A cada novembro comemora-se o dia dos santos e o dia dos mortos.

 

Segundo o Espiritismo, há muito que considerar quando analisamos santos e mortos. Os santos são canonizados pela Igreja de Roma. Daí a grande quantidade de santos europeus. Não vemos ser canonizadas pessoas de outras religiões, por maior que tenha sido seu amor pela humanidade e o sacrifício do interesse pessoal em favor do semelhante. Se assim não fosse, um dos que tem maior mérito para ser santificado é o nosso Chico Xavier. E para os que contestarem, diremos que os milagres do Chico foram os mais de quatrocentos livros ditados com orientações dos Espíritos para o entendimento e libertação da humanidade, além de milhares de mães aflitas pela perda de seus filhos ainda jovens que foram consoladas pelo médium mineiro. Não carecem de comprovação ou testemunho porque foram feitos publicamente e só não viu quem não quis.

Quanto aos mortos, sabemos que eles não existem no sentido real, mas que são apenas desencarnados em fase de provação ou aprendizado, que se preparam para novas encarnações nos diferentes mundos, segundo seu grau de evolução espiritual. No dia de finados, podemos estar cultuando um de nossos antepassados mais queridos e, no entanto, ele já pode estar reencarnado entre nós. Com muita possibilidade de estar na nossa própria família, às vezes, na figura de um parente difícil.

O que nos interessa aqui é realçar que tudo atende à lei da evolução e aquele que um dia for anjo (ou santo), segundo as Leis de Deus o será por seus próprios méritos sem que sejam necessárias comprovações dos milagres, algo sempre subjetivo quando passa pelo crivo da razão dos homens. Basta que alguém tenha evocado um padre ou freira ou tenha a sua foto e ore diante dela ou de seu túmulo para considerar-se um milagre caso alguma cura se opere.

Os espíritas têm aproveitado muito a oportunidade dos finados para divulgar os postulados de Kardec comentando sobre a imortalidade da alma e, principalmente, sobre a lei da reencarnação. Ficam em frente aos cemitérios distribuindo mensagens e conversando com as pessoas, as quais demonstram a cada dia mais interesse pelo assunto. A humanidade já não aceita passivamente que vivemos uma vida e no fim tudo se acaba. Não condiz com a justiça divina, especialmente se analisarmos as diferenças de vida de cada pessoa.

O bom senso já não deixa mais dúvida nas pessoas e elas sabem que as oportunidades são sempre renovadas porque, dependendo da vida que a criatura levou, pôde realizar mais ou menos, estudar mais ou menos, servir mais ou menos, errar ou acertar mais ou menos. Merecem, portanto, novas oportunidades. Se nem todos são ricos, bonitos, saudáveis e inteligentes nesta encarnação, as diferenças se devem ao histórico espiritual de cada criatura. Afinal, somos herdeiros de nós mesmos. Como vivemos num mundo de provas e expiações, a característica básica de seus habitantes é a imperfeição. Às vezes por maldade, às vezes por ignorância, mas todos vítimas do desconhecimento mais amplo das Leis do Criador. Quando não erramos por ação, erramos por omissão…

Estamos todos no nosso melhor momento espiritual. Se já tivemos posições sociais melhores que as atuais, nunca fomos mais adiantados espiritualmente do que somos hoje. Nem mais pacientes, nem mais resignados, nem mais inteligentes. Daí a espiritualidade recomendar que não procuremos mexer no nosso passado espiritual porque encontraremos mais desilusões que alegrias.

Quando explicamos isso a quem não é espírita, logo vem o contra argumento: – Se já vivemos outras vidas, por que não nos lembramos? E não adianta explicar que o esquecimento do passado é misericórdia de Deus, porque a maioria teria mais a envergonhar-se que de orgulhar-se.

Como o momento, porém, é totalmente favorável, cabe a nós divulgarmos as explicações ensinadas pelos Espíritos Superiores, acompanhadas de argumentações seguras, baseadas na Codificação Espírita. Ainda que o outro não aceite ou concorde conosco, se for bem fundamentado podemos estar certos de que a pessoa irá pensar no assunto. No mínimo a encheremos de dúvidas que ela procurará solucionar. E a dúvida é o primeiro passo para se buscar o conhecimento. Pouco a pouco, todos chegarão lá!

Abençoado Espiritismo que nos fez conhecer a verdade que hoje nos liberta. Sabemos agora que ninguém morre, ninguém sofre o que não lhe seja útil para o seu progresso e ninguém paga dívidas alheias ou que não contraiu nesta ou em encarnações passadas. Sabemos que todo sofrimento é aprendizado, não castigo, porque Deus é absolutamente misericordioso para castigar seus filhos que ele ama incondicionalmente. O que popularmente classificamos como dívidas do passado não passam de enganos cometidos que demandam aprendizado. Daí as múltiplas encarnações por que passam os espíritos no caminho da purificação.

Chorem seus mortos os que deles sentem saudades porque quando na Terra muito se amaram. Temos todos o direito de ter sentimentos. Mas que ninguém demonstre revolta pela ausência do ente querido que partiu, muitas vezes, para nós, prematuramente, porque não conhecemos os planos de Deus em relação a cada um de nós. E não importa como desencarnou, se natural ou violentamente, porque todos deverão morrer de alguma coisa. Excetuando-se os suicidas, diretos ou involuntários, todos desencarnamos na hora devida. Quem tem fé sabe que isso é uma verdade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Novembro de 2011