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Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei de meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos jovens terão visões e vossos velhos terão sonhos” — (Atos, cap. II, vers. 17 e 18)

 

Porque a Doutrina Espírita se apresenta como fonte alentadora de nossas vidas? Ela é remédio salutar que nos é oferecido a todos indistintamente. Ricos ou pobres, não importando a cor da pele ou nível intelectual. Nem tão pouco a idade ou o gênero. Todos têm acesso a ela.

A Doutrina proveem dos espíritos, não dos homens. Por isso, mesmo que matando os homens não iremos matar o conhecimento espírita. Kardec foi o codificador da Doutrina, não o seu criador. Os fenômenos mediúnicos perdem-se na noite dos tempos, sendo que o Insigne Codificador começou por observar os fenômenos das mesas girantes e das pancadas no interior das paredes e partiu para o raciocínio básico que mesa não tem inteligência, nem tampouco parede pode responder as nossas perguntas através de estalados.

Por não ter partido de um único homem a informação, temos a UNIVERSALIDADE do conhecimento espírita, como atributo principal. Espíritos de todas as partes manifestavam-se através dos médiuns trazendo algo de novo aquele agrupamento da época. Melhor ainda quando as comunicações são feitas de forma espontânea. “Não é essa, porém, a única vantagem que lhe decorre da sua excepcional posição. Ela lhe faculta inatacável garantia contra todos os cismas que pudessem provir, seja da ambição de alguns, seja das contradições de certos Espíritos. Tais contradições, não há negar, são um escolho; mas que traz consigo o remédio, ao lado do mal.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, II-Autoridade da Doutrina Espírita).

O Livro dos Médiuns em seu capítulo XXVII – Das Contradições e Das Mistificações aborda-nos a questão das dissenções criadas sobre o conhecimento espírita. Tais contradições têm origem nos homens e nos espíritos. As que são de origem dos homens provem mais do orgulho que de qualquer outra coisa. No normal não gostamos de sermos corrigidos. Alguns dirigentes de instituições espíritas ou grupos de estudos preferem a exemplo de Moisés, colocarem como divino, orientações que são puramente de cunho material, dada por eles próprios e as quais não querem contestação. Dão o seu toque pessoal nas mensagens contidas nas obras básicas ou nas trazidas pelos espíritos.

Existem também as contradições de origem espiritual. Os espíritos pseudo-sábios e os sistemáticos, desejosos de impor o seu entendimento dos fatos, induzem os homens a crenças descabidas. As mentes desavisadas permitem-se levar em virtude de não quererem aprofundar o conhecimento espírita e deixam a cargo dos espíritos a resposta de tudo. Há também as situações em que os espíritos mesmo tendo conhecimento não possuem permissão para divulgarem o que sabem. Os pontos que geram mais contradições são sobre a origem das coisas e a vida futura.

“O primeiro exame comprobativo, é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos espíritos.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, II-Autoridade da Doutrina Espírita). No capítulo XXXI de O Livro dos Médiuns encontramos as comunicações apófricas, destas destacamos as atribuídas a Jesus. Não é porque um espírito começa uma mensagem dizendo: “Em verdade, em verdade, vos digo…” que seja realmente Jesus que a irá subscrever ou o Espírito de Verdade. Precisamos usar o crivo da razão verificando a multiplicidade das mensagens e a universalidade delas para podermos acreditar. Da mesma maneira que analisamos as opiniões que nos são dadas pelos encarnados, assim também, deveremos proceder com relação aos espíritos. Não é porque desencarnou que a criatura passa a falar a verdade absoluta.

As verdades trazidas pelos espíritos há época e os complementos que porventura devam acontecer deverão sempre ser com relação aos princípios da Doutrina, não com relação às partes secundárias e acessórias. Quando falamos em princípios estamos elencando a reencarnação, a justiça das aflições, por exemplo. As acessórias estão mais vinculadas, por exemplo, a dinâmica da instituição. Mais uma pergunta pode surgir: Se o meu crivo não for o suficiente? ou “Suponhamos praza a alguns Espíritos ditar, sob qualquer título, um livro em sentido contrário; suponhamos mesmo que, com intenção hostil, objetivando desacreditar a doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócrifas; que influência poderiam exercer tais escritos, desde que de todos os lados os desmentissem os Espíritos?” (Evangelho Segundo o Espiritismo, II-Autoridade da Doutrina Espírita)

A universalidade do conhecimento espírita é o que o fundamenta como verdade. A opinião universal: eis aí o juiz supremo. Alguns se arvoram em querer reformular a doutrina espírita e não se detém em ler a Introdução do Evangelho. Determinados autores, ditos espíritas, tem suas obras publicadas para serem logo esquecidos. Diferente de uma obra como Paulo e Estevão (psicografada por Chico Xavier de autoria de Emmanuel), que teve sua primeira publicação em 1941 (há 73 anos) e com conteúdo atualíssimo. Autores espíritas deveremos tomar cuidado com o que publicamos e com o que dizemos. Nossa opinião não deve prevalecer em detrimento da doutrina. O todo se sobrepõe ao indivíduo.

Temos nas primeiras páginas do Evangelho Segundo o Espiritismo e reproduzido também no capítulo XXIX – A fé religiosa. Condição da fé inabalável: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da Humanidade.” Nós espíritas podemos dizer que possuímos a fé inabalável, pois ela repousa no edifício da verdade, verdade esta trazida pelos espíritos e que perdura até os dias atuais. 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Uma mentira não poderia durar tanto tempo consolando e orientando a tantos.

Tribuna Espírita – João Pessoa-PB – julho/agosto 2014