RIE_Capa_Maio2013Neste mês de maio, esta coluna, em dois idiomas, completa quinze anos, ininterruptos.

 

Tínhamos o privilégio de merecer da Equipe O Clarim a confiança para expressar ideias quanto à interpretação e análise da Doutrina dos Espíritos em seus veículos; era já um espaço fixo e mensal, que a partir de junho de 1998 passou a divulgar textos em português e espanhol.

De início cabia-nos também redigir a coluna em língua estrangeira até contarmos com a colaboração da estimada Maria Renee San Martin Gómez, da cidade de Cochabamba, Bolívia, que passou a fazer as traduções. Isso já há alguns anos. É sempre mais fiel o texto escrito por um nativo do idioma do que o de um estrangeiro autodidata, que desconhece as expressões próprias da língua. Ganhou a revista e ganharam os leitores.

Após a publicação de cento e oitenta matérias, sem faltar um só mês, perguntamo-nos se valeu a pena? Com a vasta literatura espírita de renomados médiuns e escritores, que utilidade pode ter um texto isolado que cuida de fragmentos doutrinários, sem uma sequência mês após mês? Acreditamos, respondemos nós mesmos, que sim, valeu a pena.

Nossa opinião baseia-se no número de pessoas que já nos escreveram; umas criticando e outras aprovando o que escrevemos, mas todas dando sua opinião sincera que levamos muito em conta, porque ajudam na avaliação do trabalho.

Que contribuição pode dar um simples texto para o crescimento do movimento espírita que, às vezes, nem traz novidades em relação ao que já foi divulgado? Mas, por experiência própria, sabemos que há situações em que uma só frase do artigo serve como ponto de partida para levar o leitor a interessar-se por certos assuntos que envolvem suas dúvidas, seus problemas ou suas aspirações. Um conceito dito de forma diferente pode chegar à mente de uma pessoa para algo que ela já conhecia sem perceber. Foi por uma frase que chegamos ao Espiritismo!

Minha mulher perguntou a uma amiga por que nos damos melhor com os amigos do que com os parentes! Ela respondeu que, segundo a sua doutrina, os parentes de hoje são os inimigos do passado. Fez tanto sentido que a partir desse dia, lá pelo início dos anos setenta, começamos a nos interessar pela Doutrina e nunca mais paramos. Hoje, depois de muito estudar, sabemos que não se pode radicalizar, porque há parentes que se dão bem. Mas é exceção! Como diz a conhecida trova do poeta Cornélio Pires, “quase sempre nesta vida / sogro, sogra, genro e nora / é o amor de Deus unindo / os inimigos de outrora!” Ou aqueloutra, também já divulgada várias vezes: “Quem já venceu noutras eras / atritos e ódios mordentes / já pode nascer na Terra / com muito poucos parentes”. Sintomático. Não é?

A intenção é aproveitar a oportunidade que a RIE nos oferece para falar de nossa experiência como dirigente de Centro, escritor e palestrante; temos uma vivência que deve ser espalhada, especialmente para os mais novos. Se um dia nos sentamos pela primeira vez no auditório Bezerra de Menezes, da Federação Espírita do Estado de São Paulo, e ouvimos algo que mudou a nossa vida, seríamos ingratos se puséssemos a “candeia debaixo do alqueire”. Falamos e escrevemos para expressar gratidão pelo muito que outros fizeram por nós quando nos ensinaram, orientaram e aconselharam a que estudássemos o Espiritismo.

Essa afirmação tem base doutrinária, também. Para falar apenas de uma questão de O Livro dos Espíritos, vamos ao item 779, sobre a marcha do progresso. Na resposta, os Veneráveis disseram: “(…) os mais avançados contribuem para o progresso dos outros pelo contato social”. Isso se consegue passo a passo. É essa a nossa intenção, já que estamos há mais tempo na estrada.

Certa vez falávamos de subconsciente, consciente e superconsciente, assunto corriqueiro nos bancos de universidade, nos cursos das doutrinas da alma. Referimo-nos ao subconsciente como o passado, porque representa os conhecimentos arquivados; o consciente, como o presente, o que vivemos no cotidiano; e o superconsciente como o futuro, tendo a ver com nossas programações. Demos como exemplo: eu queria ser contador e hoje sou. Faz parte do meu subconsciente. Hoje faço mestrado, o que representa o meu consciente; futuramente, espero pelo doutorado, meta que simboliza o superconsciente. Apesar de explicação simplista, nesse dia, uma psicóloga expositora da doutrina nos disse nunca haver entendido bem esses conceitos ligados ao inconsciente, mas que com a explicação ficou claro. Mero exemplo.

Há outro aspecto interessante a considerar. Para ensinar é preciso primeiro aprender. Aquele que faz uma conferência ou escreve uma tese precisa estudar muito sobre o assunto e preparar-se para dirimir qualquer dúvida que surja durante a apresentação. Deverá estar apto a responder perguntas sobre o tema, com segurança e objetividade. Portanto ensinar é o caminho mais eficiente para aprender. Que digam os professores de qualquer assunto.

Não é comum ter-se textos inspirados e com a qualidade que desejaríamos. Procuramos estar sempre atentos aos detalhes que nos permitam desenvolver um trabalho de utilidade; que possa provocar algum tipo de raciocínio e meditação no leitor. Mas não é fácil, apesar do esforço.

Agradecemos aos amigos do Centro Espírita O Clarim pela confiança em nós depositada e continuamos às ordens para produzir dentro do melhor que sabemos, na esperança de que outros mais se inspirem em nossa boa vontade e decidam também dar sua colaboração, para que a revista continue como uma das melhores do movimento espírita nacional e internacional. No passado 15 de fevereiro, ela completou 88 anos de vida. É preciso ter qualidade e atualização para permanecer na ativa e na vanguarda durante tanto tempo.

Para nós é uma honra fazer parte da equipe de articulistas permanentes da RIE e do Jornal O Clarim. Não podemos garantir que algum leitor se beneficiou dos nossos escritos, mas acreditem, nós que fizemos o trabalho durante todo esse tempo, fomos o grande beneficiado; aprendemos, e muito!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – maio de 2013