1857. O mundo recebia o Espiritismo! 

Indagados sobre esta data, poucos saberão responder o que aconteceu de importante nesse dia. Mesmo entre os espíritas, não são muitos os que sabem que ela marca o lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, um novo divisor de águas na história da humanidade, assim como foi a vinda de Jesus. Este livro é o registro de nascimento da Doutrina dos Espíritos na Terra, o Cristianismo redivivo na sua mais pura essência. Não julguem nossa afirmativa exagerada, porque dia virá em que o mundo será dividido entre antes e depois do Espiritismo.

Com a publicação da obra em Paris, nossa Doutrina foi codificada pelo professor Denizard Rivail, que a assinou como Allan Kardec, seu nome numa encarnação como sacerdote druida, nas Gálias do Império Romano de Júlio César, um século antes do nascimento do Cristo. Trouxe revelações que mudariam a história dos homens, suas crenças e conceitos.

Uma doutrina com pouco mais de século e meio é ainda nova para se firmar e ser compreendida por um número relevante de pessoas, especialmente porque não promete facilidades sem o trabalho de cada um. Antes, recomenda ao homem que se esforce para usar o mundo material na construção de sua vida na espiritualidade. Uma doutrina com essa linha de pensamento tem dificuldade para competir com as que oferecem o céu mediante doações, promessas ou penitências, sem que o homem cogite de sua renovação moral. Por isso são poucos os espíritas praticantes. E menos ainda são os que, mesmo dizendo-se espíritas, vivem como tal, fazendo dos compromissos doutrinários sua prioridade, convictos de que este breve momento na matéria se destina especialmente ao crescimento da alma e não como pensamos aos prazeres do corpo.

O verdadeiro espírita tem fé. Não a fé de quem vai ao centro, vive rezando, toma água fluidificada, dá passe ou faz palestra. Sua fé se fundamenta na certeza de que Deus cuida de nós porque somos seus filhos diletos, criados para a felicidade. Se ainda não somos ditosos é porque estamos em processo de reforma moral para conseguir a necessária afinidade que nos permita viver em vibrações mais elevadas. E isso se obtém pelo comportamento cristão, que tem sua relevância no amor ao próximo. Enquanto estivermos órfãos dessa sintonia, já ensinou Emmanuel, inútil querer penetrar em Mundos Superiores.

Ao longo destes cento e cinquenta e cinco anos dos calendários humanos, embora representem um segundo no tempo da espiritualidade, muita coisa nos foi revelada: a eternidade do espírito, conferindo-lhe a imortalidade, sua criação simples e sem conhecimento, igualmente para todos, a repetição de sucessivas oportunidades de renascimento na matéria, para corrigir defeitos que ficaram de uma encarnação para outra, além da nossa destinação à felicidade. “Nenhuma ovelha do rebanho se perderá.” O Espiritismo dá-nos a confirmação dessa promessa de Jesus.

Com o permanente rodízio das almas, muitas da Terra reencarnando em Mundos Inferiores, enquanto outras se qualificando a viver na Terra renovada que se prepara para ser Mundo de Regeneração, o planeta já experimentou alguma evolução. Com a continuidade dessas migrações, seu nível espiritual tende a se elevar cada vez mais. Com a quantidade de desencarnes coletivos que ocorrem nos dias atuais a mudança está acelerada. E quem desejar permanecer no planeta reformado terá de conquistar um lugar por seu próprio progresso moral, pela correção de defeitos e pelo serviço no campo do bem.

Estudar O Livro dos Espíritos é importante para todos nós. Não há pergunta que façamos que ali não tenha sua resposta. A partir da Introdução, que nos permite conhecer as lutas do codificador para o êxito de seu trabalho, passando pelas 1018 questões respondidas pelos Espíritos e culminando com a Conclusão, não há uma só linha que não tenha importância e não ensine algo.

Como as Casas Espíritas oferecem normalmente reuniões para estudar essa obra em grupos, todos devem aproveitar a oportunidade porque a análise em conjunto é mais eficiente. Interagindo com os participantes surgem indagações que nos fazem aproveitar as lições mais do que num estudo solitário.

Só quando o Espiritismo for popularizado, e cada ser humano acreditar nos seus ensinamentos, vivenciando-os, é que terminarão os desajustes familiares, estupros, sequestros, crimes, corrupção, tráfico de drogas ou qualquer outra enfermidade de caráter, porque os homens compreenderão que tudo o que fazem é a si mesmo que o fazem e terão de resgatar até o último centavo. Agora ou mais tarde, aqui ou em qualquer lugar, porque nenhum mal ficará impune. É da lei de Deus, que não é falha como a dos homens.

Não nos parece possível, por enquanto, reverter o quadro social e transformar esta humanidade na qual prevalecem a ganância e a vaidade. A paz não virá num passe de mágica ou nas cantigas e passeatas. Não é pessimismo, mas constatação. Mas como o amor de Deus é irrestrito, só nos resta confiar e trabalhar com alegria, suavizando o sofrimento alheio e o nosso, sobrevivendo como é possível, sem medos, incertezas ou angústias. Não há alternativas! Se o momento é difícil mesmo para os que conhecem e praticam o Espiritismo, imaginemos para os demais que acreditam que tudo se acaba com a morte! Recordemos Meimei, por Chico Xavier, na página “Confia Sempre”, quando ela diz: “De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmos, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo”.

Neste abril de 2012, lembremos mais uma vez de Allan Kardec e agradeçamos pelo seu destemor e determinação, sem o que não teria conseguido legar à humanidade a DOUTRINA DOS ESPÍRITOS.

Qualquer que seja o plano em que viva agora o Codificador, rogamos a Deus para que o ajude e o abençoe!

 RIE – Revista Internacional de Espiritismo – abril de 2012

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