Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

A religião boa é aquela que melhora o homem.

Ao considerar que as conhecidas religiões da Terra são meras seitas ou limitadas doutrinas, fragmentos da religião verdadeira, aquela que estabelece a ligação da criatura com o Criador, fica claro que nenhuma é dona da verdade ou tem o privilégio da salvação.

Se os líderes das diferentes facções religiosas finalmente compreendessem que devem pregar em suas práticas o entendimento e a união entre todas as criaturas, deixarão de criticar a crença alheia e de divulgar que apenas a sua igreja oferece as bênçãos celestiais. Ao usar o bom senso, espelhando-se nos erros cometidos pelas religiões no passado, não cometeriam os mesmos equívocos que poderão causar-lhes constrangimentos futuros.

Mesmo entre os espíritas, apesar de termos a certeza de que o Espiritismo é um avanço em relação ao cristianismo ensinado e divulgado por outras igrejas, deturpado ao longo do tempo,  não temos de convencer ninguém a deixar o lugar onde se encontra ajustado para iniciar-se em nossa doutrina se para ele ainda não faz sentido. A saída do homem de uma religião para a outra se dá com o amadurecimento. Isso aconteceu com a maioria de nós, velhos espíritas, já que poucos tivemos a sorte de nascer em lar espírita.

O entendimento, à semelhança do que acontece no currículo escolar, dá-se passo a passo. Ninguém aprende matemática sem antes entender  aritmética. Ninguém lê um texto corrido antes de aprender a juntar as letras do alfabeto. Ninguém sai correndo pela rua sem antes treinar os primeiros passos, caindo e levantando!  Lembremos Saulo de Tarso que mesmo depois de ser Paulo ainda titubeava. “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço” (Epístola aos Romanos).

Cada dia mais gente chega aos Centros Espíritas em virtude da lógica da sua mensagem. Cabe a nós, que chegamos mais cedo, acolher os noviços dando-lhe boas vindas e correto encaminhamento. Se o Espiritismo foi bom par nós façamos com que seja bom, também, para os que nos procuram. E a melhor caridade que podemos oferecer-lhes. Mostrar-lhes um pouco da luz que existe na casa espírita.

Já ensinou o mentor de Chico, o competente Emmanuel, que a maior tarefa do homem na Terra é o auto-aprimoramento. Tenhamos  menos pressa em salvar a humanidade e preocupemo-nos mais com a auto-evolução a fim de sermos exemplos vivos de conduta cristã. Afinal, o rótulo doutrinário que ostentamos nada diz a nosso favor. O que conta é como nos conduzimos diante da vida, especialmente nos momentos de maior dificuldade. Certa vez, ensinou André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier: “Vê como vives; és talvez o único Evangelho que teu irmão tem para ler”.

Jamais devemos esquecer a recomendação do Espírito de Verdade: “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”. Para que possamos amar os adeptos de outras doutrinas, independentemente de virem para a nossa, é preciso primeiro que haja entendimento, tolerância e solidariedade entre os participantes e simpatizantes do Espiritismo. Depois, amemos todas as criaturas sem importar-nos com a sua religião. Um dia todos seremos da mesma, única e verdadeira religião: A religião do amor incondicional que é a religião da fraternidade universal.

Jornal o Clarim – dia a dia de março de 2012

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