Vivemos uma vida de contrastes sem entender a maioria dos porquês.

Quando afirmamos que o mundo está cada vez melhor, perguntam se estamos fora de órbita, se não lemos jornais nem ouvimos notícias no rádio ou na TV. Claro que sim. Não vivemos alienados, mas essas notícias não são as que nos interessam. As verdadeiras, as de utilidade e que comprovariam que o mundo está melhor, não são divulgadas. Não causam impacto, não dão lucro, nem despertam interesse na maioria que vive sem perceber porque e para que vive. São os que olham, mas não veem.

O homem está a cada dia mais longevo, graças às tecnologias, à descoberta de novas medicinas, incluindo aparelhagem de conforto que facilita a vida das pessoas. A medicina preventiva e a possibilidade de erradicar doenças logo no nascedouro são também razões por que estamos durando mais. Apesar das químicas dos alimentos e das pressões da vida moderna, toda ela baseada em competições, quase sempre desiguais, que nos levam ao estresse e consequentes depressões, a saúde física das pessoas está melhor. Até pouco tempo, os cânceres e a AIDS eram fatais. Hoje a maioria já está conseguindo vencê-los.

Prevalecem ainda as doenças de caráter psicossomático que poderiam ser evitadas se tivéssemos autocontrole diante das situações mais naturais e diante das quais nos desequilibramos. São dessa natureza os infartos, as gastrites e ulcerações, a hipertensão, a angina e tantas outras doenças nascidas da ansiedade e do descontrole emocional. Destacam-se nesse campo a impaciência, a inconformação, a inveja, as suscetibilidades por ninharias, a pressa, a cólera e todos os seus derivados, deem-se a eles o nome que quiserem. E todas geradas pela dupla famosa: orgulho e egoísmo.

Diante disso, cabe a pergunta: – Estamos vivendo mais, para quê? Que vantagem levamos passando na Terra maior número de anos se eles são emoldurados de tristeza, de medo, de revolta? Estaria valendo a pena viver mais, priorizando-se a quantidade em detrimento da qualidade?

O que poderíamos fazer, seria a pergunta imediata, para dar melhor aproveitamento a este momento de vida na Terra? A resposta é a mais simples possível. Ser mais espirituais e menos materiais. Investir um pouco no que vai durar eternamente e menos no que deve terminar antes de uma centena de anos de vida. Ainda que o mundo não acredite em nós, os espíritas têm o dever de acreditar, porque se trata de viver na prática o que já sabemos à larga, como teoria. A vida na Terra, conhecida com encarnação, nada mais é do que uma renovação de oportunidade concedida pelo Plano Divino para seguirmos no nosso curso de aprimoramento visando a perfeição espiritual. A vida no planeta é um tempo provisório, apesar de importantíssimo, mas só como auxiliar no aperfeiçoamento que nos permitirá sair daqui melhor do que chegamos.

Neste Natal, paremos um pouco. Observemos o que ocorre na maioria das casas e, possivelmente, na nossa. Banquetes exagerados, fartura que agride a desigualdade do mundo, esnobações com bebidas de grifes famosas, caras, que nem sempre encontram o refino do paladar de quem consome. Pura esnobação. Destinemos uma parte dos gastos com os presentes insensatos, com a troca de equipamentos ainda atuais por outros desnecessários. Entreguemos uma doação à casa de oração que frequentamos, dirijamo-nos a um asilo, orfanato ou hospital e entreguemos nossa contribuição em memória de nossos pais ou parentes próximos, falando em nome de Jesus. Será o presente que daremos ao Cristo neste Natal de 2013, porque nos natais passados presenteamos nossos familiares e nada ofertamos ao aniversariante. Provavelmente, nem um Pai Nosso. Já fomos advertidos por Jesus, conforme Mateus 25-36:46:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, necessitei de roupas e me vestistes, estive enfermo e cuidastes de mim, estive preso e me visitaste.” Então os justos lhe perguntaram: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? ” E o Rei responderá: “Digo-lhe em verdade, que o que fizestes a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizestes.”

Podemos ser auxiliares de Jesus na transformação do mundo.

Feliz Natal!

Jornal O Clarim – Dezembro de 2013

 

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