“Não separe o homem o que Deus juntou.” – Mateus XIX – 3.9.

Há quem imagine que essa frase de Jesus refere-se ao “sim” que dizemos diante de um representante religioso, pois seria este o compromisso assumido perante Deus. Na verdade, a cerimônia religiosa é apenas mais um dos costumes humanos. A união a que Jesus se refere é a espiritual e faz parte do programa de uma nova encarnação.

Comenta o Cristo, inclusive, que no início não se cogitava de separação, mas Moisés mandou o marido dar carta de separação à sua mulher, além de repudiá-la, devido à dureza dos corações. Estabeleceram-se leis humanas que contrariavam as leis espirituais, atendendo a um momento da humanidade.

Isto se observa nos nossos dias, com intensidade ainda maior. O desquite evoluiu para divórcio e, a partir de 1988, pode ser repetido várias vezes, desde que pague pensão. A partir de 2007, pode, inclusive, ser feita a separação consensual em cartório sem a presença do juiz. Tudo facilitado; um estímulo à deterioração da família.

Com a sociedade modernizada e as mulheres competindo com os homens profissionalmente, há uma fuga natural do casamento, porque elas dão prioridade ao estudo, ao trabalho, à condição social que conquistam por si próprias, gozando de liberdade, sem precisar vincular-se e depender de um parceiro. Com isso a instituição familiar está cada vez mais prejudicada. Reencarnar está cada vez mais difícil, porque formar um lar e receber espíritos para educá-los é algo de que a maioria não cogita. Umas poucas, com vocação para a maternidade, falam em “produção independente”, estimuladas pelo exemplo de pessoas de renome junto à sociedade.

As baladas, o sexo livre, cada parceiro vivendo numa casa, são cada vez mais comuns, sem falar das uniões entre pessoas do mesmo sexo, hoje aceitas com naturalidade, e que, apesar de envolver muito amor, não podem procriar. Deturpações do casamento, já que a própria natureza, que faz homens e mulheres em proporções iguais, deixa claro que a cada homem destina-se uma mulher. Qualquer alteração provoca desequilíbrio, além do que já se dá naturalmente por problemas de criminalidade (maior entre os homens) e êxodos criados pela miséria. Dai ensinar o Livro dos Espíritos que só a monogamia é certa; a poligamia é contra a lei natural porque além do desequilíbrio é uma união de conveniências e demonstração de poder.

O casamento tem por finalidade a formação de lares para acolhimento de espíritos antigos, alguns já comprometidos com seus futuros pais, para novo exercício de amor e entendimento, que chegam pela fecundação, o que só é conseguido na Terra pela união de um homem e uma mulher. Essa junção aproxima pessoas de cultura, raça, religião e classe social diferentes, que precisam ajustar-se, com o mundo e entre si, para depois transmitir aos filhos o resultado desse entendimento para criá-los num ambiente saudável e amoroso. É preciso muita renúncia e aquele que mais pode e sabe mais deve colaborar para a harmonia do casal.

E se ao final não for possível prosseguir? Qual é a solução?

O Espiritismo nos explica que ninguém é obrigado a viver com outro forçadamente. Um casamento tumultuado, com pessoas se agredindo e dando maus exemplos aos filhos, nada edificará. Nem para o progresso do casal nem para os outros envolvidos. Por isso que no Capítulo XXII de o ESE – item 5 há explicações sobre o divórcio. Ali esta claro que “o divórcio é uma lei humana que tem por finalidade separar legalmente o que já está separado de fato”. Não é contrária à Lei de Deus porque modifica uma lei que os próprios homens criaram e que estão alterando constantemente.

As sociedades mudam com o passar dos anos e segundo novas necessidades. Por isso é que depois dos Dez Mandamentos de Moisés, lei suficiente para reger toda a humanidade, os países criaram suas Cartas Magnas. Leis tão complexas e abundantes, que têm, quase sempre, textos com regulamentação mais longos que a própria Lei. E é comum que criem uma nova, muitos anos depois, sem que a anterior esteja totalmente pronta. A de 1988 no Brasil é um exemplo.

O próprio Jesus, sintético por excelência, reduziu a lei mosaica a dois enunciados. 1 – Ama Deus. 2 – Ama o próximo. Está ai toda a lei que a humanidade, precisa. Mas ela não entende e cria novas normas, decretos e jurisprudências por analogia a fatos ocorridos e decididos de determinada maneira. E quanto mais leis o mundo tem, menos as cumpre. Uma acaba contrariando a outra.

Embora as pessoas estejam cada vez mais fugindo da união estável, com a mudança da Terra para mundo de regeneração não temos dúvida que essa instituição importante voltará na sua pureza primitiva, quando mulher e marido se unirão por amor, e não por conveniência, e serão cúmplices dedicados para a formação de famílias saudáveis, porque é esta pequena célula que precisa estar equilibrada para que as sociedades sejam sólidas. Se as partes não forem boas o todo também não o será. Da família doméstica nascerão os recursos para a formação da verdadeira família planetária.

O casamento, e a consequente maternidade, são das maiores responsabilidades do ser humano. O celibato só se justifica se a tarefa do Espírito é maior do que a formação de um lar; só quando há um trabalho missionário em que a família seria obstáculo para a sua realização. A dedicação deve ser plena e compromissos paralelos a dificultariam. Esta é também importante união, mas com a humanidade, caso de muitos benfeitores que se dedicam com exclusividade à causa e assim ajudam muita gente. E são também abençoados por Deus, porque eles, desta vez, vieram para isso!

Jornal Comunic Ação – ADE-PR – MAIO/JUNHO 2014