rie-capa-dezembro_2013    O que o ladrão rouba, a ferrugem corrói e a traça consome, ensinou Jesus, não é nosso.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Quando pensamos possuir um bem da Terra, na verdade não o possuímos. A mãe afirma: “meu filho!”. Se ele desencarna, ela não tem mais filho. O homem diz “meu carro”; mas se o ladrão o leva, ele deixa de ter o “seu” carro. Temos dinheiro no banco e o governo vem e o confisca; ou um sequestrador exige resgate. Onde foi parar o nosso dinheiro? Essas pretensas posses incluem também o corpo, ao qual temos tanto apego e que enfeitamos até o exagero. Logo após o desencarne, ele transforma-se simplesmente em cabelos e ossos; volta ao laboratório da natureza. Onde está o “meu” corpo?

São exemplos simples para constatar que os bens do mundo são de posse transitória e podem ser-nos subtraídos a qualquer momento, diferentemente dos bens espirituais, que são tesouros eternos, qualquer que seja o plano em que estejamos.

Raciocinemos. Se vendemos o nosso carro e usamos o dinheiro num gesto de benemerência, seremos proprietários absolutos dessa atitude de valor; ninguém mais poderá tirá-la de nós. Mas enquanto formos proprietários do bem físico, corremos o risco de perdê-lo a qualquer momento.

Pensamos que assim, fica fácil entender o que é realmente nosso e o que é emprestado para uso provisório, embora concordemos que o exemplo é um exagero; poucos estão preparados para isso! Mas Chico Xavier estava, pois trocou um Fuscão por comida para os seus pobres! O leitor interessado poderá procurar detalhes no endereço http://portal.espiritismosul.org.br/?p=328, na parte que fala sobre Chico e o Volks – Uma Transação que Jesus também faria (extraído do livro Lições de Sabedoria – Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita, Marlene Rossi S. Nobre – FE Editora Jornalística Ltda – pag. 241).

Com a convicção desta verdade, os homens começarão a investir em outro tipo de poupança. Uma poupança que garanta o futuro do Espírito imortal, pois este vai precisar dessas conquistas por toda a eternidade. Infelizmente, com os apelos materiais em mundos inferiores como o nosso, onde o corpo prevalece sobre a alma, é realmente difícil essa conscientização, a não ser quando convencidos pelas dores. Mas aos poucos vamos entendendo e nos arriscando a diversificar os investimentos.

Este raciocínio permite entender que é dando que se recebe. Ou seja, quando damos já recebemos; seja bom, seja mau.

Ante o desencarne de um ser querido, a primeira pergunta que nos vem à mente é como chegará ele à espiritualidade! Dúvida desnecessária se conhecíamos bem aquele que partiu. Basta ver como ele viveu para saber como chegará ao mundo da verdade. Façamos uma análise sem pieguice, independente do grau de vinculação com nosso ente querido, ainda que fosse a nossa própria mãe.

A encarnação tem como finalidade o preparo do Espírito para novas etapas de vida, na matéria ou fora dela. Quem foi solidário na Terra colherá os frutos na erraticidade e não precisamos temer pelo seu futuro. Mas se o egoísmo prevaleceu, não há porque iludir-nos. Não estará muito bem no mundo dos Espíritos. Terá contas a acertar antes de ajustar-se à nova situação e ter outra oportunidade para renascer na Terra.

Basta entender que “a justiça divina é efetivamente justa”, de verdade, para saber que não pode ser diferente. Os jeitinhos dos homens não fazem parte das Leis de Deus. Quando aprendemos sobre ação e reação, é assim que devemos entender o futuro espiritual das pessoas.

O sentimentalismo, geralmente carregado de emoção, faz-nos ver as criaturas com olhos coloridos, atribuindo-lhes qualidades que talvez não tenham. E o inverso também ocorre amiúde. Como aprendemos pelo Evangelho de Jesus, temos de medir todos com a mesma vara.

O que plantamos colhemos. A reencarnação, longe de ser um castigo, é a maior expressão da misericórdia de Deus, porque se repete tantas vezes quantas necessárias até que consigamos “passar de ano”. Cabe a cada um retirar desse tempo na matéria as oportunidades que ela oferece. Por isso temos o dever de aproveitar o tempo. Precisamos ler mais, estudar mais, trabalhar mais e ser mais fraternos. Temos de prestar atenção no próximo para, na medida de nossa competência, suavizar-lhe a carga. Os benefícios que lhe prestarmos serão o nosso salvo-conduto para viajar rumo à espiritualidade superior.

O bem que fazemos pode ser a ajuda material ou o apoio espiritual. A palavra confortadora ou o silêncio respeitoso. Não devemos comentar sobre um defeito físico que já serve de aflição ou complexo para a pessoa. Os comentários desrespeitosos criam mágoas e inimizades. Expressões como: ô careca, ô banguela, ô dentuço, e outras leviandades, podem gerar mal-estar ou ódio das pessoas contra nós.

A verdadeira caridade é aquela que põe um sorriso nos lábios do outro e o faz sentir prazer com a nossa presença. Quando somos aguardados e alguém diz “que bom que você veio”, estamos no caminho certo. Fazer ao outro o que gostaríamos que o outro nos fizesse em situações idênticas é a melhor receita para ser amado.

Diz o Espiritismo que “fora da caridade não há salvação”. Conveniente, portanto, investir mais nessa “moeda” que circula nos diferentes mundos. Assim viveu e “vive” o médico Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que continua fazendo o bem a todos quantos pedem a sua presença neste planeta sofredor escolhido por ele para prosseguir servindo através de sua Casa dos Humildes, sediada na espiritualidade da Terra.

Podemos fechar este texto repetindo frase que já usamos noutras oportunidades: “Não somos um ser humano numa experiência espiritual; somos um ser espiritual numa experiência humana”. Esta afirmação resume toda a nossa natureza e a finalidade da vida na Terra. Vale a pena pensar no assunto, com seriedade! A caridade é uma poupança eterna e não muda, como a dos homens, ao sabor das conveniências.

Neste Natal, é o que de melhor podemos desejar aos nossos prezados leitores. Que aproveitem a vibração de amor nascida da lembrança do Cristo, no sentido de fazer o bem, cada vez mais. É o maior presente, para dar ou para receber!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – dezembro de 2013

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