Octávio Caúmo Serrano

As almas embrutecidas não conhecem valores morais

Nos dias atuais, com a banalização do sexo, as pessoas imaginam que somos apenas libido. Que não temos sentimentos e não precisamos amar. Mas esta não é a realidade. Apesar da liberação das uniões libertinas, ninguém tem domínio pleno do seu coração a ponto de garantir que não criará vínculos emocionais depois de uma aventura, por mais irresponsável que pareça.

Duas pessoas são duas emoções diferentes, dois feixes com histórias particulares e que reagem ao seu modo nas diferentes circunstâncias da vida. Por isso é que há honestos e desonestos, sentimentais e embrutecidos, alegres e tristes, corajosos e covardes; cada um carregando sua própria história.

No campo do relacionamento, isso não é diferente. Quando duas pessoas têm uma aventura, ainda que descompromissada – aparentemente apenas biológica -, em cada uma ficará um traço pessoal. Para um é possível que o ato do sexo seja como tossir, espirrar ou executar um movimento corporal. Mas para o outro, ou outra, aquele relacionamento furtivo ou fortuito, pode ser o coroamento de um projeto de longa espera, com a alimentação de que, a partir dali, a relação cresça e se fortifique. Um momento ansiosamente esperado; quem sabe?

Imprevisível imaginar o que pode acontecer a partir do rompimento, porque para aquele que não teve nenhum interesse extra o sentimento do outro nem mesmo pode ser compreendido e por ele não se sente responsável. Como para um não passou de brincadeira ocasional, nem lhe passa pela cabeça que para o outro teve importância diferente. Imagina por seus interesses o que o outro sente.

Esta é a razão de muitas tragédias amorosas em que o julgamento da sociedade nem sempre pode compreender as razões do desequilíbrio do infrator. É muito fácil dizermos: “se não dá mais, vai cada um para o seu lado e ponto final.” Só que na prática não é assim que funciona, porque nem sempre conseguimos dominar o sentimento como controlamos um cavalo ou um veículo por meio do freio apropriado.

Quem não tem interesse em levar adiante um relacionamento, pense bem antes de comprometer-se para não causar lesões irreversíveis ou incuráveis na outra parte. Jamais se prevaleça da fraqueza do outro porque uma alma ferida pode se transformar numa arma incontrolável, viva ou morta, já que o instinto passa a dominar a razão quando a lógica e o bom senso desaparecem por completo. As manchetes da mídia testemunham isso todos os dias. Nos jornais, nas rádios e nas TVs. Sem considerarmos as perturbações espirituais nascidas das obsessões, pouco compreendidas pela maioria das pessoas, que muitas vezes levamos para encarnações futuras.

É certo que nem todas as relações estão fadadas ao sucesso, mas que pelo menos ao iniciar um relacionamento haja respeito e bons propósitos. Se for impossível prosseguir por falta de afinidade, o que é normal ocorrer, que tudo seja desfeito com respeito e clareza. Ainda que a outra parte não compreenda ou aceite, é o mínimo que nos cabe fazer. Mas nunca alimentemos no outro, conscientemente, falsas esperanças.

Amar também é isso. Como ensinou Jesus, fazer ao outro apenas o que queremos para nós mesmos. Uma receita infalível. Depois, não adianta chorar!

Quando se aproxima o Natal, um tempo próprio para a autoanálise e esquematização dos objetivos para um novo ano, não crê o leitor que seja um bom tema para meditação?

Feliz 2015!

Tribuna Espírita – Novembro/Dezembro de 2014

 

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