O espírita jamais poderá ser favorável ao aborto, independente das circunstâncias, porque conhece a vasta programação que envolve um nascimento na Terra. Preparação de novo corpo com base no passado daquele espírito, defeitos a ser combatidos e virtudes a ser mais extensamente exercitadas, fazem parte do esquema de uma nova encarnação.

O aborto, quando consumado, destrói todo esse programa, frustrando o espírito que se preparou para o novo nascimento, muitas vezes depois de ser convencido a fazê-lo, por muito tempo.

Os defensores do planejamento familiar, desconhecendo as leis maiores e fundamentando-se simplesmente no plano material, insistem que as pessoas não podem ter muitos filhos porque não conseguem mantê-los; alimentá-los, instruí-los e educá-los, porque ganham salário pequeno e ficam distantes do lar todo o tempo na defesa da manutenção e sobrevivência.

Evidentemente, para essas crianças o futuro é sempre menos risonho. Comem mal, vestem-se mal e ficam jogados à própria sorte, contando com a sua própria índole para ser alguém de bom caráter, ou não.

Temos de analisar, por outro lado, que as pessoas de mais poder aquisitivo, mais bem postas na vida, não criam filhos para ser operários. Os filhos de rico têm de ser doutores. Mas se esquecem que quem arruma a casa onde elas vivem, fazem a comida que elas comem e cuidam das roupas que seus filhos vestem, ou dirigem as vãs que levam as crianças para a escola, não são os doutores.

Quem coleta o lixo e as sobras das casas, quem entrega os remédios, as pizzas, as correspondências e encomendas, não são doutores; são operários que, apesar da vida dura, sustentam seus lares e, um pouco melhor ou pior, podem também dar aos filhos, até como exemplos mais do que conversas, seguras orientações para que sejam pessoas de bem.

Devemos considerar ainda, sob a ótica das reencarnações sucessivas, que o fracassado rico de ontem pode ter aceitado viver com dificuldade esta nova etapa da sua eternidade espiritual, para experimentar na pele os testes mais difíceis.

Emmanuel foi o senador romano para depois renascer como o escravo egípcio. Como Públius Lentulus, o senador de Roma, cresceu menos espiritualmente que como Nestório, um anônimo serviçal em terras do Egito. A posição social nada tem a ver com a posição espiritual. Daí, muitas vezes o filho estar acima do pai e o empregado acima do patrão, se analisados quanto ao degrau espiritual em que se encontram.

Se o aborto em nenhuma circunstância se justifica, porque devemos sempre deixar as pessoas virem ao mundo, assim como um dia também nos deixaram nascer, sabe-se lá em que situação, com o entendimento trazido pelo Espiritismo aí é que o aborto perde totalmente o sentido. 

Quando os governos defendem a realização do aborto, o fazem por questões meramente econômicas. É mais barato expulsar um feto do ventre da mãe que acompanhá-la com pré natal, fazer o parto, vacinar e alimentar a criança, pô-la numa escola com os gastos da merenda ou criar creches para mantê-las enquanto os pais cuidam da sobrevivência. Matá-la é muito mais barato. Por isso os governos preferem a morte à vida.

Como espíritas digamos não ao aborto, incondicionalmente!

 Octavio Caúmo Serrano para o Jornal O Clarim de março de 2011