Tanto sacrifício de tantos missionários para quase nada!

Quando analisamos a história da humanidade, constatamos que ela nunca esteve órfã de socorro. Gênios de todas as ordens, cientistas, religiosos, políticos, enfim, orientadores de todas as áreas, sempre estiveram presentes no seio da humanidade, ajudando no progresso das sociedades dos homens.

Deus, vigiando eternamente, envia seus missionários sempre que os homens avançam um pouco e já podem receber novas e mais seguras informações. Por isso Jesus não veio antes de Moisés nem, ele antes de Abrahão. Por isso, também, que o Espiritismo só poderia ter surgido recentemente porque apenas agora alguns homens se capacitam a entender sua mensagem.

Observemos que a vida desses abnegados Espíritos que se propõem  a ajudar os homens, é sempre cercada de dificuldades, tragédias, agressões, porque eles falam uma linguagem que a maioria dos homens não pode compreender. Dão a impressão de estar sugerindo, aconselhando ou exigindo que as criaturas humanas se modifiquem, melhorem-se, mas elas não têm interesse. Não alcançam a importância de fazer como eles propõem.

Diante disso, poderíamos até imaginar que o sacrifício que eles suportaram teria sido em vão. Ninguém lhes deu ouvido. Felizmente, não é assim.

Toda semente lançada no coração do homem ali permanece hibernando e mesmo que ele a ignore, não conseguirá expulsá-la do seu coração, porque fica impregnada na alma para germinar no tempo certo.

Dissemos que lástima, porque tudo poderia ser mais fácil se os homens não fossem tão rebeldes e tão refratários aos ensinamentos que Deus nos manda por esses extraordinários emissários celestes.

Vejam que todos eles, sem exceção, sofrem. Sofrem por suas dores e também por ver que os homens não entendem os recados.

Foi assim com Buda, com Moisés, com Jesus, com Francisco de Assis, Joana D’Arc, João Huss, Allan Kardec, Chico Xavier, Martin Luther King, Ghandi, John Kennedy, João Paulo I (o Papa de trinta dias (?)) e muitos outros cuja lista não caberia neste comentário.

Por que eles falam e o mundo não entende? Porque a linguagem deles é espiritual, fundamentada na vida eterna, enquanto os homens têm uma linguagem material, baseada nos valores do mundo. São incompatíveis as duas linguagens? Necessariamente não, desde que tiremos do homem o egoísmo e o orgulho que levam à ganância desenfreada e a colocar nos bens da Terra todos os seus tesouros de felicidade.

Espíritos atrasados que ainda somos, precisamos do mundo da matéria como recurso de aprendizado. É com os reflexos da espiritualidade no corpo que aprendemos. Em vez de amar, odiamos. Resultado, contraímos uma série de enfermidades. Em vez de nos alimentarmos, praticamos a glutonaria. Em vez de divertir-nos com reuniões saudáveis, somos desregrados em relação aos excessos de toda ordem. Em vez de respeitar o sexo, praticando-o com equilíbrio e dentro das regras naturais, fazemos dele nosso êxtase, animalizando-nos.

A razão de todo sofrimento humano está na surdez dos homens quanto às orientações seguras e importantes dos enviados de Deus.

Por que isso acontece dessa forma? Ora, por ignorância.

Já disse Allan Kardec que quando o Espiritismo foi popularizado e vivido entre os homens como a expressão ampla e clara do Evangelho de Jesus, muitos males desaparecerão. Não haverá suicídios, abortos, seqüestros, assassinatos, roubos e não haveria tanta corrupção na política e nas empresas, porque os homens saberão que tudo o que fazemos ao próximo e a nós que fazemos. Temos de dar conta até o último centavo. Antes de enganar alguém o homem saberia que está enganando a si mesmo e que as reparações são geralmente muito dolorosas e demoradas.

Mesmo entre os espíritas, observamos que não há a devida valorização da Doutrina, mesmo dentro dos Centros. Reuniões de passes para tratamento espiritual geralmente cheias. Na mesma casa, reuniões de estudo completamente esvaziadas; colaboradores para auxiliar nos trabalhos geralmente são em número diminuto. Pessoas que passam anos tomando passe e ouvindo a palestra pública sem dar um único passo para ser melhor. Aprenderam com os oradores que não basta não fazer o mal; é preciso fazer o bem. Mas elas “não têm tempo”.

Não têm entendimento, seria mais exato, porque o tempo nós fazemos. Se temos tempo para ir ao cabeleireiro, ao cinema, ao shopping, ao mercado, ao casamento, podemos arranjar tempo para estudar o Espiritismo e dar algumas horas da nossa vida em favor do próximo. Se recebemos, porque não oferecer também.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho de 2011