O livro mais lido pelos espíritas é, indubitavelmente, o Evangelho Segundo o Espiritismo.

Recomendado como Livro básico para a reunião do Evangelho no Lar, o conhecido culto em família, e também para a leitura diária, como uma prece de reforço para o nosso dia a dia, ele não é tão usado como um livro de estudo. Isto fica mais para O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns, para os que cuidam da educação da mediunidade.

O Evangelho, no entanto, diferente do que supõe a maioria, não é um livro para rezar, apenas. É um resumo da doutrina de Jesus que é toda fundamentada nas leis divinas. Jesus quando falava, não sugeria nem aconselhava; decretava.

Ninguém vai ao Pai senão por mim – João 14:6 – advertiu Jesus. Ele não disse muitos não vão ao Pai, alguns não vão ao Pai, a maioria não vai ao Pai. Ele informou que NINGUÉM vai ao Pai a menos que se eduque dentro dos princípios ensinados por Ele, com base na Lei Divina.

Noutra ocasião, decretou que deveríamos amar o próximo com a nós mesmos – Mateus XXII: 34 a 40. Não fez ressalva, dizendo que o outro deveria ser conhecido ou parente, simpático ou judeu, rico ou negro. Informou que temos de amar o PRÓXIMO, independente de quem seja ele. Como exemplificou na parábola do Bom Samaritano. Mais claro, impossível! Completou dizendo: amai os vossos inimigos e ponto final – Mateus V:  44, 46 a 48.

Decretava Ele a Lei do Amor incondicional, porque só quem ama esquece, perdoa, tolera, aceita e ajuda independente da gravidade da ofensa. E, além disso, é quem mais tem a ganhar com seu gesto porque o perdão representa a limpeza interior do homem com a expulsão de todo sentimento inferior: mágoa, ódio, rancor e seus consequentes.

“Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina.”Marcos 7:15. Informava e não deixava exceções, circunstanciais como, a menos que, a não ser que haja, ou caso fosse, etc. A recomendação é de cuidado com as palavras porque criam grandes compromissos e uma vez ditas já não podem mais ser recolhidas.

Quando entendermos que o Evangelho de Jesus é um código com leis muito bem definidas, vamos acreditar mais nas consequências das nossas atitudes que poderão nos criar grandes problemas quando infringirem essa lei simples, mas fundamental para que sejamos felizes.

Esse livro, que completou 149 anos no passado 29 de abril, define o Espiritismo como religião, além de doutrina científico-filosófica. Está registrado como advertência do Espírito de Verdade, desde 9 de agosto de 1863, antes do lançamento, portanto, que Kardec deveria ”apresentar o Espiritismo como a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana”. (Em Notícias sobre o livro, ESE, Edicel, 3ª edição, 1987).

Jornal O Clarim – Matão – Junho de 2013