Complexidade nas relações humanas

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – Centro Kardecista “Os Essênios” – João Pessoa-PB – <walkiria.wlac@yahoo.com.br>

“O amor se aprende, se exercita, se aprofunda, não surge de maneira mágica ou sobrenatural. Nunca se impõe, jamais exige, sendo cordato e gentil.” – Mediunidade: Desafios e Bênçãos, cap. 17.
O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu cap. VIII, itens 5 a 7, nos faz raciocinar sobre a temática: Pecado por Pensamentos. – Adultério. Este é um tema que as pessoas evitam falar, pois se a consumação do “pecado” já é considerado uma coisa normal por algumas pessoas imaginemos o realizado no recôndito do nosso ser!
Entendemos que a abordagem dada por Kardec é uma abordagem mais geral, mas gostaríamos, neste momento, de começarmos do campo restrito para chegarmos ao geral e desta forma comentar a questão que envolve a traição. A qual, uma das partes, às vezes, nem tem ciência do que está ocorrendo; sendo que em outros casos sabe, mas prefere não tomar providências e em outros tantos, também trai para ficar em igualdade de situação.
Aquele que trai o outro está traindo a si mesmo. É uma busca incessante de aplacar algo que está em desacordo interiormente e que o traidor acredita que só irá conseguir aplacar, traindo seu cônjuge. Nisto, voltamos à família, base de tudo e orientadora das nossas vidas. Os conflitos familiares não resolvidos de pais e mães castradores ou omissos somando-se ao próprio desequilíbrio emocional e evolutivo da criatura, propicia, na fase adulta, um comportamento insaciável e detentor de desequilíbrio físico e emocional, no qual a outra parte nunca saciará a sua vontade, tendo que procurar ao longe uma forma de aplacar o que o está consumindo interiormente.
Mas cedo ou tarde a consciência, nossa amiga e companheira de todas as horas, lembra-nos que não podemos agir de uma forma indigna com o nosso próximo, principalmente se nos comprometemos a ter uma vida em comum com o outro. Durante a caminhada, de alguns anos, vimo-nos em situações, nas quais a presença do outro foi importante e determinante para a solução dos nossos problemas.
Verificamos que a nossa atitude não se coaduna com o ideal anelado por ambos no início do consórcio e começamos a procurar modificar a paisagem doméstica. Em alguns casos, este arrependimento é tardio, pois a outra parte pode estar tão ressentida que não aceita o nosso arrependimento, ou pior, já também incidiu na prática do adultério, ficando ambos, numa situação de mágoa, ressentimento e beirando em alguns casos o ódio e desejo de vingança que perduram no pós-desencarne.
Se a prática é inaceitável, o pensar também não deve ser objeto de acalento, justificando-se que somente pensou, mas não chegou as vias de fato. A internet hoje nos liga ao mundo em frações de segundos. Podemos nos relacionar com várias pessoas, em vários locais do mundo, sem precisarmos estar fisicamente ao lado delas. São as webcans, os microfones e tudo que a evolução tecnológica nos trouxe para facilitar as nossas vidas, mas que também facilitam no cometimento destes pecadinhos da sociedade, que Manoel P. de Miranda tão bem comenta (no mesmo livro citado a cima).
Se eu falasse para o meu avô que no futuro pessoas iriam entrar em contato umas com as outras e que algumas iriam usar um perfil fake (perfil falso) para ludibriar outras pessoas e que alguns destes ludibriadores eram casados e possuíam uma família que nem suspeitava das atividades secretas do cônjuge, ele iria me dizer que eu estava assistindo televisão demais e iria falar com a minha mãe! Pois, hoje em dia, é isto que está acontecendo. Cada vez mais, jovens, mentes inexperientes nesta encarnação, mas que trazem um passado delituoso e viciado, envolvem-se nestas situações.
Enganadores e enganados criando uma teia de energias que os ligam. O próprio Evangelho nos fala que podemos pecar por pensamentos, palavras ou ações. Não há dúvida que se podemos segurar a ação, mas não as palavras e nem o pensamento, temos grande mérito nisso. Ou se só chegamos a pensar, mas não falamos e nem tampouco materializamos em atitudes, melhor. Mas se só ficamos no terreno do pensamento porque não encontramos quem nos ouvisse ou não tivemos condições de materializar o ato, incorremos no mesmo erro de ter cometido, pois, só não o fizemos porque não encontramos os meios para isso. Esta é a abordagem geral que Kardec nos traz no Evangelho.
Jesus o Pacificador por excelência, não condenou a ninguém que o procurava, orientava no caminho do bem fazendo com que a pessoa escolhesse o caminho que queria trilhar. Assim também é a Doutrina Espírita hoje em dia. Ela nos orienta, explicando as consequências dos nossos atos, através de um ensino lógico e racional e através das comunicações dos espíritos, as almas daqueles que viveram na Terra, mostrando-nos o arrependimento de ter cometido este ou aquele ato.
Se não estamos vivendo feliz num relacionamento, que sejamos honestos conosco e com outro, dizendo o que estamos sentindo e colocando fim numa situação que se perpetuada trará consequências funestas para ambas às partes. Se conseguirmos controlar as nossas atitudes nos desvencilhando mentalmente do objeto do nosso desejo, melhor. Assim seremos fiéis a nós e ao cônjuge. Desejos surgem da nossa necessidade de complementação física, mas são saciados de acordo com a maturidade e entendimento espiritual. Sempre que pudermos, espiritualizemos os nossos desejos, transformando-os em energia produtiva e explanação de amor ao próximo.
Todos nós que vivemos uma situação em que percebemos que o outro não está na mesma sintonia familiar que nós, nos permitamos amar mais. Mas amar em primeiro lugar a nós mesmos. Como o texto que encabeça este artigo nos diz: “[o amor] Nunca se impõe, jamais exige, sendo cordato e gentil.” Sejamos equilibrados e gentis conosco mesmos, deixando o outro seguir o caminho que ele quer seguir e nos permitindo sermos fiéis a nós mesmos.

Jornal O Clarim – Matão – Novembro de 2012

Mensagem no dia do início dos trabalhos do Centro em São Paulo

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Mensagem recebida no dia da inauguração dos trabalhos no
Centro Kardecista “Os Essênios”, em 07 de fevereiro de 1983.

Jesus!

Quando Tu nos mandaste semear e nos disseste IDE E PREGAI, quantos temores e quantas incertezas movimentaram nossos corações.

Trêmulos, saímos para semear Tuas palavras de consolo, esperança e amor. Na primeira vez, quando nos abaixamos vacilantes para semear, sentimos Tua mão a nos dirigir, dando-nos confiança e elevando nossos pensamentos. Sabemos agora que estavas presente em nós.

Resolutos e corajosos, cheios de fé e fervor, caminhamos semeando, erguendo a bandeira branca e levando aos quatro cantos a Tua palavra.

Eis-nos hoje aqui, na tarefa de abrir novas frentes colocando casas ao alcance de todos os que gemem e choram.

Há 2000 anos, e mesmo ainda hoje, com todas as facilidades que nos são colocadas nas mãos, embora fracos, seguimos desejosos que cada casa que se abra possa despertar os discípulos, Teus  trabalhadores, para que se entreguem sem orgulho, sem vaidade e sem personalismo ao Teu trabalho. Que ninguém seja maior ou menor; que sejam todos iguais; que o que aqui entrar para colaborar ou receber seja aos nossos olhos uma coisa só.

Sabemos, infelizmente, que mesmo desejando tudo isso acabamos por esquecer de nos comportarmos como Teus humildes trabalhadores. Esperamos, porém, Mestre, que esta casa cumpra a função de consolar, despertar e amar profundamente, colocando-nos à disposição das entidades aqui reunidas e Te rogamos para que os novos trabalhadores que forem chegando possam encontrar abrigo contra as tempestades e, sobretudo, que possamos plantar permanentemente, ampliando os horizontes no crescimento da Seara e colaborando para que novas casas se abram para levar Luz, Esperança e Amor.

Meigo Amigo: Seja conosco a Tua paz; guia-nos para que não percamos o rumo e que a vaidade e o orgulho possam ir cada vez mais diminuindo, na proporção que cresçamos nas bênçãos junto a Ti a aos companheiros presentes.

Jesus Amigo, esteja conosco, agora e sempre.

Que assim seja.

 

Médium Suzy Schneider

Centro fundado em 26/10/1982 – S.Paulo.

 

Uma porção de ninguém

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Minha sogra, desencarnada em 1963, já dizia: “o povo é uma porção de ninguém.”

Embora não nos pareça realidade, comportamo-nos como tal, fazendo com que a frase tenha sentido.

Nosso bem mais precioso – a nossa vida – entregamos facilmente ao primeiro que nos cruza o caminho, transferindo-lhe a responsabilidade do nosso futuro e do nosso progresso. Seja o governo, o patrão, o cônjuge, o filho, o professor. Por que agimos assim? Porque não nos conhecemos e não sabemos o verdadeiro sentido da encarnação que nos foi presenteada por Deus. Não nos damos o verdadeiro valor que temos como filhos de Deus e inteligências humanas.

Somos geralmente negativistas, pré-ocupados, e não acreditamos que temos alguma importância e que somos auxiliares de Deus na criação e melhoria do mundo. Pensamos que sozinhos não podemos realizar nada, o que não é verdade. Se um gesto de amor cobre uma multidão de pecados, como já ensinou Pedro em sua epístola, e se a luz de uma vela pode dissipar uma montanha de trevas, não podemos ignorar que o bem que fazemos, por menor que seja, possa interferir na modificação da sociedade. Tanto o bem como o mal são multiplicativos e, portanto, uma atitude gera inúmeras consequências. Que ela seja boa, portanto!

Se não acreditamos nisso, vejam o que diz a questão 932 de O Livro dos Espíritos. “Por que no mundo os maus sempre exercem maior influência sobre os bons?” Resposta, “pela fraqueza dos bons; os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos; quando estes o quiserem, predominarão.”  Por isso as manchetes das mídias são feitas de tragédias, já que a bondade carece de divulgação, embora seja de maior volume que a maldade. Mas como não é divulgada não influencia a sociedade. Daí repetirmos que tudo está mal e que o mundo piora a cada dia, porque é isso que nos mostram, embora não seja a realidade.

Um orador espírita fala para dez, cem ou mil pessoas, levando-lhes otimismo e dando receitas para superar as dificuldades. Enquanto isso, a televisão via satélite espalha para milhões e milhões de espectadores todas as falcatruas dos políticos, todas as violências dos bandidos e todas as intrigas e mediocridades dos realities shows, que, por incrível que pareça, ainda gozam de extraordinária audiência.

Concluímos que não temos de culpar os outros pela nossa vida difícil, mas a nossa própria falta de iniciativa no sentido de romper com a mediocridade para decidirmos ser alguém que compreende o que faz no mundo e como tirar deste momento tudo o que ele tem para nos oferecer.

Não somos uma porção de ninguém, se não quisermos sê-lo. Mas, infelizmente, insistimos em dar razão à minha sogra!

Jornal O Clarim – novembro de 2012

La ley de la destrucción

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Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com
Traducción- Maria Renee San Martin – relu2521@yahoo.com

Capítulo VI, do Libro III de El Libro de los Espíritus, trata de una de las Leyes Morales.

La ley de la destrucción, la primera que sigue a la Ley de la Conservación, nos muestra como todo es necesario y se encadena delante de las leyes planetarias que organizan la naturaleza. Construir y destruir hace parte del progreso, desde que todo sea realizado con criterio.

En los ejemplos de lo cotidiano, vemos eso constantemente. Donde esta una casa em un amplio terreno, nace un edificio que abriga a diez, quince, veinte veces más familias de lo que la residencia unifamiliar. Es el progreso adaptándose al desenvolvimiento social por que más personas reencarnan y tienen tareas a realizar en el planeta.

Lo mismo se da en el ámbito comandado por los espíritus, cuando determinan a los encargados de los fenómenos de la naturaleza que hayan bajo su comando. Por tanto, volcanes, terremotos, maremotos, tsunamis, no son eventos desordenados, sino acontecimientos planeados con vista a los rescates colectivos, a veces, o a las imposiciones del progreso de los mundos, en otras oportunidades.

Cuando Jesús calmo la tempestad en el Mar de Galilea, nos daba una muestra de la relación entre los Espíritus Superiores y los operarios de la espiritualidad. Unos ordenan, otros obedecen. Los vientos, las lluvias y demás fenómenos climáticos son todos planeados y comandados por los Espíritus. Nada acontece de manera fortuita.

Observemos que en los diferentes reinos de la naturaleza hay una perfecta integración.  La orquídea se sustenta en el tronco del gran árbol, en cuanto saca del aire su sustento. La hierba llamada dañina tiene muchas veces propiedades farmacológicas, conocidas o no. Más allá de eso, nacida en el pie del árbol, cría sombra para la raíz de esta para que el sol no la maltrate. Hay un intercambio perfecto. Su destrucción debe obedecer a criterios definidos.

Entre los animales, hay los predadores de cada especie. La falta de uno genera desequilibrio en el otro, aumentando su actuación o tornándolos violentos, en la búsqueda de sustento. Si la cobra se alimenta de ratones, exterminándolos sin criterio representa aumentar la población de serpientes hambrientas que terminaran por invadir las residencias. Lo mismo se da en otros casos. Cuando hay cucarachas en las casas, por falta de higiene, son atraídos los escorpiones que de ellas se alimentan. Las arañas comen moscas, los pájaros comen insectos, etc. Estudios informan que cada pájaro consume más de cien insectos por día. Si no fuesen ellos, tendríamos aun más sancudos, mosquitos, y todo tipo de animales menudos que ellos consumen y, consecuentemente, más enfermedades.

La destrucción obedece a criterios. Dice un dicho popular, que después de la tempestad viene la calma, porque la lluvia y el viento limpian las calles y los matos, llevándose las plagas, removiendo hojas secas y gajos muertos, para renovar las plantas. Una poda natural.

El alimento es destruido en la boca para llegar al estomago y posteriormente transformarse en la sangre de la vida; el trigo necesita ser triturado por el inclemente molino para transformarse en el pan; la semilla tiene que morir enterrada para generar una nueva planta. Son destrucciones sabias y naturales. Por eso los orientales dicen que cualquier tonto sabrá cuantas semillas hay en una fruta, pero solo Dios conoce cuantas frutas existen en una semilla. En este mes de los muertos, época en que adoramos a nuestros queridos, vemos que esta ley también se aplica. Hay la destrucción de los cuerpos físicos para que los espíritus, delante del desencarne, reflexionen y se preparen para nuevas vidas en la materia. Los equívocos de una reencarnación necesitan ser reparados en la siguiente.

Lo que no podemos aceptar es la destrucción indiscriminada nacida de la ganancia de los hombres. La desforestación que perjudica el equilibrio de la naturaleza, la polución de los ríos por la contaminación de productos químicos y otros, porque es todo hecho sin criterio e causa daños.

La matanza de animales, muchas veces como placer, sin ninguna utilidad. La maldad del tiro a la paloma, de la corrida de toros, de la fiesta de la juerga de buey, y que otros, no pueden tener nuestro aval.

Lo que debemos destruir, y con criterio, son nuestros vicios y defectos. Tenemos que comprender que la destrucción de una falla se da por la incorporación de una virtud. Nadie puede ser al mismo tiempo humilde y orgulloso, avaro y desprendido, o tener cualquiera de esos sentimientos opuestos al mismo tiempo. O si es manso o si es violento; o si es calmo o si es impaciente.

Dice El Libro de los Espíritus que es necesario discernir entre la destrucción necesaria y la abusiva. Tenemos el ejemplo de las guerras, cuando en nombre de la democracia, esclavizan los países; en nombre de Dios, combatimos las religiones; en nombre de la justicia, matamos a un delincuente que debería pagar su pena con la realización de trabajos, sin constituirse en un peso para la sociedad, lo que acontece en los sistemas actuales en el mundo entero. Ese tipo de destrucción, lejos de construir algo, genera aun más destrucción.

La lectura atenta del capítulo mencionado, en El Libro de los Espíritus, nos dará directrices para una vivencia equilibrada, distribuyendo o aceptando la naturaleza en sus propósitos para la manutención del equilibrio del planeta y consecuentemente, de las personas. El nuevo mundo ya está formándose y espera mucho la colaboración de todos nosotros.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Noviembre 2012

A lei da destruição

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A Lei da Destruição, a primeira que se segue à Lei da Conservação, mostra-nos como tudo é necessário e se encadeia diante das leis planetárias que organizam a natureza. Construir e destruir fazem parte do progresso, desde que tudo seja realizado com critério.

Nos exemplos do cotidiano, vemos isso constantemente. Onde está uma casa num amplo terreno, nasce um edifício que abriga dez, quinze, vinte vezes mais famílias do que a residência unifamiliar.  É o progresso adaptando-se ao desenvolvimento social porque mais pessoas reencarnam e têm tarefas a realizar no planeta.

O mesmo se dá no âmbito comandado pelos espíritos, quando determinam aos encarregados dos fenômenos da natureza que ajam sob seu comando. Portanto, vulcões, terremotos, maremotos, tsunamis, não são eventos desordenados, mas acontecimentos planejados com vista aos resgates coletivos, umas vezes, ou às imposições de progresso dos mundos, noutras vezes.

Quando Jesus acalmou a tempestade no Mar da Galileia, dava-nos uma amostragem do relacionamento entre os Espíritos Superiores e os operários da espiritualidade. Uns ordenam, outros obedecem. Os ventos, as chuvas e demais fenômenos climáticos são todos planejados e comandados pelos Espíritos. Nada acontece de maneira fortuita.

Observemos que nos diferentes reinos da natureza há uma perfeita integração. A orquídea sustenta-se no tronco da grande árvore, enquanto tira do ar o seu sustento. A erva chamada daninha tem muitas vezes propriedades farmacológicas, conhecidas ou não. Além disso, nascida no pé da árvore, cria sombra para a raiz desta para que o sol não a maltrate.  Há um intercâmbio perfeito. A sua destruição deve obedecer a critérios definidos.

Entre os animais, há os predadores de cada espécie. A falta de um gera desequilíbrio no outro, aumentando a sua atuação ou tornando-os violentos, na busca do sustento.  Se a cobra se alimenta de ratos, exterminá-los sem critério representa aumentar a população de serpentes famintas que terminarão por invadir as residências. O mesmo se dá em outros casos. Quando há baratas nas casas, por falta de higiene, são atraídos os escorpiões que delas se alimentam.  A aranha come moscas, os pássaros comem insetos etc. Estudos informam que cada pássaro consome mais de cem insetos por dia. Se não fossem eles, teríamos ainda mais pernilongos, mosquitos e todo tipo de animais miúdos que eles consomem e, consequentemente, mais doenças.

A destruição obedece a critérios. Diz o povo que depois da tempestade vem a bonança, porque a chuva e o vento limpam as ruas e as matas, levando as pragas, removendo folhas secas e galhos mortos, para renovar a plantas. Uma poda natural.

O alimento é destruído na boca para chegar ao estômago e posteriormente transformar-se no sangue da vida; o trigo precisa ser triturado pelo inclemente moinho para se transformar no pão; a semente tem de morrer enterrada para gerar novas plantas. São destruições sábias e naturais. Por isso os orientais dizem que qualquer  tolo saberá quantas sementes há numa fruta, mas só Deus conhece quantas frutas existem numa semente.

Neste mês de finados, época em que cultuamos os nossos mortos, vemos que esta lei também se aplica. Há a destruição dos corpos físicos para que os espíritos, diante do desencarne, reflitam e preparem-se para novas vidas na matéria. Os equívocos de uma reencarnação precisam ser reparados na seguinte.

O que não podemos aceitar é a destruição indiscriminada nascida da ganância dos homens. O desmatamento que prejudica o equilíbrio da natureza, a poluição dos rios pelo despejo de dejetos  químicos e assemelhados, porque é tudo feito sem critério e causa danos. A matança de animais, muitas vezes como lazer, sem nenhuma utilidade. A maldade do tiro ao pombo, da tourada, da farra do boi, e que tais, não podem ter o nosso aval.

O que nós devemos mesmo destruir, e com critério, são os nossos vícios e defeitos. Temos de compreender que a destruição de uma falha se dá pela incorporação de uma virtude. Ninguém pode ser ao mesmo tempo humilde e orgulhoso, avarento e desprendido, ou ter quaisquer desses sentimentos opostos ao mesmo tempo. Ou se é manso ou se é violento; ou se é calmo ou se é impaciente.

Diz O Livro dos Espíritos que é preciso discernir entre as destruição necessária e a abusiva. Temos o exemplo das guerras, quando em nome da democracia, escravizam os países; em nome de Deus, combatemos as religiões; em nome da justiça, matamos um delinquente que deveria pagar sua pena com a realização de trabalhos, sem se constituir num peso para a sociedade, o que acontece nos sistemas atuais, no mundo inteiro. Esse tipo de destruição, longe de construir algo, gera ainda mais destruição.

A leitura atenta do capítulo mencionado, em O Livro dos Espíritos, nos dará diretrizes para uma vivência equilibrada, destruindo ou aceitando a natureza nos seus propósitos para a manutenção do equilíbrio do planeta e, consequentemente, das pessoas. O novo mundo já está se formando e espera muito a colaboração de todos nós.

RIE-Revista Internacional de Espiritismo – Novembro de 2012