Octávio Caumo Serrano

Novembro está chegando. Comemoraremos o dia dos Mortos

Em nossos estudos das quintas-feiras, quando analisamos O Livro dos Espíritos, estudávamos as questões 823 e seguintes sobre o desejo de perpetuar a memória dos finados por meio de mausoléus e os espíritos responderam que isso é o derradeiro ato de orgulho.

Diante do argumento que a suntuosidade dos monumentos fúnebres deve-se ao fato de os parentes desejarem honrar a memória dos defuntos e não ao próprio defunto, os espíritos responderam que é “orgulho dos parentes que querem glorificar a si mesmos.” “Oh! Sim, nem sempre é pelo morto que se fazem essas demonstrações: é por amor-próprio, por consideração pelo mundo e para ostentação da riqueza.  Acreditais que a lembrança de um ser querido dure menos no coração do pobre porque ele só pode colocar uma flor sobre o túmulo? Acreditais que o mármore salva do esquecimento aquele que foi inútil na Terra?” Leiam também, por favor, a questão 824, para fechar o assunto.

Um dos presentes argumentou, porém, que é importante a ida ao cemitério porque os espíritos se reúnem ali, na esperança de rever seus parentes e receber homenagens. Eles esperam merecer velas e flores, especialmente nos dias de finados.

Realmente, há pessoas que passam todo o ano sem recordar de seu falecido, sem lembrar-se de fazer por ele uma simples oração, mas que nesses dias mandam pintar o túmulo e levam suas homenagens. E apesar de as flores terem seu preço inflacionado, porque os oportunistas exploram a crendice e a tradição das pessoas, não deixamos de oferecer nosso ramalhete.

Ao comentar, sugerimos que algo a ser analisado, também, é que os mortos têm recebido mais flores do que os vivos. Quanto marido vai ao cemitério nos finados levar flores para a esposa, sem que jamais tenha ofertado a ela, no convívio de toda uma vida, uma simples rosa solitária. Seria consciência pesada? Remorso?

As verdadeiras homenagens são as que prestamos às pessoas com a gentileza, a atenção, o gesto de carinho, a palavra de afeto, o convívio agradável e respeitoso. Da cumplicidade que deve existir numa vida em comum. Mas em se tratando da flor, ela pode ser ofertada no dia do aniversário, da comemoração do casamento, ou mesmo quando não há nada a festejar. Há negligência tão grande nesse sentido que uma frase jocosa já diz: “Há  maridos fieis e maridos que oferecem flores”. São tão raras essas atenções que muitas vezes surpreendem até quem recebe.

Todavia, mesmo que sua esposa estranhe a gentileza, comece a oferecer-lhe flores e mimos enquanto estão a caminho. Depois que ela for morar sob a lousa dura e fria, só precisará de suas preces e da boa saudade. Nessa hora, em vez de oferecer a ela flores e velas no cemitério, gaste o dinheiro, em nome dela, na compra de pão para dar ao pobre que tem fome. Esta homenagem será mais apreciada e lhe tocará mais profundamente o coração!

Jornal O Clarim – Matão – Outubro de 2013