Octávio Caúmo Serrano.

Histórias contadas no Espiritismo. Verdade ou ficção?

Nas reuniões do centro, toda semana entrava um homem moreno, cheirando a álcool, e se sentava nas últimas cadeiras. Geralmente, ao iniciar a palestra ele começava a cochilar.

O dirigente nunca proibiu a entrada dele, porque se comportava, apesar dos vapores etílicos que se espalhavam pelo ambiente, mas nada que a espiritualidade não pudesse neutralizar.

E assim o tempo passava!

Certo dia, o homem, conhecido como baiano, não apareceu e todos estranharam e até sentiram sua falta. Semanas, meses e o baiano nunca mais veio ao centro. Ninguém sabia dar notícias dele e jamais fora visto nas redondezas.

No dia da reunião mediúnica,  um espírito se comunica e se apresenta: – Boa noite! Aqui é o baiano…

Imediatamente o dirigente tratou de pedir-lhe compostura e respeito, porque era uma reunião de socorro aos espíritos desajustados que vivem perdidos nos próprios erros e precisam de orientação e encaminhamento. Mas o baiano aparteou:

– Dá licença, mas eu quero falar. Eu morri. Mas eu não sabia que havia morrido, porque tudo continuava igual. Eu via as pessoas, os lugares, vinha aqui assistir às palestras, mas me parecia que alguma coisa estava estranha. Lembrei-me das lições que eu escutava aqui e recordei-me que nós temos um anjo da guarda que toma conta de nós o tempo todo e se o chamarmos ele nos atende.

– Foi o que eu fiz, e ele veio. Então perguntei: – Eu… E ele respondeu: – É isso mesmo que você está pensando. Você morreu, mas como vê, nada mudou. Continua vivo e aprendendo porque ninguém morre. Apenas muda de plano: do físico para o espiritual. Entendeu?

– Mais ou menos. Mas agora faz mais sentido o que está acontecendo.

Aí eu decidi ajudar esses espíritos que morreram viciados e que nunca foram  a um centro ouvir aquilo que eu ouvi e que agora me ajuda tanto. Toda semana, no dia da palestra, eu pergunto a uma porção deles: – Quem quer ir a uma festa comigo? Tem comes e bebes e é divertido. Todo mundo quer. E eu trago todos aqui para o centro.

– Quando começa a palestra, eles desconfiam e perguntam quando vai começar a festa. E eu respondo que já começou e é só ter um pouco de paciência, que eles vão gostar. No final, embora muitos fiquem zangados comigo e dizem que eu os enganei, já há os que gostam e dizem que na semana seguinte querem vir novamente. E assim aos pouquinhos, trago muitos amigos perdidos que já estão se encontrando.

-Desculpe, mas eu só queria falar do trabalho que eu estou fazendo porque aprendi muito quando estava vivo e vinha aqui assistir às palestras. Boa noite e obrigado.

Tomara que todos os sóbrios que vão ao centro assistir às reuniões,  possam assimilar tanto quanto o baiano, que aos olhos das pessoas não passava de um alcoólatra que desperdiçava a sua encarnação. Às vezes o que parece não é e, como vimos, não podemos ter pressa em julgar pessoas ou acontecimentos, porque poderemos ter grandes surpresas.

Roguemos a Deus para que nos dê sempre muito discernimento.

Jornal O Clarim – setembro de 2013