Oração de graça

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Não, eu não invejo ninguém… eu tenho tudo Senhor!
Na manhã cheia de sol eu me sinto feliz
como os pássaros que abandonam o mistério dos ninhos
e são notas de música na pauta dos caminhos

Eu dormi bem, Senhor. como as crianças e os justos,
muito embora eu já tenha sofrido
e já tenha pecado.
– fechei os olhos com as estrelas! e abri-os quando o sol
saltou o muro verde das montanhas
e libertou-se pelo descampado!

Acordei com a madrugada dealbando
e as aves tagarela,
– e ao abrir os meus olhos, já encontrei me espiando
os dois olhos quadrados das janela

Não, eu não invejo ninguém… Eu tenho livres e fortes
os braços, as pernas e o coração…
– E estão limpos os meus olhos e a minha alma é sadia,
– e posso sentir a força dos meus músculos
com um orgulho viril e uma ingênua alegria!

Abro os braços e respiro fundo, como quem sente
e saboreia lentamente um sorvo puro de ar!
E penso então para mim, intimamente:
– que bom, numa manhã de sol assim, a gente respirar!

Canta o ar nos pulmões que vibram como sinos
brônzeos, sincopados, num misterioso som,
e eu repito comigo numa alegria cheia de prazeres incalculados:
– que bom a gente respirar! que bom!

Que bom sentir no sangue os ímpetos da vida
e nos olhos a luz que dos céus se irradia,
como se abríssemos pela primeira vez os olhos
para o primeiro dia!

Sentir-se humano, e amar as coisas simples
encontrando-se de repente livre e puro
depois de tanto tempo cativo,
a repetir tal como eu, atordoado com a própria descoberta:
– eu amo! eu vivo

Não, eu não invejo ninguém… e quero dizer ao mundo
por que me sinto feliz…
Há tanta gente como eu que está vivendo
e segue se maldizendo sem saber o que diz…

Eu tenho tudo, Senhor…Eu tenho tudo, Senhor…

Posso vestir-me e sair, deambular pelas ruas;
olhar as casas, ouvir os pássaros, acompanhar os navios
partindo e chegando;
ou sentar-me no banco dos jardins, sob a sombra ainda fria
das árvores para sentir-me criança outra vez, na alegria
da criança sorrindo e brincando…

Sentar-me no banco das praças, junto aos lagos e às ermas
dos poetas, a olhar os repuxos bailarinos
esquecido do tempo e sem saber quem sou eu…
– para reler aqueles versos claros e divinos
que um dia. Raul de Leoni escreveu…

E posso debruçar-me nas amuradas a observar
as gaivotas que mergulham, os ônibus que correm,
ou os reflexos do sol liquefeito no mar…

E posso ir às praias encontrar-me com as ondas,
meter os pés descalços nas areias úmida,
correr como um menino ou como o vento!
– e escalar as montanhas, e fugir pelas estradas
sem saber por muito tempo qual o próprio destino
do meu pensamento!

E posso entrar nos “cafés”, e deixar-me ficar
para ver todo mundo que passa nas ruas;
e admirar as vitrinas e desejar as mulheres!
– tudo isso eu posso fazer!
E posso amar, e posso pensar, e posso escrever!

Não, eu não invejo ninguém . . . Eu tenho tudo. Senhor!

As ruas, as praças, os jardins, os caminhos,
as árvores, o mar, a alegria das crianças,
o ar com que encho os pulmões…
E o ruído das ondas, e o sussurro das folhas, e a música das água.
e as cores, e os perfumes, e as formas, e os sons!

Eu tenho tudo. Senhor!… Eu tenho tudo. Senhor!

Tenho demais talvez, porque ainda trago um coração
que compreende a grandeza dessa graça, e a infinita beleza desse amor!…

– Obrigado, Senhor!…
(Poema de J.G. de Araújo Jorge – do livro Eterno Motivo –  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras – 1943)

Espiritismo e Espiritualismo

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Uma importante explicação: Mediunidade e Espiritismo são coisas muito diferentes.

Em 1857, quando organizou O Livro dos Espíritos, o professor francês, católico, Denizar Rivail, o que ao lançar a obra adotou o pseudônimo Allan Kardec, fez constar no prefácio que as palavras espiritualismo e espiritualista já não comportavam novas definições; “para ideias novas, palavras novas”, disse o escritor. Criou, por tal razão, os neologismos espiritismo e espírita ou espiritista. Veja-se no item I do Livro, na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita.

Importante esta distinção, porque há equívocos inclusive na grande mídia que mostra desinformação no que divulga. Espiritualistas, ou adeptos do espiritualismo, são os que não são materialistas; portanto, todos os religiosos são espiritualistas: católicos, protestantes, incluindo os chamados evangélicos, os budistas, os umbandistas, os seicho-no-ieistas, os messiânicos, etc. Os espíritas são também espiritualistas: espiritualista-espírita, como há espiritualista-evangélico, espiritualista-católico, espiritualista-budista ou espiritualista-umbandista…

A confusão é ainda maior quando envolve a mediunidade, que é atributo de todas as criaturas, independente de religião, até mesmo de ateus. Certa vez alguém me disse: “Padre Gregório da Igreja de São Judas Tadeu, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, é espírita”. Disse-lhe: “Não é possível; ele é católico, como pode ser espírita? ”A pessoa então completou: “É espírita sim! Ele olha pra você e vê as doenças que você tem…” Ao que aduzi: “Você quer dizer que ele é médium vidente, não espírita; há médiuns em todas as religiões …” Meio sem entender o que eu disse, a pessoa deu de ombros e saiu. Confunde-se mediunidade com espiritismo.

Ouve-se sobre os seriados que tratam de assuntos espirituais que são novelas espíritas. O que ali é tratado, explorado e divulgado são os fenômenos mediúnicos, não o Espiritismo que é uma doutrina científico-filosófico-religiosa, que não se restringe ao estudo da mediunidade, mas cuida da reforma do homem. Está em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XVII-Item 4: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.” Jamais foi dito que o espírita é reconhecido pelas palestras, pelos passes que aplica ou pela mediunidade praticada. Nem pela caridade. Para isso não é preciso ser espírita. Espero ter deixado claro e que as confusões sobre o assunto desapareçam. Pelo menos nos meios de comunicação que têm o dever de informar corretamente.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 29/05/2015

Responsabilidades

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Neste 25 de maio de 2015, a nossa colaboradora Marianne Rangel fez sua primeira apresentação como palestrante regular da Casa dos Essênios, ficando a seu cargo a explanação do Evangelho toda 4ª segunda-feira do mês.

O trajeto percorrido até aqui foi o de sempre. Visita à casa para assistir a uma palestra, entrevista no atendimento fraterno, tratamento com passes (sempre procuramos o centro por algum desajuste) e estudo. Muito estudo.

Diante da assiduidade e interesse o convite para as tarefas. Devidamente aceito, curso de passes e integração nos trabalhos de assistência espiritual e, posteriormente, em outros trabalhos, inclusive no setor mediúnico coordenado por Walkiria Lucia, que também chegou ao trabalho seguindo a mesma trajetória. Aliás foi por recomendação de Walkiria que oferecemos a oportunidade à nova palestrante, depois de fazer com ela brevíssimo treinamento quando constatamos que a trabalhadora estava pronta. Percebam a atenção das pessoas na foto para confirmação do que afirmamos.

Pela responsabilidade que a concessão exige, já que tudo o que é feito ou divulgado no centro envolve o próprio Espiritismo, pois o dirigente é o guardião da doutrina em sua casa, não entregamos o microfone de nossa tribuna com muita facilidade. Só quando temos certeza de que o Espiritismo não será arranhado por conceitos mal direcionados ou maus exemplos que sirvam para denegrir a própria doutrina. Daí ficarmos muito felizes quando o êxito aparece.

Confiamos que os Essênios estão agradecendo pelo trabalho que nos deixam fazer em seu nome e que também nossa ex-presidente e fundadora da casa deve estar feliz com o andamento das atividades.

De nossa parte, como presidente, circunstancialmente, agradecemos não apenas à Walkiria e Marianne, mas a todos os eficientes colaboradores da casa, sempre assíduos e conscientizados.

Minhas rimas com verdades

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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Sempre que me é possível, faço o bem! E vou dizer a todos porque faço; porque quando eu não sirvo a ninguém me vejo insatisfeito e me embaraço. O bem enche de glória o coração, porque nos faz sentir grande prazer e causa, além de tudo, uma emoção que aumenta esta alegria de viver.

É sempre bom demais ser generoso, e assim viver sereno e envolto em paz, porque vai se dar conta, o que é bondoso, que Deus o recompensa muito mais. Quem tem seu coração embrutecido, cultiva o mau humor, vive nervoso; só anda de abdome contraído e é sempre um infeliz, um lamentoso…

A vida é para ser bem desfrutada, pois a cada segundo isso é possível, se a mente não estiver contaminada e o homem não for do tipo sensível; aquele que se ofende por migalhas e tudo lhe parece de importância, que vive discutindo até por tralhas, porque é do tipo escravo da ganância. Percebam como precisamos pouco, para levar avante a nossa vida, mas nós nos conduzimos como um louco, juntando o que não serve na partida. Depois deste minuto no planeta, quando o tempo do fim já se avizinha, nessa hora em que a coisa fica preta e temos de voar como andorinha, só cabe utilidades na bagagem, pois bens aqui da Terra não levamos, já que será sem volta esta viagem e daqui quase nada precisamos.

As reservas, já ensina o Evangelho, devem ser das que se usam lá no céu, porque o resto na Terra fica velho e serve simplesmente de escarcéu; gera briga de herdeiro ganancioso, o que reza até mesmo pela morte daquele que se julga poderoso e humilha até os seus filhos e a consorte.

Por isso quem portar qualquer tesouro, produzido no tempo aqui da Terra, transforme cada pepita de ouro em virtude da que n´alma se encerra. Daí porque falei logo no início, que apenas sou viciado em fazer bem, pois não quero habitar num outro hospício no dia em que eu for morar no além!

Eu sei que muita gente não aceita ser esta a forma certa de viver… Mas se não concordar com esta receita, há sempre outra opção: pague pra ver!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 8 de maio de 2015

A beneficência

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“A beneficência, ou a ciência de bem fazer, a arte da ação do Bem é, do ponto de vista da psicologia profunda, o compromisso de humanidade para com as criaturas no seu sentido mais elevado.” – Joanna de Ângelis/Divaldo Franco. (Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda)

As religiões de modo geral, preceituam fazer a caridade, mas não explicam com maior profundidade o sentido de fazê-la. A Doutrina Espírita mostra-nos que se realizando o bem para com o próximo estamos fazendo o bem a nós mesmos, transmitindo ao outro, parcela construtiva de nós.

Em virtude da mercantilização e a própria cultura moderna o ser humano acaba por supervalorizar a parte fisiológica, a busca das coisas em detrimento das pessoas. Encarcerando-nos nelas, deixando de lado a busca psicológica por ideais superiores.

A beneficência representa uma catalizadora e reeducadora das emoções. Permitindo o contato destas já adormecidas com as suas necessidades reais. Um dos pontos que catalogamos nas comunicações espirituais é o arrependimento de tais criaturas por terem buscado tanto ter e parecer e deixaram de ser e estar.

Jesus foi um grande educador. Ele usava o exemplo para ensinar. A teologia acaba engessando Jesus em dogmas e prescrições religiosas. A Doutrina Espírita nos traz um Jesus que ama e ampara a todos; alivia a muitos e ensina, através do exemplo, o caminho do bem. Ele procurou falar de uma forma tal, que a sua mensagem nos tocasse profundamente. Que o Eu Divino que Ele trazia em Si e transmitia na Sua mensagem rediviva entrasse em contato com o Eu Divino que habita em nós.

“Homem que perscrutava o âmago do ser com a visão penetrante do amor, cuida sempre de ensinar a autoiluminação, para diluir toda a sombra da ignorância em que se encontra mergulhado o indivíduo nesta fase do seu cometimento evolutivo.” (Jesus e o Evangelho Segundo a Psicologia Profunda, cap. A Beneficência). Joanna neste capítulo nos fala que Jesus converteu o humanismo em humanitarismo. Fez com que o olhar da criatura saísse de uma doutrina centrada no homem e passasse para uma doutrina centra na humanidade e no bem-estar desta. A pessoa deixa de alimentar as “paixões servis” para se autoiluminar trazendo alegria e bem-estar para o outro. É fazer para o próximo àquilo que gostaria que lhe fosse feito.

Jesus ia além: Ele não só socorria as necessidades aparentes da criatura. Ele buscava as não percebidas. Todos que o buscavam encontravam alívio para as suas dores, mesmo as não reveladas. É assim que Deus age conosco. Somos atendidos não naquilo que pedimos, mas naquilo que realmente temos necessidade. Vemos exemplos disso no Evangelho Segundo o Espiritismo em todo o seu capítulo XIII, destacando os itens: Infortúnios Ocultos e A Beneficência, da qual extraímos a seguinte afirmação: “Compreendei as obrigações que tendes para como os vossos irmãos. Ide, ide ao encontro do infortúnio; ide em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas!” (item 11, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII).

Infelizmente as criaturas saíram de um Deus punitivo para passarem a glorificar o consumismo, bombardeados que somos pela propaganda. Todos estão sorrindo, todos estão felizes. Expõem mulheres e homens seminus. Vendem a imagem do prazer sexual. Mexem com a libido, excitam o desejo. Enfim, estimulam a parte sensorial no que há de pior.

Jesus sai de um molde pré-estabelecido e nos convida a reforma de si e a busca pela autoiluminação através da prática da beneficência, “da ciência de bem fazer”. Isto representa uma forma diferente de enxergar a vida, identificando-nos com a simplicidade e a grandeza moral de Jesus.

“Todos vós podeis dar. Qualquer que seja a classe a que pertençais, de alguma coisa dispondes que podeis dividir. Seja o que for que Deus vos haja outorgado, uma parte do que Ele vos deu deveis àquele que carece do necessário, porquanto, em seu lugar, muito gostaríeis que outro dividisse convosco. Os tesouros da Terra serão um pouco menores; contudo, os tesouros do céu ficarão acrescidos. Lá colhereis pelo cêntuplo o que houverdes semeado em benefícios neste mundo.” (Item 11, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII)

Estar encarnado é uma benção. Somos coroados de bênçãos a todos os momentos de nossas vidas. Mas o que ocorre é que muitos de nós acreditam que são deserdados e por isso só recebem a pior parte. Todos temos o nosso quinhão de testemunho perante as Leis Divinas, situações a serem reajustadas, aprendizados que precisam ser completados, informações que estão equivocadas e que precisam ser esclarecidas. Mais em todos os momentos podemos de alguma forma aliviar a dor do outro: agindo para o bem da humanidade enquanto buscamos o reequilíbrio em nós mesmos.

Conta-se que uma nobre senhora ia durante o silêncio da noite acalentar o coração dos que não tinham mais esperança de viver, pois estavam vivenciando o momento de uma doença terminal. Ela que não conseguia dormir, em vez de buscar ajuda nos psicotrópicos, buscava o irmão em dor, doando de si amor e recebendo alento de vida tendo a certeza que existem dores cruciais a envolver a muitos durante a encarnação e que alguns destes sofrem num leito de morte sem possuírem uma mão amiga que venha lhe aliviar a solidão. Sempre podemos acrescentar algo de bom no outro, sempre podemos fazer a diferença na vida dos outros, como também já fizeram e fazem a diferença na nossa. O remédio para as nossas dores está em nossas mãos: a autoiluminação e o nosso próximo!

Jornal O Clarim – Maio de 2015

Amor e Caridade

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Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante – walkiria.wlac@yahoo.com.br 

“Quando o amor exausto, após a jornada cansativa pelos séculos, parou para proceder a um balanço das atividades desenvolvidas, constatou, entristecido, que após tantos e incessantes labores, poucos resultados positivos apresentavam as suas lides edificantes.” (Livro Mediunidade: Desafios e Bênçãos – cap 1 – A Mensageira Sublime, Manoel P. de Miranda, psicografado por Divaldo Franco)

O amor observou que mesmo com todo esforço empreendido de sua parte a criatura humana continuava odiando o outro. Mesmo ele procurando difundir a fraternidade. Isso o entristeceu, gerando-lhe súbita aflição. Desde que o Mestre havia partido, ele saia solitário recolhendo para si aqueles que ainda ousavam propagar a palavra do Cristo. Evocando sempre a figura Dele para incutir a esperança. Esteve junto com os outros para se despedir do Mestre na sua hora de agonia.

Disfarçava-se hora como tolerância, ora como esperança, ora como alegria para continuar difundindo a fraternidade. Mas via que a sua entrada era interditada nos palácios, nos círculos do poder e que sua voz solitária ainda era ouvida pelos seguidores do crucificado.

E por sentir-se triste, rogou ao Mestre que o ajudasse, pois não queria que o empreendimento que lhe foi confiado descambasse para morte ou o esquecimento. Pois que, neste momento ele ouve a voz do doce Rabi a lhe dizer: “Dar-te-ei alguém que de agora em diante cobrirá tuas pegadas, por onde quer que vás, com o perfume da minha ternura. Estará ao teu lado em todas as investiduras novas e falará no teu silêncio com a poderosa voz da ação realizadora. Jamais tornarás pelas sendas do serviço a sós.”

A voz se cala e o amor ao olhar para o Céu vê um coração flamejante que desce e funde-se ao seu. Começava ali uma era nova para a fé. O Consolador Prometido chegava aos corações humanos através das mãos iluminadas do Mestre Lionês. Este coloca como divisa desta nova Doutrina: Fora da Caridade não Há Salvação. Desde este dia o amor nunca mais esteve sozinho. Ele anda de braços dados com a caridade construindo o mundo cristão.

A frase: Fazer o bem sem olhar a quem toma contornos profundos quando a observamos sob a ótica da Doutrina Espírita. A semelhança do Samaritano anteriormente visto no Evangelho, ele ajudou a um judeu, que era seu perseguidor. A proposta do Fora da Caridade não há Salvação é sairmos de uma perspectiva psicológica infantil e agirmos de forma amadurecida.

Muito já se falou sobre perdão das ofensas. A doutrina nos apresenta a representação viva do que vem a ser este perdão, quando nos convida a dar um passo a mais com relação a quem nos ofendeu: Não é mais o esquecimento das ofensas (não nutrir ódio), mais ajudar aquele que nos ofendeu. Para muitos de nós parece uma verdadeira agressão tomar tal atitude, e o é em muitos momentos de nossa encarnação. Mas a Divindade compreendendo a nossa dificuldade, permite-nos afastar de quem nos agrediu, por alguns momentos, indo de horas até encarnações. Mas em sua sabedoria coloca em nossa caminhada instrumentos de exercícios outros, semelhantes aos primeiros, para que possamos treinar o amor-caridade até chegarmos ao ápice do aprendizado.

A visão que temos que seguir a nossa índole em virtude dos atavismos é um argumento que não tem fundamento. Tudo se disciplina, inclusive ele. A desculpa que a nossa natureza é assim não pode mais fazer parte daqueles que nos dizemos espíritas. O que gera dificuldades, isto é compreensível, é que estamos a milênios fazendo as coisas do mesmo jeito, tendo a mesma postura. A própria doutrina espírita faz parte de nossas vidas há pouco mais de 150 anos. Para uma revelação do porte da Doutrina, podemos considerá-la como um bebê que começa a engatinhar agora. “Jesus aceitou o ambiente em que deveria viver, mas não permitiu que o mesmo Lhe influenciasse a conduta, alterando-Lhe o programa que trazia de Deus para a renovação estrutural das criaturas e do mundo social daquele e de todos os tempos futuros.” (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda – cap. Luz da Caridade. Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco).

Algo que precisamos repensar é se o que estamos fazendo é porque acreditamos ou porque alguém nos impôs? Somos espíritas, católicos, protestantes, budistas ou de qualquer outra religião porque nos afinamos com aquela religião ou porque outros nos impõem? E sendo adeptos daquela religião, o somos porque entendemos seus postulados ou porque seguimos A ou B que é representante daquela religião? Entendemos os princípios ou gostamos do modismo que aquela religião representa? Onde estivermos, precisamos estar ajustados. Ser por ser espírita não é resolução de vida. Antes é comodismo diante do todo.

Quando proferimos Fora da Caridade não há salvação estamos estatuindo uma moral nova em nossas vidas, pois estamos estendendo ao próximo, seja ele quem for, até aqueles que nos queiram ou que realmente nos façam o mal, o bem que há em nós. Mesmo sabendo que o outro, nosso adversário, se estivesse em nosso lugar, provavelmente não agiria da mesma forma. O compromisso de fidelidade firmado entre o amor e a caridade faz com que façamos o bem sem olhar a quem.

“Crer é uma experiência emocional, mas saber é uma conquista da inteligência que experiência a realidade e se deixa arrebatar, nunca mais alterando a consciência em torno do que conhece. Pode-se mudar de crença; mas, quem passa a saber, enquanto vive em clima de normalidade, nunca mais ignora. Está ciente e vive consciente.” (Livro Jesus e o Evangelho a Luz da Psicologia Profunda – cap. Luz da Caridade. Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco).

Fora da Igreja não há Salvação. Fora da verdade não há salvação poderíamos dizer que é uma inverdade. Colocando a igreja ou qualquer outro templo religioso como salvador imporíamos aos frequentadores dogmas particulares, exclusivos e absolutos. Alimentaríamos o sectarismo e tudo que decorre dele. Também com relação ao fora da verdade não há salvação, pois nenhuma religião pode levantar o estandarte de possuir a verdade absoluta sem mesclas. A boa religião é aquela que aproxima de Deus o homem. Conhecemos da verdade o que o nosso adiantamento intecto-moral permite.

RIE – Revista Internacional de Espiritismo

Uma importante virtude – A humildade

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Provavelmente a mais difícil e incompreendida das virtudes humanas.
Confunde-se com pobreza quando ela é, na verdade, uma das maiores riquezas do espírito. A humildade é atributo do espírito que já venceu seu defeito contrário e um dos piores que o homem tem: o orgulho. Não se pode ser humilde e orgulhoso ao mesmo tempo. Isso significa que há muitas pessoas bastante pobres, de vida miserável mesmo, que não são humildes. Trazem ainda na sua bagagem de outras encarnações as raízes do orgulho e o fato de viverem vida difícil não é o suficiente para que amoleçam as forças desse defeito gravíssimo, inerente a quase todas as criaturas do mundo.
Quando há campanhas de distribuição de bens às famílias carentes, observamos claramente tais atitudes. Pessoas que exigem, em vez de agradecer humildemente, e ficam absolutamente desconfortáveis pelo fato de terem que estender a mão para receber a ajuda. Sentem-se mal por estar nessa situação. Precisar vira sinônimo de humilhação. No entanto, do outro lado pode estar alguém que não precisaria participar daquele momento, mas por agradecimento à vida, já tendo vencido o orgulho, vai ali oferecer seu generoso donativo, com o cuidado para não ofender aquele que já sofre pela própria dificuldade em que vive. Poderia alegar simplesmente que não é responsável pelas misérias do mundo e manter-se longe do serviço de socorro. No entanto, participa e sente-se bem por ajudar.
Fica claro, portanto, que mesmo que uma pessoa esteja elegantemente vestida, ornamentada por enfeites caros, nada impede que ela seja humilde. Mesmo porque, se não comprarmos o que os outros produzem eles não terão emprego nem como manter seu sustento e o de sua família. A forma como se usa uma joia, a naturalidade, e se não puder tê-la não invejar o outro é o que caracteriza a humildade. Não fazer do enfeite algo mais importante que a própria pessoa. Há quem cuide tanto do cabelo, da unha, da plástica e se esquece dos adereços espirituais: a alegria, a serenidade e da paz interior. Há uma trova que diz: Humildade flor sublime, nascida na luz do bem, que o homem logo perde, quando acredita que tem.  Os humildes geralmente não tem ideia que o são. “Humildade é aquela virtude que quando você percebe que tem já a perdeu.” Diz-nos Andrew Murray, religioso e escritor da África do Sul.
O humilde age com naturalidade e não valoriza a embalagem mais que o produto. Enfeita-se e higieniza-se naturalmente porque faz parte das regras da sociedade; mas não exagera. Não faz do corpo físico, perecível, algo mais importante que o espírito eterno. Cultiva a beleza interior mais do que a de fora. Todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. Evangelho de Lucas.
Nem como brincadeira deveremos dizer: “tenho muito orgulho da minha humildade!” Não somos contra a beleza exterior, mesmo porque a nossa cara pertence ao outro. É ele que nos vê naturalmente. Nós para ver-nos precisamos do espelho. Justo apresentar-nos bonitos para alegrar quem nos vê. Mas, como diz a propaganda, sempre com moderação. Quando entendermos que a palavra humilhar não é ofensiva, porque é sinônimo de humildar-se, fazer-se humilde, ficaremos menos magoados  quando tentarem nos insultar. Como quando nos chamam de pobre de espírito, ou seja, humilde de espírito. É um elogio, não uma ofensa. É preciso estudar sempre as lições de Jesus porque são cheias de sabedoria.
Quem entender os mecanismos do Evangelho está livre do mundo, mesmo vivendo no mundo. Estará liberto, mesmo que recluso numa cela. Terá as mais importante das liberdades: a consciência tranquila.

Jornal O Clarim – Maio de 2015

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