Octávio Caúmo Serrano

…somos o Espiritismo, falado e mostrado!

Após despertar e iniciar-nos no trabalho espírita, ficamos conhecidos e notados por mais pessoas do que antes. A vigilância em relação aos nossos atos, gestos, falas e comportamentos têm de ser mais rigorosa, porque não somos mais apenas nós; somos uma parte do Espiritismo. De maior ou menor projeção, não importa, somos um emissário da doutrina e temos de ter boa conduta. Dentro ou fora do centro; no lar, na escola, no trabalho, na rua.

Sabemos que é difícil a mudança radical de hábitos e não pretendemos insinuar que é preciso santificar-nos nesta encarnação. É quase impossível, porque trazemos muitos erros e fraquezas a ser corrigidos. Todavia, pelo fato de emprestarmos nossa colaboração nos trabalhos espirituais, somos colocados numa vitrine e mais pessoas nos enxergam do que quando não estávamos numa atuação pública de responsabilidade moral.

Não há como selecionar para o serviço espiritual, desde o simples passe até uma grande conferência, somente pessoas de caráter irretocável, sem nenhum tipo de vício ou defeito, mesmo dos mais comuns. O que é importante, porém, é o esforço de renovação que o novo trabalhador faz para não ser usado como mau exemplo contra a nossa crença. Entre todos os religiosos, somos os mais vigiados e cobrados. Afinal, divulgamos que o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus, com base no Evangelho de João, o Evangelista.

Nos dias atuais, nossa vida está mais escancarada do que no passado, porque frequentamos redes sociais e não cuidamos do que postamos. Oferecemos nosso retrato de corpo e alma, inclusive a desconhecidos. A partir de aí, somos duas pessoas: ora um contrito trabalhador religioso, ora alguém de comportamento mundano. Mostramos pelo Facebook, e outras redes, os nossos vícios que, mesmo ainda os tendo, deveríamos escondê-los em vez de propagá-los. Exibimos nosso pior lado, imaginando que somos moderninhos.

Bebemos, exibimo-nos em vestes sensuais, dizemos frases imorais ou levianas. Quem nos conhece e nos lê, jamais aceitará receber um passe aplicado por nós. Afinal, se o passe é uma transfusão de fluidos, o que estamos oferecendo é da pior qualidade. Se estivermos entre os palestradores e damos lições fundamentadas no Espiritismo, quem acreditará nas nossas palavras. A preleção que fazemos ensina sobre a paciência. No entanto, somos o mais agitado dos mortais. Se as palavras não estiverem carregadas de exemplos não terão força e não serão convincentes. Por isso que alguém já disse: “para ser espírita é preciso andar na contramão da sociedade”.

Escravos de nós mesmos, vítimas de um passado de equívocos não conseguimos corrigir-nos de imediato. Mas divulgar ainda mais as nossas fraquezas mundanas, jamais. Se ainda não podemos nos livrar delas, guardemos para nós e não sejamos incentivadores dos vícios humanos; há milhares que já fazem isso e não devemos ser mais um a estragar a sociedade; não é essa a função do trabalhador espírita.

Lembramos que como frequentadores de reuniões espíritas nós temos conhecimento sobre a lei de causa e efeito que vivemos em cada encarnação. Apressar a renovação interior, expurgando os defeitos da alma, é sinal de inteligência. Mas se não estamos dispostos ou em condições de vencer a nós mesmos, e servir de estímulo aos que nos rodeiam e nos conhecem, deixemos para mais tarde a tarefa espírita; causaremos menos danos; uma batata estragada contamina todo o saco; consertar-nos é, por enquanto, o mais importante!

Que Deus nos ajude a vencer o passado!

Jornal Comunic Ação Espírita – ADE-PR – setembro/outubro de 2014