PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA PARAIBA DESTE DOMINGO 13/10/2013

Quando o médium Chico Xavier tinha 21 anos, lançou em dezembro de 1931 o seu primeiro livro ditado pelos Espíritos – PARNASO DE ALÉM-TÚMULO – Uma coletânea de poemas, mais de 250, que teriam sido ditados por 56 poetas, entre brasileiros e alguns portugueses, como os conhecidos Guerra Junqueiro e João de Deus.

O curioso desta obra é que o Chico foi taxado de charlatão e que teria plagiado poesias dos artistas já mortos, atribuindo-lhes a autoria, o que caracterizaria uma ridícula farsa.

A comunidade cultural analisou o livro e dada à extraordinária semelhança de estilo de cada poeta, de per si, não teve dúvidas em decretar: “ou aceitamos como real a mediunidade deste jovem ou estamos diante de um gênio que merece ingressar imediatamente na Academia Brasileira de Letras.” Se o estilo de um só poeta é algo difícil de ser copiado pelo leigo, que dizer de 56? Seria impossível que isso acontecesse, o que nos leva a acreditar na realidade das comunicações.

Para os nordestinos, em especial os paraibanos, o livro traz uma particularidade que merece destaque. Ao grande Augusto dos Anjos, o paraibano do século, foram reservadas na primeira edição do livro de 512 páginas, formato 18×27 cm., nada menos que 32 páginas, sendo 11 com análises e argumentos de especialistas sobre a autenticidade dos trabalhos, e 21 com 31 poemas de autoria do Espírito Augusto dos Anjos.

Felizmente, o óbvio já não é tão combatido pela ignorância e as religiões estão analisando os fenômenos mediúnicos com naturalidade. Na internet há uma avalanche de sites com instruções a esse respeito e mesmo sobre as reuniões mediúnicas, hoje tão comuns até no Vaticano, autorizadas e confirmadas como importantes por João Paulo II, nos Palácios presidenciais (como a Casa Branca-Washington), nas Universidades e Hospitais. Um exemplo pode ser encontrado neste endereço http://www.igrejacatolicacarismatica.org.br/artigos99.htm

Nos dias tumultuados de hoje é preciso que nos apeguemos a algo racional, porque o que não pode ser percebido pela razão tende a morrer depressa. A fé cega, dogmática, não é mais para o nosso tempo. Não basta crer; é preciso, sobretudo, compreender. Se Deus é soberanamente misericordioso, não tem sentido criar pobres e ricos, aleijados e sãos, bonitos e feios, sem que haja uma razão lógica para isso. E a lógica é que isso decorre de nossas vidas passadas. Somos, cada um individualmente, os construtores do nosso futuro. Só depois de saber, começaremos a mudar.

Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com
Poeta, palestrante e escritor espírita.