Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Secular provérbio diz: “Você é senhor da palavra contida e escravo da palavra proferida.”

A palavra, falada ou escrita, é a materialização do pensamento. Com ela construímos ou destruímos. É preciso cuidado no seu uso. Em sua epístola o apóstolo Tiago advertiu: “Se alguém não tropeça na palavra o tal é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo.” “Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos para que nos obedeçam. Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas.” Não nos percamos pela língua!

Emmanuel, mentor de Chico Xavier, dizia que o homem guarda uma arma embainhada na boca; a língua, evidentemente. O mesmo Chico disse que sua mãe lhe receitou certa vez a água da paz. Como não a encontrasse ela lhe disse: “Está aí, nessa talha sobre a pia. Ingira-a e a deixe na boca enquanto durar sua raiva. Só depois que passar, beba-a.” George Foreman, o lutador americano, disse que aprendera em criança que se não pudesse falar bem de alguém, ficasse calado. Muitos se guiam por nossas ideias. Há os que são ídolos do público e não se dão conta que interferem na vida dos fãs. Fazem declarações levianas, além de exibirem comportamento que deseduca, como certos famosos de pouco senso.

Duas categorias que usam mal as palavras são políticos e economistas. Sempre cheios de ideias originais e “achismos”, preenchem espaços ociosos da mídia com afirmações que não passam de chutes, mas que acabam por fazer estragos. Dizem que a crise está grande e vai piorar. É o que eles “acham”. E quem acredita, sofre por antecipação. Não compra, não investe, não arrisca, não poupa e não progride!  E aí a crise se instala mesmo, porque é fabricada por nós que damos importância às tolices divulgadas pelos profetas do quanto pior melhor!

Todo político diz que o partido do outro nunca fez algo útil; bom é o partido dele. Geralmente o que já foi governo e só produziu bobagens. Mas eles sabem que o povo é uma porção de ninguém. Daí ex-ministros da economia posarem de sábios para dar receitas salvadoras!

Dia 7 de junho, em crônica neste jornal, o Dr. Roberto Cavalcanti citou frase que pedimos licença para reproduzir. “O mundo – em toda a sua imensidão – cabe dentro de um chapéu. Pois tem o tamanho exato da nossa cabeça.” E nós completamos: pena que tenhamos cabeça de formiga.

Cada um deveria aprender a administrar a própria vida, o seu bem mais precioso! Conduzir-se; não ser conduzido! Pensar com sua mente, não com a dos outros… Acorda povo!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 19/06/2015