Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra.” (Mateus, cap. V, v. 4). Bem-aventurados os pacíficos, porque eles são chamados filhos de Deus. (Idem, v.9) 

Todo aquele que se diz cristão dever ter como bandeira a brandura e a mansuetude. Kardec nos diz no item 4, cap. IX, de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Por estas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade, e da paciência uma lei…” Lei nós cumprimos e sabemos que quando não o fazemos, precisamos dos necessários reajustes.

O mundo sobreviveu a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais. Tsunamis, cataclismos, terremotos de grande proporção, usina nuclear que explodiu e todo o rescaldo decorrente disso. Mesmo assim, ainda não aprendemos a deixar de lado o orgulho e o egoísmo. Duas chagas morais que carregamos e que alguns de nós fazem questão de ostentar, acreditando que são virtudes em vez de defeitos.

Avançamos intelectualmente e em robótica, mas nos mostramos ainda tão atrasados em moralidade. A prática do suborno, licenciosidades morais e agressões adquirem tintas cada vez mais escuras, que podemos até questionar se realmente estamos fazendo este movimento para melhor, apregoados pelos Mestres da Humanidade, e trazido ao nosso conhecimento atualmente por espíritos como Joanna de Ângelis, Bezerra de Menezes e Manoel P. de Miranda. O próprio Kardec nos informou deste processo de modificação em o livro A Gênese, cap. XVIII, no capítulo intitulado Os Tempos são Chegados.

“1- Os tempos marcados por Deus são chegados, nos dizem de todas as partes, onde grandes acontecimentos vão se cumprir para a regeneração da humanidade.” O progresso se constitui de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível e a outra por movimentos mais bruscos. Porque quando é chagado o momento, a mudança se cumpre. “7- Mas uma mudança tão radical quanto a que se elabora, não pode se cumprir sem comoção; há luta inevitável entre as ideias. Desses conflitos nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno seja diluído e o equilíbrio reestabelecido. Será, pois, dessa luta de ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não cataclismos, as catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a consequência do estado de formação da Terra; hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da humanidade.”

De forma ampla poderemos entender estas lutas de ideias como acontecendo externamente. Famílias se desconstituindo por pura falta de entendimento e de se colocar no lugar do outro em vez de procurarem ter uma convivência harmônica e cortês. Numa visão mais restrita encontramos tais lutas dentro de nós mesmos: ora somos o cidadão que abre portas e deixa os mais velhos passarem; ora somos aqueles que se não incitamos a violência deliberadamente, ficamos intimamente contentes porque alguém fez por nós justiça com as próprias mãos.

Como Kardec nos diz: temos sempre que avaliar a intenção. Aquele que se sente intimamente ferido e não possui a fé viva aclaradora de almas, que é a Doutrina Espírita, acredita-se no direito de ir à desforra e agir onde quem deveria agir não age ou não age da forma que gostariam. Existem também os que entendem que “… os bens da Terra são açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o necessário, ao passo que os outros têm o supérfluo…” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IX, item 5). É como se quisessem se desculpar pela reação exaltando a atitude errada do outro. Alguns afirmam: “Ninguém chega ao poder sem sujar as mãos” Mas será que isso deve fazer parte das nossas vidas? Porque diante das situações que nos são apresentadas, nós espíritas, não podemos ter o mesmo comportamento que qualquer outro teria, pois temos como exemplos as vozes dos espíritos a nos trazer o entendimento sobre a sombra da escuridão que por ventura possamos estar mergulhados.

Quantos falam de amor, são exemplos na sociedade de caridade, mas no recesso doméstico são verdadeiros déspotas, tiranos. Tais criaturas afirmam “Aqui mando e sou obedecido” e esquecem-se de acrescentar: “E sou detestado” (ESSE, cap. IX, item 6). Então, qual a saída para a humanidade, que convulsiona em dor: AMAR. Dia 04.09 do corrente ano, Bezerra de Menezes nos dá uma belíssima mensagem na qual exalta o amor. Mensagem esta psicofônica dada através da mediunidade de Divaldo Franco nas Casas André Luiz e disponível na internet.

Quem ama compreende mais facilmente o erro dos outros, não precisando ser conivente. Quem ama se predispõe a ver a vida com os olhos de boa-vontade enxergando o copo sempre meio-cheio e nunca meio-vazio. O mal do século está sendo este emparedamento que estamos construindo ao nosso redor. E não estou falando dos muros das casas, mas das barreiras que estamos criando ao nosso redor para que ninguém se aproxime e não possa nos machucar. Ainda nos comportamos como crianças emocionais, revestidas num corpo adulto e que exigem dos outros o respeito devido aos sábios.

Precisamos fazer o movimento de mudança. D. Joanna de Ângelis nos diz que o ressentimento é a ferrugem da alma. Então escolhamos alguém ou uma situação específica e nos disponhamos a mudá-la. Não vamos começar com o mais difícil. Comecemos pelo mais simples e nos disponhamos a mudar o nosso comportamento perante a pessoa ou o fato em questão exercitando e exercendo a afabilidade e a doçura no mais alto grau que compreendamos. Logo estaremos avançando e praticando com quem ou com algo que hoje negamos que seja possível fazer. A mudança só depende de nós, mas para isso precisamos dar o primeiro passo em busca de reconquistarmos a nós mesmos.

Jornal O Clarim – Dezembro de 2014