Melancolia

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Walkiria Lucia Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“A aquisição de tudo quanto parece constituir meta, vitória existencial, subitamente cede lugar ao tédio, ao amolentamento da vontade, ao desânimo, com indiscutíveis prejuízos para a sociedade. A princípio, apresenta-se em forma de tristeza pertinaz que se faz acompanhar por um séquito de ferrenhos adversários da paz, exaltando as emoções ou amortecendo-as, anulando os interesses pela permanência dos objetivos essenciais, dando lugar à melancolia que se instala perniciosa, convertendo-se em grave depressão.” (Livro Entrega-te a Deus, cap. 8 Pandemia Obsessiva. Psicografado por Divaldo Franco, Joanna de Ângelis) 

Por vezes, uma tristeza se apodera de nós. Começamos por reavaliar a vida e começamos por observar quais situações gostaríamos de mudar. Passamos a eleger pontos de mudança e aspirar por uma vida melhor, diferente da qual estamos vivendo no momento.

O Globo Repórter do dia 11/07/2014 tratou sobre a cidade de Icaria/Grécia e os segredos da longevidade na ilha. O que mais nos chamou a atenção foi uma senhora de 104 anos logo no início da reportagem, dona Ioanna. Ao ser perguntada, qual o segredo de viver tantos anos, responde: “Meninos, vocês têm que guerrear! Não se deixar vencer por qualquer coisa. Quando algo puxar você para atrás, vão em frente. Em tantos anos, eu não passei por um caminho de flores, mas sim de espinhos, medos, fome. Vi poucas e pequenas flores nestes meus 100 anos”, conta a tecelã.

No mesmo momento lembrei-me da questão 730 de O Livro dos Espíritos, a qual está inclusa no capítulo VI – Lei de Destruição. Analisando algumas questões do capítulo, verificamos que o que chamamos de destruição nada mais é do que a transformação e que Deus nos dá o instinto de conservação, o qual serve como instrumento de superação das provas. Que em vez de termos desencorajamento, em virtude dos dissabores, deveríamos nos rejubilar por transpormos tais barreiras.

O Livro dos Espíritos complementa afirmando que o homem acaba por colocar o mérito somente sobre si esquecendo-se de agradecer a Deus e que Ele sempre coloca ao lado do mal o remédio. Está senhora, a qual nos referimos, anteriormente, traz-nos a mesma ideia em sua fala. Então, quando sentirmos esse banzo, essa tristeza, que nos convida a ficar na cama e fugirmos do contato social, devemos nos esforçar por inverter o processo.

Alguns ponderam e nós concordamos que este processo serve como um momento de avaliação de quem nós somos e do que estamos fazendo. Mas ele não deve ser tão profundo ao ponto de nos paralisar, nem tão demorado ao ponto de nos retardar os passos. Quando este processo perpetua-se por semanas, levando a criatura a não querer se alimentar e aos outros quadros já descritos, estamos diante da depressão, com nuanças de obsessão. Solicitando ajuda e acompanhamento médico.

Deixamos transparecer que estamos bem sem estarmos, muitas vezes. Normalmente a criatura humana carrega dramas profundos que em decorrência de um desses momentos de baixa psicológica faz com que o sofrimento seja agravado ou pelo menos não atenuado em virtude de acreditar-se não merecedor de ajuda. Em outros casos, a criatura não deseja que suas mazelas sejam tornadas públicas. Enquanto alguns gostam de se colocarem na situação de vítimas, outros sofrem calados por não quererem parecer menos fortes do que transmitem. Preferem não ter testemunhas para sua dor.

A criatura tem a falsa impressão de que se não falar sobre o assunto, tudo irá ser resolvido sem maiores dissabores. A melancolia é um sinal de alerta sobre algo errado que estamos vivendo e que não estamos gostando do que está acontecendo. Se não pararmos para analisar, começaremos por atropelar, atropelando-nos. A Doutrina Espírita é libertadora, mas isto não significa que não haverá conflitos internos nesta mudança essencial em busca da perfeição espiritual. Tal processo não acontece do dia para noite e ao mesmo tempo, não podemos construir algo novo sem transformar o velho, nem que seja para servir de escombros na nova base da construção.

Vivemos um eterno transmutar de sensações, atribuindo somente aos espíritos, mas que algumas vezes não passam de expressão de como estamos nos sentindo intimamente e não temos coragem de explanar. Quando queremos fazer um trabalho analisamos todos os pontos. Como serão a execução, as probabilidades de dar certo, o tempo que deverá ser empregado, enfim tudo que será empecilho ou alavanca para o sucesso. Mas, às vezes, esquecemos-nos de fazer isto com relação à empreitada maior que é estar encarnado.

Vivemos como de atropelo, esperando que os espíritos, mais especificamente o nosso anjo da guarda, resolva-nos tudo. Já aprendemos que não poderá e não será desta forma. Somos artífices de nós mesmos. Então quando tais sinais de melancolia começarem a se apoderar de nós, perguntemos-nos: o que está de errado em minha vida? Com o que ou com quem estou desconte? Porque mesmo chegando ao patamar mais alto que ambicionava, não consigo sentir-me feliz? A resposta encontrada deverá ser compreendida e trabalha.

Não podemos viver de sobressalto e nem tão pouco esperando sempre a vontade do outro, pois assim será ele que viverá a nossa vida e não nós. Estar encarnado é uma dádiva, uma possibilidade única, no sentido de que o momento presente não se repetirá e não poderemos voltar no tempo para modificar atos passados. Poderemos e iremos diante das consequências de nossos atos, fazer um novo presente e desenhar um novo futuro.

Tribuna Espírita – Paraíba – setembro/outubro 2014

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O dirigente espírita

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Folheando nossos preciosos guardados, alusivos à doutrina espírita e ao Evangelho de Jesus, encontramos um artigo do confrade Geraldo José de Souza, escrito em O Reformador de novembro de 1996, página 343, a quem pedimos licença para reproduzir tópicos.

Os alertas oferecidos pelo articulista àquela época valem perfeitamente para os nossos dias. Diz ele que “os responsáveis pelas instituições espíritas devem vigiar para que comemorações por datas especiais, ou qualquer outra, não descambem para as festas mundanas.” Diz que “a Casa Espírita é recinto sagrado onde os mentores amigos dedicam tempo e recurso para mantê-la em condições de aliviar dores, consolar e socorrer aflitos dos dois planos da vida. Atitudes levianas podem destruir ou prejudicar aquilo que é esforço de muitos e obra de gerações.”

É natural, diz ele, “que um ou outro confrade ainda não amadurecido na Doutrina, faça propostas de promover danças com músicas profanas, uso de bebidas, de rifas, jogos e bingos; mas que os responsáveis aprovem é inconcebível.” E ele complementa, enfaticamente: “pouco importa que as promoções objetivem angariar fundos destinados a ações beneficentes que se realizam na casa espírita ou em qualquer local em nome da instituição; sempre preferível realizar menos com fidelidade ao Evangelho.”

Em nossos livros Pontos de Vista e Movo de Ver, da casa Editora O Clarim, temos matérias nesse sentido, resultantes de observação durante certos eventos realizados nos Centros. No primeiro, o capítulo 16 com o título “Chás, Shows, Bazares e Bingos”; no Modo de Ver, “Perigos que rondam os Centros”.

Em janeiro de 1992, na mesma revista da FEB, O Reformador, há mensagem de Bezerra de Menezes, nestes termos: “Para o Centro Espírita se deslocam Espíritos com acentuado desequilíbrio e outros com o propósito de aprender; outros são levados pelos protetores desencarnados para ser doutrinados e ai eles permanecem para prosseguir no tratamento de reequilíbrio espiritual ou no aprendizado. Detendo-se ai, observam-nos o procedimento, a conversação e os pensamentos.” O Centro assemelha-se a um SPA espiritual, onde os espíritos necessitados ficam internados.

Num segundo artigo da mesma revista, o Espírito Ignácio Bittencourt dita à médium Yvonne do Amaral Pereira orientações à mocidade espírita, publicado em agosto e outubro de 1959. “Não creio seja lícito consentires que alguém leve para o Centro que diriges a profanação das festas mundanas, dele fazendo, não mais um receptáculo de inspirações divinas, como devem ser os Centros Espíritas bem orientados, mas uma plateia heterogênea onde a mediocridade da arte apresentada fará atrair os pândegos e paspalhos do Invisível, em vez dos abnegados obreiros de Jesus.”

Sob o tema “A Educação Espírita e a Visão Integral do Homem”, José Raul Teixeira, em 3 de outubro de 1995, em Brasília, durante o Primeiro Congresso Espírita Mundial, disse, referindo-se ao modismo humano de copiar o que fazem os ídolos, sem pensar nas consequências: “Por que é que nós temos de trazer o mundo social para dentro do Centro Espírita, em vez de levar os ensinamentos do Centro Espírita para o mundo lá fora? Quem está na direção, por favor, assuma que está na direção; não queira agradar todo mundo, não queira fazer gentileza com chapéu alheio. A Doutrina não nos pertence. A Doutrina é dos Espíritos. Nós vamos dar conta disso.”

Para dar maior ênfase às suas orientações, continua o confrade Raul: “o administrador terá de dar conta da sua administração; pensemos nisso; e se não suportamos o ter que dizer sim e o ter que dizer não, na hora certa, não assumamos direção alguma por vaidade pessoal; é importantíssimo que quem tome conta, aprenda a dar conta.”

“Como cristão verdadeiro, o espírita deveria cumprir o que propôs Jesus; transformar-se no sal da Terra; e o sal, onde quer que esteja, destaca o sabor da vida, o sabor das coisas; ele preserva as coisas da putrefação; é este que seria o nosso trabalho, enquanto educandos integrais nesta vida em que nos achamos.”

O que observamos no movimento espírita é muita indisciplina. As reuniões não têm hora para começar nem terminar, pessoas entram no decorrer dos trabalhos, beijam-se, abraçam-se, sem respeitar sequer o palestrante, levantam, saem do salão, vão beber água, ao banheiro, brincam com crianças que estão ali, indevida e desnecessariamente e ficam num insistente corre-corre pelo auditório. Muitos ali estão apenas para receber um passe e se lhes perguntar sobre o tema do dia, não saberão responder. Tudo isso sob o olhar complacente do dirigente do centro que não impõe as menores regras de conduta que caracterizam um verdadeiro cristão ou até mesmo uma pessoa educada.

Decotes que chegam quase à cintura, costas de fora, shorts exagerados, trajes próprios de piquenique ou jogo de futebol, mas inadequados para o que se recomenda no centro espírita ou qualquer templo religioso. Mas o dirigente não chama à atenção porque lhe soa como falta de caridade e também porque fica feliz com a casa cheia, mesmo que cheia de problemas, cheia de pessoas sem o menor respeito pelo ambiente solene que caracteriza o local. Com o tempo, a cobertura espiritual desaparece e o centro somente funciona na terra; a matriz do plano divino já está de portas fechadas! A casa que deveria servir ao Evangelho passa a ser um grupo a serviço da obsessão.

O dirigente espírita é o zelador da doutrina no Centro. Dirigir, chefiar, é uma tarefa árdua e destinada aos competentes e corajosos. Quem não reunir tais qualidades, passe o bastão para outro e fará menos estragos do que continuando um trabalho para o qual não tem preparo. Vença a própria vaidade. Isto é também um gesto de coragem! “Conhece-te a ti mesmo, já dizia um sábio da antiguidade”, orienta-nos a questão 919 de O Livro dos Espíritos.

Boa sorte, senhores presidentes de instituições espíritas!

Tribuna Espírita – João Pessoa-PB – setembro/outubro de 2014

 

Semeadura

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Walkiria Lucia Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Mas, tendo sido semeado, cresce.” — Jesus. (MARCOS, capítulo 4, versículo 32.)

A semente lançada ao solo produz frutos. A lei de Ação e Reação nos coloca a todos no mesmo patamar perante as Leis Divinas. Não podemos pretextar ignorância, pois elas estão insculpidas em nossa consciência e no transmudar de roupagem física temos a possibilidade de vivenciarmos vários tipos de experiências inclusive invertendo a polaridade, encarnando ora como homens, ora como mulheres.

Mas ao estarmos aqui, deparamo-nos com situações que não nos trazem alegria, pois fazem parte do freio e da espora que necessitamos para evoluir. O primeiro comportamento é o de fuga, não aceitando as situações e tentando conspurcar as Leis. Outros, já compreendendo que a fuga só representa adiamento da reparação aceita sendo que em alguns momentos até buscam esta reparação. O que precisa ser analisado é se estamos em vez de aceitarmos o reajuste devido não estamos revirando a arma na ferida aumentando a dor justificando a necessidade de evoluir. Problema grave, que hoje detectamos nas Instituições Espíritas. Pessoas que entendem da necessidade de evolução e querem “recuperar o tempo perdido” macerando-se com sofrimentos, algumas vezes improdutivos.

Mais ainda, a criatura faz consciência de culpa e acredita realmente que deve suportar todos os sofrimentos que lhe são infligidos e que não deve procurar se libertar. Sai de um oposto e vai para outro. Uma pergunta recorrente: Qual o limite que devo utilizar para me livrar do mal? E a resposta que damos é sempre a mesma: o limite da inteligência e da moral. O Evangelho nos fala que “…as provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação.” (ESE, cap. V, item 26, Editora Idea, 320º Edição) Se usarmos todos os recursos e mesmo assim não conseguirmos nos desembaraçar do sofrimento é porque ele faz parte do nosso processo de aprendizagem evolutiva. Deus não teria colocado os mecanismos de libertação em nossas mãos se não fosse para que nós os utilizássemos.

O Evangelho traz mais: “O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as consequências dos males que lhe não seja possível evitar, em perseverar na luta, em se não desesperar, senão é bem-sucedido; nunca, porém, numa negligência que seria mais preguiça do que virtude.” (ESE, cap. V, item 26, Editora Idea, 320º Edição) Há mérito então em procurar o sofrimento, ou em procurar situações que agravem os que já existem? Depende. O Livro dos Espíritos, questão 720-a trata sobre o mesmo assunto. Enquanto que o evangelho diz que “…aqueles que se infligem tais sofrimentos existe egoísmo por fanatísmo”, O Livro dos Espíritos acresce, “…que quando tem por finalidade um simulacro, não passa de uma zombaria”. Maltratar o corpo não é solução para os nossos problemas. Mas quando o sofrimento decorre de uma abstinência em virtude do bem ao próximo constitui-se na caridade pelo sacrifício.

Outra questão a ser levantada é sobre as pessoas que preferem abster-se da convivência no mundo para evitar as seduções. Alegam que em virtude de tantas torpezas é melhor viver apartado da sociedade. Mais uma vez recorremos ao Livro dos Espíritos na parte que fala da Vida Contemplativa. Os espíritos nos falam sobre o tema, se agrada a Deus esta vida contemplativa, já que as criaturas que se dedicam a isso não fazem nenhum mal. Os venerandos emissários do Pai nos respondem: “Não, porque se eles não fazem o mal, não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nele, mas não somente nele.” Destacamos o final: Pense nele, mas não somente nele. Palavras sem atitudes que corroborem, são palavras vazias desprovidas de conteúdo emocional/psicológico que não convencem a ninguém.

Durante a encarnação nos deparamos com vários questionamentos: Será que posso abrandar o sofrimento do outro ou devo deixar a Lei seguir seu curso? Posso expor minha vida para salvar a do meu próximo? Posso minorar a dor de quem sofre em um leito de dor e abreviar-lhe a vida corpórea? Posso sacrificar a minha vida em detrimento da vida do outro? E por fim, os sofrimentos que vivo, servem de alguma forma de benefício ao outro?

O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo V, itens 27 a 31 traz-nos a resposta para todas estas perguntas. De nossa parte aduzimos: toda atitude que serve para glorificar a existência humana é bem-vinda. Em tudo é levado em consideração à intenção. Não conhecemos os desígnios divinos, cabe-nos trabalhar em consonância com as Leis, acreditando que a misericórdia Divina nos abarca a todos. Somos viajantes que ao aportarmos numa cidade precisamos nos abastecer do que há de melhor nela para que possamos continuar a viagem. Nos momentos de calmaria nos abasteçamos de paz, equilíbrio e esperança para que quando chegue o momento de turbulência tenhamos capacidade de enxergar o fim e com isso caminharmos firmes diante das dores.

Esta não é a nossa primeira nem será a última encarnação. Estamos neste ir e vir a muito tempo. Então, aproveitemos as oportunidades de agora, para que mais tarde possamos colher os louros do plantio. Nenhuma boa ação é perdida na contagem divina. Tudo o que fazemos de bom nos é levado em conta. Não percamos a oportunidade bendita, não aumentemos o que já é por demais suficiente para o aprendizado necessário e a evolução almejada. Tudo tem seu tempo e nada acontece por acaso, precisamos aprender a nos conhecermos e detectarmos como poderemos agir da melhor forma para suportarmos e superarmos os embates que nos são apresentados. A exemplo do Cristo, com os passos firmes. Mesmo tendo a certeza da traição ele não recuo e foi crucificado. Que possamos carregar a nossa cruz e seguirmos em frente.

Jornal O Clarim – Novembro de 2014

Firmeza de fé

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Walkiria Lucia Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“E os que estão sobre a pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e, na época da tentação, se desviam.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 8, versículo 13.)

Ao lermos este capítulo – Firmeza de Fé, do Livro Caminho, Verdade e Vida, lembramos logo de Coragem da Fé, capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Quem melhor para exemplificar a coragem da fé que Paulo de Tarso e Estevão? Antes de nos aprofundarmos no tema, o que é fé? Fé entre várias definições constitui-se na crença em algo e na fidelidade no que ou em quem acreditamos.

Partindo deste ponto trazemos sempre ao pensamento a figura insofismável do Mestre Jesus. Homem que nos exemplificou a divina mensagem de Deus. Viver no mundo sem ser do mundo. Amar a todos indistintamente, perdoar sem exceção e restrições. Fazer o bem a todos que nos procurem e avançar fazendo o bem a quem não nos procura, mas necessitam. Este é o Mestre que trabalhando exemplificou, amando doou-se e permitindo-se ser crucificado ao lado de Barrabás demonstrou que todos serão recebidos da mesma forma no Reino de Deus, tendo as mesmas oportunidades de reparação/evolução.

O livro Paulo e Estevão no último mês de julho fez 73 (setenta e três) anos que foi escrito por Emmanuel com psicografia de Chico Xavier. Verdadeira obra prima que traz três personagens centrais: Paulo, Estevão e Abigail. Obra de significação expressiva leva-nos ao tempo pós-crucificação mostrando como os trabalhadores do caminho deram continuidade ao trabalho do Cristo. O jovem Estevão a ser recolhido a instituição em virtude de ter adquirido a peste torna-se grande admirador de Pedro afeiçoando-se a ele e buscando transmitir a mensagem do Mestre falando e curando, como Ele o fez.

É um tempo de perseguições aos cristãos. Um dos que encabeçava tais perseguições era o jovem Paulo, que há esse tempo ainda chamava-se Saulo. Fazia parte do Sinédrio e acreditava que os seguidores do carpinteiro estavam maculando os costumes e a doutrina de Moisés. Desafiou Estevão a fazer a mesma pregação no Sinédrio que ele fez na Casa do Caminho. E este aquiesceu. Quantas vezes, somos obrigados a defender as nossas ideias de pessoas estranhas ou não tão estranhas assim, que vivem suas vidas da forma que entendem, mas que se acham no direito de conspurcar a nossa. Ou em virtude da vinculação profissional, familiar ou social elegem-se como avaliadores do nosso comportamento.

A semelhança de Estevão reafirmamos a nossa fé. Demonstramos que não temos somente a ciência da informação, mas a consciência plena da fé que abraçamos. Uma informação não anula a outra. Não é porque o Cristo veio que tudo o que Moisés havia dito teria que ser esquecido. Tanto que os dez mandamentos servem de base para a Doutrina Cristã. Jesus veio desdobrar e a Doutrina Espírita veio explicar pontos que permaneciam obscuros pela falta de entendimento. A ciência confirma a doutrina. Então são informações que se somam e se completam sem se prejudicarem. Aquele que crê é fiel aos pensamentos esposados, mas permite-se alargar o entendimento buscando outros balizamentos para fundamentação do seu pensamento.

O Mestre ensinou que não se deve temer apenas o que poderá matar-lhe o corpo (Fala Estevão diante do Sinédrio). Saulo, enfurecido pela inteligência e postura digna de Estevão, parte para cima deste aos socos. Estevão não reage e em prece pede auxílio a Jesus. Quando somos fieis ao que acreditamos ligamo-nos a divindade através da oração, rogando ao Pai forças para suportarmos e superarmos os embates da vida. Que nos bate a porte de todos. Mas que não poderemos deixar que a fé viva e ardente se turve em virtude do que os outros dizem ou fazem. Somos responsáveis por nós mesmos.

Quanto tudo está tranquilo, poucos se decidem por manter a fé viva. Acreditam que nada irá mudar a situação. Mas quando a dor nos bate a porta, lembramos que Deus existe e quando já possuímos a consciência mais aclarada nos voltamos para ele em busca de haurir forças para lutar. Saulo, Saulo, porque me persegues? Mas quem é o senhor? Eu sou Jesus. Quantas vezes criaturas conhecedoras da mensagem crística, da doutrina espírita, tornam-se verdadeiros verdugos de companheiros de jornada, perturbando-lhes os passos e tentando boicotar as mais belas expressões de amor e caridade? Mas quando são tocados profundamente pela mensagem do Cristo, transformam-se em defensores fieis do Mestre.

Numa bela passagem do livro, Paulo de Tarso conversa com Abigail, esta já desencarna e lhe aconselha: “Ama, trabalha, espera e perdoa” e ele prossegue amando a todos indistintamente, trabalhando sempre pelo bem e progresso da humanidade, esperando o chamado do Messias e perdoando a todos que lhe faziam o mal.” Aquele que crê e tem a certeza de que está com a verdade, procura transmiti-la a todos indistintamente Traz a verdade que o tocou e que ele sabe que todo aquele que é tocado não mais o mesmo. Sempre vemos em todas as narrativas vinculadas a Estevão e a Paulo o exemplo de amor e caridade que os dois praticam e que contagiam aos que estão em derredor. Mesmo aqueles que são responsáveis pela prisão e tortura.

Friedrich Nietzsche diz que se mede a grandeza de uma ideia pelas resistências que ela provoca. Este abalo não é só nos outros, mas em nós mesmos. Precisamos ser corajosos para enfrentarmo-nos lutando contra o lado sombra que ainda existe em nós. Procuramos aqui de forma humilde trazer o exemplo do Mestre Jesus seguido por Paulo e Estevão como grandes exemplificadores da Moral Divina a que transforma e transformará ainda mais quem somos.

Revista Internacional de Espiritismo – Novembro de 2014

 

 

Morrer e desencarnar

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Morrer e desencarnar 01/11/2014
Octávio Caúmo Serrano

Há muita gente que morre
Sem poder desencarnar
E por isso permanece
Sempre no mesmo lugar,
Preso ainda a este mundo,
Atarantado a vagar…

A morte vem quando acaba
Todo o fluido vital,
É parte da Lei de Deus,
Já que ninguém é imortal,
Pois morrer é, para todos,
Um evento natural!

Desencarnar, todavia,
É muito mais complicado,
Precisa desprendimento
Para ver-se libertado
E desatar cada laço
Que aqui nos deixa atrelado!

Isso só se aprende em vida
Ao treinar o desapego,
Das coisas que são do mundo,
Já que após não tem “arrego”,
Porque depois que morremos
E difícil ter sossego…

É triste você pensar
Que ainda trabalha e come
No emprego que frequentava
E ao meio-dia tem fome,
Querendo que todo mundo
O chame pelo seu nome! 

 

“Onde estiver teu tesouro
Estará teu coração!”
Ensinou-nos Jesus Cristo,
Ao falar à multidão,
Quando trouxe a este mundo
A grande revelação.

Portanto, você que é espírita
E a verdade já conhece,
Faça muita caridade
E se defenda com a prece,
Para depois que morrer
Poder ter o que merece.

Não fique vagando a esmo,
Igual a uma assombração,
Perdido e causando susto
Aos outros na escuridão,
E atrasando sua viagem
Na rota da evolução!

A vida aqui é provisória,
É uma visita fugaz;
Portanto, depois da morte,
Siga sem olhar pra trás
Porque o que ficou na Terra
Para nada serve mais.

Só assim terá sua alma,
Com a morte, desencarnada!
E bastante resoluto,
Seguirá a sua caminhada,
Em busca do mundo novo,
Onde há uma nova alvorada!

RIE-Rev. Int. Esp. Novembro 2014

 

 

Conheça as regras do alto

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O mínimo que podemos dar ao centro espírita é pontualidade, respeito e atenção.

Quando estamos no Centro, podemos nos ligar aos espíritos, aos quais pedimos ajuda, ou ao celular, esse implacável rastreador que já tomou conta das mentes desavisadas. De aparelho para servir-nos, virou o nosso senhor. Se o esquecemos em casa, ficamos desesperados. Parece que nos falta um membro vital. Ele, quando mal usado, desorganiza tudo. Que digam os professores de qualquer grau escolar.

Nos minutos que antecedem a palestra, os espíritos já estão trabalhando conosco, curando-nos, operando-nos ou nos usando para ajudar quem necessita mais do que nós, se tivermos o que oferecer. A nossa única colaboração é estar de mente limpa, preferivelmente em prece, para doar algo útil e qualificar-nos a receber a ajuda que precisamos, demonstrando gratidão.

Ao entrar no Centro, encontramos regras que a casa impõe para manter organizada a sua funcionalidade. Respeitam os horários, pedem silêncio, compostura, educação e nenhum exibicionismo com o qual pretendamos nos destacar, social ou intelectualmente, embora devamos sempre participar dos trabalhos que ali se realizam, dentro das regras da associação. Sentar onde eles determinam e evitar cumprimentos efusivos ou exagerados, porque a finalidade pela qual estamos ali é outra. Não é local nem hora para enaltecer personalidades. É momento de harmonizar-nos e serenar-nos. Ali não cabe o anedotário nem o gargalhar porque os espíritos se deslocaram para o Centro com as melhores intenções de ajudar quem realmente está interessado.

Se o nosso comportamento não nos liga à espiritualidade, saibamos que eles não deixarão de fazer o trabalho e beneficiar os que têm comportamento equilibrado. Os prejudicados seremos nós, os que não sabemos nos adequar às regras. Perdemos o tempo e seria preferível que estivéssemos em casa vendo TV ou conversando, porque do centro não levamos qualquer benefício. “Faz e o Céu te ajuda”, é o que diz o Evangelho.

Muitas vezes somos rebeldes contra as regras que disciplinam a reunião do Centro, imaginando que fazemos favor à casa com a nossa presença; na verdade, o inverso é a realidade. A casa é que nos atende e nos socorre e, portanto, é mais prudente oferecermos a nossa colaboração da melhor qualidade e respeito. Nem no médico, onde pagamos consulta, se justificam a indisciplina ou a arrogância, que dizer da Casa Espírita que tudo oferece gratuitamente! O mínimo que podemos dar ao Centro Espírita é pontualidade, respeito e atenção.

Se ainda não entendemos de verdade o que é um centro espírita, preferível que não o visitemos e frequentemos porque estaremos perturbando os que estão realmente interessados em ser melhores e beneficiar-se do que ali se oferece. Cada um analise o seu comportamento e verifique como está agindo em relação à casa espírita que o acolhe.

Jornal O Clarim – Novembro de 2014

 

 

Un día de finados

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La reencarnación es la ley básica del Espiritismo, pero la mayoría de los cristianos aún la considera producto de ficción científica.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

“Gracias te rindo, mi Padre, Señor del Cielo y de la Tierra, por has ocultado estas cosas a los doctos y a los prudentes y por las has revelado a los simple y pequeños.” (Jesucristo – Mateo XI-25)

Al leer los apartados 7 y 8, Misterios ocultos a los doctos y prudentes, del Capítulo VII del Evangelio Según el Espiritismo, “Los pobres de Espíritu”, como preparación de exposición, me vino a la mente el lenguaje de Jesucristo.

Cuántas expresiones del Gran Maestro son de interpretación difícil según el lenguaje humano: quien no aburrir Padre y Madre no es digno de mí; dejéis los muertos enterrar sus muertos; si tu mano es motivo de escándalo, mejor sea cortada; más fácil un camello pasar en el agujero de una aguja que un rico entrar en el reino de los cielos; ¿quién es mi madre, quién son mis hermanos? Y muchas otras.

Así también la del enunciado arriba que, según nuestra visión, debía ser al contrario. Revelar a lo que sabe más y tiene más condiciones de entender. Acontece que ésta no es la realidad. El que tiene algún conocimiento se cree dueño de la verdad y solo su opinión debe prevalecer.

Los Espíritus siempre repiten que el ideal sería que hubiese un idioma en lo cual toda palabra expresase fielmente la idea. Dicen que nos desentendemos más por el lenguaje de que por las verdades. No conseguimos expresar claramente lo que pensamos y lo que sabemos.

Cuando un orador espiritista habla en una reunión, debe conocer el nivel de conocimiento del público, se va a exponer para un auditorio misceláneo, en el cual hay personas de todos los niveles de conocimiento, o para una clase de estudiosos del Espiritismo, que ya tiene base doctrinaria. Por eso ciertos cofrades se pierden en los grandes medios de comunicación cuando hablan de perispiritu y ectoplasma, cuando deberían decir de caridad y reencarnación. Es realmente difícil.

Cierta vez, fui invitado para el programa Tambaú Noticias, de la afiliada del SBT en nuestra actual ciudad, João Pessoa (PB), para hablar en un día de finados sobre la visión espiritista de esa conmemoración. Dos presentadores, Raquel Sherazade y Aldo Schueler, comandaron la entrevista.

Luego de inicio la periodista me interpeló y dijo: “¿La muerte para el espiritista no tiene ningún significado, verdad?”. A lo que contesté: “¿Quién le dio esa información? La muerte para el espiritista representa un momento de tristeza como para cualquiera. Cuando nos despegamos de quien amamos añoramos. Espiritista también tiene sentimiento”.

Complementando, dijo que la diferencia es que el espiritista no es desequilibrado delante de la muerte, sufriendo ataques de histeria, gritando, agarrándose al muerto o amenazando echarse en el antro, totalmente inconformado. Pero espiritista también llora. ¡Es humano! Como sabe que la muerte es liberta y no pérdida, acepta el destino de la persona, resignadamente.

Enseguida, el entrevistador, moviendo las manos con gestos irónicos, preguntó. “¿Es verdad que los espiritistas se quedan el tiempo todo vendo fantasmas? ¡Ay qué miedo!”. Manteniendo la serenidad y también la seriedad que el asunto pedía, contesté que algunos realmente ven, pero ni todos. Incluso porque los protestantes, los católicos y mismo los ateos también ven. Mediumnidad no es privilegio del Espiritismo. La mediumnidad es patrimonio de todo ser humano.

A continuación, ya más interesada, Raquel preguntó por qué los cristianos a veces se desentienden con los espiritistas. Antes de contestar, pedí para rectificar la indagación, diciendo que no son los cristianos que combaten los espiritistas, porque el espiritista también es cristiano. Toda la doctrina de los Espíritus es fundamentada en el Evangelio de Jesucristo. En El Libro de los Espíritus existe la cuestión 625 que tiene el enunciado siguiente: “¿Cuál el ejemplar más perfecto qué Dios ofreció al hombre para servirle de guía y modelo?”. Respuesta: “Jesucristo”. Quien se desentiende con los espiritistas son los protestantes, que se intitulan cristianos o evangélicos, y los católicos.

Es normal que eso ocurra, porque mientras la reencarnación es la ley básica del Espiritismo, sin la cual no se puede entender la justicia de Dios, para los demás cristianos ella no pasa de ficción científica; cuento de hadas. Pero eso es provisorio porque las religiones son simples atajos que nos acarrean al mismo lugar. Las religiones son producto de puntos de vista humanos y no el pensamiento divino. En el final todos constatarán que siguen viviendo como Espíritus y comprenderán, en esa hora, las lecciones del Espiritismo. Se verán de frente con su pasado espiritual, conocerán las encarnaciones anteriores y todo hará más sentido. Por ahora, cada un viva con sus propias convicciones y coja de ellas lo qué la vida puede ofrecer. ¡Y sean felices!

Vemos que la lección de Jesucristo, que ya va para veinte siglos, continúa válida y nos muestra como el avance del entendimiento humano es lento. Pienso que el Cristo repetiría exactamente lo que dijo caso estuviese hoy entre nosotros. Es increíble que alguien en el mundo actual pueda dudar de la reencarnación. Sin embargo, entre los cristianos ellos son mayoría. Por lo menos es lo que afirman.

Felizmente, me siento privilegiado por ya tener ese entendimiento que es absolutamente lógico. Cuando me preguntan si creo en la reencarnación digo que no; no necesito creer; yo la constato al mirar las personas. Yo la veo en las diferencias sociales, intelectuales, físicas y psíquicas entre ellas. Somos hoy el producto de nuestro ayer. Es todo muy claro.

¡Quién tenga ojos de ver, qué vea! ¡E inteligencia para pensar, qué piense!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Noviembre 2014

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