Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo VII, item 13, há uma orientação do Espírito Ferdinando com o título acima.
Frequentemente somos alertados pelos Espíritos que certos valores do mundo, que ansiamos possuir, são na verdade grandes provas a serem vencidas com simplicidade e humildade: riqueza, beleza e inteligência são pedras no caminho do orgulhoso que lida mal com essas pretensas qualidades que são, na verdade, os mais difíceis testes por que passa o ser humano.
Ao analisá-los, constatamos facilmente nossos equívocos quando cuidamos do cabelo, mas esquecemos da cabeça; quando enfeitamos os lábios, mas não policiamos a boca; quando adornamos as orelhas, mas não selecionamos o que entra pelos ouvidos; quando enfeitamos as unhas do pé, mas não trilhamos o caminho certo; ou quando passamos cremes nas mãos sem nos lembrar de usá-las no carinho quando do encontro com outras mãos, muitas vezes mais ásperas e calejadas, ou na oferenda do prato de comida para aplacar a fome de um carente.
Ao administrar a riqueza, não percebemos que gastamos num só almoço entre amigos ou parentes, o salário do mês de uma família pobre. E somos prepotentes quando lidamos com a empregada, o motorista, o faxineiro, porque estagiam provisoriamente em faixas sociais ditas inferiores. Esquecemos que eles não são pobres; apenas estão, porque é nessa função que cuidam de reparar falhas do passado. Talvez!
A inteligência, outro item que nos faz pretensiosos, levando-nos a ofender aquele que tem mais dificuldade para assimilar as explicações. Saem-nos da boca facilmente expressões como: – Você é surdo ou é burro? – Já lhe expliquei várias vezes. Como se soubéssemos tudo. No entanto há muito mais a aprender do que conhecemos e, diz a mensagem de Ferdinando, mesmo que estejamos entre os gênios da Terra, ainda estamos mais próximos da ignorância que da sapiência.
De que vale ter olhos de gato, se dele só emanam vibrações de ódio. De que vale ter porte atlético se a força é usada para agredir em vez de apaziguar. A saúde do corpo é importante, mas será nada sem a saúde da alma!
Não fossem os professores, os filósofos, os pensadores e evangelizadores e estaríamos muito mais atrasados do que estamos. Não fora Jesus deixar-nos suas receitas de bem viver e sofreríamos ainda mais do que sofremos. Não fora Kardec submeter-se às perseguições do clero e da sociedade de seu tempo para nos deixar o Espiritismo e seria ainda mais difícil viver. A revelação de que não morremos e que ninguém paga dívidas de terceiros é altamente confortador. Ficamos sabendo que não há injustiça e que quando agredimos é a nós que o fazemos. Temos tudo para ser felizes e só não somos porque não queremos.
Nesse mesmo capítulo está dito que “se todos os homens bem dotados se servissem da inteligência segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a humanidade”. “ Muitos infelizmente a transformaram em instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa de sua inteligência, como de todas as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-os de que uma poderosa mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu”. Segundo a lei de ação e reação, é este o candidato a retardado mental de futuras encarnações.
Lições não nos faltam; só precisamos acreditar que são verdadeiras e que, seguindo-as, podemos ser mais felizes.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2012