O Abraço de Bezerra de Menezes

1 Comentário

Humildade

Deixe um comentário

Djalma Andrade-1948-MG

Que o meu orgulho torne-se humildade
Podendo ser o mais, que eu seja o menos;
Que morra, em mim, a estúpida vaidade
E que eu seja o menor entre os pequenos.

E que eu pratique o bem, – fuja à maldade
E não atenda mais aos seus acenos;
Que se transforme em rosas de bondade
O que era em mim espinhos e venenos.

Que a minha mão as dores alivie,
Que aos mais humildes eu não cause inveja,
E, se luz eu tiver, que os outros guie…

Mãe, que eu veja nos pobres meus iguais,
E, se orgulho eu tiver. que o orgulho seja
De ser o mais humilde dos mortais..

Símbolo de fé

1 Comentário

Octávio Caúmo Serrano 

Na Palestina houve no tempo de Jesus
Um instrumento de madeiras, amarradas,
Onde as pessoas eram nele flageladas,
Postas pregadas, no formato de uma cruz.

Todas aquelas que ao perdão não faziam jus,
Por estar entre as mais desqualificadas,
Se condenavam a morrer crucificadas
Vendo extinguir-se, pouco a pouco, a sua luz.

Mas o instrumento que era ignominioso,
Se transformou, depois, num símbolo glorioso,
Quando Jesus o ocupou cheio de fé.

E a cruz, outrora, infamante e odienta,
Já não humilha, hoje é o que nos sustenta,
Pois é a pilastra que mantém o homem de pé.

Perdão

Deixe um comentário

Octávio Caúmo Serrano

Quantas vezes devemos perdoar?
Seriam sete as vezes do perdão?
Chegou um dia Pedro a perguntar
Para Jesus querendo orientação…

Setenta vezes sete é a solução,
Respondeu quem sabia flutuar
E um dia fez a multiplicação
De pães e peixes à beira do mar…

O Cristo quis dizer que é infinito;
Que o perdão deve ser algo irrestrito
E desculpar-se o mais triste episódio.

Perdoar é limpar-se no interior,
É de verme tornar-se superior,
É trocar por amor gestos de ódio!

O Horto

1 Comentário

Auta de souza

“ Oro de joelhos, Senhor, na terra
Purificada pelo teu pranto …
Minh’alma triste que a dor aterra
Beija os teus passos, Cordeiro Santo!

Eu tenho medo de tanto horror …
Reza comigo, doce Senhor!

Que noite negra, cheia de sombras.
Não foi a noite que aqui passaste?
Ó noite imensa … porque me assombras.
Tu que nas trevas me sepultaste?

Jesus amado, reza comigo …
Afasta a noite, divino amigo! ”

Eu disse … e as sombras se dissiparam.
Jesus descia sobre o meu Horto …
Estrelas lindas no céu brilharam,
Voltou-me o riso, já quase morto.

E a sua boca falou tão doce,
Como se a corda de um’harpa fosse:

“Filha adorava que o teu gemido
Ergueste n’asa de uma oração,
Na treva escura sempre envolvido,
Por que soluça teu coração?

Levanta os olhos para o meu rosto,
Que a vista d’ele foge o desgosto.

Não tenhas medo do sofrimento,
Ele é a escada do paraíso …
Contempla os astros do firmamento,
Doces reflexos de meu sorriso.

Não pensa em dores nem canta magoas,
A garça nívea fitando as águas.

Sigo-te os passos por toda parte,
Vivo contigo como um irmão.
Acaso posso desamparar-te
quando me trazes no coração?

Nas oliveiras nos mesmos Horto,
Enquanto orares, terás conforto.

Olha as estrelas … no céu escuro
Parecem sonhos amortalhados …
Assim, nas trevas do mundo impuro,
Brilham as almas dos desolados.

Mesmo das noites a mais sombria
Sempre conduz-nos á luz do dia.”

Ergui os olhos para o céu lindo:
Vi-o boiando num mar de luz …
E, então, minh’alma, n’um gozo infindo,
Chorando e rindo, disse a Jesus:

“Guia o meu passo, nos bons caminhos,
Na longa estrada cheia de espinhos.

Dá-me nas noites, negras de dores,
Uma cruz santa para adorar

Ato de Caridade

Deixe um comentário

Ato de Caridade

Do Livro Versos Escolhidos e Epigramas-
Djalma Andrade – MG 1952

 

Que eu faça o bem e de tal modo o faça
Que ninguém saiba o quanto me custou;      
– Mãe, espero de Ti mais esta graça: 
Que eu seja bom sem parecer que sou !         

Que o pouco que me dês me satisfaça            
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,           
Que eu leve essa migalha onde a desgraça    
Inesperadamente penetrou. 

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,             
Que será, minha Mãe, Senhora Nossa,          
Para o pobre faminto que vier.           

Que eu transponha tropeços e embaraços,  
Que eu não coma sozinho o pão que possa   
Ser partido por mim em dois pedaços.          

Older Entries