Apesar de participantes de diferentes religiões, no fundo somos todos meio ESPÍRITAS, porque, afinal, somos todos ESPÍRITOS.

Infelizmente, para ter o direito de considerar-nos como tal, falta-nos ainda empenho com a modificação interior, conhecida no Espiritismo como reforma íntima, e que não faz parte da programação de vida para todas as pessoas.

A grande maioria um dia já se perguntou o que faz no mundo, de onde teria vindo ou para onde vai após a morte, mesmo afirmando que a vida é uma só. Afinal, há quase vinte séculos nos ensinam errado e por isso é difícil mudar de opinião. Só mesmo com muito conhecimento para perceber a lógica de Deus.

A crença da imortalidade e da eternidade da alma está patente na vida dos povos mais antigos que habitaram nosso planeta. A mumificação entre os egípcios para a conservação do corpo e órgãos que seriam usados numa outra vida, independente do local. A comida que certos povos orientais colocam no caixão funerário para que a alma que partiu possa alimentar-se inicialmente até adaptar-se à nova casa. As reuniões espíritas que todas as religiões fazem mesmo sem se declarar espíritas. O catolicismo tem o exorcismo e o protestantismo tem, em certas igrejas, a sessão de descarrego; o mesmo que a desobsessão dos espíritas.

Acontece que até o próprio espírita se confunde com o uso das palavras. Ouve-se constantemente alguém dizer que certa providência será boa para o seu espírito. Mas nós não temos um espírito; nós somos um espírito. O que nós temos é um corpo. Muitas vezes já ouvimos alguém rogar pelo seu corpo, sua alma e seu espírito. Eu, meu corpo e meu espírito. Dá a impressão que são três partes de um todo. E quando eu morrer, o problema não é meu; quem vai responde pelo que fez é o meu espírito, porque eu estarei bem longe e o corpo se desfaz.

Certa vez, num programa de TV, a apresentadora nos disse que tinha medo de ver espíritos. Recomendamos então que ela deixasse de olhar no espelho porque ela via um espírito cada vez que escovava os dentes, retocava a maquilagem, penteava o cabelo ou conferia sua indumentária. Ela é um espírito temporariamente encarnado, mas um espírito.

Ser espírita, mais do que frequentar o Espiritismo é comportar-se como cristão, objetivo perseguido inclusive pelos praticantes da doutrina dos espíritos; o mais difícil que os espíritos nos propõem alcançar nesta longa caminhada na rota da evolução. Dar passe, fazer palestra, preparar sopa, ou distribuir donativo, qualquer um faz. Modificar-se para ter bom caráter e respeito pelo semelhante, seja ele um subalterno, um indigente ou um serviçal, exige mais esforço de renovação.

Embora as estatísticas deem conta que os espíritas no Brasil não chegam a oito por cento, os que acreditam na reencarnação ou na continuidade da vida são mais de sessenta por cento. É instintivo porque somos filhos de Deus e temos no DNA a natureza do Pai. E quando esse raciocínio não é claro, é uma dúvida que incomoda todas as pessoas. Entre crer e não crer, elas percorrem uma longa estrada de divagações e incertezas.

Se fizermos o bem, sentiremos desde já as alegrias geradas pela nossa bondade. Ainda que nada colhamos no futuro depois da morte, valeu a pena; se fizermos o mal, colecionamos inimigos ainda aqui na carne, mesmo que nada mais exista além desta vida. Mas num caso ou noutro, fazer o bem ainda é mais agradável e vantajoso. E se considerarmos a continuidade na vida espiritual, quando colheremos os frutos do que plantamos, ai então é que o bem trará as recompensas e o mal se transformará em dores profundas. Pelo sim, pelo não, fazer o bem será sempre muito mais conveniente!

Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Jornal O Clarim – dezembro de 2014