimo. ¿Si recibimos, porque no ofrecer también?

 

 

 

Que lástima

Deixe um comentário

Tanto sacrifício de tantos missionários para quase nada!

Quando analisamos a história da humanidade, constatamos que ela nunca esteve órfã de socorro. Gênios de todas as ordens, cientistas, religiosos, políticos, enfim, orientadores de todas as áreas, sempre estiveram presentes no seio da humanidade, ajudando no progresso das sociedades dos homens.

Deus, vigiando eternamente, envia seus missionários sempre que os homens avançam um pouco e já podem receber novas e mais seguras informações. Por isso Jesus não veio antes de Moisés nem, ele antes de Abrahão. Por isso, também, que o Espiritismo só poderia ter surgido recentemente porque apenas agora alguns homens se capacitam a entender sua mensagem.

Observemos que a vida desses abnegados Espíritos que se propõem  a ajudar os homens, é sempre cercada de dificuldades, tragédias, agressões, porque eles falam uma linguagem que a maioria dos homens não pode compreender. Dão a impressão de estar sugerindo, aconselhando ou exigindo que as criaturas humanas se modifiquem, melhorem-se, mas elas não têm interesse. Não alcançam a importância de fazer como eles propõem.

Diante disso, poderíamos até imaginar que o sacrifício que eles suportaram teria sido em vão. Ninguém lhes deu ouvido. Felizmente, não é assim.

Toda semente lançada no coração do homem ali permanece hibernando e mesmo que ele a ignore, não conseguirá expulsá-la do seu coração, porque fica impregnada na alma para germinar no tempo certo.

Dissemos que lástima, porque tudo poderia ser mais fácil se os homens não fossem tão rebeldes e tão refratários aos ensinamentos que Deus nos manda por esses extraordinários emissários celestes.

Vejam que todos eles, sem exceção, sofrem. Sofrem por suas dores e também por ver que os homens não entendem os recados.

Foi assim com Buda, com Moisés, com Jesus, com Francisco de Assis, Joana D’Arc, João Huss, Allan Kardec, Chico Xavier, Martin Luther King, Ghandi, John Kennedy, João Paulo I (o Papa de trinta dias (?)) e muitos outros cuja lista não caberia neste comentário.

Por que eles falam e o mundo não entende? Porque a linguagem deles é espiritual, fundamentada na vida eterna, enquanto os homens têm uma linguagem material, baseada nos valores do mundo. São incompatíveis as duas linguagens? Necessariamente não, desde que tiremos do homem o egoísmo e o orgulho que levam à ganância desenfreada e a colocar nos bens da Terra todos os seus tesouros de felicidade.

Espíritos atrasados que ainda somos, precisamos do mundo da matéria como recurso de aprendizado. É com os reflexos da espiritualidade no corpo que aprendemos. Em vez de amar, odiamos. Resultado, contraímos uma série de enfermidades. Em vez de nos alimentarmos, praticamos a glutonaria. Em vez de divertir-nos com reuniões saudáveis, somos desregrados em relação aos excessos de toda ordem. Em vez de respeitar o sexo, praticando-o com equilíbrio e dentro das regras naturais, fazemos dele nosso êxtase, animalizando-nos.

A razão de todo sofrimento humano está na surdez dos homens quanto às orientações seguras e importantes dos enviados de Deus.

Por que isso acontece dessa forma? Ora, por ignorância.

Já disse Allan Kardec que quando o Espiritismo foi popularizado e vivido entre os homens como a expressão ampla e clara do Evangelho de Jesus, muitos males desaparecerão. Não haverá suicídios, abortos, seqüestros, assassinatos, roubos e não haveria tanta corrupção na política e nas empresas, porque os homens saberão que tudo o que fazemos ao próximo e a nós que fazemos. Temos de dar conta até o último centavo. Antes de enganar alguém o homem saberia que está enganando a si mesmo e que as reparações são geralmente muito dolorosas e demoradas.

Mesmo entre os espíritas, observamos que não há a devida valorização da Doutrina, mesmo dentro dos Centros. Reuniões de passes para tratamento espiritual geralmente cheias. Na mesma casa, reuniões de estudo completamente esvaziadas; colaboradores para auxiliar nos trabalhos geralmente são em número diminuto. Pessoas que passam anos tomando passe e ouvindo a palestra pública sem dar um único passo para ser melhor. Aprenderam com os oradores que não basta não fazer o mal; é preciso fazer o bem. Mas elas “não têm tempo”.

Não têm entendimento, seria mais exato, porque o tempo nós fazemos. Se temos tempo para ir ao cabeleireiro, ao cinema, ao shopping, ao mercado, ao casamento, podemos arranjar tempo para estudar o Espiritismo e dar algumas horas da nossa vida em favor do próximo. Se recebemos, porque não oferecer também.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho de 2011