Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Pergunta difícil de responder! Hermínio Correa de Miranda, em seu livro A Memória e o Tempo, diz que “o futuro de alguma forma já está pronto, porque senão até Deus seria pego desprevenido.”

De minha parte, penso que podemos dividir o futuro em dois tipos: o futuro programado por Deus e o futuro resultado das ações humanas. Não fora assim e tudo seria fatalidade, de nada adiantando a luta dos homens para seu melhoramento porque tudo já estaria decidido.

Entendo que os acontecimentos que visam a vida da coletividade, seguem programação da Lei de Deus e se realizam com os homens, sem os homens, apesar dos homens, porque uns não podem pagar pelos outros. No comentário da questão 781.a – L.E.- está que sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém tem o poder de opor-se a ele. Mas a vida de cada um, conforme o Evangelho, é definida segundo as obras pessoais.

Para comprovar o que dizemos, podemos nos socorrer de vários episódios e revelações. Por exemplo, no livro Plantão de Respostas II, Editora Céu, pela psicografia de Chico Xavier Emmanuel nos informa que o mundo estará regenerado em 2057. Recentes informações da espiritualidade com mensagens de Bezerra de Menezes e outros Espíritos de igual hierarquia, dão conta que essa data é aproximadamente a esperada e correta para a formação da Terra como mundo de Regeneração. No próprio Livro dos Espíritos, 18 de abril de 1857, fala-se em mais três gerações, aproximadamente setenta anos cada, para a formação do novo mundo. Seria entre 2050 e 2070. Tudo muito coincidente.

Outro acontecimento que mostra o cuidado que a programação divina tem com a humanidade e a profecia de Isaias que, 600 anos antes de Cristo, anunciou a chegada do Messias de Israel, que nasceria de uma Virgem, na Belém de Efrata. Não condicionava o acontecimento ao comportamento dos homens, porque a programação divina tem de cumprir-se e não pode ficar dependente da ação das criaturas humanas. A humanidade precisava de um orientador para impulsioná-la ao progresso e ninguém melhor que o nosso Jesus de Nazaré, espírito de altíssima hierarquia, o próprio governador do nosso planeta, para fazê-lo.

Há, todavia, um episódio bíblico que mostra o outro lado: a possibilidade de se alterar o futuro. Refiro-me ao Apocalipse de João, quando o anjo trouxe-o ao futuro (nossos tempos) para constatar a que ponto havia chegado a civilização moderna. O discípulo deveria voltar ao seu tempo, algo por volta de 50 d.C. e alertar seus contemporâneos para que não agissem da mesma forma a fim de não ter o mesmo resultado e o mesmo sofrimento, vinte séculos depois. Significa que somos os donos do tempo presente e é com ele que estamos construindo o nosso futuro. Agora não o futuro coletivo, mas o progresso individual, sem o que a encarnação não teria o menor sentido.

Jesus, que não era sádico e, portanto não se deleitaria em fazer sofrer o jovem João, não iria propor-lhe visitar o futuro, constatar o caos e regressar apenas lamentando sem ter nada a fazer. Seria maldade e desperdício de tempo o que não condizia com a natureza de Jesus. Tratou-se, portanto, de um alerta para modificar algo que poderia trazer resultados melhores do que estamos vivendo nos nossos dias.

Quando dizem que Judas Iscariotes reencarnou com a tarefa de trair o Messias, discordo, porque de Deus não nascem maldades desse tipo. Reencarnamos donos do nosso livre-arbítrio para ser e fazer o que quisermos. As limitações que temos são decorrentes de resgates de vidas anteriores pelo mau uso, geralmente, de órgãos físicos. Aleijões, lesões cerebrais, mas o caráter, mesmo que seja mau, pode ser vencido pela vontade do espírito. Judas traiu porque se equivocou e queria facilidades e privilégios, quando Jesus fosse coroado rei de Israel. Mas Jesus tinha um reinado que Judas não entendeu.

Como confirmação do que afirmei, temos a questão 861 de O Livro dos Espíritos: “O homem que comete um assassinato sabe, ao escolher sua existência, que se tornará um assassino?” Vejamos a resposta: “Não; ele sabe que escolhendo uma vida de luta há possibilidade de matar um semelhante; como pode deliberar matar pode também deliberar não fazê-lo”. E completa: “sempre confundis duas coisas bem diferentes: os acontecimentos materiais da vida e os atos da vida moral.” “Às vezes há fatalidade na vida material, que não se pode evitar, mas a vida moral emana sempre do próprio homem.”

Segundo as ciências modernas, os próprios conceitos de tempo e espaço vêm se alterando a ponto de afirmarem que futuro e passado são quimeras. Só há um tempo que é o agora. É assim que entendo as profecias, como a de Isaias e o Apocalipse, mencionados anteriormente, que nada mais são que viagens aos registros do futuro. Alguns imutáveis porque são decretos de Deus; outros alteráveis porque decorrem do comportamento dos homens.

Para resumir, gostaria de dizer: Não nos preocupemos com o futuro de Deus que sempre será a nosso favor. É planejamento que sempre dá certo. Devemos voltar nossa preocupação para o futuro dos homens porque este, sim, é da nossa responsabilidade e o construímos dia a dia para mais tarde colher os resultados do que fizermos agora. A lei de ação e reação funciona de forma intensiva e ininterrupta. Plantamos e colhemos, agimos e recebemos de volta, na mesma proporção. Vinte e quatro horas, todos os dias. Sugestão, façamos o bem e o lucro será todo nosso. Um presente de utilidade gerará um futuro feliz. Quem acredita faz; quem duvida, faça a prova!

Construamos, portanto, um feliz 2014 para nós e todos os que nos rodeiam.

Tribuna Espírita da Paraíba – Janeiro/Fevereiro de 2014