Um centro kardecista

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Caumo e maria

O nome da casa espírita que ajudamos a fundar é “Centro Kardecista Os Essênios”. Não precisaríamos ter incluído a palavra kardecista ou tê-la substituído por Espírita e todos saberiam que é kardecista.

Por que todos saberiam?

Porque a palavra Espírita e a palavra Espiritismo foram mencionadas pela primeira vez por Allan Kardec quando do lançamento de O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, na própria introdução da obra. Os termos existentes até então eram Espiritualista e Espiritualismo, antagônicos de Materialista e Materialismo. Ou seja, todos que acreditassem em algo além da matéria eram espiritualistas. “Para ideias novas palavras novas”, disse Kardec. Os termos existentes não comportavam mais definições.

Depois dessas afirmativas, ficou claro que Espírita é somente aquele que professa o Espiritismo, ou seja, o praticante da doutrina codificada por Allan Kardec.

Ocorre que, embora afirmássemos que todos saberiam que Centros Espíritas são apenas os Centros Kardecistas, na prática não é o que acontece. Nem público, nem cientistas, nem religiosos, nem doutores, nem a imprensa têm esse conhecimento, respeitadas raras exceções. Por isso a confusão entre Espiritismo e Umbanda, o que vemos amiúde nas entrevistas e reportagens. Tratam fenômenos mediúnicos ou espirituais como espíritas. Os médiuns, de qualquer religião são considerados espíritas. Ora, um médium católico não pode ser espírita; é católico, embora médium, porque a mediunidade não é patrimônio dos Espiritas. Embora todos sejam úteis e façam o bem, cada um tem sua própria doutrina. Da mesma forma como nós somos espiritualistas espíritas, nossos confrades são espiritualistas umbandistas. Outros são espiritualistas católicos, espiritualistas protestantes, espiritualistas messiânicos, espiritualistas budistas e por ai vai.

Apesar de já termos sido criticados, inclusive pelos iluminados do movimento espírita, taxando-nos de tolos e ingênuos por fundar um centro espírita sem saber que a ressalva é desnecessária, reiteramos que ela é necessária, sim, e fundamental para que cada pessoa busque a doutrina que realmente deseja encontrar na casa. Defendemos que no nome de cada associação esteja claramente definida a sua doutrina, como fazem os doutores que especificam nos consultórios ou propagandas as suas especialidades. Assim, ninguém corre o risco de tratar do olho num ortopedista ou do coração num neurologista. E ninguém encomenda a um jornalista a planta da sua casa.

Poderíamos ter redundado e escrito Centro Espírita Kardecista os Essênios, mas aí sim seria exagero. Uma vez dito Centro Kardecista qualquer pessoa saberá que ali é um CENTRO ESPÍRITA; e saberá, ainda, que segue a doutrina de Allan Kardec.

A nossa responsabilidade é facilitar para que as pessoas que vivem perdidas ou em desespero encontrem definidamente o que procuram. Se os espíritas já sabem que Centro Espírita ou Centro Kardecista é a mesma coisa, os que estão chegando agora na doutrina e nunca estudaram Espiritismo, nem tem noção de quem foi Allan Kardec quanto mais a diferença entre espiritismo e espiritualismo. Embora cuidemos com carinho de todos os espíritas que nos procuram, participam e nos ajudam nas nossas atividades, não podemos descuidar-nos com os noviços que carecem de ajuda e contam recebê-la na nossa instituição. É por eles que incluímos a palavra kardecista e registramos nossa casa como “Centro Kardecista Os Essênios”. Que vai muito bem, obrigado, nos dá oportunidade de praticar a verdadeira caridade e tem ajudado muita gente ao longo desses poucos dezessete anos que estamos em João Pessoa, no Estado da Paraíba. Aqui chegamos a 21 de janeiro de 1997 e depois de pouco mais de sessenta dias fundamos a casa; em 1 de abril de 1997, dia que homenageia a fundação da primeira instituição criada por Allan Kardec, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1858.

Somos uma casa responsável, onde cuidamos com muito esmero da disciplina para honrar o bom nome dos essênios, que nos atrevemos a usar. Quem desejar conhecer um pouco dos essênios, embora haja vastíssima literatura nas livrarias e na internet, dê um passeio neste endereço: http://www.espacoholistico.com.br/essenios.htm ou no nosso blog www.essenios.wordpress.com

Tribuna Espírita – maio/junho 2014

 

 

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Perdão e esquecimento

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Sempre lembramos mais daquilo que desejamos esquecer.

Por que razão fica gravado em nossa mente o ato da ofensa muito mais do que o favor que recebemos? Quando alguém nos magoa, ao encontrar a pessoa, a primeira coisa que nos vem à cabeça é aquela atitude que nos desagradou ou ofendeu. Seria isso uma forma de orgulho, por nos considerarmos perfeitos e gostaríamos de estar imunes a críticas ou corrigendas?

Quando o Evangelho nos ensina a perdoar setenta vezes sete, cada erro, não é para que aceitemos ser flagelados pelas agressões alheias, impassivelmente. É para alertar-nos sobre os mecanismos da vida, na importante lei de ação e reação, porque quem perdoa é a si mesmo que perdoa e não ao outro, como imaginamos. Quem não desculpa mantém-se magoado e infeliz. Perdoar é um ato de sabedoria para ser ditoso aqui mesmo na Terra. A felicidade é, sim, deste mundo, quando desejamos realmente conquistá-la. Quando Jesus comentou que ela não era deste mundo, disse por que sabia a dificuldade que temos ainda hoje para entender as lições da sua Boa Nova.

Conta o Chico que normalmente ia pela rua e certo homem sempre se desviava dele. Chegava a atravessar para a outra calçada, a fim de evitá-lo. Um dia, ficaram frente a frente num bar onde o Chico fora para um café.

Servindo-se da coincidência, o médium pergunta àquela criatura que mal lhe havia feito para que ela o evitasse? O homem responde. – Você não fez nada, Chico; eu é que lhe criei um problema caluniando-o quando era empregado do Governo de Minas. Lembra-se? – Não; eu não me lembro, disse o Chico.

O homem repetiu a história com mais detalhes. Todavia, por mais que insistisse o Chico dizia: – Não, meu amigo, eu não me lembro! O homem, então, complementa: – Que grande alma é você, Chico; você não se lembra.

O esquecimento da ofensa beneficia o ofendido e mantém comprometida a consciência do ofensor. Por isso o Espiritismo nos ensina que é preferível ser vítima a ser algoz. Quem ofende tem um erro a reparar; o ofendido nada fica devendo. E mais ainda. Se entender que a ofensa procede, aproveita para corrigir-se e agradecer, pessoal ou silenciosamente.

Quando bem entendidos os mecanismos do Evangelho nos trazem grandes benefícios. Vencem a vaidade, o orgulho e o egoísmo e libertam nossa alma de impurezas que formam um entulho psicológico que carregamos sem necessidade.

Sirvamo-nos sempre do perdão para higienizar nossa casa mental com a mesma habitualidade que cuidamos do nosso lar. Limpar-nos por fora é fácil, mas purificar-nos na intimidade é sempre um pouco mais difícil. Mas é um esforço que vale muito a pena.

Jornal O Clarim – Matão – Julho de 2014

 

 

 

Libranos de nuestros enemigos

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Eso no fue lo que enseñó Jesus, según Mateus – 20-43/47.

El capítulo XII del Evangelio Según el Espiritismo tiene por título “Améis vuestros enemigos”.

La primera pregunta qué cabe en este análisis es: ¿quién y de qué naturaleza son nuestros enemigos? Y preguntamos, también, ¿cómo nacen los desentendimientos qué crean enemigos para nosotros?

Contestando, diríamos que los enemigos son los encarnados, los desencarnados y los autogenerados, que creemos sean a nosotros los más prejudiciales.

Los primeros, que dividen con nosotros la vida en el plan físico, son concurrentes de todo tipo o tienen intereses comunes con nosotros. Si nos sentimos lesionados, los transformamos en desafectos. Aunque Jesucristo haya recomendado que los amemos, porque son nuestros hermanos e hijos de Dios como nosotros, el Espiritismo ya nos advierte que no conseguiremos tener por éstos el mismo amor que damos a aquellos que nos quieren bien y nos ayudan.

El amor, en ese caso, se pone restrito al perdón y a la tolerancia, porque demostraremos que respetamos y conocemos su inferioridad y que mucho del mal que hacen se dan por la falta de conocimiento. Hay veces en las que ese desafecto no fue desagradecido, ni deshonesto, ni calumnioso, sino apenas actuó como inmaduro invigilante. Dijo o hizo algo que nos desagradó que, mismo sin ser por mal, no mereció disculpa de nuestra parte. Hizo un comentario desagradable sobre nosotros o nuestros más queridos. Son las reconciliaciones más simple de conseguir si una de las partes dá el primer paso, venciendo a su propio orgullo. La grandeza de pedir disculpas soluciona muchos de esos males.

Cuando el enemigo es maligno intencionalmente, no debemos alimentar su deshonestidad alegando que está todo bien, porque no está. Disculparlo y permitir que él continúe haciendo el mal representa una connivencia con los errores que él comete y que lo comprometerán cada vez más. No es necesario luchar, agraviar, sino que defendernos, sin embargo, de manera sutil e inteligente, retirando a la persona de nuestro medio, lo cuanto nos será posible. Hay veces que él es el cónyuge, o alguno pariente, y ahí la solución es siempre más difícil. ¡Pero no es imposible!

Otros enemigos peligrosos son los que ya dejaron este plan y hoy viven en la espiritualidad, para donde fueron cargando penas contra nosotros por males que, consciente o inconscientemente, les hicimos. Abandonamos el hogar deshaciendo la familia, destruimos una sociedad commercial por incompetencia o deshonestidad, abandonamos a un necesitado cuando pudimos ayudarlo, entre otras situaciones.

Cuando Jesucristo recomendó que antes de hacer la ofrenda en el templo deberíamos reconciliarnos con los enemigos, hablaba también del proceso obsesivo que el desencarnado ejerce sobre nosotros, cobrándonos en aquello que lo lesionamos. Pero solamente quien tenga conciencia de la ley de la reencarnación y comprende la continuidad de la vida y la necesidad del retorno al mundo material para nuevas experiencias, puede entender, creer y administrar ese tipo de situación. Tratará de evitar el mal, a cualquier precio, perdonará setenta veces siete veces, no sintierá encono o deseo de venganza. Buscará la reconciliación a todo coste, mientras esté a camino.

Hablamos también de enemigos autogenerados y deseamos analizarlos en cuanto al mal que nos hacen y que se transforman en grandes compuertas por donde chorrean las aguas del mar de la obsesión. Abrimos totalmente nuestra mente en la sintonía con el negativismo, que tiene origen en la tristeza, por no conformarse, en las penas y en otros sentimientos que muestran falta de fe. Quien sufra subvertido es porque no acepta el cumplimiento de la ley divina y se siente injusticiado creyendo no ser merecedor de los males que necesita vivir para la reparación de los engaños cometidos.

A pesar de conocer la interferencia del pasado espiritual en nuestra vida, para el bien o para el mal, la gran mayoría de nuestro sufrimiento tiene origen en esta encarnación mismo. Plantío y cosecha permanentes durante todo la caminata. ¡De cuánta cosa nos arrepentimos sin qué podamos más volver en el tiempo! Cuánta tontería dicha y cuántas páginas escritas que nos gustaría nunca haber sido el autor. Pero como un saco de plumas echadas al viento, no más es posible recogerlas. Es necesario pensar mucho antes de actuar. Recordarnos de los dichos de Sócrates – un principio del periodismo equilibrado – y ver si lo que decimos es verdad, es bondad y es utilidad, porque el mal recae sobre nosotros mismos, los autores de la noticia.

Se concluye que gran parte de los males humanos, por la convivencia con los enemigos de todo tipo, tiene origen en el propio hombre. Es él, generalmente, el causador de su sufrimiento, sea por acción u omisión. Quien sea inteligente evita hacer enemigos en el mundo porque ellos se quedan para siempre; en éste y en el otro plan, hasta que consigamos la reconciliación. Dejemos que nazcan los enemigos que involuntariamente llegan a nuestra vida por las imposiciones sociales: el jefe que despide a un subordinado, por ejemplo, en defensa de la estabilidad de la empresa. ¡Inevitable! Sin embargo jamás nos desentendamos por tonterías, que dejan secuelas innecesarias, solo para que no sea herido a nuestro orgullo y prevalezca nuestra forma de ser y de pensar. ¡No vale la pena! Recordemos Paulo de Tarso, cuando escribió su primera carta a la comunidad de Corinto: “¡Todo me es permitido, pero ni todo me conviene!”

RIE – Revista Internacional de Espiritismo-Julio 2014

 

Livrai-nos dos nossos inimigos

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RIE_julho_2014

Isso não foi o que ensinou Jesus, segundo Mateus – 20-43/47.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

O capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo tem por título “Amai os vossos inimigos”.

A primeira pergunta que cabe nesta análise é: quem e de que natureza são os nossos inimigos? E perguntamos, também, como nascem os desentendimentos que criam inimigos para nós?

Respondendo, diríamos que os inimigos são os encarnados, os desencarnados e os autogerados, que acreditamos sejam para nós os mais prejudiciais.

Os primeiros, que dividem conosco a vida no plano físico, são concorrentes de toda ordem ou têm interesses comuns conosco. Se nos sentimos lesados, os transformamos em desafetos. Embora Jesus tenha recomendado que os amemos, porque são nossos irmãos e filhos de Deus como nós, o Espiritismo já nos adverte que não conseguiremos ter por estes o mesmo amor que devotamos àqueles que nos querem bem e nos ajudam.

O amor, nesse caso, fica restrito ao perdão e à tolerância, porque demonstraremos que respeitamos e conhecemos a sua inferioridade e que muito do mal que fazem decorrem da falta de conhecimento. Há vezes em que esse desafeto não foi ingrato, nem desonesto, nem maledicente, mas apenas agiu como imaturo invigilante. Disse ou fez algo que nos desagradou que, mesmo sem ser por mal, não mereceu desculpa de nossa parte. Fez um comentário desagradável sobre nós ou nossos mais queridos. São as reconciliações mais fáceis de conseguir se uma das partes der o primeiro passo, vencendo o próprio orgulho. A grandeza de pedir desculpas soluciona muitos desses males.

Quando o inimigo é maldoso propositadamente, não devemos alimentar sua desonestidade alegando que está tudo bem, porque não está. Desculpá-lo e permitir que ele continue fazendo o mal representa uma conivência com os erros que ele comete e que o comprometerão cada vez mais. Não é necessário revidar, ofender, mas defender-nos, ainda que de maneira sutil e inteligente, retirando a pessoa do nosso meio, o quanto nos será possível. Há vezes que ele é o cônjuge, ou algum parente, e aí a solução é sempre mais difícil. Mas não é impossível!

Outros inimigos perigosos são os que já deixaram este plano e hoje vivem na espiritualidade, para onde foram carregando mágoas contra nós por males que, consciente ou inconscientemente, lhes fizemos. Abandonamos o lar desfazendo a família, destruímos uma sociedade por incompetência ou desonestidade, abandonamos um necessitado quando podíamos ajudá-lo, entre outras situações.

Quando Jesus recomendou que antes de fazer a oferenda no templo deveríamos reconciliar-nos com os inimigos, ele falava também do processo obsessivo que o desencarnado exerce sobre nós, cobrando-nos naquilo que o lesamos. Mas só quem tem consciência da lei da reencarnação e compreende a continuidade da vida e a necessidade do retorno ao mundo material para novas experiências, pode entender, acreditar e administrar esse tipo de situação. Tratará de evitar o mal, a qualquer preço, perdoará setenta vezes sete vezes, não sentira ódio ou desejo de vingança. Buscará a reconciliação a todo custo, enquanto estiver a caminho.

Falamos também de inimigos autogerados e gostaríamos de analisá-los quanto ao mal que nos fazem e que se transformam em enormes comportas por onde jorram as águas do mar da obsessão. Escancaramos nossa mente na sintonia com o negativismo, que tem origem na tristeza, na inconformação, na mágoa e noutros sentimentos que mostram falta de fé. Quem sofre revoltado é porque não aceita o cumprimento da lei divina e se sente injustiçado crendo não ser merecedor dos males que precisa viver para a reparação dos enganos cometidos.

Apesar de conhecer a interferência do passado espiritual em nossa vida, para o bem ou para o mal, a grande maioria do nosso sofrimento tem origem nesta encarnação mesmo. Plantio e colheita permanentes durante toda a caminhada. De quanta coisa nos arrependemos sem que possamos mais voltar no tempo! Quanta tolice dita e quantas páginas escritas que gostaríamos de nunca ter sido o autor. Mas como um saco de penas jogadas ao vento, não mais é possível recolhê-las. É preciso pensar muito antes de agir. Lembrar-nos das peneiras de Sócrates – um princípio do jornalismo equilibrado – e ver se o que dizemos é verdade, é bondade e é utilidade, porque o mal recai sobre nós mesmos, os autores da manchete.

Conclui-se que grande parte dos males humanos, pelo convívio com os inimigos de toda ordem, tem origem no próprio homem. É ele, geralmente, o causador do seu sofrimento, seja por ação ou omissão. Quem é inteligente evita fazer inimigos no mundo porque eles ficam para sempre; neste e no outro plano, até que consigamos a reconciliação. Deixemos que nasçam os inimigos que involuntariamente chegam à nossa vida pelas imposições sociais: o chefe que despede um subordinado, por exemplo, em defesa da estabilidade da empresa. Inevitável! Porém jamais nos desentendamos por tolices, que deixam sequelas desnecessárias, só para que não seja ferido nosso orgulho e prevaleça a nossa forma de ser e de pensar. Não vale a pena! Recordemos Paulo de Tarso, quando escreveu sua primeira carta à comunidade de Corinto: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém!”

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – julho de 2014

Casamento Indissolúvel

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“Não separe o homem o que Deus juntou.” – Mateus XIX – 3.9.

Há quem imagine que essa frase de Jesus refere-se ao “sim” que dizemos diante de um representante religioso, pois seria este o compromisso assumido perante Deus. Na verdade, a cerimônia religiosa é apenas mais um dos costumes humanos. A união a que Jesus se refere é a espiritual e faz parte do programa de uma nova encarnação.

Comenta o Cristo, inclusive, que no início não se cogitava de separação, mas Moisés mandou o marido dar carta de separação à sua mulher, além de repudiá-la, devido à dureza dos corações. Estabeleceram-se leis humanas que contrariavam as leis espirituais, atendendo a um momento da humanidade.

Isto se observa nos nossos dias, com intensidade ainda maior. O desquite evoluiu para divórcio e, a partir de 1988, pode ser repetido várias vezes, desde que pague pensão. A partir de 2007, pode, inclusive, ser feita a separação consensual em cartório sem a presença do juiz. Tudo facilitado; um estímulo à deterioração da família.

Com a sociedade modernizada e as mulheres competindo com os homens profissionalmente, há uma fuga natural do casamento, porque elas dão prioridade ao estudo, ao trabalho, à condição social que conquistam por si próprias, gozando de liberdade, sem precisar vincular-se e depender de um parceiro. Com isso a instituição familiar está cada vez mais prejudicada. Reencarnar está cada vez mais difícil, porque formar um lar e receber espíritos para educá-los é algo de que a maioria não cogita. Umas poucas, com vocação para a maternidade, falam em “produção independente”, estimuladas pelo exemplo de pessoas de renome junto à sociedade.

As baladas, o sexo livre, cada parceiro vivendo numa casa, são cada vez mais comuns, sem falar das uniões entre pessoas do mesmo sexo, hoje aceitas com naturalidade, e que, apesar de envolver muito amor, não podem procriar. Deturpações do casamento, já que a própria natureza, que faz homens e mulheres em proporções iguais, deixa claro que a cada homem destina-se uma mulher. Qualquer alteração provoca desequilíbrio, além do que já se dá naturalmente por problemas de criminalidade (maior entre os homens) e êxodos criados pela miséria. Dai ensinar o Livro dos Espíritos que só a monogamia é certa; a poligamia é contra a lei natural porque além do desequilíbrio é uma união de conveniências e demonstração de poder.

O casamento tem por finalidade a formação de lares para acolhimento de espíritos antigos, alguns já comprometidos com seus futuros pais, para novo exercício de amor e entendimento, que chegam pela fecundação, o que só é conseguido na Terra pela união de um homem e uma mulher. Essa junção aproxima pessoas de cultura, raça, religião e classe social diferentes, que precisam ajustar-se, com o mundo e entre si, para depois transmitir aos filhos o resultado desse entendimento para criá-los num ambiente saudável e amoroso. É preciso muita renúncia e aquele que mais pode e sabe mais deve colaborar para a harmonia do casal.

E se ao final não for possível prosseguir? Qual é a solução?

O Espiritismo nos explica que ninguém é obrigado a viver com outro forçadamente. Um casamento tumultuado, com pessoas se agredindo e dando maus exemplos aos filhos, nada edificará. Nem para o progresso do casal nem para os outros envolvidos. Por isso que no Capítulo XXII de o ESE – item 5 há explicações sobre o divórcio. Ali esta claro que “o divórcio é uma lei humana que tem por finalidade separar legalmente o que já está separado de fato”. Não é contrária à Lei de Deus porque modifica uma lei que os próprios homens criaram e que estão alterando constantemente.

As sociedades mudam com o passar dos anos e segundo novas necessidades. Por isso é que depois dos Dez Mandamentos de Moisés, lei suficiente para reger toda a humanidade, os países criaram suas Cartas Magnas. Leis tão complexas e abundantes, que têm, quase sempre, textos com regulamentação mais longos que a própria Lei. E é comum que criem uma nova, muitos anos depois, sem que a anterior esteja totalmente pronta. A de 1988 no Brasil é um exemplo.

O próprio Jesus, sintético por excelência, reduziu a lei mosaica a dois enunciados. 1 – Ama Deus. 2 – Ama o próximo. Está ai toda a lei que a humanidade, precisa. Mas ela não entende e cria novas normas, decretos e jurisprudências por analogia a fatos ocorridos e decididos de determinada maneira. E quanto mais leis o mundo tem, menos as cumpre. Uma acaba contrariando a outra.

Embora as pessoas estejam cada vez mais fugindo da união estável, com a mudança da Terra para mundo de regeneração não temos dúvida que essa instituição importante voltará na sua pureza primitiva, quando mulher e marido se unirão por amor, e não por conveniência, e serão cúmplices dedicados para a formação de famílias saudáveis, porque é esta pequena célula que precisa estar equilibrada para que as sociedades sejam sólidas. Se as partes não forem boas o todo também não o será. Da família doméstica nascerão os recursos para a formação da verdadeira família planetária.

O casamento, e a consequente maternidade, são das maiores responsabilidades do ser humano. O celibato só se justifica se a tarefa do Espírito é maior do que a formação de um lar; só quando há um trabalho missionário em que a família seria obstáculo para a sua realização. A dedicação deve ser plena e compromissos paralelos a dificultariam. Esta é também importante união, mas com a humanidade, caso de muitos benfeitores que se dedicam com exclusividade à causa e assim ajudam muita gente. E são também abençoados por Deus, porque eles, desta vez, vieram para isso!

Jornal Comunic Ação – ADE-PR – MAIO/JUNHO 2014