RIE Fevereiro 2013   Esta frase foi usada até como título de livro espírita!

Apesar de sermos advertidos, à exaustão, quanto aos compromissos que temos perante a vida, em vez de sermos espirituais insistimos em ser mundanos. Investimos todo o nosso potencial físico e intelectual na obtenção de prazeres e confortos que nos deem condições sociais de respeitabilidade e destaque. Quem de nós ousa dizer que isto não é verdade? Que não é assim que pensamos e agimos? Quem não quer a melhor casa, a melhor roupa, o melhor carro? E outras muitas coisas mais…
O tempo passa, porém, e o vazio se instala em nós. A felicidade que buscávamos como posição diante da sociedade, não chega como imaginávamos nem nos dá a garantia de um futuro ou de uma velhice serena. Com a idade chegando, um vazio se apodera de nossos projetos e ficamos perdidos por falta de um alicerce que nos sustente com segurança. A menor doença, a simples contrariedade, a ingratidão que sempre nos visita ou uma debacle em qualquer área – econômica, sentimental, intelectual – nos causa grande sofrimento.
Como não investimos para aprender o que é realmente a vida, ficamos sem estrutura quando ventos mais fortes nos balançam, dada à pouca solidez das nossas convicções sobre o que realmente devemos esperar como encarnados de um planeta inferior. Só cuidamos de um lado da nossa vida. Faz-nos lembrar do soneto de Olavo Bilac – Corpo e Alma – quando ele diz:
Se tens uma alma e se essa alma criatura,
Que te foi dada como um grande bem,
Quer um dia ascender, ganhar altura,
Ser um astro no além…

Tu tens um corpo e um corpo que procura
Rastear na lama que do instinto advém.
Quando sem dó tragá-lo a cova escura
Será lama também.

Nessa finalidade, atende, ó louco!
Corpo e alma são teus: a lesma e o astro;
Um quer subir e o outro andar de rastro.

Pois o que me surpreende e em que me espanto,
É que do corpo que é nada, cuidas tanto
E da alma que é tudo cuidas pouco!
Como se cuida da alma, alguém poderá ter curiosidade em saber? Responderíamos que é contrariando as necessidades e os assédios extremos do corpo. Viver comedidamente quando se trata de atender aos apelos materiais em relação às comidas, aos prazeres, às festas, aos vícios e às necessidades íntimas do mundo, a fim de não se comprometer além do necessário e criar problemas difíceis de solucionar: doenças, inimizades, insatisfações e desarmonias de toda ordem.
Ninguém desconhece a importância do corpo, como o templo sagrado do espírito, que deve ser tratado com o maior respeito e gratidão porque abriga uma alma em tarefa de crescimento. Maltratá-lo significa adoecer e reduzir o tempo de encarnação, classificando-nos como suicidas indiretos. É o que quase todos nós somos e teremos de complementar, um dia, sabe-se lá quando, o período que esbanjamos!
Se considerarmos que a volta da vida na matéria é ainda para nós, por muito tempo, inevitável, devido à grande imperfeição que nos caracteriza, o conhecimento deveria fazer-nos mais prudentes, para aproveitarmos mais este período de vida no corpo, cada dia mais difícil de conseguir. Com a proliferação da sexualidade irresponsável, quando o sagrado ato da criação passou a ser banalizado como instrumento de prazer e comércio, seja pelos próprios agentes seja pelos comerciantes, nascer no mundo passou a ser uma tarefa heroica.
Independente dos equívocos no campo do sexo, a dificuldade financeira das pessoas fazem com que elas reduzam seus compromissos familiares, tendo menos filhos, especialmente os de mais condições financeiras. Canalizam suas economias para outras prioridades, porque ignoram a importância da procriação quando se dá oportunidade a que um novo Espírito cumpra sua programação de crescimento na matéria.
Ensina-nos o Espírito André Luiz, que este momento de encarnados é o mais importante na vida do Espírito, porque ele tem a companhia da dor, da dificuldade, que o impulsiona ao progresso. Em dois séculos, diz-nos o orientador, progredimos o equivalente a um ano luz caso vivêssemos apenas como Espíritos desencarnados. Só é necessário que acreditemos nisso e que realmente aproveitemos o momento.
Esta é a razão porque a maioria de nós se sente decepcionado ao desembarcar na erraticidade. Constatamos pelo filme da consciência, como perdemos nosso tempo enquanto vivíamos na matéria. Poderíamos ter desfrutado de tudo o que Deus nos oferece, desde que investíssemos um pouco de nossa energia e inteligência na preparação do Espírito imortal, porque é ele quem sobrevive a tudo e não desaparece no laboratório da natureza como os componentes que formam o corpo material.
É preciso aproveitar a vida, ouvimos frequentemente. Daqui a pouco você morre e fica tudo aí! Ah! se fosse assim, como seria simples. Quem aproveitasse ou não aproveitasse a vida como nos é aconselhado, teria o mesmo final. Depois da morte, ter aproveitado, ou não, não faria diferença. Infelizmente, para nós, isso não é verdade. Aproveitar a vida é saber que este momento breve da encarnação se destina à educação do Espírito que somos, para que no futuro ele tenha mais alegrias, seja como desencarnado ou como nova pessoa, em muito melhores condições, para viver de novo nos mundos materiais. Aqui ou onde quer que seja. Preparemo-nos porque isso ainda vai durar muito e muito tempo!… Não nos iludamos!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – fevereiro de 2013

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