Folheando nossos preciosos guardados, alusivos à doutrina espírita e ao Evangelho de Jesus, encontramos um artigo do confrade Geraldo José de Souza, escrito em O Reformador de novembro de 1996, página 343, a quem pedimos licença para reproduzir tópicos.

Os alertas oferecidos pelo articulista àquela época valem perfeitamente para os nossos dias. Diz ele que “os responsáveis pelas instituições espíritas devem vigiar para que comemorações por datas especiais, ou qualquer outra, não descambem para as festas mundanas.” Diz que “a Casa Espírita é recinto sagrado onde os mentores amigos dedicam tempo e recurso para mantê-la em condições de aliviar dores, consolar e socorrer aflitos dos dois planos da vida. Atitudes levianas podem destruir ou prejudicar aquilo que é esforço de muitos e obra de gerações.”

É natural, diz ele, “que um ou outro confrade ainda não amadurecido na Doutrina, faça propostas de promover danças com músicas profanas, uso de bebidas, de rifas, jogos e bingos; mas que os responsáveis aprovem é inconcebível.” E ele complementa, enfaticamente: “pouco importa que as promoções objetivem angariar fundos destinados a ações beneficentes que se realizam na casa espírita ou em qualquer local em nome da instituição; sempre preferível realizar menos com fidelidade ao Evangelho.”

Em nossos livros Pontos de Vista e Movo de Ver, da casa Editora O Clarim, temos matérias nesse sentido, resultantes de observação durante certos eventos realizados nos Centros. No primeiro, o capítulo 16 com o título “Chás, Shows, Bazares e Bingos”; no Modo de Ver, “Perigos que rondam os Centros”.

Em janeiro de 1992, na mesma revista da FEB, O Reformador, há mensagem de Bezerra de Menezes, nestes termos: “Para o Centro Espírita se deslocam Espíritos com acentuado desequilíbrio e outros com o propósito de aprender; outros são levados pelos protetores desencarnados para ser doutrinados e ai eles permanecem para prosseguir no tratamento de reequilíbrio espiritual ou no aprendizado. Detendo-se ai, observam-nos o procedimento, a conversação e os pensamentos.” O Centro assemelha-se a um SPA espiritual, onde os espíritos necessitados ficam internados.

Num segundo artigo da mesma revista, o Espírito Ignácio Bittencourt dita à médium Yvonne do Amaral Pereira orientações à mocidade espírita, publicado em agosto e outubro de 1959. “Não creio seja lícito consentires que alguém leve para o Centro que diriges a profanação das festas mundanas, dele fazendo, não mais um receptáculo de inspirações divinas, como devem ser os Centros Espíritas bem orientados, mas uma plateia heterogênea onde a mediocridade da arte apresentada fará atrair os pândegos e paspalhos do Invisível, em vez dos abnegados obreiros de Jesus.”

Sob o tema “A Educação Espírita e a Visão Integral do Homem”, José Raul Teixeira, em 3 de outubro de 1995, em Brasília, durante o Primeiro Congresso Espírita Mundial, disse, referindo-se ao modismo humano de copiar o que fazem os ídolos, sem pensar nas consequências: “Por que é que nós temos de trazer o mundo social para dentro do Centro Espírita, em vez de levar os ensinamentos do Centro Espírita para o mundo lá fora? Quem está na direção, por favor, assuma que está na direção; não queira agradar todo mundo, não queira fazer gentileza com chapéu alheio. A Doutrina não nos pertence. A Doutrina é dos Espíritos. Nós vamos dar conta disso.”

Para dar maior ênfase às suas orientações, continua o confrade Raul: “o administrador terá de dar conta da sua administração; pensemos nisso; e se não suportamos o ter que dizer sim e o ter que dizer não, na hora certa, não assumamos direção alguma por vaidade pessoal; é importantíssimo que quem tome conta, aprenda a dar conta.”

“Como cristão verdadeiro, o espírita deveria cumprir o que propôs Jesus; transformar-se no sal da Terra; e o sal, onde quer que esteja, destaca o sabor da vida, o sabor das coisas; ele preserva as coisas da putrefação; é este que seria o nosso trabalho, enquanto educandos integrais nesta vida em que nos achamos.”

O que observamos no movimento espírita é muita indisciplina. As reuniões não têm hora para começar nem terminar, pessoas entram no decorrer dos trabalhos, beijam-se, abraçam-se, sem respeitar sequer o palestrante, levantam, saem do salão, vão beber água, ao banheiro, brincam com crianças que estão ali, indevida e desnecessariamente e ficam num insistente corre-corre pelo auditório. Muitos ali estão apenas para receber um passe e se lhes perguntar sobre o tema do dia, não saberão responder. Tudo isso sob o olhar complacente do dirigente do centro que não impõe as menores regras de conduta que caracterizam um verdadeiro cristão ou até mesmo uma pessoa educada.

Decotes que chegam quase à cintura, costas de fora, shorts exagerados, trajes próprios de piquenique ou jogo de futebol, mas inadequados para o que se recomenda no centro espírita ou qualquer templo religioso. Mas o dirigente não chama à atenção porque lhe soa como falta de caridade e também porque fica feliz com a casa cheia, mesmo que cheia de problemas, cheia de pessoas sem o menor respeito pelo ambiente solene que caracteriza o local. Com o tempo, a cobertura espiritual desaparece e o centro somente funciona na terra; a matriz do plano divino já está de portas fechadas! A casa que deveria servir ao Evangelho passa a ser um grupo a serviço da obsessão.

O dirigente espírita é o zelador da doutrina no Centro. Dirigir, chefiar, é uma tarefa árdua e destinada aos competentes e corajosos. Quem não reunir tais qualidades, passe o bastão para outro e fará menos estragos do que continuando um trabalho para o qual não tem preparo. Vença a própria vaidade. Isto é também um gesto de coragem! “Conhece-te a ti mesmo, já dizia um sábio da antiguidade”, orienta-nos a questão 919 de O Livro dos Espíritos.

Boa sorte, senhores presidentes de instituições espíritas!

Tribuna Espírita – João Pessoa-PB – setembro/outubro de 2014