SIMPLICIDADE E PUREZA DE CORAÇÃO

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“Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus.” (Mateus, cap. V, vv8)

 

Diante da compreensão da humanidade, a pureza de coração abarca não só a condição humana dos verdadeiros seguidores do Cristo através de demonstrações e práticas exteriores, mas de uma vivência que nasce de dentro para fora, sobre as Leis Divinas.

Só conseguimos vivenciar algo se entendemos bem o que seja. Tanto O Livro dos Espíritos (itens 101, 107 e 113) quanto o livro A Gênese (cap. I, item 9) trazem a mesma reflexão a cerca do assunto: 101 – Os Espíritos Imperfeitos “Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.”; 107 – Os Bons Espíritos “Compreendem a Deus e o infinito…”; 113 – Os Espíritos Puros “São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal.” Já no Livro A Gênese em seu Cap. I, item 9, sobre as revelações diretas de Deus para os homens, temos: “… os Espíritos, os mais próximos de Deus pela perfeição, se penetram de seu pensamento e podem transmiti-lo.”

Então a questão de ver a Deus é mais complexa do que pode parecer e usando as palavras de Kardec no mesmo item 9: “Isso não é radicalmente impossível, mas nada nos dá a sua prova certa.” Da mesma maneira com relação a passagem de Marcos, cap. X, v de 13 a 16, reproduzida no cap. VIII, item 2 de O Evangelho Segundo o Espiritismo que fala sobre a necessidade de se assemelhar as crianças para se obter o Reino dos Céus. Entendemos que não é a semelhança física que Marcos aborda neste momento, mas os desavisados podem pensar que sim.

Mais uma passagem que foi mal interpretada no passar dos tempos. “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham.” A evolução da criatura humana é uma marcha ascencisional e ninguém tente impedir porque não irá conseguir. O máximo que conseguirá é retardar os passos, mas não impedir. O que Jesus faz é nos comparar as crianças: A pureza e a ingenuidade que elas representam, da mesma forma que o ser humano que não concebe a ideia da Divindade e por isso não é capaz de compreender; a necessidade de cuidados e de orientação que uma criança possui, da mesma forma que precisamos de cuidados e de orientação, pois nem sempre a nossa própria experiência será a melhor conselheira; a fragilidade física da criança provoca compaixão, a nossa inocência e ignorância também provocam a compaixão e a orientação dos mais experientes.

“… aquele que não receber o Reino de deus como uma criança, nele não entrará.” Receber o Reino de Deus é receber o Reino de Justiça, de Amor e de Caridade. Então, enquanto não estivermos impregnados destas três verdades, não podemos fazer parte dele. E impregnados de que forma? Fazendo, agindo, executando e amando. A criatura humana aos poucos vai se desvencilhando de séculos de roupagem inadequada para o banquete celestial. Até o ponto em que sejamos dignos de vestirmos as vestes nupciais para o festim de bodas.

Quem pensa bem, age bem. Mas quantos de nós queremos empurrar para baixo do tapete quem somos para não ter que corrigir atos errados? Ainda estando na consciência de sono, agimos como crianças, fingindo sermos personagens que não somos, detentores de poderes que não possuímos para enfrentarmos situações que não queremos. Às vezes a criatura não se sente forte o suficiente para olhar-se no espelho e ver quem realmente é. Não é que a pessoa esconda dos outros, ela esconde de si mesma quem é para não ter que mudar. Em alguns desses casos são verdades duras, trazidas de outras encarnações com desdobramentos nesta; outras decorrem de situações vividas nesta, mas que causam traumas tão profundos que a criatura prefere assumir outra personalidade, mentindo para si própria a remexer e resolver tal problemática.

Precisamos ser honestos conosco mesmo em primeiro lugar. O pensamento, por exemplo. Precisamos domar este corcel arredio e selvagem, em alguns momentos, para que ele não seja instrumento de nossa desdita. Se não conseguirmos refrear determinados pensamentos, que pelo menos não o coloquemos em prática. Já há aí uma diferença de comportamento. Se pensarmos e não executarmos, porque outros não deixaram, precisamos nos esforçar mais por mudar. Se determinados pensamentos já não fazem parte de nossas vidas, podemos dizer que já progredimos no rumo da mudança moral.

Aqueles que já avançaram em idade e em tempo de espiritismo, não podemos jamais nos acomodar acreditando que sabemos tudo. Uma palavra nova, uma maneira diferente de analisarmos uma questão de O Livro dos Espíritos, uma experiência pela qual passamos e que nos permite enxergar de forma diferente determinadas passagens de O Evangelho Segundo o Espiritismo. São todas formas de nos enriquecermos espiritualmente, trabalhando o homem velho e permitindo que o homem novo apareça. É como a larva que chega a ser borboleta. Precisamos fazer o mesmo trabalho de introspecção, nos voltando para nós mesmos, trabalhando silenciosa e arduamente voltados para nós mesmos para que quando retirarmos a casca exterior possamos rumar para cima usando das nossas próprias asas felizes pelo progresso alcançado. Asas libertadoras estas que são o conhecimento e a moralidade.

Tribuna Espírita – Novembro/Dezembro – 2014

Ouro

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante: walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Enquanto o bruto contenta-se com o essencial para a existência, apenas experimentando impulsos e dando campo às necessidades imediatas, aquele que pensa aspira as mais significativas realizações que ultrapassam os impositivos automatistas do fenômeno orgânico.”(Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda – A busca) 

Enquanto a criatura estagia na forma primária do entendimento humano busca aplacar os prazeres sensoriais. Ao avançar, percebe que tais prazeres são vazios e desprovidos de conteúdo, tão logo acabem. Para progredirmos, precisamos perseverar tendo como inspiração a cultura e o conhecimento e não a busca hedonista.

Uma primeira diferença que precisamos estabelecer é entre o significado de alegria e felicidade. Temos como exemplo o cap. V do Evangelho Segundo o Espiritismo, item: Os tormentos voluntários. A paz do coração, única felicidade real neste mundo… a felicidade sem mescla não se encontra na Terra… Então podemos depreender que a alegria é um estado momentâneo conseguido pela conquista ou realização de algo. Tão logo acabe, queremos mais outros e outros momentos. A felicidade decorre não da conquista de algo em si, mas da busca pelo crescimento, do auto-aprimoramento e da auto-realização.

Sendo a paz íntima a maior característica da felicidade a criatura humana ao vivenciá-la caminha da consciência individual (egóica), para a consciência intuitiva (espiritual) até chegar à consciência coletiva (Crística). Esta última foi a que Jesus nos deu o exemplo. Ainda nesta busca pelo entendimento a criatura se volta para duas vertentes: a materialista e a utopista. A primeira é a busca pelo prazer incessante, o aproveitar sem comedimento, quanto mais se tem, mais se quer ter. A segunda tão prejudicial quanto à primeira apresenta uma sociedade sem dores, nem sofrimentos, da falsa tranquilidade e da beleza irrestrita. Neste ponto a Doutrina nos traz a consciência da imortalidade.

Não vos inquieteis pela posse do ouro, ou prata, ou qualquer outra moeda em vossos bolsos. – Não prepareis nem um saco para o caminho, nem duas roupas, nem sapatos, nem bastão, porque aquele que trabalha, merece ser alimentado.” (Mateus, cap. X, vv 9 e 10). O primeiro ponto que nós precisamos destacar é que as mensagens trazem correlação com a realidade da época, na qual os viajantes não precisavam se preocupar com mantimentos ou local certo para se abrigar, pois sempre encontravam guarita com as pessoas de bom coração. Não vos inquieteis pela posse do ouro. A passagem nos fala da angústia em ter e no desejo de acumular. Cabe-nos uma análise tendo como ponto de avaliação duas concepções: Material e a Espiritual.

Material: todo acúmulo é prejudicial. Alguém já disse e concordamos: “Nós é que temos que possuir as coisas, não as coisas nos possuírem.” É ter algo, mas que ele não faça parte de nós a tal ponto que se não o tivermos mais sofreremos angústias atrozes. Falamos também com relação ao outro. Quantas pessoas não suportam “perder” alguém. Sabemos que é no sentido figurado que se fala em “perder”, pois não comandamos os sentimentos e as vontades dos outros.

Espiritual: Quando abraçamos qualquer religião, por uma visão ainda infantil e primária dos fatos, queremos nos tornar íntimos dos Santos, dos Espíritos na esperança de resolvermos os nossos problemas mais rápido. É a visão material adaptada a espiritual: se somos amigo de quem tem o poder, acreditamos que poder também temos. Outros acreditam que uma religião não é suficiente e vão a mais de um templo religioso, acreditando que desta forma acumulará benesses espirituais e que se os Santos não resolverem, os espíritos resolverão. Não estamos falando aqui de pessoas que dentro da sua família possuem nos integrantes mais de um segmento religioso e que para que haja harmonia, uns frequentam as reuniões públicas dos outros. Isto é muito válido, denota sinal de amadurecimento espiritual de ambos que se permitem mesmo sendo de religiões distintas frequentarem a do outro num sinal de tolerância recíprocas, mas não deixando de professar a sua. Estamos destacando aqueles que querem garantir um lugar no céu sem se esforçarem por merecerem.

“… aquele que trabalha, merece ser alimentado.” Mais uma vez temos as duas visões: Material e Espiritual. Material: em nenhum momento diz que fiquemos em casa esperando que alguém bata em nossa porta para nos dar o alimento. O verbo é “merecer”, entendendo-se disso: “ter direito a”, “ter feito jus à”. Mas em nenhum momento fala que será conquistado sem esforço algum. Espiritual: O alimento espiritual. O pão da vida. Jesus nos trouxe o verdadeiro pão da vida. A mensagem divina que ultrapassa os séculos e nos nutre do sentimento de amor, fortalecendo-nos e dando-nos esperança.

Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, procurai saber quem é digno de vos hospedar e ficai na sua casa até que partais de novo. – Entrando na casa, saudai-a assim: Que a paz seja nesta casa. Se a casa for digna disso, a vossa paz virá sobre ela; se não o for, a vossa paz voltará para vós. (Mateus, cap. X, vv 11 e 15). O maior exemplo para conversão são os atos. E mesmo assim. Existem criaturas que mesmo sendo ajudadas distribuem agressões. É a condição humana. Vivemos no mundo interior o céu ou inferno que construímos, mas os outros não fazem a mínima ideia de como estamos interiormente. Agimos literalmente como animal ferido que possui um espinho na pata que o tratador não vê e acaba não entendendo o porquê dele estar agressivo mesmo sendo objeto de carinho e de boa alimentação. Então, ao transmitirmos a mensagem precisamos escolher a quem a estamos fazendo. Não querer converter a todos. Devemos sim, informar aqueles que nos buscam. Dar o remédio de acordo com o doente.

Quando nos diz que a nossa paz voltará para nós, deixa-nos claro que não devemos nos agastar com o que o outro nos faz. Que deveremos seguir em frente e caminhar. Quando alguém não vos queira receber, nem escutar, sacudi, ao sairdes dessa casa ou cidade, a poeira dos vossos pés. Quando batemos a poeira da roupa ou do calçado estamos usando a figura de linguagem representativa “de não nos permitirmos impregnar pela sujeira psicológica alheia”. Batendo até o pó, os pensamentos remanescentes em virtude do comportamento do outro e sigamos em frente.

Digo-vos, em verdade: no dia do juízo, Sodoma e Gomorra serão tratadas menos rigorosamente do que essa cidade. Conta-se que as duas cidades tratavam os forasteiros de forma agressiva e praticavam a tortura para com eles e segundo a Bíblia judaica Deus havia mandado descer do céu fogo e enxofre para destruí-las. A questão do juízo é a própria consciência que nos cobra ora ou outra o compromisso assumido com a divindade de evoluirmos incessantemente.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Janeiro de 2015

Dai a César o que é de César

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante: walkiria.wlac@yahoo.com.br

“Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se entre si para enredá-lo com as suas próprias palavras. – Mandaram então seus discípulos, em companhia dos herodianos, dizer-lhe: Mestre, sabemos que és veraz e que ensinas o caminho de Deus pela verdade, sem levares em conta a quem quer que seja, porque, nos homens, não consideras as pessoas. Dize-nos, pois, qual a tua opinião sobre isto: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo? Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo. E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: De quem são esta imagem e esta inscrição? – De César, responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ouvindo-o falar dessa maneira, admiraram-se eles da sua resposta e, deixando-o, se retiraram. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 15 a 22. – S. MARCOS, cap. XII, vv. 13 a 17.)

É-nos permitido incluir modismos nos Centros Espíritas tendo como alegação que a necessidade de arrebanhar novos adeptos para a Religião? Melhor dizendo, podemos adequar os ensinamentos espíritas para os dias atuais para, desta forma, fazermos com que mais pessoas tornem-se espíritas?

A situação apresentada no parágrafo anterior é a mesma que tentaram colocar Jesus. Com uma diferença: hoje, os conhecimentos vindos da espiritualidade superior e os próprios exemplos escritos ou falados nas nossas reuniões mediúnicas espíritas nos dão prova que é necessário separarmos o joio do trigo e que a informação deve sair de dentro das Instituições Espíritas para a rua e não o inverso. Então a adequação deverá ocorrer primeiro em nossos lares, em decorrência das informações que trazemos do Centro. Informações de amor, perdão, renovação íntima e mudança constante em busca do sentido existencial da vida.

Jovens e velhos permitem-se evadir das Casas Espíritas, tidas como rígidas, acreditando que poderão formar agrupamentos mais sintonizados com o Cristo. O Mestre Rabi não nos deixou nenhuma palavra escrita, mas seu exemplo foi tão forte que muitos escreveram e escrevem sobre Ele. Tento imaginar Jesus nos dias atuais, recém entrando na puberdade e participando das nossas Instituições. Será que Ele iria se satisfazer com pequenas recreações ou gostaria de estudar o Evangelho de forma adequada ao seu entendimento ainda juvenil? Contentar-se-ia em fazer tratamentos infindáveis de passes ou buscaria compreender o que vem a ser o trabalho de renovação interior e procuraria fazê-la em si mesmo?

E quando os primeiros sinais da mediunidade começassem a lhe envolver, permitiria que “as vozes do além” lhe ditassem a conduta ou procuraria estudar, aprender e desbravar a sua própria psique antes de procurar se associar a outras psiques em trabalhos de reuniões mediúnicas? E quando, pela sua facilidade em falar e magnetismo que emana, começasse por fazer palestra, estudaria Kardec ou acreditaria que o que está nos livros da codificação foi escrito em outro século e que agora as coisas mudam na velocidade da luz e que por isso o valor das experiências vividas valem mais que o que os espíritos explicam no próprio Evangelho Segundo o Espiritismo e em O Livro dos Espíritos?

Não estamos dizendo nada demais. A questão 625 de O Livro dos Espíritos nos traz que Jesus é o nosso modelo e guia, então, por conseguinte, o que Ele fizesse hoje seria correto também o fazermos. Às vezes, nos arvoramos em sermos precursores de verdades. Mas em se tratando de Espiritismo, tais verdades já foram ditas. E não foram ditas por Kardec, mas por Jesus. O que Kardec e a plêiade de Espíritos capitaneada pelo Espírito de Verdade fizeram foi “explicar e desenvolver” (Livro A Gênese, cap I, item 28). Então, incorporar modismos a doutrina é querer incorporar modismos a Jesus.

Quando o Mestre foi consultado sobre se era correto pagar ou não o tributo a César Ele deixou bem claro que o que é do mundo segue as regras do mundo e que a parte espiritual nos rege as regras de conduta moral. Como somos o mesmo ser humano nos dois mundos, depreendemos que o mundo espiritual pré existia, existe e continuará existindo, cabendo-nos neste mundo de relação estabelecer regras sociais de conduta assemelhadas as espirituais e não o inverso.

Dar a César o que é de César faz-nos refletir sobre o cidadão que somos na sociedade, o respeito que devemos as regras e as pessoas e qual realmente deve ser nosso comportamento “com as coisas santas”. Se realmente alguns querem aplicar as regras de fora dentro da Instituição estará fazendo do Centro um local como outro qualquer: uma praça, um shopping, etc. Nos quais as pessoas se reúnem com finalidade social e não espiritual.

Ao adentrarmos uma Instituição Espírita queremos encontrar lá um local diferente do que estamos vivendo. Onde existam regras; onde se fale de amor, mas que se viva o amor; que profiram palavras aconchegantes, mas que elas estejam balizadas nos precursores do Espiritismo; que o homem ou mulher que adentre a Instituição saiba que o local que ele (a) está é diferente e por ser diferente é que é bom. Que os jovens ao procurar a Instituição não encontrem, infelizmente, a continuação de suas casas, nas quais o poder “do grito” e de quem tem mais influência fale mais alto e não o poder do exemplo.

Realmente reflitamos: queremos trazer os hábitos de fora para a Instituição Espírita ou gostaríamos, se pudéssemos, morar na Instituição Espírita? Se a nossa resposta for à segunda opção é porque a Instituição a qual frequentamos possui regras, mais ainda, é uma Instituição que prega Kardec, que prega e procura vivenciar Jesus.

Jornal O Clarim – Janeiro de 2015

La violência somos todos

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Hora de autoanálisis. Va a comenzar más un año. Vamos a hacerlo diferente.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Nos quejamos de la violencia urbana que envuelve a los bandidos y el violento tránsito urbano e interurbano. Culpamos las carreteras y la falta de señales y fiscalización por las tragedias que desfilan por las calles y carreteras de todo el país.

Nos molesta que las autoridades no refrenan la saña de los pibes de calle, de los secuestradores y de los jefes de la producción y del tráfico de drogas y aún cierran sus los ojos a lo libre comercio de ilegales, tales como piratería de todo el orden, celulares y demás electrónicos, que llegan incluso a ser negociados libremente en ferias públicas criadas para ese fin. ¡Justa reacción y justa reclamación!

Será ésa, sin embargo, ¿la peor violencia de qué la humanidad padece? Si considerásemos todos los tipos de violencia, necesitaríamos de un policial honrado para cada ciudadano; imposible. Mejor será que cada uno se vigile a sí propio.

¿Qué decir de la violencia de los hogares, cuándo esposo y mujer pelean por desentendimientos, por adulterio, por el vicio del alcoholismo y otros qué tales, a veces incluso matándose, y en otras tantas dando un ejemplo negativo para los hijos qué, aunque traídos al mundo para ser educados, acaban volviéndose huérfanos de padres vivos? Peor de que los que viven en abrigos, porque éstos por lo menos cuentan con cierta asistencia educacional y alimentar.

Cuando damos ejemplos de mala educación, la violencia somos nosotros. Al perder la oportunidad de enseñar el bien, contribuimos para diseminar el mal. Cuando el motorista, con el escape abierto en su máquina de 1000 cilindradas, acelera enfrente al hospital o de madrugada mientras las personas reposan, comete violencia. Cuando el doctor llega a su mansión durante la noche y bocina para que le abran el portón, porque no tuvo el cuidado de automatizarlo, lo violento es él. Cuando alguien nos da vez en el tránsito o para entrar en el ascensor o en la tienda o en el restaurante y nosotros ni lo miramos para decir gracias, estamos siendo violentos. En vez de colocar una sonrisa en los labios del otro y estimularlo a repetir el ademán, hicimos con que él destilase encono, arrepentimiento por la gentileza o, por lo menos, chasco con nuestra falta de educación.

Cuando equipamos nuestro coche con sonido que agrede a los otros, cometemos violencia; cuando el candidato manda alguien herir al oído de la población divulgando su nombre como lo más trabajador y honesto de los mortales, qué comprobadamente es un embuste, comete violencia; cuando la TV pasa sus “reality shows” y novelas obscenas y que solo enseñan estafas, alevosía, comete violencia; cuando las películas de la TV funcionan como auténticas universidades del crimen, enseñando detalles de delincuencia, cometen violencia; cuando el deportista, para conseguir la victoria, agrede el colega de profesión, de forma gruesa, con patadas y puntapiés, algo que ni lo más violento animal hace, comete violencia. Y nosotros, cuando prestigiemos reputadas marcas que prestan sus nombres comerciales para aumentar sus ganancias de forma igualmente inmoral, adornadas de mujeres famosas y galanes coquetones, también cometemos violencia. Ellos sólo existen porque tiene espectadores: ¡nosotros!

Cuando cerramos el cruce, caminamos en lo opuesto, sobrepasamos el límite de seguridad de nuestro vehículo, pasamos en la señal cerrada y no tenemos paciencia para ser solidarios en el tránsito, cometemos violencia.

La educación no es algo que se enseñe por departamentos: educación sexual en las escuelas, encuentro de parejas para reeducarlos en la relación, educación para el tránsito. O una persona es educada o no tiene educación, porque eso se aprende en el hogar, además de las inclinaciones que ya traemos de maduraciones anteriores. Incluso de vidas pasadas, lo que es claramente demostrado por el comportamiento diferente entre las personas. Podemos recibir informaciones y cultura, pero no educación. ¡Las palabras engañan!

Cuando las partes son buenas, el todo será bueno. En el día en el que cada hogar sea un reducto armónico en el cual las personas se amen y se respeten, sea renunciando algunas veces hasta de sus sagrados derechos para que los demás sean beneficiados, sea demostrando desprendimiento y amor por el semejante, todo irá a mejorar. Los mayores obstáculos se llaman orgullo y egoísmo, las dos llagas generadores de los grandes males sociales: ambición, prepotencia, amor-propio; ¡diferentes estados de violencia!

La corrupción es violenta y la gran mayoría de los seres humanos, en mayor o menor dosis, se encuadra en esta lamentable categoría. Al sobornar un

policía, al dar propinas para tener facilidades, al arrollar los derechos ajenos, al cortar las colas prevaleciéndonos de pretenso prestigio, practicamos corrupción que compromete allende nosotros el otro envuelto en la trama. Ejemplos de violencia. ¿Son delitos ligeros? No; no hay medio crimen, ni medio robo, ni media violencia; así como no hay medio estupro ni medio embarazo. O es un bien o es un mal.

El mundo solo podrá ser arreglado desde la individualidad humana y no del exterior para adentro. Cierto qué está difícil convivir con la violencia de la calle, con la prepotencia de “chicos”, supuestos guardadores de coche (¡sic!), con el tráfico que impone silencio en la chabola, invade escuelas y manda cerrar tiendas. Esto nadie puede evitar solo. Podemos, sin embargo, no ser de ellos si nos eduquemos a tiempo. Si no apocamos la violencia, también no añadiremos más leña en esa triste fogata que arde en las almas humanas.

Un proyecto impostergable. ¡Combatamos la violencia con nuestra educación! ¡2015 es el tiempo cierto para que iniciemos esa revolución interior!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Enero de 2015

 

A violência somos todos

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RIE_JAN_2015Hora de autoanálise. Vai começar mais um ano. Vamos fazê-lo diferente.

Queixamo-nos da violência urbana que envolve a bandidagem e o massacrador trânsito urbano e interurbano. Culpamos as estradas e a falta de sinais e de fiscalização pelas tragédias que desfilam pelas ruas e rodovias de todo o país.

Reclamamos que as autoridades não refreiam a sanha dos pivetes, dos sequestradores e dos chefes da produção e do tráfico de drogas, e fecham os olhos ao livre comércio de ilegais, tais como pirataria de toda ordem, entorpecentes, celulares e demais eletrônicos, que chegam até mesmo a ser comercializados livremente em feiras públicas criadas para esse fim. Justa reação e justa reclamação!

Será essa, porém, a pior violência de que a humanidade padece? Se considerássemos todos os tipos de violência, precisaríamos de um policial honesto para cada cidadão; impossível. Melhor será que cada um policie a si próprio.

Que dizer da violência dos lares, quando marido e mulher se engalfinham por desentendimentos, por adultério, pelo vício do alcoolismo e outros que tais, às vezes até matando-se, e em outras tantas dando um exemplo negativo para os filhos que, embora trazidos ao mundo para serem educados, acabam tornando-se órfãos de pais vivos? Pior do que os que vivem em orfanatos e abrigos, porque estes pelo menos contam com certa assistência educacional e alimentar.

Quando damos exemplos de má educação, a violência somos nós. Ao perder a oportunidade de ensinar o bem, contribuímos para disseminar o mal. Quando o motoqueiro, com o escapamento aberto na sua máquina de 1000 cilindradas, acelera em frente ao hospital ou de madrugada enquanto as pessoas repousam, comete violência. Quando o doutor chega à sua mansão durante a noite e buzina para que lhe abram o portão, porque não teve o cuidado de automatizá-lo, o violento é ele. Quando alguém nos dá passagem no trânsito ou para entrar no elevador ou na loja ou no restaurante e nós nem o olhamos para dizer obrigado, estamos sendo violentos. Em vez de colocar um sorriso nos lábios do outro e estimulá-lo a repetir o gesto, fizemos com que ele destilasse ódio, arrependimento pela gentileza ou, no mínimo, decepção com nossa falta de educação.

Quando equipamos nosso carro com som que agride os outros, cometemos violência; quando o candidato manda alguém ferir o ouvido da população divulgando seu nome como o mais trabalhador e honesto dos mortais, o que comprovadamente é mentira, comete violência; quando a TV passa seus reality shows e novelas obscenas e que só ensinam fraudes, traição, mentiras, comete violência; quando os filmes da TV funcionam como autênticas universidades do crime, ensinando detalhes de delinquência, cometem violência; quando o esportista, para conseguir a vitória, agride o colega de profissão, criminosamente, com socos e pontapés, algo que nem o mais violento animal faz, comete violência. E nós, ao prestigiarmos reputadas marcas que emprestam seus nomes comerciais para aumentar seus lucros de forma igualmente imoral, adornadas de mulheres famosas e galãs charmosos, também cometemos violência. Eles só existem porque tem espectadores: nós!

Quando fechamos o cruzamento, trafegamos na contramão, ultrapassamos o limite de segurança de nosso veículo, passamos no sinal fechado e não temos paciência para ser solidários no trânsito, cometemos violência.

A educação não é algo que se crie por departamentos: educação sexual nas escolas, encontro de casais para reeducá-los no relacionamento, educação para o trânsito. Ou uma pessoa é educada ou não tem educação, porque isso se aprende no lar, além das tendências que já trazemos de amadurecimentos anteriores. Inclusive de vidas passadas, o que é claramente demonstrado pelo comportamento diferente entre as pessoas. Podemos receber informações e cultura, mas não educação. As palavras enganam!

Quando as partes forem boas, o todo será bom. No dia em que cada lar for um reduto harmônico no qual as pessoas se amem e se respeitem, seja abrindo mão algumas vezes até de seus sagrados direitos para que os demais sejam beneficiados, seja demonstrando desprendimento e amor pelo semelhante, tudo irá melhorar. Os maiores obstáculos chamam-se orgulho e egoísmo, as duas chagas geradoras dos grandes males sociais: ambição, ganância, prepotência, amor-próprio; diferentes estados de violência!

A corrupção é violenta e a grande maioria dos seres humanos, em maior ou menor dose, se enquadra nesta lamentável categoria. Ao comprar o policial, ao dar propinas para ter facilidades, ao atropelar os direitos alheios, ao furar filas prevalecendo-nos de pretenso prestígio, praticamos corrupção que compromete além de nós o passivo envolvido na trama. Exemplos de violência. São delitos leves? Não; não há meio crime, nem meio roubo, nem meia violência; assim como não há meio estupro nem meia gravidez. Ou é certo ou é errado.

O mundo só poderá ser consertado a partir da individualidade humana e não de fora para dentro. Certo que está difícil conviver com a violência da rua, com a prepotência de “flanelinhas”, supostos guardadores de carro (sic!), com o tráfico que impõe silêncio na favela, invade escolas e manda fechar lojas. Mas isto ninguém pode evitar sozinho. Podemos, porém, não ser um deles se nos educarmos a tempo. Se não diminuirmos a violência, também não acrescentaremos mais lenha nessa triste fogueira que arde nas almas humanas.

Um projeto inadiável. Combatamos a violência com a nossa educação! 2015 é o tempo certo para iniciarmos essa revolução interior!

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – janeiro de 2015

Não brinquemos com sentimentos

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Octávio Caúmo Serrano

As almas embrutecidas não conhecem valores morais

Nos dias atuais, com a banalização do sexo, as pessoas imaginam que somos apenas libido. Que não temos sentimentos e não precisamos amar. Mas esta não é a realidade. Apesar da liberação das uniões libertinas, ninguém tem domínio pleno do seu coração a ponto de garantir que não criará vínculos emocionais depois de uma aventura, por mais irresponsável que pareça.

Duas pessoas são duas emoções diferentes, dois feixes com histórias particulares e que reagem ao seu modo nas diferentes circunstâncias da vida. Por isso é que há honestos e desonestos, sentimentais e embrutecidos, alegres e tristes, corajosos e covardes; cada um carregando sua própria história.

No campo do relacionamento, isso não é diferente. Quando duas pessoas têm uma aventura, ainda que descompromissada – aparentemente apenas biológica -, em cada uma ficará um traço pessoal. Para um é possível que o ato do sexo seja como tossir, espirrar ou executar um movimento corporal. Mas para o outro, ou outra, aquele relacionamento furtivo ou fortuito, pode ser o coroamento de um projeto de longa espera, com a alimentação de que, a partir dali, a relação cresça e se fortifique. Um momento ansiosamente esperado; quem sabe?

Imprevisível imaginar o que pode acontecer a partir do rompimento, porque para aquele que não teve nenhum interesse extra o sentimento do outro nem mesmo pode ser compreendido e por ele não se sente responsável. Como para um não passou de brincadeira ocasional, nem lhe passa pela cabeça que para o outro teve importância diferente. Imagina por seus interesses o que o outro sente.

Esta é a razão de muitas tragédias amorosas em que o julgamento da sociedade nem sempre pode compreender as razões do desequilíbrio do infrator. É muito fácil dizermos: “se não dá mais, vai cada um para o seu lado e ponto final.” Só que na prática não é assim que funciona, porque nem sempre conseguimos dominar o sentimento como controlamos um cavalo ou um veículo por meio do freio apropriado.

Quem não tem interesse em levar adiante um relacionamento, pense bem antes de comprometer-se para não causar lesões irreversíveis ou incuráveis na outra parte. Jamais se prevaleça da fraqueza do outro porque uma alma ferida pode se transformar numa arma incontrolável, viva ou morta, já que o instinto passa a dominar a razão quando a lógica e o bom senso desaparecem por completo. As manchetes da mídia testemunham isso todos os dias. Nos jornais, nas rádios e nas TVs. Sem considerarmos as perturbações espirituais nascidas das obsessões, pouco compreendidas pela maioria das pessoas, que muitas vezes levamos para encarnações futuras.

É certo que nem todas as relações estão fadadas ao sucesso, mas que pelo menos ao iniciar um relacionamento haja respeito e bons propósitos. Se for impossível prosseguir por falta de afinidade, o que é normal ocorrer, que tudo seja desfeito com respeito e clareza. Ainda que a outra parte não compreenda ou aceite, é o mínimo que nos cabe fazer. Mas nunca alimentemos no outro, conscientemente, falsas esperanças.

Amar também é isso. Como ensinou Jesus, fazer ao outro apenas o que queremos para nós mesmos. Uma receita infalível. Depois, não adianta chorar!

Quando se aproxima o Natal, um tempo próprio para a autoanálise e esquematização dos objetivos para um novo ano, não crê o leitor que seja um bom tema para meditação?

Feliz 2015!

Tribuna Espírita – Novembro/Dezembro de 2014

 

Nossos filhos

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Filhos: possíveis irmãos do passado em novo reencontro

Quando conversamos com a mãe de um bebê, ouvimos reclamações do trabalho que ele dá. Dar de mamar, de três em três horas, trocar fraldas muitas vezes ao dia, ficar acordada durante a noite tentando adivinhar a dor ele sente para dar-lhe o remédio correto. Um trabalho insano. Cocô tá duro, cocô tá mole; tá branco, tá preto… Quanto sofrimento! É o que ela pensa!

Ao ouvirmos a mãe de um menino de cinco a dez anos, ela reclama que tem de brigar para que se alimente, acorde para ir à escola e faça lições de casa. Se a mãe trabalha fora, à noitinha tem de compensar as horas de ausência com carinho intenso. Trocar a quantidade pela qualidade, esquecendo-se de si mesmo, do seu repouso e do seu lazer. Não vê a hora que o filho cresça para ser independente. Já sente saudade do tempo que dava de mamar e punha no berço. Comia e dormia.

Caso seja mãe de um adolescente, as queixas são outras. Começa o período de engraçar-se com namoro, faltar à aula e não levar o estudo a sério. Reclamações chegam a toda hora e a mãe se desgasta e se aborrece com o atendimento ao filho problema. Fica nas redes sociais do celular o dia inteiro, mesmo dentro da sala de aula. Como estudar assim? Por isso, é comum ela dizer: – Filho é muito bom. Pena que cresce!

O tempo passa e agora ela é mãe de um adulto de vinte e cinco anos que se prepara para o casamento. Ela fica radiante porque um dia ganhará um neto. Pensa que isso lhe trará muita alegria e não sabe que só aumentará seus problemas e preocupações. No fim da vida, hora de descansar, vai ser babá para colaborar com o casal que trabalha fora para melhorar de vida. Comprar apartamento mais novo, carro do ano, parafernália eletrônica, celular com todos os Gs. possíveis, etc. Mas ela sempre dirá que gosta e faz tudo com muita alegria! Será que foi o que sonhou para o seu fim de vida?

Um dia, ela é mãe de cinquentona ou cinquentão e pensa que agora poderá ter sua vida independente. Engano, porque os problemas se acumulam e se multiplicam. Os irmãos brigam entre si porque cada um quer ter mais vantagens no relacionamento com os pais. Sem falar que nesta altura da vida já chegaram os agregados: genros e noras, que a transformam num parente considerado pejorativo; agora ela é a sogra. Por mais que ela se sacrifique e tente agradar, compre com dinheiro o amor dos filhos, noras e genros, nunca vai acertar. Ciumeira de todo lado!

A sabedoria popular já diz: “filho criado, trabalho dobrado.” E a mãe que sonhava vê-lo crescido, sente saudade dos tempos de berço, da escolinha do jardim, quando tinha apenas cinco anos. Ela era feliz e não sabia!

E se pensar em contar com o apoio dos filhos nas suas dificuldades, não confie muito. Outro dito popular já afirma que “uma mãe cuida de dez filhos e dez filhos não cuidam de uma mãe.” E a voz do povo é a voz de Deus!

Já diz, porém, o poeta Vinicius de Morais no seu “Poema Enjoadinho”: Filhos… Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, como sabê-los? Como saborear o que não se prova? Como um lindo bolo, o filho também sabe a mel; é certo que, às vezes, tem gosto de fel!

O importante, porém, é dar e não receber. A missão de mãe e pai é, sobretudo, transformar aquele espírito que vive no corpo do filho em alguém melhor do que era quando chegou. Se todo empenho e dedicação forem postos nesta empreitada, merecerá o respeito de Deus, Ele sim o verdadeiro Pai de todos nós. Nossos filhos são nossos irmãos que vieram morar na nossa casa por um pouco para ajudar-nos e ser ajudados. Na maioria das vezes com temperamentos antagônicos, o que transforma a tarefa dos pais numa árdua missão. Mas será assim, ainda por muito tempo, enquanto formos todos espíritos imperfeitos habitantes de um mundo de provas e expiações. Temos no DNA da alma o nosso passado milenar cheio de falhas que ainda carece de grande aprimoramento.

Que Deus abençoe mães e pais neste 2015 que acaba de chegar!

Jornal O Clarim – Matão – Janeiro de 2015