Para entender o Evangelho, não siga a linguagem da Terra.

Estamos em 2013. Um novo ano começa e nascemos de novo; pequenos como sempre! Referimo-nos ao entendimento sobre a vida e a destinação da nossa humanidade. É hora de meditação e propostas de reforma.
Não se destina um professor universitário a crianças do jardim da infância. A cada tempo o seu próprio tempo. A cada discernimento a sua própria linguagem. Como ensinar geometria para quem não aprendeu aritmética? Para falar às crianças a linguagem deve ser adequada à sua idade.
Isso nos leva a compreender melhor o que nos ensina o Evangelho Segundo o Espiritismo no Capítulo VIII, item 18, quando nos explica que Jesus nada teria a ensinar às crianças na acepção do termo, mas que ele se dirigia às crianças espirituais que é como são vistos os homens pequenos em entendimento, os escravizados ou viciosos, que necessitam de todo tipo de amparo.
Que oferecia a eles Jesus Cristo? O que poucos de nós têm para dar: o amor. O amor se reveste das mais variadas nuanças. Às vezes o amor vem na figura da paciência, outras vezes da bondade, da caridade, do perdão, da solidariedade. Ele é um sentimento ajustável à necessidade do próximo e sempre pode suavizar qualquer tipo de dificuldade. Para isso é preciso desprender-nos de nós mesmos, como exemplificou Jesus, com absoluta naturalidade.
O amor não pode ser fingimento ou adaptação às conveniências, com simulações interesseiras que visam compensações. O amor dá sem nada pedir porque ao dar já recebeu. Podemos repetir, para melhor entendimento, uma lição de Emmanuel: “se você está com um grande problema, ame; mas ame tudo e todos intensa e incondicionalmente. E se você não for correspondido nesse amor, não se preocupe; o amor basta por si próprio.”
O homem criança vive ferido. Naquilo que supõe seus direitos, no preconceito que sofre pela discriminação social, e na impotência para reagir por si mesmo. É frágil e precisa de quem o sustente como pilastra onde se segure. Quem pode ser esta escora, nunca se furte em oferecer-se. Todos nós temos um tempo de fraqueza, cedo ou tarde. A fragilidade do corpo, diante das investidas da alma equivocada, atinge toda a humanidade porque somos espíritos inferiores pela ignorância que ainda nos caracteriza. E um corpo doente é sempre o reflexo de uma alma enfermiça.
Jesus ampara todos os homens pelas receitas do seu Evangelho. Não cuida de nós um a um, mas coletivamente, porque a receita é uma só para ricos e pobres, homens e mulheres, jovens e velhos. A lição já conta com quase vinte séculos e nunca foi tão atual. É o único alento para sobreviver neste final de tempos em que as dores se aceleram porque a reforma está se fazendo e na demolição para a reconstrução sempre ocorrem transtornos.
Somos todos nós, portanto, as criancinhas a quem Jesus chamou. Uns de ouvidos mais abertos, outros moucos, mas todos com a mesma carência de colo e afago que só o Cristo pode nos oferecer. Somos todos carentes de amor.
Liguemo-nos à vida com intenções reais, como quem prepara o único futuro que nos interessa: a vida do espírito. Só esta é definitiva e sequente; o resto é tudo ilusório neste tempo provisório.
Feliz Ano Novo!

Jornal O Clarim – janeiro de 2013