Ofensas

2 Comentários

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

O amor e a caridade são complementos da justiça. Ao agirmos de forma correta para com os outros demonstramos humildade perante as leis e forte desejo de mudança, passando assim a sermos merecedores também de ajuda, pois estamos nos esforçando por modificar. O Perdão das Ofensas está incluso nisto, pois vivemos neste mundo de relação sendo autores e partícipes das ações. Ora somos os antagonistas, ora somos o que sofremos a ação do outro.

Temos o princípio de ação e repulsão dos fluidos. Forças iguais causam repulsão. O estar na presença de um amigo é diferente de estar na presença de um antagonista. Os fluidos emanados pelo outro nos envolvem e nos atingem muito antes que as palavras. Por isso que é natural e esperado o mal-estar sentido na presença do outro que é nosso antagônico.

“Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era.” Fracionando em três partes temos: Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio. Não sabemos as relações espirituais que nos ligam uns aos outros e mais ainda, não possuímos consciência plena das leis universais. Existem situações das quais somos acometidos, que fogem ao nosso controle por mais que tenhamos sido precavidos e usados todos os meios legais e intelectuais para evitarmos. Depreendemos disto que fazem parte do necessário reajuste com as leis em primeiro lugar e talvez, com a pessoa em questão que é móvel das nossa tribulações.

Poderemos pensar neste momento: não acontecerá nada com o outro que me faz sofrer? Acontecerá sim. Talvez o mesmo que esteja acontecendo comigo, no momento ou até pior. Tenha o outro vinculação ou não com o ato cometido por nós no passado. Deus não faz de nenhum de seus filhos o chanceler do mal. Para o necessário reajuste existem as leis da natureza que nos alcançam a todos e as próprias doenças que nos batem a porta. Algumas delas fruto da nossa falta de cuidados com ela (negligência), outras tendo origem em outras encarnações. Então não há necessidade do outro ser instrumento do nosso sofrer. Mas segundo André Luiz, para seres bestiais outros seres bestiais para que ocorram os reajustes. Até que um se canse e corte o vínculo.

Perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade. Já ouvi o seguinte ditado: Para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da lei. Adaptando ao perdão das ofensas é uma verdade. Se quisermos saber o real valor que um ato errado tenha para nós, imaginemos sempre que foi o amigo mais querido que o praticou. É sobre esta benevolência que os espíritos amigos nos falam quando nos explicam a caridade como a entendia Jesus. Ser benevolente para com quem amamos é uma prova de amizade e retribuição de amor.

Perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era. Não precisamos mostrar que somos melhores que ninguém. A melhora deve ser adquirida obtendo como ponto de partida e avaliação quem éramos, o que fizemos para melhorar e o que somos atualmente. Não existe uma disputa com ninguém. Talvez, os que estejam ao nosso derredor nem reconheçam a nossa mudança. Mais nós saberemos que mudamos.

Outra afirmação repetitiva sobre o assunto é: “Nunca perdoarei”. Aprendi com um querido amigo que a palavra nunca demora, mas que um dia acontece. A vida é um ciclo que fatos novos se sobrepõem aos antigos, misturam-se e geram novos fatos. A experiência nos faz modificar a conduta. Não dizemos idade, pois existem pessoas que envelhecem, mas não amadurecem. A maturidade nasce decorrente da experiência.

“Espíritas, jamais vos esqueçais de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser um termo vão. Pois que vos dizeis espíritas, sede-o. Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer.” Agora partimos para o outro extremo. Alguns afirmam: Eu perdoei! Perdoou nada, só não tem coragem de por em prática a vingança. O verniz social o impede. Mais por dentro guarda o desejo ardente que o outro pague o que fez. Ele ainda nos faz uma evocação: “Pois que vos dizeis espíritas, sede-o.” “Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer.” Entendo que agora vem à parte talvez mais difícil de ser compreendida: o esquecimento do mal.

A lembrança de fatos passados é algo natural e normal. Os entendidos das comunicações cerebrais estabelecidas nestes tipos de situações explicam que é normal não esquecermos o que o outro nos fez. Então de que esquecimento então está sendo falado aqui? Do não reviver o passado como se ele ainda fosse presente. Às vezes a criatura sofre a injunção do outro. Jura vingança ou simplesmente não o perdoa. Tempo passa e há o reencontro de tais criaturas. Aquele que sofreu a injunção do outro de pronto não se lembra do detalhamento do sofrimento ocorrido e mesmo quando lhe ocorre na lembrança os fatos passados, não estão com as tintas da mágoa e da tristeza. É sobre este esquecimento que ele trata aqui.

Quando ele nos fala “do bem que podemos fazer” está nos dando à receita eficaz contra o mal: fazer o bem. Fazer o bem sem olhar a quem, porque iremos nos retroalimentando deste amor e literalmente nos inundando dele, até o momento em que os fatos passados, mesmo vindo à tona, não nos tragam o sofrimento vivido à época. Sejam somente fatos e nada mais.

“Quem sabe, aliás, se, descendo ao fundo de vós mesmos, não reconhecereis que fostes o agressor?

Quantas brigas não começam por um olhar torto, uma palavra dita de mau jeito, uma suscetibilidade exacerbada da outra parte. Enfim, por situações pequenas que tomaram grande proporção e descontrole de ambas as partes. Também já conhecemos que reencarnamos e quantas situações ultrapassam as barreiras corporais transmigrando-se de uma encarnação a outra?

Jornal O Clarim – Matão – Fevereiro de 2015

 

A ética do amor

Deixe um comentário

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br

“As decisões apresentadas são firmes e honestas, exigindo o esforço que, mesmo em se convertendo em sacrifício, signifique entrega total em regime de consciência lúcida, sem margem para futuros titubeios. [É] … a instalação de uma nova ordem de ideias que deverão alterar o comportamento do indivíduo e da sociedade como um todo.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. Reconciliação)

Sendo uma proposta de vida é natural que provoque em nós certo desconforto em virtude da mudança obrigatória de atitudes. Traz-nos um repensar como um todo da nossa responsabilidade para conosco mesmos. Para os que hoje são apresentados aos princípios doutrinários, o Espiritismo traz a revolução moral que isto significa. Imaginamos o quão significativo representa para aqueles que depois de caminharem por um tempo na estrada da vida se deparam com tão reluzente respostas às perguntas intrínsecas que a criatura humana carrega consigo.

Quando deixamos o sol da doutrina espírita fazer parte de nossas vidas é como se fossemos para o outro lado da ilha que existe em nós e divisássemos um mundo novo. Saindo de um Deus que pune para uma consciência que cobra. Invertendo a linha de comando. Somos nós que somos responsáveis pelos nossos atos, não os outros. A palavra final é sempre nossa!

“Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia.” (Mateus, cap. V, v.7) Lei de causa e efeito. O mesmo se dá com relação às Leis Universais. Poderíamos chamar de princípio da reciprocidade. Também gostamos da definição do plantio antecipado. A criatura que procura agir de forma misericordiosa para com o outro sem se preocupar em medir, simplesmente procurando ter uma conduta que gostaria que tivessem para consigo, age plantando para o por vir, para que no momento que as Leis os alcance, pois nos alcança a todos, tenha méritos que lhe serão contados e usados como forma de abatimento dos sofrimentos porvindouros. É como se colocássemos dinheiro na poupança para que com os juros conseguíssemos saudar as nossas próprias dívidas.

“Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai Celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também, não vos perdoará os pecados. (Mateus, cap. VI, v.14 e 15)” Possuímos uma consciência que nos acompanha para onde formos inclusive enquanto o corpo físico descansa e saímos em desdobramento. Pois bem, quando avançamos intelectualmente é natural que procuremos avançar não só no conhecimento acadêmico, que é a nossa primeira busca, mas também no que diz respeito à origem do homem e da sua relação com Deus. Ao avançarmos, quer acreditemos nas penas eternas ou na justiça das aflições, nós espíritas sabemos que algo precisamos fazer para modificarmos a conduta. Que não poderemos agir como crianças birrentas e egoístas que queremos que nossas vontades sejam atendidas, mas não queremos retribuir o que está nos sendo feito. Não estamos nem falando em fazer a mais, é retribuir. Então a consciência nos cobra que estamos agindo de uma forma muito egoísta querendo que os outros nos perdoem as falhas, mas exigindo ceitil por ceitil a dívida do outro.

“À luz da psicologia profunda, o perdão é superação do sentimento perturbador do desforço, das figuras de vingança e de ódio através da perfeita integração do ser em si mesmo, sem deixar-se ferir pelas ocorrências afligentes dos relacionamentos interpessoais.” (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda, cap. Reconciliação). Esta é a melhor explicação que encontramos sobre perdoai para que Deus vos perdoe, pois significa não ir a forra, não querer se vingar, não acalentar o ódio no coração. Não deixar enraizar o sentimento do mal em nós.

“Se vosso irmão pecou contra vós, ide lhe exibir sua falta em particular, entre vós e ele; se ele vos escuta, tereis ganho o vosso irmão. Então Pedro se aproximou, lhe disse: Senhor, quantas vezes perdoarei ao meu irmão, quando ele houver pecado contra mim? Será até sete vezes? Jesus lhe respondeu: Eu não vos digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” (Mateus, cap. XVIII, v.15, 21 e 22)

O conversar com o outro, em particular, denota maturidade espiritual. Não precisamos trombetear os defeitos dos outros. As nossas falhas são visíveis para aqueles que queiram enxergar. E o ato de perdoar constitui algo ainda tão difícil de ser praticado tanto que Pedro tenta estipular uma forma de limitá-lo. A dor do maltrato é individual. Para um não passa de um simples arranhão, para outro se constitui em marca profunda acalentada e levada para outras encarnações. Por isso e também por isso seja tão difícil a sua prática, mas não impossível. A doutrina espírita nos apresentando a consciência da imortalidade. Traz-nos a explicação do por que da real necessidade de reajuste não do fato em particular. Para aqueles que buscamos o porquê das coisas já nos serve de consolo.

“Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário, enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade, que não saireis de lá, enquanto não houveredes pago até o último ceitil.” (Mateus, cap. V, v. 25 e 26)

Para que não haja o desenvolvimento do ressentimento levando para o pós-desencarne e para outras encarnações a mágoa profunda e o desejo de ir à desforra. Temos tais ideias em virtude da falta de amadurecimento psicológico suficiente para entendermos que o outro tem o direito de agir da forma que queira agir. Se a nossa conduta espiritual é pautada nas bases evangélicas doutrinárias não há o que se cogitar o arrefecimento do sentimento de antagonismo perante o outro. O convite é muito mais para que sigamos em frente do que fiquemos contando quantas vezes estamos a perdoar o outro. O Juiz representa a nossa consciência; o Ministro da Justiça são as Leis Morais; “para que não sejais aprisionados”, o estar encarnado representa uma situação de reajuste moral.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Fevereiro de 2015

Os espíritas e a salvação

2 Comentários

 

Qualquer semelhança entre os discursos espíritas e as promessas políticas não é mera coincidência.

 

Quando ouvimos as preleções espíritas feitas nas tribunas, e não excetuamos as nossas, pomo-nos a pensar como se assemelham às promessas de campanha dos políticos brasileiros que, após eleitos, nada realizam do que se comprometeram quando candidatos. Soubéssemos de nossas promessas antes de reencarnar e, possivelmente, agiríamos de outra maneira.

Disseram-nos que só Jesus Cristo salva, mas não entendemos de que tipo e como se processa essa salvação. Seguramente não é com a fé irracional, nem guardando santinhos na carteira ou pendurando no pescoço. Jesus Cristo salva aqueles que entenderam o seu Evangelho e o aplicam no dia a dia, nos compromissos com o próximo e, especialmente, na modificação de si mesmos.

As frases dos discursos espíritas seguem a mesmice: “precisamos fazer reforma íntima!” Precisamos mesmo. Vamos começar quando? “Precisamos praticar a caridade.” Precisamos. Vamos começar a ser caridosos quando? “Precisamos combater o egoísmo e o orgulho, tornando-nos mais humildes e solidários.” Precisamos. Já marcamos a data da inauguração da nossa humildade. Precisamos de paz. Precisamos. Que contribuição estamos dando? Ou apenas vamos ficar vestindo roupa branca nas passeatas e repetindo, indefinidamente, que precisamos, precisamos, precisamos. Não é o que fazem os políticos, quando se referem aos governos adversários?

O Espiritismo veio ao mundo na hora certa, depois de Moisés divulgar o Deus espírito, o Deus energia, o Deus Criador e Lei e acabou com o deus mitológico dos helênicos ou a crença egípcia da multiplicidade de entidades para veneração. O Deus espírita não premia nem pune; deixa que ela se cumpra igualmente em todos os seres porque não há privilegiados sem merecimento. Baseia-se na ação e reação. Cada um faz o que quer e recebe tudo de volta; bom ou mau.

Não se concebe que uma pessoa se dedique à Doutrina dos Espíritos, frequentando ou colaborando e depois de anos continue com o mesmo comportamento da primeira hora em que descobriu o Espiritismo. Não avançou na direção da espiritualidade superior, nem combateu seus mais elementares vícios ou defeitos; nada realizou na luta contra a sua inferioridade. Não acrescentou um grama à sua paciência; se é que tinha alguma. Que faz no centro? Age como os misseiros que vão à igreja, ouvem o padre por trinta minutos, recebem a hóstia contritamente, tiram a roupagem dos sagrados e voltam em seguida ao mundo da indiferença, da descrença e da irresponsabilidade. Os que raciocinam do tipo “deixa como está pra ver como é que fica.” Não entenderam nada!

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que faz para domar suas más inclinações.” Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, Sede Perfeitos. O Codificador não disse que o verdadeiro espírita é o que aplica passes, nem o que faz palestras, recebe muitos espíritos, psicografa livros ou o que distribui cestas básicas. Enfatiza a maior tarefa que temos de empreender em cada encarnação: a autorreforma. Tudo o mais representa recursos que aplicamos para realizar nosso próprio aprimoramento. Se não sairmos do mundo melhor do que chegamos, nada valeu a pena.

Já que precisamos, conforme repetimos amiúde, vamos começar. Saber que precisamos é o começo, mas se não realizarmos o tempo passa, ficamos de pés fincados no chão e, mais uma vez, vamos chorar o tempo perdido. Nesta encarnação, pelo menos, já não podemos mais dizer “eu não sabia”. Sabemos e muito bem. O que nos falta é convicção, decisão e coragem.

A hora é agora!

Jornal O Clarim – Fevereiro de 2015

A gestação de um artigo

1 Comentário

RIE_fev_2015

Há quase 25 anos nascia “O Nosso Centro”.

Perguntaram-me certa vez que tipo de inspiração recebo para criar matérias para a imprensa espírita. Respondi que não há uma receita única, podendo ser resultado de tema estudado no centro espírita, algum acontecimento observado nas visitas a outras casas, assunto atual que merece análise pela visão espírita etc. Um dos meus artigos, porém, posso explicar como nasceu.

Lá pelo ano de 1991, chegando à nossa casa espírita, um frequentador assíduo, o saudoso seo Hélio, barbeiro, na altura dos seus setenta anos de idade, dirigiu-se a mim e disse:

– Seo Octávio, encontrei um amigo com problemas e lhe disse que viesse ao nosso centro. No mesmo instante, meus ouvidos já não mais escutavam aquele homem e, como um sinal luminoso que piscava, ali estava a expressão “nosso centro”, “nosso centro”, de forma intermitente.

Já sem ouvir o que seo Hélio dizia, iniciei um solilóquio no qual indagava, no silêncio da minha própria intimidade, por que nosso centro? Nosso de quem? Quem foi o fundador? Como se deu o “epicentro”? Conhecemos de verdade o nosso centro? Sabemos se a casa é própria ou alugada? Quem paga as despesas com reparos, luz, água, material de limpeza, IPTU, eventual aluguel?…

Acrescentei mais sobre o atendimento da casa, a responsabilidade pela administração etc. Dessa forma, esbocei mentalmente o artigo “O Nosso Centro” – que pode ser conferido na íntegra no endereço https://essenios.files.wordpress.com/2008/10/o-nosso-centro.pdf.

Na manhã do outro dia, ao chegar no escritório, na velha máquina de escrever IBM elétrica – ainda não conhecia o computador – comecei a datilografar a matéria e, apressadamente, enviei ao jornal Semeador da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Tudo via envelope selado e por correio convencional na agência mais próxima.

Dia seguinte, menos entusiasmado, reli o artigo e constatei que era das piores coisas que eu já havia feito, sem falsa modéstia. Falava de doutrina, ia para administração, voltava ao Espiritismo, comentava sobre legislação; um atropelamento jornalístico, sem sequência lógica. Um arrependimento bateu em mim, mas raciocinei: eles terão o bom senso de perceber que isso não tem a menor qualidade e, certamente, não o publicarão. Com esse raciocínio, procurei acalmar-me.

O jornal era quinzenal e já na edição seguinte, ao folheá-lo, na contracapa lá estava, em coluna do alto ao rodapé, impoluto, “O Nosso Centro”. Senti um frio na espinha e fiquei com vergonha de ter assinado algo tão pueril; narração típica de aluno do primário. “Calma”, pensei; a recomendação é que antes de mandar se revise à exaustão; eu na minha afoiteza, desprezei o conselho sem dar tempo ao tempo!… A sorte está lançada e o mal já está feito; que me sirva de lição para as próximas oportunidades.

Menos de trinta dias depois, recebo um folder que me foi entregue por uma trabalhadora do centro, Nilza de Souza Oliveira, funcionária do metrô de São Paulo e que tinha como seu superior o Dr. Mario Bardella, sobrinho do médium João Nunes Maia, que tanta coisa importante nos trouxe pelo espírito Miramez. O Centro Espírita Maria Nunes (mãe de João) de Belo Horizonte, havia impresso grande quantidade de folhetos para encartar nos livros da editora. Ao visitar o tio, Dr. Bardella viu nos escaninhos do centro várias mensagens e esta chamou sua atenção. Recolheu dez exemplares e entregou à Nilza, dizendo-lhe: – Veja que matéria interessante. Ao que ela comentou: – É do Octávio, lá do nosso centro!

Logo depois, escrevi à Juselma Coelho, dileta confreira de BH, agradecendo pela divulgação e ela respondeu que agora estava aliviada porque havia ousado divulgar o trabalho sem minha autorização, por entendê-lo oportuno, pois não tinha ideia de como contatar-me.

A partir daí, “O Nosso Centro” saiu em muitos veículos espíritas, de todo país, centros reproduziram em folder ou fotocópia para distribuir entre seus colaboradores e assistidos, culminando com um troféu que me foi entregue como PRÊMIO AJE-SP-92, pela Associação dos Jornalistas Espíritas de São Paulo, hoje ADE-SP, como o melhor artigo do ano, que ainda conservo com muita alegria. Recebi-o no auditório Bezerra de Menezes da FEESP.

Ao analisar o que aconteceu, uma confreira me disse que eu fui o advogado do dirigente espírita e porta-voz de um pedido de socorro. Digo na matéria que o Espiritismo somos todos nós e não é preciso esperar convite para participar; devemos oferecer-nos para colaborar!

Cheguei à conclusão que as coisas espirituais são simples e que foi exatamente nesse aspecto que meu artigo atingiu o coração das pessoas. Já escrevi, e tenho consciência disso, páginas mais bem elaboradas, mas não tenho certeza de que atingiram o alvo com a mesma precisão de “O Nosso Centro”.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Fevereiro de 2015

La gestación de um artículo

Deixe um comentário

Hace casi 25 años nacía “Nuestro Centro”.

Octávio Caúmo Serrano | caumo@caumo.com

Me preguntaron cierta vez que tipo de inspiración recibo para crear materias para la prensa espiritista. Contesté que no hay una receta única, pudiendo ser resultado de tema estudiado en el centro espiritista, algún acontecimiento observado en las visitas a otras casas, asunto actual que merece análisis por la visión espiritista etc. Uno de mis artículos, sin embargo, puedo explicar cómo nació.

Allá por el año de 1991, llegando a nuestra casa espiritista, un frecuentador asiduo, don Helio, barbero, en la altura de sus setenta años de edad, se dirigió a mí y dijo:

– Don Octávio, encontré a un amigo con problemas y le dijo que viniese a nuestro centro. En el mismo instante, mis oídos ya no más escuchaban aquel hombre y, como una señal luminosa que parpadeaba, allí estaba la expresión “nuestro centro”, “nuestro centro”, de forma intermitente.

Ya sin oír lo que don Helio decía, inicié un soliloquio en el cual indagaba, en el silencio de mi propia intimidad, ¿por qué nuestro centro? ¿Nuestro de quién? ¿Quién fue el fundador? ¿Como si dio el “epicentro”? ¿Conocemos de verdad nuestro centro? ¿Sabemos si la casa es propia o alquilada? ¿Quién pague los gastos con reparos, luz, agua, material de limpieza, IPTU, eventual alquiler?…

Añadí más sobre el servicio de la casa, la responsabilidad por la administración, etc. De esa forma, esbocé mentalmente el artículo “Nuestro Centro” – que puede ser conferido en la íntegra en la dirección https://essenios.files.wordpress.com/2008/10/o-nuestro-centro.pdf.

En la mañana del otro día, al llegar a la oficina, en la vieja máquina de escribir IBM eléctrica – aún no conocía la computadora – empecé a dactilografiar la materia y, apresuradamente, envié al diario Semeador de la Federación Espiritista del Estado de São Paulo. Todo sobre ensillado y por correo convencional en la agencia más próxima.

Día siguiente, menos entusiasmado, releí el artículo y constaté que era de las peores cosas que yo ya había hecho, sin falsa modestia. Hablaba de doctrina, iba para administración, volvía al Espiritismo, comentaba sobre legislación; un arrollamiento periodístico, sin secuencia lógica. Un arrepentimiento batió en mí, pero raciociné: tendrán ellos el buen sentido de percibir qué eso no tiene la menor calidad y, ciertamente, no lo publicarán. Con ese raciocinio, busqué calmarme.

El diario era quincenal y ya en la edición siguiente, al hojearlo, en el interior de la portada del periódico allá estaba, en columna del alto al rodapié, impoluto, “Nuestro Centro”. Sentí un frío en mi espina y me quedé con vergüenza de haber firmado algo tan pueril; narración típica de alumno del primario. “Calma”, pensé; la recomendación es que antes de mandar se revise muchas veces; ¡yo muy imprudente, desairé el consejo sin dar tiempo al tiempo!… La suerte está lanzada y el mal ya está hecho; que me sirva de lección para las próximas oportunidades.

Menos de treinta días después, recibo un folder que me fue entregue por una trabajadora del centro, la Sra. Nilza da Silva Oliveira, empleada del metro de São Paulo y que tenía como su superior el Dr. Mario Bardella, sobrino del médium João Nunes Maya, que tanta cosa importante nos trajo por el espíritu Miramez. El Centro Espiritista Maria Nunes (madre de João) de Belo Horizonte, había imprimido grande cantidad de folletos para encartar en los libros de la editora. Al visitar el tío, Dr. Bardella vio en la recepción del centro varios mensajes y ésta llamó a su atención. Recogió diez ejemplares y entregó a doña Nilza, diciéndole: – Vea que materia interesante. A lo que ella comentó: – ¡Es de Octávio, allá de nuestro centro!

Enseguida, escribí a la Sra. Juselma Coelho, dilecta espiritista de BH, agradeciendo por la divulgación y ella contestó que ahora estaba tranquila porque había osado divulgar el trabajo sin mi autorización, por entenderlo interesante, pues no tenía como contactarme.

A partir de allí, “Nuestro Centro” salió en muchos vehículos espiritistas, de todo el país, centros reprodujeron en folder o fotocopia para distribuir entre sus colaboradores y asistidos, culminando con un trofeo que me fue entregue como PREMIO AJE-SP-92, por la Asociação dos Jornalistas Espíritas de São Paulo, hoy la ADE-SP, como el mejor artículo del año, que aún conservo con mucha alegría. Lo recibí en el auditorio Bezerra de Menezes de la FEESP.

Al analizar qué pasó, una amiga me dijo que yo fui el abogado del dirigente espiritista y portavoz de un pedido de socorro. Digo en la materia que el Espiritismo somos todos nosotros y no es necesito esperar invitación para participar; ¡debemos ofrecernos para colaborar!

Llegué a la conclusión que las cosas espirituales son simples y que fue exactamente en ese aspecto que mi artículo alcanzó el corazón de las personas. Ya escribí, y tengo conciencia de eso, páginas más bien elaboradas, pero no tengo certeza del que alcanzaron el objetivo con la misma precisión de “Nuestro Centro”.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Febrero de 2015

 

RIE 25 ANOS

6 Comentários

Octavio_Pensando

Articulista Octávio Caúmo Serrano completa, em fevereiro, 25 anos ininterruptos de contribuição à Revista Internacional de Espiritismo.

  • Cássio Leonardo Carrara

Paulistano da Bela Vista, nascido em 1934, e residindo desde 1997 em João Pessoa, capital do estado que o homenageou em 2005 com o título de Cidadão Paraibano, Octávio Caúmo Serrano é espírita desde a década de 1970. Estudou e trabalhou na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) e em grupos ligados à Aliança Espírita Evangélica e Fraternidade dos Discípulos de Jesus – Setor III, colaborando com palestras e aulas em diferentes centros. Pai de Octávio Alcântara Caúmo e viúvo de Maria Alcântara Caúmo, com quem ficou casado por 54 anos, fundou juntamente com a esposa, em 1982, o Centro Kardecista Os Essênios, na Vila Guarani em São Paulo (que há seis anos é C.E. Eurípedes Barsanulfo). Em João Pessoa, fundou instituição de mesmo nome no dia 1º de abril de 1997, que preside atualmente. Autor dos livros Pontos de Vista e Modos de Ver, da Casa Editora O Clarim, apreciador da poesia, autor dos blogs http://www.ocaumo.wordpress.com e http://www.essenios.wordpress.com, Caúmo foi convidado no final da década de 1980 por Wallace Leal V. Rodrigues a contribuir para a Revista Internacional de Espiritismo. Seu primeiro texto foi publicado na edição de fevereiro de 1990, completando nesta edição 25 anos de colaboração.

RIE – Como surgiu a possibilidade, em fevereiro de 1990, de iniciar a colaboração com artigos na RIE?

Octávio Caúmo Serrano – Solicitado pelo saudoso Wallace Leal Rodrigues, na época diretor responsável da Casa Editora O Clarim, enviei a matéria Reencarnação. Infelizmente o companheiro desencarnou logo a seguir e seu substituto, o atual diretor e dileto amigo Aparecido Belvedere que entrou em contato comigo para que o desenho ilustrativo fosse melhorado, porque pretendia publicar o material, o que realmente veio a acontecer.

RIE – Em que período a coluna mensal passou a ser bilíngue, com as versões em português e espanhol?

Caúmo – A coluna passou a ser bilíngue em junho de 1998 (já se vão quase 17 anos) quando a RIE manifestou interesse em ter na revista textos em diferentes idiomas. Nessa época saiam, ocasionalmente, textos em italiano, inglês, alemão, francês, sueco, além do nosso com compromisso mensal, que jamais deixou de ser publicado.

RIE – Você recebe ajuda com as traduções?

Caúmo – Nunca estudei espanhol, mas gosto muito de falar a língua, o que só faço em viagens, e havia sempre comentários no exterior que eu me expressava com facilidade em castelhano. Atribuo essa facilidade que tenho a alguma eventual encarnação em país de língua hispânica. É inexplicável a alegria que sinto ao falar a língua e a extroversão que experimento quando estou num país desse idioma. Algo que não consigo nem na minha terra natal. Sem poder comprovar, é algo que me intriga. É evidente que, sem conhecer as particularidades da língua como só conhecem os nativos, minhas traduções deixam a desejar. Não chega a ser um “portunhol” ou um “espanguês”, mas as expressões idiomáticas me são desconhecidas. Surgiu a oportunidade de, por um tempo, contar com a ajuda de Maria Renée, confreira boliviana. Como ela decidiu seguir uma faculdade, seu tempo ficou escasso, e há cerca de dois anos voltei eu mesmo a verter os textos para o espanhol. Faço-o porque é difícil encontrar voluntários que queiram ajudar gratuitamente e com o compromisso de não atrasar a versão porque a revista precisa dos textos com antecedência para diagramação e revisão antes de imprimir.

RIE – Como tem sido, durante esses 25 anos, o retorno dos leitores? Há algum caso marcante?

Caúmo – Sabemos que o leitor escreve mais ao articulista quando se trata de criticar, contestar ou discordar de suas opiniões. Mas confesso que não posso me queixar, pois recebo muitos comentários estimulantes. Um dos mais expressivos foi do nosso querido e insuperável conferencista e médium Divaldo Pereira Franco que, em 2005, em Matão, no aniversário de 100 anos da Casa Editora O Clarim, me disse à porta do hotel: “Caúmo, leio todos os seus escritos; gosto muito e aproveito”. O querido irmão com quem já me encontrei algumas vezes em João Pessoa, ainda não me conhecia àquela época. Quem lhe disse meu nome foi o também dileto Miguel Sardano. Outros comentários atenciosos vêm de pessoas que relatam ler, tão logo recebem a revista, meu artigo em primeiro lugar. Dias atrás, a própria confreira Maroísa Pellegrini, ótima articulista da RIE, enviou-me mensagem nesse sentido. Alguns já disseram que destacam a matéria e a arquivam. Lisonjeador, sem ser envaidecedor.

RIE – Quais critérios você utiliza para a escolha dos temas? Existem temas preferidos ou que você se sente mais à vontade para escrever?

Caúmo – Não sei responder, porque não há critério. Pode ser uma inspiração, já que é comum levantar da cama para anotar tópicos de alguma ideia a ser desenvolvida. Outras vezes, são comentários sobre atitudes ou acontecimentos em alguma casa ou de algum dirigente durante nossa palestra. Há ocasiões em que, do nosso estudo semanal sobre O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo, destaco algum assunto relevante da doutrina, imaginando valha a pena divulgá-lo. Assuntos políticos, conflitos sociais e tantos outros servem também de mote para desenvolver um artigo, bem como a autoanálise, tema sempre valioso para o espírita, já que sua maior missão é a conhecida reforma íntima.

RIE – Como abordar temas polêmicos, sendo fiel aos princípios espíritas, e ao mesmo tempo sem gerar falsas interpretações ou revoltas? Você considera um desafio?

Caúmo – Um grande desafio, porque contraria o pensamento da maioria. Em meus livros há artigos sobre chás, shows, bazares, bingos, nos quais destaco a incoerência em fazer certas promoções sob a desculpa de suprir necessidades da casa. Resolvemos o problema material e atropelamos os princípios espirituais. Isso sem falar de bebidas ou jogatinas, rifas, sorteios etc. No nosso centro, recebemos doações para encaminhamento. Por não termos estrutura para organizar uma assistência social que mantenha famílias sob nossa responsabilidade, não fazemos isso. Preferível que o centro tenha menos departamentos e menos atividades, mas que faça bem feito o que já existe, dando bons exemplos. Toda casa que abre deseja logo criar uma assistência social e material. Sopas, enxovais, agasalhos, curas etc. Tudo necessário e importante, desde que possa ser bem feito e sem comprometer o público com doações permanentes. O Espiritismo veio cuidar das almas mais do que dos corpos. Na região onde atuamos, há mais carentes de amor que de pão. Por que temos de dar sopa se eles já têm comida ou agasalho, se já estão bem vestidos? Numa instituição pobre, é justo que um grupo se una para manter os gastos indispensáveis. Aluguel, luz, água, limpeza. Mas se não podemos manter uma casa própria, ofereçamos nossa colaboração noutro centro. André Luiz nos ensina cuidado ao pedir, porque poderá soar como pagamento por serviços prestados.

RIE – Além dos artigos, qual tem sido a sua atuação no movimento espírita?

Caúmo – Dirijo uma instituição, ministro aulas e profiro palestras em muitos centros da capital paraibana e municípios vizinhos, inclusive na Federação Espírita Paraibana. Formamos trabalhadores, organizamos nossa instituição para que ofereça trabalhos de passe, educação mediúnica, desobsessão. Nos setores em que não atuo diretamente, ajudo na coordenação e organização das reuniões. Depois de 17 anos, já temos uma equipe comprometida com a casa, o que nos deixa tranquilos. Fora isso, é da nossa responsabilidade a manutenção financeira do centro. Ninguém dá um centavo de colaboração. Nem trabalhadores nem assistidos. Graças a Deus. As doações que nos chegam visam ao aprendizado da solidariedade e as repassamos para os centros estruturados quanto à caridade material.

RIE – No jornal O Clarim, você mantém uma coluna intitulada “O dia a dia no Centro Espírita”. Em que período essa coluna foi iniciada e qual é o seu principal objetivo?

Caúmo – A ideia é falar do que acontece no centro, baseado em experiência da casa que frequento e das visitas que faço por ocasião das palestras. Outras vezes são temas de cunho moral, sobre datas marcantes. A coluna do jornal O Clarim é praticamente a metade do artigo que vai para a RIE. Foi iniciada em setembro de 1998, com a mudança inclusive do logotipo, por sugestão minha e aprovação da diretoria. Foi-me oferecido o espaço como mais uma deferência do Centro Espírita O Clarim com este embaixador da boa vontade que procura fazer jus à importante oportunidade de mostrar por escrito os seus pensamentos.

RIE – Em seus artigos, é comum ler sobre a rigidez e a disciplina que se deve seguir no aprendizado da Doutrina Espírita. Como você analisa a postura dos espíritas na atualidade, tanto em termos de estudo da Doutrina quanto no comportamento dentro e fora do centro espírita?

Caúmo – A disciplina é algo que se aprende com a própria natureza. O nascimento de uma criança se dá após nove luas, o que permite à mãe organizar o enxoval, o berço, as finanças. Se cada parto se desse de maneira imprevista seria uma tragédia. O lavrador planta o pomar de laranja e pode vender por antecipação porque sabe quando e quanto vai colher. Quando o próprio Emmanuel se apresentou ao Chico para dizer-lhe que escreveriam trinta livros, só pediu ao médium três coisas: disciplina, disciplina e disciplina. A disciplina da dona de casa faz com que se canse menos. A disciplina com o corpo e a vida nos deixa menos doente. No nosso centro, começamos os trabalhos às 20h15. Nesse horário, fechamos a porta para que todos se asserenem e participem da prece inicial e para que o orador não seja perturbado com o entra e sai fora de hora. As pessoas, durante a sessão pública, sentam-se uma ao lado da outra, a partir do canto para o corredor. Assim ninguém passa por cima de ninguém e, já que não permitimos conversa enquanto aguardam, cada um pode ler, meditar ou relaxar, tranquilamente. É o nosso oásis semanal, sem filho chorando, marido atrasado, mulher reclamando. Ali é o nosso momento sagrado e é preciso beber do néctar que a espiritualidade oferece. O espírita ainda é refratário ao estudo. Muitos há que pensam ser o passe a providência mais importante que recebem no centro. O conhecimento é a essência que a doutrina oferece. Os centros que trabalham de porta aberta (quase todos) recebem visitantes que chegam ao faltar cinco minutos para acabar a palestra. Vieram só pelo passe. Se estão iludidos, cabe ao dirigente mostrar-lhes o equívoco. Muitas vezes, quando fazemos trabalhos noutras casas, vemos crianças correndo ou mães brincando com elas, com a conivência de parceiros do lado, sem importar-se com os demais que estão interessados no assunto e com o próprio palestrante que vê desviada a sua concentração. Tudo sob o olhar complacente do dirigente da reunião. Dizem que chamar a atenção é faltar com a caridade. E a caridade com o palestrante e com as demais pessoas? Como fica? Dia desses escrevi matéria para o jornal Comunic Ação, ADE-PR, dizendo que, ao nos iniciarmos como trabalhadores espíritas já não somos nós somente; somos o Espiritismo falado e mostrado. Seja o nosso trabalho de maior ou menor projeção, não importa, somos emissários da doutrina e temos de ter boa conduta. Dentro ou fora do centro; no lar, na escola, no trabalho, na rua.

RIE – Alguma consideração final?

Caúmo – Sou imensamente grato ao Clarim por me permitir externar meus “pontos e de vista” e meu “modo de ver”, no que diz respeito a esta abençoada e libertadora Doutrina dos Espíritos. Mais do que o Consolador Prometido por Jesus, o Espiritismo é o Redentor, porque nos liberta das inseguranças e dos medos, garantindo-nos que a única coisa à qual estamos destinados é a de um dia alcançar a plena felicidade. Obrigado e fiquem com Deus!

RIE  Revista Internacional de Espiritismo – Fevereiro de 2015

Newer Entries