Moisés, Jesus e o Espiritismo

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Ponto a Ponto – As Leis Morais

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Ponto a Ponto – Dia de finados

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Renúncia

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna.” — Jesus (MATEUS, cap. 19, v. 29.)

Livro Caminho, Verdade e Vida, capítulo 154 nos brinda com o título Renunciar. Fala-nos da renúncia dos bens da Terra em detrimento dos bens espirituais. Fala-nos de irmos ao encontro do Messias mesmo que isso represente abandonar a família. Mas gostaríamos de usar da mesma citação evangélica para falarmos de outro tipo de renúncia: a Mediunidade.

Os contemporâneos verificaremos o quão difícil torna-se sermos do mundo sem sermos mundanos. O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu cap. XVI, item 7 traz-nos o tema sobre a utilidade providencial da riqueza e da miséria, por analogia traremos um trecho para análise que também se adéqua a mediunidade e os apelos chamativos da vida moderna: “A riqueza, sem dúvida, é uma prova muito difícil, mais perigosa que a miséria pelos seus arrastamentos, as tentações que dá e a fascinação que exerce; é o excitante supremo do orgulho, do egoísmo e da vida sensual; é o laço mais poderoso que liga o homem à Terra e afasta seus pensamentos do céu…” (grifos nossos).

Todos temos a necessidade de trabalhar, viver em família, aprendermos o que o conhecimento acadêmico pode nos proporcionar. Mas se somos médiuns como nos comportarmos nas mais diferentes situações que somos convocados a participar, das mais diferentes propostas que nos são feitas e que sabemos que algumas dessas vão de encontro com a mensagem de Jesus? Sermos cristãos com todos, mais em primeiro lugar sermos cristãos para conosco mesmo. Se a consciência nos cobra determinados comportamentos, principalmente e em virtude da vivência mediúnica, que o tenhamos. A prestação de contas será nossa para conosco mesmo. Há quem muito foi dado, muito lhe será cobrado.

Então alguns podem pensar neste momento: não quero ser médium então para não ser testemunha ocular de tantos ditados mediúnicos que chegam, assim poderei alegar que tenho desconhecimento das consequências dos atos ignóbeis executados por criaturas que “mesmo sendo rosa, ainda estão carregadas de espinhos”!. É uma pena aqueles que pensam assim. A mediunidade é um instrumento libertador de almas que produz a necessidade de mudança. Não porque lemos nos livros, mas porque somos realmente testemunhas das consequências dos erros cometidos por outras pessoas e que a Divindade nos permite, como ferramenta a mais de evolução, usarmos de tais exemplos para modificarmos a conduta corrente.

Somos exemplos vivos de que a vida continua. Pois se assim não fosse, vivenciaríamos os mais altos estágios de psicopatias em virtude das mensagens que vem através de nós e que alguns ainda insistem em dizer que é fruto da nossa imaginação. Imaginação prodigiosa e digna de figurar entre os melhores roteiristas da atualidade. Mas como agir então com relação à família se ela não agasalha o mesmo pensamento doutrinário e evangélico que nós? A semelhança da passagem de Mateus, o deixemos na sua ignorância e permaneçamos fieis aos ideais esposados. Não precisamos deixar de conviver com os outros, ou tão pouco deixar o lar para sermos o que acreditamos que é certo. Precisamos deixar que o outro seja como é porque também queremos que o outro nos deixe ser como somos.

Somos os primeiros beneficiados com uma comunicação mediúnica. Os espíritos que transmitem a sua mensagem impregnam de seus pensamentos e nunca mais olhamos um encarnado em situação semelhante ao do desencarnado com os mesmos olhos. Não podemos mais alegar que não sabemos mais o que vai no íntimo do outro. A mediunidade nos faculta o entendimento.

Libertando atavismos, preconceitos, ideias enraizadas que não tem sentido algum de continuarmos nutrindo. A mediunidade nos permite enxergarmos o nosso semelhante tal qual é: alguém igual a nós, com desejos e aspirações e que talvez, se tivesse a mediunidade como veículo de evolução não teria cometido determinados erros e caminhado por estradas tão tortuosas como o faz. Viver no mundo sem ser mundano. Jesus, Paulo de Tarso, Buda, Allan Kardec, Chico Xavier e tantos outros anônimos nos deram o exemplo.

Quando adentramos um pouco mais no conhecimento que a mediunidade nos traz verificamos que antes de tudo ela representa renúncia. Renúncia aos prazeres materiais transitórios que entorpecem e não acrescentam em nada; renúncia a si mesmo, significando uma mudança de conduta baseada na experiência do outro; renúncia de estar na presença de pessoas que amamos, mas que não compreendem o porquê de nossa atitude. Renúncia enfim a tudo que vá de encontro ao que acreditamos. A mediunidade é um bisturi que nos corta a alma e permite que o que há de melhor em nós venha à tona, mas que também permite que as nossas mazelas morais brotem para serem trabalhadas e educadas.

Alguns de nós preferem renunciar a este convite divino de serem médiuns. Acreditam que assim viveram mais fácil e terão menos problemas. Afinal, família, amigos, trabalho convocam para viver a vida. Acrescentam ainda, como é uma faculdade, exercito se quiser… É uma pena pensarem assim. O correto seria: como é uma faculdade, a minha escolha em exercê-la facultar-me-á um grande avanço rumo ao Pai Criador e me possibilitará uma grande e doce possibilidade de reajuste moral. Reajuste este que deverá ser feito de uma forma ou de outra, através ou sem a mediunidade.

Compromissos assumidos que requerem a obrigação de reajuste. E nada melhor que podermos nos reajustar as Leis Divinas do que ajudando aos que nos vem através da mediunidade e exercitando o amor por elas e por todos que nos cruzam a caminhada. É uma escolha, cabe-nos saber o que é melhor: buscar o atalho, negando-se a possibilidade da mediunidade ou caminhar na estrada reta do bem, onde encontraremos algumas pequenas pedras, que machucam é verdade, mas que não nos impede os passos rumo ao Criador. Jesus nos deu o exemplo, precisamos saber qual o caminho que queremos trilhar.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Dezembro de 2014

Brandura e Mansuetude

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra.” (Mateus, cap. V, v. 4). Bem-aventurados os pacíficos, porque eles são chamados filhos de Deus. (Idem, v.9) 

Todo aquele que se diz cristão dever ter como bandeira a brandura e a mansuetude. Kardec nos diz no item 4, cap. IX, de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Por estas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade, e da paciência uma lei…” Lei nós cumprimos e sabemos que quando não o fazemos, precisamos dos necessários reajustes.

O mundo sobreviveu a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais. Tsunamis, cataclismos, terremotos de grande proporção, usina nuclear que explodiu e todo o rescaldo decorrente disso. Mesmo assim, ainda não aprendemos a deixar de lado o orgulho e o egoísmo. Duas chagas morais que carregamos e que alguns de nós fazem questão de ostentar, acreditando que são virtudes em vez de defeitos.

Avançamos intelectualmente e em robótica, mas nos mostramos ainda tão atrasados em moralidade. A prática do suborno, licenciosidades morais e agressões adquirem tintas cada vez mais escuras, que podemos até questionar se realmente estamos fazendo este movimento para melhor, apregoados pelos Mestres da Humanidade, e trazido ao nosso conhecimento atualmente por espíritos como Joanna de Ângelis, Bezerra de Menezes e Manoel P. de Miranda. O próprio Kardec nos informou deste processo de modificação em o livro A Gênese, cap. XVIII, no capítulo intitulado Os Tempos são Chegados.

“1- Os tempos marcados por Deus são chegados, nos dizem de todas as partes, onde grandes acontecimentos vão se cumprir para a regeneração da humanidade.” O progresso se constitui de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível e a outra por movimentos mais bruscos. Porque quando é chagado o momento, a mudança se cumpre. “7- Mas uma mudança tão radical quanto a que se elabora, não pode se cumprir sem comoção; há luta inevitável entre as ideias. Desses conflitos nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno seja diluído e o equilíbrio reestabelecido. Será, pois, dessa luta de ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não cataclismos, as catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a consequência do estado de formação da Terra; hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da humanidade.”

De forma ampla poderemos entender estas lutas de ideias como acontecendo externamente. Famílias se desconstituindo por pura falta de entendimento e de se colocar no lugar do outro em vez de procurarem ter uma convivência harmônica e cortês. Numa visão mais restrita encontramos tais lutas dentro de nós mesmos: ora somos o cidadão que abre portas e deixa os mais velhos passarem; ora somos aqueles que se não incitamos a violência deliberadamente, ficamos intimamente contentes porque alguém fez por nós justiça com as próprias mãos.

Como Kardec nos diz: temos sempre que avaliar a intenção. Aquele que se sente intimamente ferido e não possui a fé viva aclaradora de almas, que é a Doutrina Espírita, acredita-se no direito de ir à desforra e agir onde quem deveria agir não age ou não age da forma que gostariam. Existem também os que entendem que “… os bens da Terra são açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o necessário, ao passo que os outros têm o supérfluo…” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX, item 5). É como se quisessem se desculpar pela reação exaltando a atitude errada do outro. Alguns afirmam: “Ninguém chega ao poder sem sujar as mãos” Mas será que isso deve fazer parte das nossas vidas? Porque diante das situações que nos são apresentadas, nós espíritas, não podemos ter o mesmo comportamento que qualquer outro teria, pois temos como exemplos as vozes dos espíritos a nos trazer o entendimento sobre a sombra da escuridão que por ventura possamos estar mergulhados.

Quantos falam de amor, são exemplos na sociedade de caridade, mas no recesso doméstico são verdadeiros déspotas, tiranos. Tais criaturas afirmam “Aqui mando e sou obedecido” e esquecem-se de acrescentar: “E sou detestado” (ESSE, cap. IX, item 6). Então, qual a saída para a humanidade, que convulsiona em dor: AMAR. Dia 04.09 do corrente ano, Bezerra de Menezes nos dá uma belíssima mensagem na qual exalta o amor. Mensagem esta psicofônica dada através da mediunidade de Divaldo Franco nas Casas André Luiz e disponível na internet.

Quem ama compreende mais facilmente o erro dos outros, não precisando ser conivente. Quem ama se predispõe a ver a vida com os olhos de boa-vontade enxergando o copo sempre meio-cheio e nunca meio-vazio. O mal do século está sendo este emparedamento que estamos construindo ao nosso redor. E não estou falando dos muros das casas, mas das barreiras que estamos criando ao nosso redor para que ninguém se aproxime e não possa nos machucar. Ainda nos comportamos como crianças emocionais, revestidas num corpo adulto e que exigem dos outros o respeito devido aos sábios.

Precisamos fazer o movimento de mudança. D. Joanna de Ângelis nos diz que o ressentimento é a ferrugem da alma. Então escolhamos alguém ou uma situação específica e nos disponhamos a mudá-la. Não vamos começar com o mais difícil. Comecemos pelo mais simples e nos disponhamos a mudar o nosso comportamento perante a pessoa ou o fato em questão exercitando e exercendo a afabilidade e a doçura no mais alto grau que compreendamos. Logo estaremos avançando e praticando com quem ou com algo que hoje negamos que seja possível fazer. A mudança só depende de nós, mas para isso precisamos dar o primeiro passo em busca de reconquistarmos a nós mesmos.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2014

Somos todos espíritos

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Apesar de participantes de diferentes religiões, no fundo somos todos meio ESPÍRITAS, porque, afinal, somos todos ESPÍRITOS.

Infelizmente, para ter o direito de considerar-nos como tal, falta-nos ainda empenho com a modificação interior, conhecida no Espiritismo como reforma íntima, e que não faz parte da programação de vida para todas as pessoas.

A grande maioria um dia já se perguntou o que faz no mundo, de onde teria vindo ou para onde vai após a morte, mesmo afirmando que a vida é uma só. Afinal, há quase vinte séculos nos ensinam errado e por isso é difícil mudar de opinião. Só mesmo com muito conhecimento para perceber a lógica de Deus.

A crença da imortalidade e da eternidade da alma está patente na vida dos povos mais antigos que habitaram nosso planeta. A mumificação entre os egípcios para a conservação do corpo e órgãos que seriam usados numa outra vida, independente do local. A comida que certos povos orientais colocam no caixão funerário para que a alma que partiu possa alimentar-se inicialmente até adaptar-se à nova casa. As reuniões espíritas que todas as religiões fazem mesmo sem se declarar espíritas. O catolicismo tem o exorcismo e o protestantismo tem, em certas igrejas, a sessão de descarrego; o mesmo que a desobsessão dos espíritas.

Acontece que até o próprio espírita se confunde com o uso das palavras. Ouve-se constantemente alguém dizer que certa providência será boa para o seu espírito. Mas nós não temos um espírito; nós somos um espírito. O que nós temos é um corpo. Muitas vezes já ouvimos alguém rogar pelo seu corpo, sua alma e seu espírito. Eu, meu corpo e meu espírito. Dá a impressão que são três partes de um todo. E quando eu morrer, o problema não é meu; quem vai responde pelo que fez é o meu espírito, porque eu estarei bem longe e o corpo se desfaz.

Certa vez, num programa de TV, a apresentadora nos disse que tinha medo de ver espíritos. Recomendamos então que ela deixasse de olhar no espelho porque ela via um espírito cada vez que escovava os dentes, retocava a maquilagem, penteava o cabelo ou conferia sua indumentária. Ela é um espírito temporariamente encarnado, mas um espírito.

Ser espírita, mais do que frequentar o Espiritismo é comportar-se como cristão, objetivo perseguido inclusive pelos praticantes da doutrina dos espíritos; o mais difícil que os espíritos nos propõem alcançar nesta longa caminhada na rota da evolução. Dar passe, fazer palestra, preparar sopa, ou distribuir donativo, qualquer um faz. Modificar-se para ter bom caráter e respeito pelo semelhante, seja ele um subalterno, um indigente ou um serviçal, exige mais esforço de renovação.

Embora as estatísticas deem conta que os espíritas no Brasil não chegam a oito por cento, os que acreditam na reencarnação ou na continuidade da vida são mais de sessenta por cento. É instintivo porque somos filhos de Deus e temos no DNA a natureza do Pai. E quando esse raciocínio não é claro, é uma dúvida que incomoda todas as pessoas. Entre crer e não crer, elas percorrem uma longa estrada de divagações e incertezas.

Se fizermos o bem, sentiremos desde já as alegrias geradas pela nossa bondade. Ainda que nada colhamos no futuro depois da morte, valeu a pena; se fizermos o mal, colecionamos inimigos ainda aqui na carne, mesmo que nada mais exista além desta vida. Mas num caso ou noutro, fazer o bem ainda é mais agradável e vantajoso. E se considerarmos a continuidade na vida espiritual, quando colheremos os frutos do que plantamos, ai então é que o bem trará as recompensas e o mal se transformará em dores profundas. Pelo sim, pelo não, fazer o bem será sempre muito mais conveniente!

Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Jornal O Clarim – dezembro de 2014

 

El problema de los espíritus

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“El corazón tiene razones que la propia razón desconoce.” Blaise Pascual-1623/1662.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Después de completar ochenta años de edad el noviembre que pasó, y cuando una nueva Navidad se acerca y un nuevo año del tercer milenio va a si iniciar, vuelvo en el tiempo y retorno a mis veinte años.

Trabajaba en una oficina en la Calle Barón de Itapetininga, centro de São Paulo, cerca de la Plaza de la República, donde teníamos expediente (incluso los sábado hasta una de la tarde), seis días por semana. Después iba a una cafetería en la Galería Guatapará, en la misma calle, donde tomaba una comida con un amigo y algunas jóvenes. Allá por las cuatro, iba porque aun tenía clases en el curso científico del Colegio Estadual Presidente Roosevelt, hasta doce y quince de la noche.

En esa trayectoria, pasaba enfrente al Teatro Municipal, atravesaba el Viaducto do Chá y seguía por la Calle Derecha. En la Plaza de la Misericordia, poco antes de la Plaza de la Sé, donde tomaría mi autobús para el Jabaquara, estaba siempre un hombre de saco y corbata con la Biblia en la mano, rodeado por algunas personas. Y él predicaba: “Mis hermanos, los tiempos son llegados, etc., etc., etc.”.

De parte de los que pasaban, nunca faltaban gracejos y agravios, del tipo: “Va a trabajar, vagabundo; ¡deja de charla fiada!” Aquello me enojaba; me sorprendía que él aceptase hacer un trabajo de aquéllos, imaginando que uno estuviese interesado en lo que él divulgaba. Y pensaba conmigo mismo, en un soliloquio mental: “Un trabajo que yo jamás haría”. Pero, veinte años después, conocí el Espiritismo en el C.E. Amor y Paz, en Moema, e hice cursos en la Federación Espiritista y en el Grupo Socorrista Maria de Nazaré (la época afiliado a la Alianza Espiritista Evangélica), en la Escuela de Médiums, en la Escuela de Aprendices del Evangelio, en el Depoe, en el Depasse, etc.

Invitado por la nostálgica confreira Tirzah Rieter a hacer exposiciones y dar clases, por muchos años hablé en los lunes por la noche en el Nazaré, exposición pública con tratamiento de pases; los martes en el mismo centro, en la Escuela de Aprendices del Evangelio, qué hacía también los miércoles en el Grupo Socorrista Bezerra de Menezes, Ciudad Ademar; los jueves en el Grupo Socorrista Maria de Magdala, Butantã, hasta fundarmos el Centro Kardecista Los Esênios, en la Villa Guaraní, donde pasé a ejercer la mayor parte de mis actividades. Yo, qué jamás me imaginara en aquel trabajo, ¡acabé por transformarlo en prioridad absoluta en esta encarnación!

Después de cuarenta años, a cada día que pasa, veo como es difícil divulgar la Doctrina de los Espíritus. Las interpretaciones necesitan ser claras, lo qué muchas veces es difícil. El propio codificador, al elaborar El Evangelio Según el Espiritismo, escogió partes del Nuevo Testamento que son de difícil interpretación, para darles una explicación condecente con la naturaleza de Jesucristo: “Quien no abandonar padre, madre, hijos, esposa, no podrá me seguir”. “Gracias, mi Padre, por esconder esas cosas a los sabios y prudentes y las haber revelado a los simple y chiquitines”. “Si alguien te hiere en la faz derecha, ofrece la izquierda”. “No vine a traer la paz, sino la división y el hombre tendrá como enemigos los de su casa”. Cuando bien explicados, esos textos tienen un significado diferente de lo que aparentan.

Los idiomas usados en el tiempo de Jesucristo, hebraico y aramaico eran, según los entendidos, lenguas pobres, y a veces una palabra tenía varios significados. Por ejemplo, la que significa camello, el animal, y a que identifica la cuerda o cable o hilo hecho con lana de camello es la misma. Por tanto, más lógico que Jesucristo hubiese dicho que “es más fácil un cable pasar por el agujero de una aguja que un rico entrar en el reino del cielo”, y no un camello.

Ésa es también una dificultad que los Espíritus encuentran cuando nos orientan. Además de la pobreza de los idiomas, está nuestro limitado conocimiento. Por eso, es común que ellos nos dejen a la voluntad para interpretar o que posterguen la explicación para cuando seamos más evolucionados.

Como ejemplo, hay en El Libro de los Espíritus algunas cuestiones en ese sentido. Luego en la pregunta nr. 3, alguien indagó a los Espíritus: “¿se puede decir qué Dios es infinito?” Dijimos alguien, porque Kardec recibió decenas de cuadernos con preguntas y respuestas hechas por sus amigos en diferentes reuniones mediúmnicas, de modo que no se puede saber quien preguntó. Ciertamente Kardec conferió por otros médiums todo qué le causaba dudas. Pero la respuesta de los Espíritus para esta cuestión fue: “Definición incompleta, pobreza del lenguaje humano, insuficiente para definir lo que está más allá de su inteligencia”.

En la cuestión 13, la pregunta: “¿Cuándo decimos qué Dios es eterno, infinito, inmutable, incorpóreo, único, todo poderoso, soberanamente justo y bueno, tenemos una idea completa de sus atributos?” Respuesta: “De acuerdo con vuestro punto de vista sí, porque creéis todo abarcar. Pero sepáis que hay cosas arriba de la inteligencia humana”.

En la cuestión 28, se preguntó: “¿Ya que el propio espíritu consiste de un algo, no sería más exacto y menos controvertido, designar ésos dos elementos generales por los expresiones materia inerte y materia inteligente?” Respuesta: “Las palabras poco nos importan. Cabe a vosotros formular el lenguaje de manera a entendéisos. Vuestras controversias vienen casi siempre del hecho de no entendéisos en cuanto a las palabras, porque vuestra lenguaje es incompleta para exprimir lo que no los toca los sentidos”.

Finalmente, en la respuesta a la cuestión 14, los espíritus censuran la insistencia del preguntador y dicen: “Dios existe, no podéis dudar, y eso es el esencial. Crea en mí y no vayas adelante. No os perdáis en un laberinto de dónde no podréis salir. Eso no os tornaría mejores, quizá un poco más orgullosos, juzgando saber cuando en la realidad nada sabríais”.

¿Vieron por qué dijimos qué es muy difícil explicar el Evangelio correctamente, y aún más a la luz del Espiritismo? Por eso siempre tenemos mucho cuidado para no divulgar nada de forma equivocada, dudosa, mística o fantasiosa; que Dios nos ayude para que siempre consigamos.

¡Buen Navidad y Feliz Año Nuevo, con mucho estudio y mucho progreso material y espiritual!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Deciembre 2014

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