O que é Espiritismo? É a doutrina da mediunidade? Não. É a doutrina  que os espíritos ditaram aos homens e que foi organizada por um professor francês, católico,  que usou o pseudônimo Allan Kardec, com o lançamento de O Livro dos Espíritos? Ele explica a mediunidade, mas nem todo espírita tem tarefas no campo mediúnico só por ser adepto dessa religião.

Por que dizem que quem é médium é espírita e todo espírita é médium? Porque as pessoas não estudam, não sabem o que afirmam e acabam falando tolices. A mediunidade é atributo de todos os seres; tenham tarefas definidas com ela ou não. Por isso todos os homens são suscetíveis da influência dos espíritos, bons ou maus, conforme seus pensamentos, condutas e prioridades, enquanto estão no mundo. “Dize-me como pensas e ages e te direi que espíritos estão à tua volta, inspirando-te e levando-te a cometer atos que muitas vezes não desejas.”

Os umbandistas são espíritas? Não. Assim como os católicos, os protestantes, os messiânicos, os budistas e todos os que acreditam em algo mais além da matéria, são espiritualistas. Espíritas só os seguidores de Allan Kardec, o criador das palavras Espiritismo e Espírita, quando editou o Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857. Antes dele esses vocábulos não existiam;  portanto, os adeptos dessas doutrinas mais antigas que o Espiritismo não podem ser espíritas. Há pessoas que afirmam que Moisés condenou o Espiritismo quando recomendou que não se falasse com os mortos; está na Bíblia. Mas o que ele censurou foi a prática da comunicação mediúnica leviana e com finalidades materiais, o que o Espiritismo também condena.

Os espíritas são melhores do que os outros religiosos, porque sabem mais? Não. Pelo fato de ter conhecimentos que outros não têm, como a certeza da reencarnação que nos faz continuadores da nossa própria história, indefinidamente, o espírita é mais responsável quanto à sua conduta porque sabe que não termina com a morte. Se cometer erros terá de repará-los, nesta ou em futura encarnação. Sabe que tudo o que faz, de bom ou de mal, é a si mesmo que faz. É a única diferença com as outras doutrinas. Se desejar ser melhor, o espírita terá de destacar-se em virtudes e conduzir-se na vida como homem de bem. Sem isso, é um ser comum como qualquer outro.

Octávio Caúmo Serrano

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 25 de fevereiro de 2015.

 

 

 

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