RIE janeiro 2013O planeta se renova e está sendo promovido.

Escutamos dizer, desde muito, que a Terra já está em transformação: de provas e expiações está se promovendo a mundo de regeneração.

Por que somos planeta de provas e expiações? Que culpa nos cabe no atraso do planeta em que vivemos? Resposta natural: todas as culpas. Não é só o mundo que é de provas e expiações, mas as consciências que nele habitam e que fazem deste planeta um mundo atrasado. Uma humanidade imperfeita não pode colonizar um mundo superior. Como diz Emmanuel, “está órfã da sintonia com os seres mais adiantados.”

Que certeza temos nós de que isto está mesmo ocorrendo e qual o papel que nos cabe nesta transformação, caso tenhamos interesse em colaborar? As comunicações espíritas nos garantem que isso é verdade porque elas são paulatinas, mas constantes e coincidentes.

Em O Livro dos Espíritos, ao ser perguntado quando o Espiritismo seria crença comum da humanidade, o codificador disse que duas ou três gerações deveriam ainda decorrer antes que isto acontecesse. Ou seja, no mínimo, por volta de duzentos anos, ainda precisaria a doutrina, desde a sua codificação em 1857, para se tornar um guia para a humanidade. E também para chegar o tempo em que o estupro, o aborto, o sequestro, o crime em geral, o roubo, o tráfico de drogas e outros males desaparecessem da face do planeta.

Kardec nos disse, na Revista Espírita, que o Espiritismo passaria por seis períodos distintos. Ensinou que houve o período da curiosidade, com as mesas girantes e o período filosófico, com o lançamento de O Livro dos Espíritos; e que haveria ainda o período das lutas e perseguições, como de fato ocorreu, por exemplo, quando da queima de livros espíritas em Barcelona, 1861; o período religioso, com o lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo; um período intermediário, que posteriormente teria um nome adequado; e o período de regeneração da humanidade, que deveria iniciarse no começo do século XX.

Se contarmos sessenta ou setenta anos como a primeira geração a partir de O Livro dos Espíritos, estaríamos por volta de 1920/1930, quando terminariam os períodos ditos por Kardec para começar o processo de regeneração, com a fundação de Centros em profusão e a divulgação maciça do Espiritismo. É emblemático o episódio do Pinga-Fogo com Chico Xavier na década de 70, um dos momentos mais importantes para a popularização da doutrina.

A partir da década de 90 do século passado, começaram a reencarnar os espíritos adiantados que deverão liderar a nova humanidade da Terra. Percebemos claramente sua chegada quando observamos as crianças do nosso tempo a manejarem os aparelhos de alta tecnologia com absoluta naturalidade. Não é só neste aspecto, intelectual, que devemos analisá-las. São moralistas, censoras, cobram conduta dos pais, interessam-se pela educação do ser humano e por problemas ecológicos, porque se ligam, como jamais se viu, aos movimentos de proteção ao planeta e à sua fauna e flora.

Já podemos sentir que a solidariedade está crescendo, os ditadores estão caindo rapidamente e a benemerência é a cada dia maior.

Há promessas da espiritualidade, citadas em livros com mensagens de Joana de Ângelis, Emmanuel, Bezerra de Menezes e outros, todos através de acreditados e conceituados médiuns, que por volta de 2025 uma multidão de Espíritos reencarnará ao mesmo tempo para, quando chegar a hora, lá por 2060/2070, estarem adultos e prontos para ocupar os cargos diretivos das nações, além dos setores de pesquisa, educação, saúde, etc.

E quanto a nós? O que nos está reservado?

Fomos todos chamados, mas poucos fomos escolhidos. Parece injusto! Por que somente poucos foram os escolhidos?

É simples: o chamamento é divino, mas a escolha é humana. Quem chama é Deus, com base em sua Lei. Mas o homem é que escolhe se quer atender ao chamamento e ser, portanto, um eleito. Pena que a maioria de nós nos mantenhamos de ouvidos tapados. Descrentes!

As oportunidades já nos foram dadas. O cristianismo redivivo, que veio na figura do Espiritismo, já completou 155 anos e mostra o Evangelho de Jesus explicado sem parábolas, sem metáforas. Tudo claro numa linguagem que chega com a mesma facilidade ao doutor e ao analfabeto. Somos uma humanidade privilegiada. Vivemos num tempo em que temos o Cristo e a sua boa nova explicada pelo Espiritismo. Mas continuamos crentes teóricos, sem praticar integralmente o que foi recomendado.

Participamos de um momento histórico extraordinário. Somos os artistas da novela do Apocalipse que não mais está escrito apenas no Novo Testamento. Hoje nós o acompanhamos na TV, no rádio, na imprensa; também na rua, em casa, na igreja, no trabalho. Além disso, estamos vendo a Terra passar pelo seu momento mais importante destes 4,6 bilhões de anos desde que foi criada. Está passando à maioridade, mudando de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração.

Santo Agostinho nos diz, no capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que os mundos desde a sua formação percorrem “degraus imperceptíveis para cada geração, na sua escala progressiva para oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso”. O progresso poderia ser mais rápido se nós ajudássemos!

Não será um mundo superior, onde a pureza imperará. Será ainda um mundo de carne, de provas, de trabalhos e diferenças sociais. Mas tudo será tratado com respeito. Os bens espirituais prevalecerão sobre os materiais o que nos fará menos doentes, menos insatisfeitos, menos aflitos e gananciosos. Não serão necessárias cercas eletrificadas, cadeados, chaves para trancar carros e casas, porque cada um respeitará a patrimônio do outro. É pouco? Não! É extraordinariamente diferente e melhor.

Afinal, já ensinou Pedro que “o amor cobre a multidão de pecados”. Não gostaríamos de ver repetir-se conosco o episódio do planeta Capela, da constelação do Cocheiro, quando grande parte de seus habitantes foi exilada de seu planeta, tendo de renascer em mundos onde pudesse usar seu conhecimento no campo da caridade.

Quem nos dera merecer ficar por aqui! Mesmo desencarnando antes, tomara pudéssemos renascer novamente na Terra. Vai ser um prêmio porque será sinal de que progredimos pelo menos o mínimo necessário para sintonizar com o novo e melhorado mundo. Se corrermos, ainda dá tempo. Mas quem estiver interessado, que se prepare para a maior luta: a do homem contra si mesmo. O processo de reforma íntima tem de ser acelerado. Se dormirmos como as virgens da parábola, perderemos o bonde da história. E aí, só haverá choro e ranger de dentes!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro de 2013