Aos 80 anos

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Fernando Henrique Cardoso

A soma e o resto: OS QUE ESTÃO VIVOS E OS MORTOS


No fundo estamos condenados ao mistério.

As pessoas   dizem, eu gostaria de sobreviver além da minha materialidade…

Eu não   acredito que vá sobreviver mas, pelo menos na memória dos outros, você   sobrevive.
Vivi intensamente isso com a perda da Ruth. Olhando para trás, é claro que   ela estava com um problema grave de saúde.

Apesar disso   fizemos uma viagem longa e fascinante à China. É como se o problema não   existisse.

A gente sabe   que um dia vai morrer e no entanto vive como se fosse eterno.
Depois da morte de Ruth e, mais recentemente, de outros amigos, como Juarez   Brandão Lopes e Paulo Renato, eu me habituei a conversar com os que morreram.   Não estou delirando. Os mortos queridos estão vivos dentro da gente. A   memória que temos deles é real.

À medida que   vamos ficando mais velhos, convivemos cada vez mais com a memória.

Conversamos   com os mortos. Por intermédio da Ruth, passei a lembrar mais dos outros que   morreram, dos meus pais, meus avós.

Os que   morreram e nos foram queridos continuam a nos influenciar. O que não há mais   é o contrário. Não podemos mais influenciá-los.
Eu não penso na morte. Sei que ela vem. Já senti a morte de perto. Não em   mim. Senti a morte de perto nos meus.

E procuro   conviver com ela através da memória. Os que se foram continuam na minha   memória e eu converso com eles.
Minha mãe, meu pai, minha avó, minha mulher, meu irmão, meus amigos que se   foram são meus referentes íntimos.

Tudo isso   constitui uma comunidade – posso usar a palavra – espiritual, que transcende   o dia a dia.
Então, a morte existe, ela é parte da vida, é angustiante, não se sabe nunca   quando ela vai ocorrer.

Eu só peço que   ela seja indolor. Não sei  se será. Ninguém sabe como e quando vai   morrer.

Pessoalmente,   tenho mais medo do sofrimento que leva à morte do que da morte propriamente   dita.
Se não é possível ter a pretensão utópica de sobreviver como pessoa física, é   possível ter a aspiração de viver na memória, começando por conviver com a   memória dos que se foram.

Isso tem   alguma materialidade? Nenhuma. Isso é científico? Não é. Mas é uma maneira de   você acalmar sua angústia existencial.
“Os mortos queridos vivem dentro de nós. Os que morreram continuam a nos   influenciar. Nós é que não podemos mais influenciá-los.”

SENTIDO DA VIDA

Aos 80 anos creio que cada um cria o sentido de sua vida. Não há um único   sentido. Isso é muito dramático.

Cada um tem   que tentar criar o seu sentido. Nesse ponto os existencialistas têm razão. É   muito angustiante.

Tem uma   dimensão da existência que é inexplicável. Ou você consegue conviver com isso   no dia a dia sem apelar para a transcendência – digo no dia a dia porque, de   vez em quando, todo mundo apela… – ou você tem que criar algum sentido para   justificar, se não explicar, o sentido das coisas.
Eu criei, imagino que sim. Achei que devia ter uma ação intelectual para   entender e para mudar o Brasil.
Na verdade é isso que eu queria, mudar as condições de vida no Brasil.
A literatura me influenciou muito, sobretudo a nordestina, José Lins do Rego,   Graciliano Ramos, Jorge Amado. Depois as Vinhas da Ira, de John Steinbeck,   sobre a revolta social na América da Grande Depressão.
Ou mesmo Roger Martin Du Gard com Os Thibault e, já noutra direção, André   Gide e, também, a metafísica de A montanha mágica, de Thomas Mann. Esse   caminho da literatura me contagiou e me levou à política.
Passei a vida inteira tentando entender melhor a sociedade, os mecanismos que   podem levar a uma sociedade mais decente, como digo hoje, não apenas mais   rica, e sim mais decente.
Tem que haver, é claro, algum grau de riqueza, senão a miséria, a escassez,   predomina e então não se tem nem liberdade nem igualdade. A escassez é a   luta, a guerra pela sobrevivência. Tem que haver um certo bem-estar material.   Além disso, porém, é preciso criar uma condição humana de dignidade, de   decência, de aceitação e respeito pelo outro.
Tentei entender isso do ponto de vista intelectual e fazer a mesma coisa do   ponto de vista político.

Então acho que   dei um certo sentido à minha vida. Esse sentido tem que ser dado por cada um.

Não está dado   que todos tenham que ter o mesmo sentido e haverá quem nunca encontre sentido   na vida e fique batendo cabeça.
“Quando se vai ficando velho e, portanto, mais maduro, você tem que   valorizar mais a felicidade, a amizade, essas coisas que, no começo da vida,   parecem secundárias.”

Essa angústia vai ser permanente. Não tem solução. É parte da condição   humana.

Não sabemos de   onde viemos, não sabemos para onde vamos. Tampouco sabemos por que e para que   estamos aqui.

O que não   podemos é deixar que essa angústia da morte e da ausência de um destino claro   nos paralise.
Cada um tem que inventar sua resposta. Cada um tem que dar sentido à sua   vida. Ela não tem sentido em si. Esse sentido não está dado. Cada um tem que   construir o seu sentido. E vai sofrer para encontrar.
Uma resposta está no próprio convívio com os outros. Inclusive com os mortos.

Talvez isso   arrefeça um pouco a angústia. Não se vive sem amizade, sem amor, sem   adversidade.
Quando se vai ficando velho e, portanto, mais maduro, você tem que valorizar   mais a felicidade, a amizade, essas coisas que, no começo da vida, parecem   secundárias. Você continua querendo mudar o mundo, mas sabe que as pessoas   contam.
Embora eu tenha sempre me definido como mais intelectual do que como   político, na verdade minha vida foi muito mais dedicada ao público.
Isso vem da minha ancestralidade, da minha convivência familiar.

O sentido,   para mim, sempre consistiu em buscar fazer alguma coisa que mude a situação   mais ampla do que a minha própria.

Nunca fui uma   pessoa voltada em primeiro lugar para alcançar o meu bem-estar. Eu tenho   bem-estar.

Diria que   quase sempre tive bem-estar. Mas esse não foi o meu valor.

Mesmo em   termos subjetivos, a ideia de felicidade, nunca busquei com denodo a felicidade   pessoal.

Eu a tive de   alguma forma, nunca me senti infeliz. Eu me dediquei muito mais a ver a   situação dos outros.

De uma maneira   modesta, sem proclamar.

Mas levei a   vida inteira pensando no mundo, pensando na sociedade, pensando nas pessoas,   nos outros.

O sentido que   dei à minha vida foi construir isso.
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Fonte: CARDOSO, Fernando Henrique Cardoso – A soma e o resto: um olhar sobre   a vida aos 80 anos –

 

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Currículo de Bondade

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Irmã (o), o que vale no Espiritismo é o que você faça dos conhecimentos que for adquirindo nele. O resto – acredite –, não conta muito.

Quando desencarnei, ninguém queria saber qual era o meu nome, endereço, tampouco os títulos que eu possuía – aliás, ninguém queria saber nada de mim, nem me perguntava coisa alguma.

A minha consciência é que, insistentemente, me pedia contas.

A bem dizer, a minha condição de espírita nada significava, e nem significa até hoje.

Sem a intenção de ser redundante, o que vale é o valor – o seu valor pessoal, sem rótulos, ou faixas, de qualquer espécie.

Deste Outro Lado, a única coisa capaz de lhe valer é o seu currículo – o seu currículo de bondade! Porque, no fundo, é isto que irá proporcionar a você algum réstea de luz, para que, mesmo caminhando na escuridão, consiga evitar o abismo…

Não cometa a tolice de imaginar que, na Vida de além-túmulo, o espírita possa ser tratado com deferência. Privilégio, ou o famoso “jeitinho” brasileiro, é algo que por aqui não existe!

Chico Xavier dizia, e com razão, que os espíritas estavam desencarnando mal – estavam, e, em geral, ainda estão!

Sinceramente, o único predicado que eu invejo numa pessoa, seja ela qual for, é a bondade! Depois que a gente larga a carcaça, para quem  é realmente bom, aqui todas as portas se abrem, e todos os caminhos se desimpedem! Em vez de ele pedir audiência com os anjos, são os anjos que pedem audiência com ele!…

Por isto, eis o conselho que lhe dou: teorize menos, e procure servir mais!

O mundo é um caldeirão que ainda vai continuar fervendo durante muito tempo… É possível que você vá desencarnar e tornar a reencarnar, nele encontrando amanhã quase tudo como está agora.

De uma encarnação a outra, o espírito melhora muito pouco… A evolução, para quem não se conscientiza, acontece quase que a passo de lesma – dessas que deixam o seu rastro gosmento no chão!

Não creia ser diferente.

Não estou querendo desanimar a quem seja, mas, se você se interessa pela Verdade, ei-la aqui de maneira nua e crua.

“Nosso Lar”, a colônia espiritual que muita gente na Terra almeja habitar, tem muito mais católicos, protestantes, umbandistas, e até mais ateus, do que espíritas…

Não, não se creia o suprassumo, porque você não o é!

Como é que eu posso dizer isto?! Ser espírita é só acréscimo de responsabilidade espiritual – nada mais do que isto. O que nós já sabemos é mais que suficiente para que, pelos nossos erros, a nossa consciência nos penitencie por muitas e muitas encarnações.

Conheço muita gente que não quer saber o que a gente sabe só para não ter que responder pelo que respondemos, ou responderemos.

Deixe, pois, de professar o Espiritismo como quem toca um clube de futebol, ou um partido político.

Enquanto é tempo, pare de fazer “guerra santa” – contra os outros, e contra os próprios companheiros que você considera equivocados!

Guardião da Doutrina, você?! Ora! Aceite os meus pêsames…

Cuide-se, porque a morte lá vem chegando, e ela é uma locomotiva, que, para atropelá-lo, não pedirá licença!…

 

INÁCIO FERREIRA 

Uberaba – MG, 22 de julho de 2013.

Desigualdade das riquezas

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Nas questões 808 a 816 de O Livro dos Espíritos há um estudo sobre o assunto que, apesar de sintético, somente nove questões, é bastante abrangente, esclarecedor, e serve de alerta para todos nós.

Fica claro que a igualdade da riqueza é uma utopia e algo impossível de se realizar, porque a riqueza é consequência das ações do homem. Não se pode pretender que o preguiçoso e o trabalhador tenham o mesmo sucesso. A não ser por meios escusos. Não se admite que o líder, inteligente, possa ser contemplado igualmente ao que ainda não tem condições de discernimento e, por enquanto, precisa ser comandado.

O homem equivocado crê que a distribuição equitativa de todos os bens do mundo seria a solução. No entanto vemos o fracasso do comunismo. E mesmo os kibutz de Israel não passam de um paliativo para abrigar os de menos capacidade. Uma interessante forma de caridade com os menos competentes. Socializam seus poucos bens para que nada lhes falte. Parece bom, mas não se pode esperar o mesmo estímulo de quem ganha pelo esforço e pela produção.

O que o texto deixa bem claro é que a riqueza nada tem de mal, de per si, mas o seu uso é que causa danos ou conforto moral ao seu possuidor. As riquezas chegam às mãos dos homens, pelo trabalho, por heranças corretamente construídas ou deixadas por herdeiros que a  acumularam de maneira desonesta. As questões acima tratam das várias opções e deixam claro que não importa como a riqueza chegou às mãos de uma pessoa, mas o que ela faz dessa riqueza.

Cita um exemplo importante quando pergunta se alguém sabendo que o dinheiro que chegou às suas mãos tem origem na desonestidade se ele é culpado por usá-lo. E ele não é, se o usar bem. Poderá servir, inclusive, de alívio para o desonesto que morreu e agora se dá conta dos equívocos cometidos. Desencarnado e percebendo que toda a sua ganância resultou em nada, porque na espiritualidade já não precisa da fortuna, sente-se oprimido pelas dores da consciência que o cobram pelos desmandos realizados e pela infelicidade que tenha causado a muita gente. Caso perceba que seu herdeiro está dando bom aproveitamento ao dinheiro deixado, sente-se redimido e agradecido pelo gesto do seu beneficiado.

Muito interessante essa análise para mostrar que ninguém é culpado por erros alheios, mas apenas pelas suas próprias falhas. Mesmo sabendo que a riqueza que lhe chegou às mãos tem origem suja, poderá reparar e dar a ela um valor divino. Enquanto o outro comprava luxúria, o herdeiro, com o mesmo dinheiro, distribui caridade. Enquanto o primeiro entesourava, o que recebeu a dádiva sabe distribuir, dividir, minorando as dores do próximo.

Funciona com dito na parábola dos talentos. Não é a riqueza em si que está em julgamento, mas a aplicação boa ou má que o homem faz dessa riqueza.

Como sempre, a beleza do Espiritismo está ai para solucionar assuntos de aparente conflito, mas que são envolvidos por toda lógica e, acima de tudo, por puro bom senso. “A cada um segundo suas obras”, já aprendemos com Jesus: em Cesareia de Filipe, após interrogar seus discípulos acerca do que diziam os homens a seu respeito, Jesus declara: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27).

Não há injustiças sobre a Terra, porque ninguém está pagando dívidas alheias ou que não tenha contraído. Essa é a verdadeira justiça e, portanto, exige de nós resignação diante dos problemas que enfrentamos; porque são os nossos problemas. Ninguém os causou-nos. Nós os criamos. Somos herdeiro e herança da nossa própria vida.

Jornal O Clarim – Julho de 2013

¡Esto es lo que vale la pena!

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¡Esto es lo que vale la pena!

 ¡La alabanza bien puesta es siempre un estímulo para seguir adelante, sin perdernos en la vanidad!

Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com – traducción Prof. Edda Fontes-João Pessoa-PB-eddafontes@gmail.com

Un cierto lunes, recibimos en nuestra casa a una señora que desde mucho se ha dedicado a la Doctrina Espírita. Ella vive en el interior de Paraíba, Campina Grande, y en nuestra capital, João Pessoa, buscó nuestro atendimiento fraterno donde le recomendaron un tratamiento de ocho pases y conferencias semanales.

El miércoles, nos llamó y dijo que volvería a su ciudad y quería saber como seguiría su tratamiento. Le dijimos que consultase al sitio de la Federación Espiritista Paraibana para enterarse cuáles son los centros de su región, y allí siguiese el tratamiento ya recomendado por nosostros. En el caso de que no se sintiese a gusto con algun de aquellos, que buscase otro, porque todos son dignos de credibilidad por el trabajo serio que ofrecen.

Nos agradeció y resaltó, que a lo largo de los años que había participado en el Espiritismo, jamás había ido a una casa tan disciplinada como la nuestra, pues alli se sentía muy a gusto. Dijo que toda vez que viniese a la capital tendría placer en visitarnos. Le agradecimos y comentamos que en cada casa hay sus propias reglas y el dirigente es el guardián de la doctrina en su Centro; más que cuidar de la casa, debe considerar la causa, porque la causa espíritista es más importante que la casa espiritista.

El título de este texto es: “¡Esto es  lo que vale la pena!”.

La razón de esta afirmativa está en el excesivo rigor, en lo que se refiere a la disciplina en nuestra instituión, que todos comentan; no es permitido charlar después que el asistido entra en el salón y allí recibe algo para leer o quedarse meditando, recogido. Hemos sugerido que se disfrute ese raro tiempo para que uno pueda reponerse espiritualmente, porque en aquel momento, los espíritus entran en sintonía y todos seremos beneficiados. ¡Donamos y recibimos!

Ya fuimos muy criticados, incluso en un artículo de un periódico en nordeste, como un centro que le falta la caridad porque cerramos la puerta al princípio de los trabajos. No nos dieron la oportunidad de rebatir, pero tampoco teníamos interés en defendernos; sin embargo, me preguntaría si la caridad con los retardatarios no redundaría en la falta de caridad con los puntuales y también con el orador, que tiene su raciocinio comprometido por la entrada abrupta de los que no respetan las reglas. Menos mal que nos consideran excesivamente rigurosos y disciplinados en lugar de desorganizados y relajados. Esto nos suena como alabanza.

Uno de los últimos comentarios fue que este rigor se debe al hecho de que el dirigente había sido militar (?). Sólo si fuera el dirigente espiritual, porque el presidente encarnado es contable y ex industrial. Las reglas  se deben al hecho del dirigente ser espiritista, algo que muchas veces hace falta a un comandante de centro que afloja las normas para no perder al “cliente”, causando así conflictos con la propia doctrina.

Ya han dicho que nuestra casa no es un Centro Espiritista, sino un cuartel porque las personas entran y se sientan ordenadamente, una al lado de la otra. Ya que todas saldrán en la misma hora, no necesitarán pasar unas por encima de las otras para sentarse, molestándose mutuamente, si es más fácil hacerlo en secuencia. Han dicho también que allí los matrimonios no pueden sentarse juntos, lo que es mentira. Si la fila se completa con la mujer, justo detrás se sentará su marido.

Asi que solamente por eso,este matrimonio no se sienta junto. Sin embargo, si dependiese de nosotros, allí nunca se sentarían juntos. ¿Por qué? Porque seguramente van a hablar de las deudas atrasadas, del hijo rebelde, de problemas en sus trabajos, en fin, de las dificultades económicas ya ampliamente discutidas a diario lo que debería ser tratado fuera del centro. Allí, vamos a buscar paz, fuerza, compreensión y cultura espiritista para vivir mejor, en este mundo apocalíptico.

A lo largo del tiempo, hemos merecido reconocimiento y respeto  por parte del movimiento espiritista local, dándonos el derecho de administrar nuestro centro como nos parece mejor. Y así seguiremos, pues, creyendo que usamos una coherencia doctrinaria.

Justo en la semana que habíamos escrito esta materia, fuimos a presentar nuestra charla en dos diferentes casas espíritas. Mientras las presentábamos, la gente se levantaba, salía y volvia sin respetar ni preocuparse por lo que estaba siendo dicho. En una de esas casas, empezamos a contar una historia divulgada por el Espiritismo y, de pronto, un niño dejó la evangelización infantil y entró al salón. Varias personas se acercaron al niño, incluso la dirigente de la mesa, sentada a nuestro lado, para enterarse de lo que pasaba a aquel ninõ. Lo peor es que cuando nos dimos cuenta, todos estaban mirando hacia la derecha, donde se pasaba lo ocurrido. Todos se fijaron en lo que había pasado, de tal manera que dudamos que alguien hubiera podido enterarse de lo que habíamos contado en aquella charla. Esto refleja la mala administración de algunos centros.

Ya vimos a nuestro estimado José Raul Teixeira interrumpir una exposición por niños que corrían por el salon, mientras el exponía su charla. Se puso aburrido por la inercia de aquellos responsables y dijo: “Así es imposible alguien hacer un trabajo”, dijo el lúcido orador, delante de la inercia de los responsables. Es, por lo tanto,  falta de caridad para los que hacen su trabajo y se esfuerzan para coordinar su mente, transmitiendo al público con claridad su conocimiento.

Ese desinterés por el studio y aprendizaje, es aún expresivo en el movimiento espiritista, donde el pase, la consulta al mentor espiritual y los fenómenos en general, todavía, son los temas principales de la cita.

Sin falsa modestia, nos hemos puesto agradecidos a aquella señora por los elogios a nuestra casa, reforzando nuestra certeza de que todo el empeño que hemos tenido para mantener la disciplina y nuestra paciencia, a pesar de los comentarios malignos e infundados, realmente han valido la pena.

Maria Alcântara Caúmo, desencarnada el 11 de abril de 2012, nuestra ex presidente, que siempre nos acordamos, debe de haber vibrado también con el comentario de nuestra visitante, ya que fue ella la responsable encarnada por la sistemática de nuestra casa, muy criticada en la pasado y que hoy en día es normalmente elogiada, pues esto ya aconteció otras veces además de esta aquí relatada.

Que Dios nos ayude para que sigamos con la misma convicción, infundiendo así la misma certeza a los que nos ayudan para que la casa siga cumpliendo fielmente con su destino. Es mejor pecar por exceso de disciplina que por falta.

Aún tenemos mucho que aprender. Siempre hemos repetido lo que Emmanuel al comenzar su trabajo con nuestro Chico Xavier le recomendó: que tres cosas serían muy importantes. Que él siempre si recordase de la DISCIPLINA, DISCIPLINA y DISCIPLINA. Pero, aún hoy no hemos aprendido y seguimos indisciplinados. Pero, como la verdad se compara al aceite  en el agua, está siempre por arriba, un día todo va a mejorar. ¡Sin embargo, hay que admitir que ya ha mejorado, y mucho¡ ¡El despertar se está acelerando! Un día todos seremos espiritistas de verdad.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julio 2013

 

Isto é o que vale a pena

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O elogio bem posto é sempre um estímulo para seguir adiante, sem nos perdermos na vaidade!
Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Uma certa segunda-feira, recebemos em nossa casa uma senhora que há muito se dedica à Doutrina Espírita. Ela vive no interior de Paraíba, Campina Grande, e estando em nossa capital, João Pessoa, procurou nosso atendimento fraterno onde lhe recomendaram um tratamento de oito passes e conferências semanais.
Na quarta-feira, chamou-nos e disse que voltaria para sua cidade e queria saber como seguiria seu tratamento. Dissemos-lhe que consultasse o site da Federação Espírita Paraibana para inteirar-se quais são os centros de sua região, e ali seguisse o tratamento já recomendado por nós No caso de que não se sentisse bem com algum daqueles, que procurasse outro, porque todos são dignos de credibilidade pelo trabalho sério que oferecem.
Agradeceu-nos e ressaltou, que ao longo dos anos que participa do Espiritismo, jamais tinha ido a uma casa tão disciplinada como a nossa, pois ali se sentia muito bem. Disse que toda vez que viesse à capital teria prazer em nos visitar. Agradecemos-lhe e comentamos que em cada casa há suas próprias regras e o dirigente é o guardião da doutrina em seu Centro; mais que cuidar da casa, deve considerar a causa, porque a causa espirita é mais importante que a casa espírita.
O título deste texto é: “Isto é o que vale a pena!”.
A razão desta afirmativa está no excessivo rigor, no que se refere à disciplina em nossa instituição, que todos comentam; não é permitido conversar depois que o assistido entra no salão e ali recebe algo para ler ou ficar meditando, recolhido. Sugerimos que se desfrute desse raro tempo para que a pessoa possa repor-se espiritualmente, porque naquele momento, os espíritos entram em sintonia e todos seremos beneficiados. Doamos e recebemos!
Já fomos muito criticados, inclusive em um artigo de um jornal do nordeste, como um centro onde falta a caridade porque fechamos a porta no início dos trabalhos. Não nos deram a oportunidade de rebater, mas tampouco tínhamos interesse em nos defender; entretanto, perguntaria se a caridade com os retardatários não redundaria na falta de caridade com os pontuais e também com o orador, que tem seu raciocínio comprometido pela entrada abrupta dos que não respeitam as regras. Menos mal que nos consideram excessivamente rigorosos e disciplinados em lugar de desorganizados e relaxados. Isto nos soa como elogio.
Um dos últimos comentários foi que este rigor se deve ao fato de que o dirigente tinha sido militar (?). Só se for o dirigente espiritual, porque o presidente encarnado é contador e ex-industrial. As regras se devem ao fato do dirigente ser espírita, algo que muitas vezes faz falta a um comandante de centro que afrouxa as normas para não perder o “cliente”, causando assim conflitos com a própria doutrina.
Já disseram que nossa casa não é um Centro Espírita, mas um quartel, porque as pessoas entram e se sentam ordenadamente, uma ao lado da outra. Já que todas sairão na mesma hora, não precisarão passar umas por cima das outras para sentar-se, incomodando-se mutuamente, se é mais fácil fazê-lo em sequência. Disseram também que ali os casais não podem se sentar juntos, o que é mentira. Se a fila se completa com a mulher, logo atrás se sentará seu marido.
Assim, somente neste caso o casal não se senta junto. Entretanto, se dependesse de nós, ali nunca se sentariam juntos. Por que? Porque certamente vão falar das dívidas atrasadas, do filho rebelde, de problemas em seus trabalhos, enfim, das dificuldades econômicas já amplamente discutidas diariamente, o que deveria ser tratado fora do centro. Ali, vamos procurar paz, força, compreensão e cultura espírita para viver melhor, neste mundo apocalíptico.
Com o passar do tempo, passamos a merecer reconhecimento e respeito por parte do movimento espírita local, nos dando o direito de administrar nosso centro como nos parece melhor. E assim seguiremos, pois, acreditando que usamos coerência doutrinária.
Justo na semana que tínhamos escrito esta matéria, apresentamo-nos como palestrante em duas diferentes casas espíritas. Enquanto falávamos, as pessoas se levantavam, saíam e voltavam sem respeitar nem preocupar-se com o que estava sendo dito. Em uma dessas casas, começamos a contar uma história divulgada pelo Espiritismo e, de repente, um menino deixou a evangelização infantil e entrou no salão. Várias pessoas se aproximaram dele, inclusive a dirigente da mesa, sentada a nosso lado, para inteirar-se do que se passava com aquele menino. O pior é que quando nos demos conta, todos estavam olhando para a direita, onde se dava o ocorrido. Todos se fixaram no que tinha acontecido, de tal maneira que duvidamos que alguém tivesse podido inteirar-se do que tínhamos contado naquela conversa. Isto reflete a má administração de alguns centros.
Já vimos nosso estimado José Raul Teixeira interromper uma exposição por meninos que corriam pelo salão, enquanto ele expunha seu tema. Ficou aborrecido pela inércia dos responsáveis e reclamou: “Assim é impossível alguém fazer um trabalho”, disse o lúcido orador, diante da inércia dos responsáveis. É, portanto, falta de caridade para os que fazem seu trabalho e se esforçam para coordenar sua mente, transmitindo ao público com claridade seu conhecimento.
Esse desinteresse pelo estudo e aprendizagem, é ainda expressivo no movimento espírita, onde o passe, a consulta ao mentor espiritual e os fenômenos em geral, ainda são os temas principais da entrevista.
Sem falsa modéstia, ficamos agradecidos àquela senhora pelos elogios a nossa casa, reforçando nossa certeza de que todo o empenho que tivemos para manter a disciplina e nossa paciência, apesar dos comentários malignos e infundados, realmente valeram a pena.
Maria Alcântara Caúmo, desencarnada em 11 de abril de 2012, nossa ex-presidente, de quem sempre nos lembramos, deve ter vibrado também com o comentário de nossa visitante, já que foi ela a responsável encarnada pela sistemática de nossa casa, muito criticada no passado e que hoje em dia é normalmente elogiada, pois isto já aconteceu outras vezes além desta aqui relatada.
Que Deus nos ajude para que sigamos com a mesma convicção, infundindo assim a mesma certeza aos que nos ajudam para que a casa siga cumprindo fielmente com seu destino. É melhor pecar por excesso de disciplina que por falta.
Ainda temos muito que aprender. Sempre repetimos o que Emmanuel ao começar seu trabalho com nosso Chico Xavier lhe recomendou: que três coisas seriam muito importantes. Que ele sempre se recordasse da DISCIPLINA, DISCIPLINA e DISCIPLINA. Mas ainda hoje não aprendemos e seguimos indisciplinados. Mas, como a verdade se compara ao azeite na água, está sempre por cima, um dia tudo vai melhorar. Porém, temos de admitir que já melhorou, e muito O despertar está se acelerando! Um dia todos seremos espíritas de verdade.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho de 2013