Cursos Preparatórios

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Octávio Caumo Serrano – PB

Tarefas das mais difíceis para o ser humano são a maternidade e a paternidade; e não há cursos para tal!

Estuda-se na vida para ser qualquer coisa; menos para ser mãe ou pai. Aprende-se matemática, português, história, química, geografia… Aprendem-se línguas e também a tocar instrumentos, sob a orientação de mestres preparados em cada especialidade. Aprende-se a dirigir automóveis. Para cada um, há um curso específico.

Vamos para as Universidades para ser doutores, estudamos por longos anos e ainda complementamos com mestrado, doutorado e outras pós-graduações, além das atualizações permanentes. Ao final, apesar de tanto esforço, seremos profissionais de capacidade limitada.

Para o casamento, no entanto, vamos despreparados para o encontro com um estranho e, mais ainda, para receber espíritos que voltam à Terra, carregados de problemas, traumas e sequelas de encarnações passadas, para serem por nós reciclados no aprendizado da vida. Não raro, conforme ensina o Espiritismo, inimigos de vidas passadas. Eles serão os nossos filhos! Esta é a principal razão porque está falida a instituição familiar nos tempos que vivemos. Somos maus educadores porque desconhecemos que aquele espírito precisa tanto de amor quanto de rigor. Como afirmava Che Guevara, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Isso se torna mais grave porque conflitamos com o parceiro que tem ideias diferentes a respeito dessa hercúlea tarefa: educar.  Perdemo-nos geralmente pelo amor irracional.

Como resultado, transformamo-nos em orientadores limitados e, por excesso de proteção destrambelhada, a tudo dizemos sim. Oferecemos muito conforto material, descuidando-nos da formação do caráter dos nossos descendentes. E, mais tarde, como a maioria de mães e pais, faremos a conhecida indagação: “Onde foi que eu errei?” O pior é que erramos em tudo por absoluto despreparo para a tarefa. E damos amiúde a desculpa: “É que filho não vem com manual de instrução!” Mas o melhor manual de instrução está em O Livro dos Espíritos, questões 379 a 385. E que os pais não se prepararam para sê-los! Simples de explicar. O pior é que não há segunda oportunidade.

Acontece mais ou menos o mesmo com os Centros Espíritas, também um tipo de família, por afinidades espirituais – ou interesses pessoais -, que são fundados sem nenhuma dificuldade. Para abrir uma casa espírita, basta ter um local, próprio ou alugado, elaborar uma ata de fundação, com um estatuto que define as atividades, arquivá-los no Registro de Títulos e Documentos, ter uma pessoa que a represente juridicamente,  obter o CNPJ e autorização da Prefeitura, com pagamento da taxa de licença e funcionamento. Pôr uma placa indicando que ali é um Centro Espírita, abrir as portas e esperar a chegada do público.

O dirigente, responsável pelo Centro, não se submete a nenhuma avaliação para comprovar a sua capacidade para a função. Abriu o Centro para fazer Espiritismo do seu jeito. Não sabemos da sua experiência, respeito aos princípios espíritas nem de sua competência ou dotes mediúnicos. Desconhecemos se cultua fantasias, práticas estranhas e se pretende implantar estudo na sua casa. Não é examinado por ninguém e não tem de obedecer a regras, ficando livre para dirigir o seu Centro, como melhor lhe pareça. Também não sabemos quem deveria examiná-lo nem se ele aceitaria submeter-se à triagem. Afinal está exercendo um direito legítimo e, presumivelmente,  julga-se competente para a empreitada.

Resultado, há uma proliferação de Espiritismo à la carte, porque cada casa tem seu próprio método de passe, de ensino da Doutrina, de trabalhos mediúnicos, de assistência material e mesmo de livraria onde muitas vezes tudo se mistura; espiritismo, espiritualismo, autoajuda,  misticismo, práticas orientais, fitoterapia,  etc. Cada um cria uma novidade particular.

Ninguém pode ser contra a abertura cada vez maior de Centros Espíritas nem afirmar que todos os centros devem ter os mesmos trabalhos, porque cada bairro tem seu público, com necessidades próprias. Há locais em que não faz falta a assistência material, a sopa, o enxoval, o agasalho, porque a comunidade não é de pessoas carentes. Noutros, esses atendimentos são primordiais. E nada impede que os que não têm seus próprios necessitados ajudem como agentes arrecadadores e canalizem para as casas mais pobres o que coletarem entre os seus frequentadores. É uma forma indireta de ensinar o amor ao próximo. Mas a base doutrinária e o Evangelho não podem faltar em nenhum centro ESPÍRITA!

Há ainda os que enchem seus centros com tratamentos alternativos, como cirurgias mediúnicas, sempre um atrativo, ou que relaxam na disciplina para que o participante não se sinta desconfortável com regras rígidas quanto às roupas, conversas, pontualidade. Permitem entra e sai que não combina com um trabalho sério. Criança correndo, celular tocando, conversas paralelas, beijinhos e abraços nas horas mais inconvenientes, etc. Nem respeitam o horário das reuniões. É um clubinho, não um Centro Espírita! Ali não tem lugar para o estudo sério porque as pessoas querem resolver seus problemas sem muito esforço. Defendem que o Espiritismo é alegria e descuidam-se do respeito!

O que é perigoso é a deturpação doutrinária por desconhecimento do dirigente, que se afasta da Codificação e introduz práticas estranhas ao Espiritismo. Vemos cristais, regressões a vidas passadas e outras práticas que, mesmo válidas, não são para uso no Centro Espírita. Vemos Evangelização infantil com muito bolo, refresco, brinquedo, jogos e artes e pouco Evangelho, imaginando que as crianças não entendem o que lhes é explicado. Engano. Há espíritos velhos que estão na figura infantil provisoriamente, mas que são portadores de muito entendimento. A cada dia os vemos mais. Como humanas são crianças, mas como espíritos são adultos. Aprendamos a observá-las.

Esses problemas, assim como os das famílias consanguíneas, são sérios e, por ora, sem solução. O dirigente abre o Centro, por sua conta e risco, como se abrem quitandas ou qualquer negócio, que tanto podem prosperar como falir. E todos terão sua freguesia porque há público de todos os gostos. Há pessoas que para resolver suas angústias, em vez de mudar de vida, experimentam mudar de Centro ou de religião. Como centro espírita não vai à falência, muitos acabam servindo mais às trevas do que à luz. Cada pessoa que procurar um centro espírita precisa saber o que deseja encontrar na casa. Para isso, tem de ter um mínimo de conhecimento e bom senso para perceber se não está sendo enganada ou orientada de forma incorreta, apesar da boa intenção dos trabalhadores do Centro. Para quem desconhece a doutrina, o que ali se faz passa a ser Espiritismo. Sente-se satisfeito e acredita que pratica a caridade. Será? Mas como os espíritas defendem o livre-arbítrio, “a cada um segundo suas obras”. “Orai e vigiai!”, disse Jesus. Isso também vale para analisar o Centro Espírita.

Tribuna Espírita – João Pessoa – PB – Nov/Dez 2013

A morte e o desencarne

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A morte e o desencarne

Octávio Caumo Serrano

Conversávamos com um amigo espírita e lhe dizíamos que nosso irmão consanguíneo havia morrido em 1999. Ele prontamente nos corrigiu, com a pergunta: – morreu ou desencarnou? Respondemos que ele primeiro morreu sem o que não poderia desencarnar.

Usando-se expressão de outras doutrinas, a morte é um desenlace. Isto significa que a alma se desliga do corpo, quando chega a hora final.

A fim de diferenciar do conceito comum de morte, o Espiritismo adotou o verbo desencarnar em substituição ao verbo morrer. A ideia é enfatizar que a morte espírita é diferente, porque não significa o fim de uma individualidade que viveu por um tempo na Terra, mas apenas o abandono do corpo por aquela alma que viverá eternamente e que voltará a diferentes mundos, geralmente ainda densos, para novas experiências.

As pessoas morrem porque cessa o funcionamento dos órgãos vitais. A morte biológica completa-se e é muito fácil de ser constatada. Mas, o que ocorre, todavia, é que, mais comum do que imaginamos, devido ao apego aos valores mundanos, nem sempre haver a pronta libertação, o desenlace, o desencarne que efetive a morte espiritual, pelo desligamento dos laços fluídicos que ligam o espírito – ou alma – ao corpo físico. E as sensações do morto é que ele continua vivo como pessoa comum, permanecendo no trabalho, no lar, na escola ou no centro espírita. Sente necessidade, inclusive, de alimentar-se como fazia quando vivo. Permanece escutando a linguagem articulada, por meio dos ouvidos humanos, e não percebe que a comunicação passou a ser mental.

Chico Xavier afirmou, certa vez, que os espíritas estão desencarnando mal, numa alusão ao apego dos seres humanos àquilo que lhes serviu durante a encarnação, porque os espíritas não são exceção. Apesar do conhecimento e da necessidade do desprendimento dos bens terrenos, tão enfatizado nas orientações doutrinárias, não executamos na prática o que sabemos por teoria.

A colônia Nosso Lar, sediada nas camadas superiores da Terra, que imaginamos ser um recanto ESPÍRITA, segundo Chico Xavier, tem mais católicos, evangélicos e ateus do que espíritas. Não é uma região espírita, mas uma estância espiritual e para lá vão os que são atraídos graças à sua conduta cristã, porque aproveitaram bem a encarnação independente da doutrina que professaram na Terra. “Fora da caridade não há salvação”, é o lema da nossa Doutrina. Nunca foi dito que fora do Espiritismo não há salvação.

Bem compreendida a fenomenologia da morte, cabe a nós viver bem para morrer bem. Por isso há espíritos encarnados mais libertos da matéria que muitos desencarnados que ficam imantados aos desejos humanos que envolvem prazeres e bem estar, o que os impede de libertar-se do mundo quando precisam mudar de estado vibratório. Viver no mundo sem ser do mundo, é a grande sabedoria ensinada pelos Espíritos Superiores. Se quisermos mudar para a espiritualidade e imediatamente ajustar-nos à nova condição, ela tem de ser preparada desde agora. É como educar um filho; quem deixa para começar quando ele já está crescido, não mais poderá colocá-lo nos trilhos da vida.

Esperamos que nossos amigos leitores compreendam o que dissemos e decidam se preparar para o desencarne. Morrer fica por conta de Deus que define a hora de cada um. Desencarnar depende de preparação nossa, individual, sem regras fixas, mas com receitas já muito bem definidas pelo Evangelho de Jesus e amplamente confirmadas pela Doutrina Espírita. Consiste em libertar-nos do jugo material enquanto o temos na mão e podemos manipulá-lo. Depois da morte, perdemos o controle sobre ele e ficaremos a mercê da nossa invigilância e da nossa inferioridade.

Começa agora um novo ano. Tempo bom para pensar no assunto e começar a viver de maneira diferente. A menos que queiramos ficar sentados sobre o nosso túmulo por longo período, vendo a eternidade passar.

FELIZ ANO NOVO!

Jornal O Clarim – Janeiro de 2014

Los enemigos del Espiritismo

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A menudo los espiritistas lamentan que son siempre combatidos y depreciados.

 Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

 ¿Quién puede hacer  mal a nuestra Doctrina? ¿Los religiosos de otras creencias, que nos combaten e intentan denigrar nuestros principios? ¿Los escépticos o los ateos que en nada creen y dicen que la relación con el plan espiritual no pasa de fantasía o mistificación infantil y deshonesta? ¿O serían los científicos que dicen que todo necesita pasar por el analisís de la ciencia antes de garantizarse la veracidad de los hechos?

Esos nada pueden hacer contra el Espiritismo porque no alcanzan su naturaleza superior de revelación divina, porque es mensaje de los Espíritus, de ámbito universal.

Los religiosos están perdidos en sus propias creencias y a cada momento revisan sus conceptos, corrigen sucesivos errores e intentan inventar fórmulas mágicas para recobrar las ovejas que se desvían. El mensaje está contraditoria y obsoleta y por eso ya no provoca interés ni en las personas de inteligencia mediana. Usan rituales sin sentido que no más atraen el practicante. ¡En lugar de servir a los hombres se sirven de ellos!

Los escépticos y ateos se pierden en la pereza y retraso mental: es más cómodo negar y dudar de todo  que estudiar e investigar, porque eso los llevaría a tener de alterar su opinión, rever conceptos y, quizás, admitir sus equívocos. Tendrían de confesar su error y no están interesados. ¡El orgullo no les permite esa grandeza!

Los científicos son los que descubren a cada día algo nuevo; una ley de la física, un elemento químico, un trastorno psicológico y que, a lo largo del tiempo, ya hicieron afirmativas confusas y incoherentes y fueron obligados a desmentir y disculparse a lo largo de los años. Los sistemas geocéntrico y heliocéntrico son ejemplos expresivos. No conocen la Ley de Dios. Mucho mal, conocen las leyes de los hombres, exclusivamente materiales, y creen que en ella está la revelación por entero. No perciben que a cada momento las verdades se apuran y se alteran. Cuando el hombre crece en entendimiento, Dios le revela un poco más de su Ley.

Nadie mata una idea denigrándola, pero presentando otra mejor que pueda comprobar la falsedad de la primera. No se mata un concepto matando su autor. Si así fuese, la muerte de Jesus habría dado fin a la doctrina cristiana y las persecuciones de la Inquisición destruirían los fenómenos espirituales que se producen sin fin. Nunca dejaron de producirse. Lo mismo se da con el Espiritismo. La quema de los libros en Barcelona hizo con que el incendio en plaza pública sirviese solamente para aumentar aún más la claridad de sus revelaciones.

Si nadie puede hacer mal a nuestra Doctrina, no hay porque nos preocuparmos, entonces. Pero a pesar de decir que los ya citados no pueden nos destruir, no olvidemos de lo que dijo Kardec: “Más de lo que los posibles enemigos del Espiritismo, lo qué realmente me preocupa son los falsos espiritistas”. Lamentablemente, los verdaderos antagonistas de la Doctrina son los falsos practicantes del espiritismo que están en de los centros; no más los médiums charlatanes que cobran por sus trabajos, que aparecen en los medios de comunicación, como era el caso en 1860. Hoy, cualquier espiritista serio, mismo en inicio de estudio, sabe que esos médiums no son espiritistas (consultar el libro Viaje Espiritista en 1862).

Nosotros mismos que nos decimos espiritistas, por no completar el conocimiento con el ejemplo, terminamos por ser malos propagandistas de la Doctrina y, más que eso, pésimos ejemplos de verdaderos cristianos, porque desdecimos con hechos lo que divulgamos con palabras.

Es común uno de los cónyuges ser participante del movimiento espiritista por veinte, treinta años, y se decepcione porque no consigue convencer el otro a seguir sus pasos, por más que insista y lo invite. No se da cuenta, sin embargo, que es él mismo el grande culpable por el desinterés del otro.

Al ver el esposo, por ejemplo, necesitando de apoyo espiritual, la mujer lo invita a ir al centro espiritista recibir pases y oír exposiciones, garantizando que sería bueno para él y podría calmarlo y reanimarlo. Sin embargo él no se entusiasma porque ve en la esposa la misma persona neurótica e aburrida por las tareas con  hijo, con los trabajos domésticos y las dificultades de la vida, a pesar de los veinte, treinta años de práctica espiritista. ¿Qué hacer en un centro qué no consiguió transformar la esposa, después de tantos años de asidua participación en sus actividades? Si no fue bueno para ella, seguramente, no lo será también para él. ¡Es lo que imagina!

Ésta siempre fue la preocupación de Allan Kardec, porque no es solo en el reducto doméstico que dejamos de ejemplificar. También en la calle, en la escuela, en el trabajo, en la tienda, en el banco. Donde quiera que estemos, dejamos de tener comportamiento espiritista, o sea, serenidad, paciencia, desprendimiento y resignación delante de los contratiempos del cotidiano. En la exposición o en el comentario del estudio, somos sapientes y ofrecemos todas las recetas de bien vivir y recomendaciones de como debe el hombre proceder en de la vida. Sin embargo, recordando el viejo consejo “haga lo que yo digo, pero no haga lo que yo hago”, alejamos las personas del Espiritismo, sin darnos cuenta que somos colaboradores del trabajo de las tinieblas.

Si queremos convencer las personas que nos rodean, y principalmente las que saben que somos espiritistas, hablemos poco y hagamos mucho. Seamos ejemplos de comportamiento y podremos dispensar la elocuencia de los discursos. Sino, caeremos en aquellas afirmativas del crítico: “Qué él es habla tan alto que ni escucho lo que él dice”; “Hasta su silencio es ruidoso”; “Tiene una energía espiritual que enoja a quien de él se acerca”.

Como dice Emmanuel en el mensaje “Ve como vives”, “todos los hombres viven en la Obra de Dios, valiéndose de ella para que alcancen, un día, la grandeza divina. Beneficiarios de patrimonios que pertenecen al Padre se encuentran en el campo de las oportunidades presentes, negociando con los valores del Señor”.

“En razón de esta verdad, mi amigo, ve lo que haces y no olvides de subordinar tu deseos a Dios, en los negocios que por algún tiempo te son confiados en el mundo”. Ésta es la mejor forma de agradecer a Dios y retribuir al Espiritismo todo lo que hace por nosotros.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Enero 2014

 

Os inimigos do Espiritismo

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RIE_01_2014

Queixam-se os espíritas, amiúde, que são sempre combatidos e depreciados.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Quem pode fazer o mal à nossa Doutrina? Os religiosos de outras crenças, que nos combatem e tentam denegrir nossos princípios? Os cépticos ou os ateus que em nada acreditam e dizem que o relacionamento com o plano espiritual não passa de fantasia ou mistificação infantil e desonesta? Ou seriam os científicos que dizem que tudo precisa passar pelo crivo da ciência antes de se garantir a veracidade dos fatos?

Esses nada podem fazer contra o Espiritismo porque não alcançam a sua natureza superior de revelação divina, porque é mensagem dos Espíritos, num âmbito universal.

Os religiosos estão perdidos nas suas próprias crenças e a cada momento revisam seus conceitos, corrigem sucessivos erros e tentam inventar fórmulas mágicas para recuperar as ovelhas que desgarram. A mensagem está inconsistente e ultrapassada e por isso já não provoca interesse nem nas pessoas de inteligência mediana. Usam rituais sem sentido que não mais atraem o praticante. Em vez de servir aos homens servem-se deles!

Os cépticos e ateus perdem-se na preguiça e aleijão mental: é mais cômodo negar e duvidar de tudo do que estudar e pesquisar, porque isso os levaria a ter de mudar de opinião, rever conceitos e, quem sabe, admitir seus equívocos. Teriam de dar a mão à palmatória e não estão interessados. O orgulho não lhes permite essa grandeza!

Os científicos são os que descobrem a cada dia algo novo; uma lei da física, um elemento químico, um transtorno psicológico e que, ao longo do tempo, já fizeram afirmativas esdrúxulas e sem nexo, e foram obrigados a desmentir e desculpar-se com o passar dos anos. Os sistemas geocêntrico e heliocêntrico são exemplos expressivos. Não conhecem a Lei de Deus. Muito mal, conhecem as leis dos homens, exclusivamente materiais, e acreditam que nela está a revelação por inteiro. Não percebem que a cada momento as verdades se aprimoram e se alteram. Quando o homem cresce em entendimento, Deus lhe revela mais um pouco de sua Lei.

Não se mata uma ideia denegrindo-a, mas apresentando outra melhor que possa comprovar a falsidade da primeira. Não se mata uma ideia matando seu autor. Se assim fosse, a morte de Jesus teria dado fim à doutrina cristã e as perseguições inquisitórias destruiriam os fenômenos espirituais que se sucedem interminavelmente. Nunca pararam de ocorrer. O mesmo se dá com o Espiritismo. A queima de livros em Barcelona fez com que a fogueira em praça pública servisse somente para aumentar ainda mais a claridade das suas revelações.

Se ninguém pode fazer mal à nossa Doutrina, não há porque nos preocuparmos, então. Mas apesar de dizer os já citados não podem nos destruir, não esqueçamos do que disse Kardec: “Mais do que os possíveis detratores do Espiritismo, o que realmente me preocupa são os falsos espíritas”. Infelizmente, os reais antagonistas da Doutrina são os pseudoespíritas que estão dentro dos centros, não mais os médiuns charlatães que cobram por seus trabalhos, que aparecem na mídia, como já acontecia em 1860. Hoje, qualquer espírita sério, mesmo em início de estudo, sabe que esses médiuns não são espíritas (consultar o livro Viagem Espírita em 1862).

Nós mesmos que nos dizemos espíritas, por não completar o conhecimento com o exemplo, acabamos sendo maus propagandistas da Doutrina e, mais que isso, péssimos exemplos de verdadeiros cristãos, porque desdizemos com atos o que divulgamos com palavras.

É comum um dos cônjuges ser participante do movimento espírita por vinte, trinta anos, e ficar inconformado porque não consegue convencer a parceira ou parceiro a seguir seus passos, por mais que insista e convide. Não se dá conta, porém, que é ele mesmo o grande culpado pelo desinteresse do outro.

Ao ver o marido, por exemplo, precisando de apoio espiritual, a esposa convida-o a ir ao centro espírita receber passes e ouvir palestras, afirmando que seria bom para ele e poderia acalmá-lo e reanimá-lo. Mas ele não se entusiasma porque vê na esposa a mesma pessoa neurótica e insatisfeita com a vida, reclamando de filho, dos trabalhos domésticos e das dificuldades da vida, apesar dos vinte, trinta anos de prática espírita. Que fazer num centro que não conseguiu transformar a esposa, depois de tantos anos de assídua participação nas suas atividades? Se não foi bom para ela, seguramente, não o será também para ele. É o que imagina!

Esta sempre foi a preocupação de Allan Kardec, porque não é só no reduto doméstico que deixamos de exemplificar. Também na rua, na escola, no trabalho, na loja, no banco. Onde quer que estejamos, deixamos de ter comportamento espírita, ou seja, serenidade, paciência, desprendimento e resignação diante dos percalços do cotidiano. Na palestra ou no comentário do estudo, somos sapientes e oferecemos todas as receitas de bem viver e recomendações de como deve o homem proceder diante da vida. Mas, recordando o velho conselho “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, afastamos as pessoas do Espiritismo, sem dar-nos conta que somos colaboradores do trabalho das trevas.

Se quisermos convencer as pessoas que nos rodeiam, e principalmente as que sabem que somos espíritas, falemos pouco e façamos muito. Sejamos exemplos de comportamento e poderemos dispensar a eloquência dos discursos. Senão, cairemos naquelas afirmativas do crítico: “O que ele é fala tão alto que nem escuto o que ele diz”; “Até o silêncio dele é barulhento”; “Tem uma energia espiritual que incomoda a quem dele se aproxima”.

Como diz Emmanuel na mensagem Vê como vives, “todos os homens vivem na Obra de Deus, valendo-se dela para alcançarem, um dia, a grandeza divina. Usufrutuários de patrimônios que pertencem ao Pai encontram-se no campo das oportunidades presentes, negociando com os valores do Senhor”.

“Em razão desta verdade, meu amigo, vê o que fazes e não te esqueças de subordinar teus desejos a Deus, nos negócios que por algum tempo te forem confiados no mundo”. Esta é a melhor forma de agradecer a Deus e retribuir ao Espiritismo tudo o que faz por nós.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Janeiro de 2014