Vai o homem descendo o rio caudaloso; nenhum esforço faz para seguir em frente.

As águas levam-no no influxo impetuoso, poupando-o das pedras e dos escolhos; com facilidade, ele avança impelido rapidamente pelo bojo da massa líquida…

Força, situação e movimento a seu favor; nada lhe é contrário.

Outro homem vem subindo o rio; em luta constante, movimenta os braços, bate os pés e respira fundo.

Cansa-se e consome-se agoniado; esforça-se para não afundar; fadiga-se para sobreviver e vence o impulso das águas e dos obstáculos.

Com dificuldade, ele nada; nada sempre, varando pouco a pouco a torrente poderosa; tudo lhe é contrário.

Esta é a vida do homem na Terra; descer a favor da corrente do mundo é sempre fácil; é só deixar-se levar, acumpliciando-se sistematicamente com as ações de maioria e jamais se indispondo contra o erro. Só dizendo “sim” para tudo e para todos, seguindo despreocupadamente sem o exame dos próprios atos.

Vai boiando sempre em menor esforço. Mas subir contra a corrente do mundo é mais difícil. É preciso valor para enfrentar as adversidades; é necessário paciência para fugir aos erros da tradição. É indispensável ser forte para tornar-se exceção no esforço maior.

Lembre-se de que, como espírito, em muitas ocasiões você deve estar contra a corrente dos preconceitos e prejuízos da convenção.

O caminho normal é viver com todos. No entanto, muitas vezes é preciso nadar em sentido contrário…

Espírito: Valerium
Médium: Waldo Vieira.

 

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