Octávio Caumo Serrano

No Qumran, lá no Mar Morto,
Quase sem nenhum conforto,
Por que o calor era intenso,
Viviam homens essênios,
Tidos como bons e gênios,
Num Mosteiro que era imenso.

Tinham água de piscina,
Porque ali o duro clima
Chega perto dos cinqüenta,
Nos graus que nós conhecemos,
E quase nos derretemos,
Pois um qualquer não agüenta.

Moravam junto ao deserto,
Onde nada havia por perto,
Povo bom, trabalhador,
Que com o esforço e a prece,
Preparou pra que viesse
Viver na Terra o Senhor.

Como não faz qualquer um,
Tinham seus bens em comum
Porque eram desprendidos,
Olhavam velhos e moços,
Davam-lhes roupas e almoço
Como parentes queridos.

Se alguém ficasse doente
Podia, tranqüilamente,
Esperar por atenção.
E não era fato raro,
Todos recebiam o amparo
Nascido do coração.

Não utilizavam arma,
Porque o amor nos desarma
Quando a fé se instala em nós,
Cuidavam da plantação
Para ter sua nutrição
Naquela secura atroz.

Fim de tarde, após o banho,
Reunia-se esse rebanho
E liam histórias dos reis,
Estudavam as escrituras
E aquelas criaturas
Eram informadas das leis.

E todos tinham respeito
Por esse povo direito
Que vivia em sua labuta,
Porque só fazia o bem
Sem se preocupar a quem,
Sendo exemplo de conduta.

Eram calmos, silenciosos,
Mas dos deveres ciosos,
Pondo em tudo seriedade,
Mas quando chegou Jesus,
Amainou-se aquela luz
Pela nova claridade.

E o Salvador verdadeiro,
O que ampara o mundo inteiro,
Veio trazer a renova
E agradeceu o carinho,
Por ver já pronto o caminho
Para falar da Boa Nova!…

Inda por quarenta anos,
Sob a mira dos romanos,
Só fizeram o que era certo,
Mas em batalha sangrenta,
Lá pelos anos setenta,
Calou-se a voz do deserto!

Octávio Caúmo Serrano – www.ocaumo.wordpress.com
Do Livro “Luz no Túnel” – 1998
http://ocaumo.files.wordpress.com/2007/05/luz-no-tunel_pdf.pdf