Desta vez não falaremos da casa espiritual, mas da casa material.

Há centros modestos e centros de luxo. Aqueles que têm trinta cadeiras, doadas, uma de cada cor e de cada tipo, umas mais outras menos confortáveis. Não têm microfones com caixas de som, “data shows” para ilustrar as palestras e outras modernidades. Não têm blog na internet nem Facebook para divulgar suas atividades, mas cumprem bem o papel de levar consolação aos participantes, desde que se mantenham fiéis aos princípios da nossa doutrina.

Para compensar a falta de estrutura midiática, oferecem cesta básica, sopas, enxovais e outros bens que o encarnado ainda necessita, porque geralmente se localizam em comunidades carentes e precisam de ajuda até para as despesas mais simples como água, luz, aluguel, material de limpeza e que tais. As pessoas que frequentam esses centros, geralmente de nada reclamam e compreendem que o que recebem nasce da caridade organizada com o sacrifício dos responsáveis pela instituição. Não reparam se as paredes estão com reboco solto, se a rua é de terra ou se o banheiro não é perfumado.

Existem centros, todavia, que oferecem aos frequentadores uma acomodação agradável, com cadeiras confortáveis, todas iguais, dando à sede uma aparência bonita; geralmente bem conservados, banheiro cuidado, água filtrada, copos descartáveis, som bem distribuído, ventiladores ou ambiente climatizado, e tudo o mais que têm direito alguém que frequenta uma instituição onde se paga para entrar ou beneficiar-se do que ali é oferecido; com a diferença que também ali nada se paga. Dão de graça também, como reconhecimento a Deus pela oportunidade que receberam: a de ajudar o próximo.

Se nos primeiros, a simplicidade e a modéstia das pessoas faz com que estejam satisfeitas e agradecidas, é muito comum nos núcleos mais sofisticados encontrarmos aqueles que reclamam do gosto da água ou que o banheiro estava com cheiro não muito perfumoso; como ninguém se oferece para ajudar na limpeza, a casa paga uma serviçal para manter tudo limpo.

Se estiver quente, percebe-se uma movimentação desenfreada, causando mais suor pelo esforço na movimentação do abanador do que propriamente pela temperatura do ambiente. Ficassem calmos, com atenção no que é importante, nem perceberiam o calor; quanto mais reclamam e se agitam, mais calor sentem!

Por que o centro espírita tem que oferecer conforto igual ao da nossa casa ou das salas de espetáculo onde pagamos altos preços pelos ingressos, se vamos ali para nos beneficiar do passe, do conhecimento explicado na palestra, da biblioteca, do estudo regular e até, para os mais lúcidos, para ter a oportunidade de trabalhar pelo próximo quando na verdade faz algo por si mesmo? Lembram o que disse o sábio Francisco de Assis? – “É dando que se recebe!”

Sede de um Centro Espírita! Construção destinada a abrigar-nos do frio, da chuva e das pesadas vibrações do mundo inferior, porque ali recebemos as mais elevadas energias que precisamos para a vida espiritual. Releve os desconfortos, especialmente se você não tem solução nem disposição para ajudar a resolver o problema. Você que nunca levou um quilo de alimento para os pobres, um pacote de copos descartáveis ou uma embalagem com papel higiênico, que você mesmo usa toda vez que vai ao Centro. O Espiritismo não precisa de críticos, censores ou palpiteiros, mas de auxiliares de boa vontade. Se você é um deles, apresente-se para o trabalho. Se ainda não é, comece a pensar em sê-lo. Ir ao centro indefinidamente para ouvir as lições e não mudar uma vírgula no roteiro da sua vida e do seu comportamento é perda de tempo. O espírita nessas condições não é diferente do praticante de outras doutrinas. Só que elas são fechadas e exigem longos cursos de teologia para ter funções nas suas igrejas; além dos dízimos e adjutórios. No Espiritismo não. Em vez de grande bagagem teológica, pede-se ao crente do Espiritismo apenas conhecimento pelo estudo, respeito, atenção e boa vontade. O resto, aprendemos no trabalho à medida que cumprimos nossos deveres como cristãos. Faça algo em seu benefício porque o tempo está acabando!

Grande abraço e boa sorte. Principalmente a você, a quem eu me dirigi mais diretamente!

Jornal O Clarim – Março de 2015